<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589</id><updated>2012-01-14T02:08:08.056-02:00</updated><title type='text'>Que Momento!</title><subtitle type='html'>Porque quando acontece algo muito marcante na sua vida, o melhor a fazer é respirar fundo e dizer: que momento!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>523</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-2305136479073590279</id><published>2012-01-03T10:05:00.000-02:00</published><updated>2012-01-03T10:05:48.675-02:00</updated><title type='text'>Como incinerar suas últimas horas de férias</title><content type='html'>Tudo começou com o balaço que tomei no reveillón. Tá certo que foi épico, que a festa estava maravilhosa e talicoisa, mas é fato que o álcool costuma desregular o raciocínio de seus consumidores, levando-os a cometer certas insanidades cujos ônus são deveras inóspitos, cobrados a juros altíssimos e correção monetária desumana.&lt;br /&gt;Findo o porre do Feliz 2012, o domingo foi aquele dia em que o cidadão passa mais atirado que alpargata em cancha de bocha. Estava eu lá, inalando aquela fumaceira aprazível do churrasco de aproveitamendo das carnes sobradas na noite anterior, não podendo nem lembrar do gosto da cerveja ingerida irresponsavelmente. Ela, que outrora fora tão saborosa... Permaneci ali, sabedor de que aquela ressaca ainda duraria intermináveis horas, até que o sono tomasse conta de meu ser e me levasse para outra dimensão, aonde os porres se dissipam ao som das harpas de querubins advindos d'algum canto desse mundão véio que Deus criou em seis dias, descansando só no sétimo, o que nos levou à condenação de fins-de-semana com míseras quarenta e oito horas de descanso.&lt;br /&gt;Exatamente às nove e meia da noite de domingo, meu penúltimo dia de férias, adormeci. Ao que, às seis e meia da matina, para surpresa geral da nação e dos galos habitantes das cercanias do condomínio, despertei lépido e faceiro, como se nada tivesse acontecido. Acometido de um gauchismo impetuoso e bagual, cevei um mate e iniciei o dia assistindo às notícias do Bom Dia Rio Grande. Ao que tudo indicava, meu último dia de descanso seria aproveitado até a última gota, uma vez que eu esbanjava disposição para curti-lo.&lt;br /&gt;O equívoco, no entanto, não tardou a surgir. Foi ao folhear a página do jornal em que continham as ofertas de animais para venda, onde repousava suavemente o anúncio de filhotes fofos e gorduchos da raça Collie, os peludões tipo Lassie, manjam? Pois é, cachorro campeiro e tudo mais, cresci o olho e decidi pela aquisição impulsiva, a fazenda necessita de um novo guarda desde o sumiço do meu velho amigo Aladim, que resolveu deixar os pagos talvez pelo olor do cio de alguma pinguancha canina e nunca mais encontrou o caminho de volta. Faço votos que esteja, pelo menos, grudado n'alguma percanta beiçuda Rio Grande a fora, pelo bem da continuidade da espécie.&lt;br /&gt;Pois bem, procedi com a compra do filhote. Uma bolinha gorda que dá até gosto de ver, pelo menos enquanto dorme. Ou dormia. Sim, foi por aí que começou o martírio. Até dez da noite, o rapazinho regozijou de um sono paquidérmico, daqueles de estufar a pança e soltar o ar em prestações de suspiros agudos e profundos. Porém, quando a vizinhança e os casais de boa reputação resolveram dormir, o que inclui neste rol minha adorada esposa e eu, eis que o baita arregalou o grão dos olhos e resolveu que haveria festa na floresta.&lt;br /&gt;Os primeiros capítulos, como todo filhote que se preze, vieram literalmente regados a muita urina e algumas tirinhas de fezes. Alie isto à primeira dose do vermífugo que eu havia administrado por via oral à tarde, e teremos o seguinte diálogo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha lá, Dani, a sujeira que ele fez! Eu te disse para não tirá-lo da caixa, agora vai virar numa imundícia a nossa sala! Limpa lá, por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá, tá, peraí... Ei, ele por acaso comeu massa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Esses fiozinhos que tu tá vendo aí são o resultado do remédio de vermes que eu dei à tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- (Danieli proferindo grunhidos de nojo, ânsias de vômito e risadas enlouquecidas, tudo ao mesmo tempo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sono abalroava-me estupidamente, fruto de meu despertar "muy temprano". Decidi que ignoraria a bagunça do cãozinho e dormiria normalmente em meu último dia de férias. Enquanto isso, a Dani ficou tentando entretê-lo com mantas peludas, ração e toalhas velhas. Forramos o lavabo com jornal e o abandonamos por lá à própria sorte, que o dia seguinte seria de labuta ferrenha, o famigerado Dia de São Pega.&lt;br /&gt;Duas e cinquenta da manhã. Este foi o limite da paciência do menor abandonado. A partir daí, o que se ouviu foi uma sequência frenética de ganidos impacientes, que devem ter acordado até mesmo os monges do longíncuo Himalaia, se é que há algum monge por lá, no meio de tanta neve. Meu despertar lento levou a Dani a fazer as honras e, como macho da casa que é, tentar resolver a situação. Em quinze minutos, o bicho calou a boca e voltou a dormir. "Tchê bagual, casei com Virgulino Lampião, cabra hômi da peste!", pensei. Quarenta segundos após cerrarmos as pálpebras, a celeuma recomeçou. "Toleimas, casei com o Sassá Mutema mesmo", refleti.&lt;br /&gt;Diante daquele impasse, na sofreguidão de salvaguardar ao menos o sono dos vizinhos, levantei da cama e arremessei o restante de meu descanso para as bandas de Saturno, reduto aonde aconchegou-se minha paciência uma hora mais tarde. O fato é que dei ração, água, tapinha na bunda, cantei Nana Nenê, tudo isso enquanto assistia a uma série de comédia no Universal Channel, uma tal de Will e Grace, que no fim das contas é uma baitolagem do caramba, com todo o respeito aos direitos humanos e à livre orientação sexual.&lt;br /&gt;Naquelas alturas, tudo o que eu queria era que o bicho adormecesse uma horinha que fosse, para que eu pudesse ao menos pregar os olhos e chegar com um semblante decente no retorno ao trabalho. Bem, creio que não deve ser difícil concluir que isso não ocorreu, né? Às cinco da manhã, antes de ultrapassar a barreira da psicopatia e sufocar o inocente com um pano de prato, pedi à Dani que o embalasse mais um pouco e me concedesse uma última tentativa de sono reparador.&lt;br /&gt;Foram intermináveis sessenta minutos rolando na cama. O sono já havia pego o primeiro avião com destino à felicidade, e só me restou apelar para Nossa Senhora do Guaraná Cerebral, esta santa que me salva quando durmo menos de cinco horas por noite e me mantém alerta até o fim do expediente, ainda que mais lento que tropeada de lesma, mas vá lá.&lt;br /&gt;Às seis e meia da manhã, já de banho tomado e pronto para o batente, "que venha 2012" e aquela pataquada toda, levei nos peitos o tiro de misericórdia: enquanto eu partia no modo zumbi para o serviço, o pequeno infante, sadio, grimpante e desverminado, dormia impiedosamente em cima de uma manta velha de lã, parte dos artifícios infindáveis da Dani usados durante a madrugada nas tentativas de hipnose canina. Diante daquela cena desmoralizante, com o cérebro em frangalhos e o corpo virado num chapéu velho, restou-me apenas um último resquício de dignidade para admitir a derrota e batizar o cachorrinho: se chamará MADRUGA. Tenho até medo do panorama que encontrarei quando for em casa ao meio-dia para vê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Não está descartada a hipótese de irmos hoje, após o expediente, até São Chico para entregá-lo de uma vez aos meus avós e, queira Deus, podermos recuperar o sono perdido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-2305136479073590279?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/2305136479073590279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=2305136479073590279&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/2305136479073590279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/2305136479073590279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2012/01/como-incinerar-suas-ultimas-horas-de.html' title='Como incinerar suas últimas horas de férias'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-3543130016640849333</id><published>2011-12-22T00:04:00.002-02:00</published><updated>2011-12-22T00:04:38.043-02:00</updated><title type='text'>Passando a régua</title><content type='html'>Este blog já passou por Natais e Reveillóns bem distintos. N'alguns fiz retrospectivas, registrei momentos e pessoas especiais. Algumas seguiram comigo na caminhada, outras ficaram esquecidas e empoeiradas nas linhas do passado, e só não foram deletadas por piedade. Em contrapartida, outras vezes o blog passou despercebido no encerramento do ano, jogado num canto enquanto eu talvez tentasse reorganizar a vida e escolher o rumo certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois mil e onze, no entanto, foi bem diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este foi um ano intenso, significativo e especial, que ficará marcado para sempre na memória, ainda que por aqui não se tenha convertido fatos em linhas e relatos. Todas as vezes em que eu pensava em escrever ou contar alguma coisa, era impedido por algum preparativo, um detalhe a ser resolvido, um passo a mais a ser dado.&lt;br /&gt;Ainda chegará o dia em que começarei a escrever sobre o casamento e, mais especificamente, sobre a vida de casado. No entanto, não é chegada a hora certa, uma vez que este tipo de assunto já não envolve mais só a mim, mas também a interpretação de uma segunda pessoa. E, sim, se antes eu já dosava bastante o que escrevia, agora sob o crivo de uma esposa tudo muda de figura.&lt;br /&gt;Porém, não pensem que estou subliminarmente pintando a Sra. Dutra com as cores do capeta. Bem pelo contrário, nosso casamento foi um acontecimento que estremeceu até o mais ortodoxo eixo da Terra, quem esteve presente sabe bem do que estou falando. Contrair o matrimônio foi uma das decisões mais acertadas que já tive até hoje, e foi justamente por isso que este ano terá para todo o sempre um significado especial.&lt;br /&gt;Além de mudar a aliança para o anelar da mão esquerda, outras passagens também tiveram farta dose de relevância. Ora, não pensem que um marmanjo barbado que sai da casa da mamãe aos 25 anos não treme na base. Os primeiros dias foram dignos de um aparte campeiro, onde meu coração berrava junto à cerca feito um terneiro desmamado, não é fácil desfazer a simbiose maternal. Bueno, mas uma semana depois eu percebi que seria mais fácil do que imaginava e a situação alinhou. Hoje chego em minha casa com a parcimônia de um boi de canga (MOCHO!) e desfruto do aconchego do agora novo lar, doce lar.&lt;br /&gt;Trocar de emprego, por exemplo, foi bem mais traumático, ainda que não tenha aparentado. A vida profissional, outrora mansa e caudalosa, virou uma montanha-russa. Não vou entrar em detalhes, mas posso afirmar sem medo que sinto muitas saudades da multinacional, dos benefícios e dos amigos que deixei por lá, mesmo que já tenha renovado o círculo de amizades no emprego novo. Felizmente, tenho facilidade para me relacionar com as pessoas.&lt;br /&gt;Houve o Calixto! Em 2011, esta equipe foi boa parte da minha vida. Tendo sido aclamado presidente no início do ano, envolvi-me com o futebol de tal forma que, admito, até cansei. Atualmente, confesso que preciso de uns dias de férias do mundo da bola, porque ser dirigente é algo deveras intenso. Contudo, como volante minhas atuações em campo não foram satisfatórias, preciso ter autocrítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes foram os fatos principais, mas a vida não girou só em torno de casamento, trabalho e futebol em 2011. Aliás, é importante ressaltar que a organização do enlace matrimonial foi de suma importância para rever bons e importantes amigos. As pessoas foram minha motivação extra. Amigos, família, todos vivemos este ano intenso juntos, que culminou num 22 de outubro inesquecível. Até Élida, amiga querida que este blog me apresentou, esteve presente, o que torna evidente a importância deste espaço que, por mais abandonado que possa estar, jamais será definitivamente esquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoalmente, minha filosofia de vida atual não é afeita a essa badalação de fim de ano que o mercado capitalista propõe. Do Papai Noel, por exemplo, ainda prefiro guardar apenas a imagem do bom velhinho que diverte as crianças. O encerramento do ano é, sim, significativo, mas unicamente por mostrar que a vida deve ser vivida com intensidade todos os dias. Até porque, nunca se sabe qual data será a mais importante. Percebam que, até o ano passado, 22/10 era apenas mais um dia qualquer no calendário, sendo que agora tudo mudou de figura...&lt;br /&gt;Portanto, meus caros e poucos amigos que ainda lêem o rastro que por aqui deixo, saibam que desejo a todos nós um bom encerramento de ano, com todas as comemorações a que temos direito. Quem quiser dar presente, que dê; quem quiser fazer festança, que faça. Minha cota para 2011 já foi esgotada, e agora farei tudo de maneira mais modesta, ainda que efusiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que 2012 traga a todos mais momentos especiais, reflexões e aprendizados. Mais textos? Sinceramente, não sei, prefiro não prometer. Mas, vá saber, a vida é uma eterna caixinha de surpresas. Tudo o que eu quero agora é curtir minhas merecidas férias, que começam hoje, às 17 horas, se Deus quiser. Depois disso, certamente voltaremos a conversar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Natal, e que 2012 seja mais um ano especial!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-3543130016640849333?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/3543130016640849333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=3543130016640849333&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3543130016640849333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3543130016640849333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2011/12/passando-regua.html' title='Passando a régua'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-5528003330592602623</id><published>2011-12-13T22:10:00.002-02:00</published><updated>2011-12-13T22:10:41.051-02:00</updated><title type='text'>Contradança</title><content type='html'>Há momentos na vida que são exuberantes e inesquecíveis. Não falo de feitos heroicos, tampouco de realizações notórias e dignas de veiculação no Jornal Nacional – agora abrilhantado pelo garbo jornalístico de Patrícia Poeta. Falo dos momentos individuais, daquela conquista própria, onde cada pessoa vence seu limite particular e colhe os louros em silêncio, longe dos holofotes.&lt;br /&gt;Com o advento do You Tube, nada mais precisa ficar em segredo. De um cachorro dançando can-can até a insólita masturbação do Ronaldinho Gaúcho, tudo pode ser jogado no ventilador e partilhado com o resto do mundo. Isso, contudo, é recente, muito recente. Na minha infância, por exemplo, e olha que ainda gozo do auge de meus 26 janeiros, quando se realizava algo grandioso, por mais extasiante que fosse, nada valia se não houvesse por perto uma câmera fotográfica ou uma filmadora caríssima por perto.&lt;br /&gt;Lembro de um baile no CTG Rodeio Serrano, em São Chico, que fui com meus pais. Eu era tão piazote que, se visse o tal vídeo do Ronaldinho, ainda nem entenderia o significado daquele movimento repetido, coisa de sete anos, suponho. Não lembro qual conjunto tocava no baile, mas estava lotado.&lt;br /&gt;Para mim, pouco significado teria tudo aquilo, não fosse uma súbita vontade de dançar pela qual fui acometido. Penso que estes são aqueles momentos exatos em que uma pessoa avança um estágio, e eu, de criança imberbe, tornei-me naquela hora um projeto de peão. Faltava, portanto, a prenda.&lt;br /&gt;Não demorou, avistei-a. Uma prendinha de vestido rosa, morena dos olhos azuis, totalmente retilínea, sem curva alguma: o par perfeito para uma contradança com um peão de sete anos. Sem pestanejar, passei a esgueirar meu corpitcho leviano por entre as bombachas e saias de armação que rodopiavam pela sala, até que consegui vê-la melhor.&lt;br /&gt;Dançar, no entanto, não seria tarefa fácil, pois à volta da pequena pinguancha já amealhavam-se uns dois ou três gaviõezinhos matreiros, loucos para mandarem minha caçada para o mato. Ela, no entanto, distribuía nãos taxativos, eliminando os caranchos um a um. Tive a paciência necessária para aguardar a minha vez. Estava confiante, mesmo sem saber o porquê.&lt;br /&gt;Cheguei bem perto e fui recebido com a mesma expressão de desdém que os demais. Ainda desprovido de táticas de conquista que os feromônios trazem anos mais tarde, lasquei apenas um “quer dançar?” meio desconfiado, procurando amortecer a dor da negativa que parecia certeira. A guria olhou-me no grão dos olhos, arregalou os olhos azuis e proferiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o primeiro fora do qual tenho lembrança. “Tôco”, como chamam os adolescentes de agora. Contudo, a jornada para chegar até ali tinha sido tão dura, que resolvi não sair de perto. Parei ali, prostrado feito um dois de paus, sem a mínima habilidade para ao menos estabelecer um diálogo infantil, enquanto a prendinha apenas fitava o horizonte que, tal qual o meu, era repleto apenas de bombachas e vestidos esvoaçantes.&lt;br /&gt;Lá pelas tantas, no entanto, algo mudou. Talvez minha presença inesperada tenha soado como um gesto de determinação, mas o fato é que, sem mais nem menos, após mais de dez minutos de silêncio, ela fitou-me novamente e entregou os pontos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá, vamos dançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo foi um planchaço de adaga nos peitos, e fui tomado de tamanha onda de emoção, que mal sabia como proceder. Eu só conseguia pensar nos meus pais: “eles precisam ver isso”. Era a maneira mais prática de mostrar-lhes minha evolução como pequeno ser humano, que eu dava sinais de continuidade da família, da espécie e talicoisa. Passei, então, a dançar num passo arrastado, enfrentando aquele mar de gente graúda e lutando com todas as forças para atingir o campo de visão da mãe e do pai.&lt;br /&gt;De repente, enxerguei a mesa da família, finalmente a primeira etapa estava cumprida. O brabo seria chamar a atenção, uma vez que um par de crianças de sete anos não é facilmente visto num salão de CTG lotado. Minha vontade era gritar “paiê, olha eu aqui dançanduô!!” com todas as forças, mas eu sabia do risco de, em fazendo isso, a percantinha me largar e sair desatinada para seu refúgio e voltar a distribuir os seus nãos a torto e a direito.&lt;br /&gt;Naquele nervosismo, no meio do ambiente calorento, com a sudorese prestes a me tomar conta dos poros, finalmente meu pai virou o rosto e testemunhou a cena. Pude ver a emoção lhe contagiando as têmporas, pois ele anunciou para todo mundo na mesa e saiu em disparada na direção de um fotógrafo. Meu pai, tanto quanto eu, sabia da importância de registrar aquele feito, minha primeira contradança conquistada sozinho, sem ser com prima, mãe, tia ou avó.&lt;br /&gt;Mais aliviado em ser descoberto, procurei manter o passo da vaneira por ali, enquanto os outros na mesa regozijavam com minha façanha e o pai caçava o fotógrafo. Fosse hoje, com a febre das digitais, bastaria um brilhar de flash e pronto, no outro dia já estaria no Facebook, queimando o filme da guria pro resto da eternidade.&lt;br /&gt;Noutra ponta do salão, finalmente o homem da fotografia fora localizado. O pai o trouxe em disparada, aflito pelo registro. O que eu não sabia, no entanto, era que a música aproximava-se do fim, daí a pressa. Uns dez segundos depois, o gaiteiro tocou o último acorde e a vaneira terminou. Instantaneamente, sem nem mesmo dar tchau ou permitir que eu agradecesse o prazer da contradança, meu pequeno cambicho de vestido rosado desgrudou a mão da minha e partiu em disparada para sua mesa, sentando-se novamente com o olhar perdido e, voltimeia, distribuindo nãos aos caranchinhos desavisados. Pude ver a decepção no rosto do pai por ter chego tarde demais, ou mesmo por pena de mim, que fiquei paralisado por alguns segundos, ainda tonto pelos giros desregulados no salão misturados à maravilha do que acabara de realizar.&lt;br /&gt;Ao chegar na mesa, fui saudado como um heroi de guerra. Foram parabéns bem recebidos, senti-me&amp;nbsp; confortável naquela posição e, desde então, passei a abordar as prendinhas nos bailes, mesmo recebendo dezenas de recusas. Ainda assim, não houve registro e o momento não pôde ser eternizado numa foto.&lt;br /&gt;É desses momentos que falo. São exuberantes e inesquecíveis porque estão na memória, ao contrário de agora, onde quase tudo é volátil e tem prazo de validade nas redes sociais. Eternizar as grandes façanhas já teve mais graça nessa vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-5528003330592602623?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/5528003330592602623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=5528003330592602623&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5528003330592602623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5528003330592602623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2011/12/contradanca.html' title='Contradança'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-1284326266523560692</id><published>2011-11-26T14:20:00.003-02:00</published><updated>2011-11-26T14:24:04.522-02:00</updated><title type='text'>Minha singela homenagem</title><content type='html'>Cada pessoa tem seu próprio jeito de escrever, seu método, sua proposta, seu momento inspirador específico. Falo dos chegados à literatura, que o fazem por hobby, ainda que os grandes gênios profissionais da área provavelmente também o façam por livre passatempo em determinados momentos.&lt;br /&gt;Eu, no entanto, necessito de uma certa predisposição para que uma ideia flua da maneira correta em meu processo criativo. Meus insights, por exemplo, não rendem quando sou pressionado a criar. Sempre escrevi sem compromisso com nada, inclusive cansei de iniciar textos sem título e sem rumo, surpreendendo a mim mesmo após o resultado final.&lt;br /&gt;Também não sou afeito a revisões, e isso é uma falha. De qualquer forma, não costumo reler um texto escrito e mudá-lo cirurgicamente, preferindo mantê-lo um tanto disforme, porém autêntico. É assim que funciona meu jeito "quemomentista" de ser.&lt;br /&gt;Bueno, mas a proposta de hoje - sim, porque também escrevo eventualmente com alguma proposta pronta - é homenagear duas pessoas que, por aquelas coincidências da vida que ninguém explica, aniversariam no mesmo dia. O primeiro é um pupilo, um rapazinho de intelecto privilegiado que hoje atinge aquela idade que, anos mais tarde, a gente se arrepende de ter cruzado a barreira: os dezoito. Do outro lado do Brasil, há uma potiguar arretada a quem considero o verdadeiro milagre da blogosfera. Sem querer diminuir os demais amigos que fiz neste meio, ela foi a única a quem consegui conhecer pessoalmente até hoje, dar um abraço apertado e ter a certeza de que um comentário de blog pode se transformar numa realidade palpável.&lt;br /&gt;Marquinhos e Élida, que pessoas! Não vou aqui descrevê-los, nem derreter-me em homenagens. Prefiro apenas, em dois parágrafos, deixar claro o que vocês representam para mim, mesmo que atualmente aquela nossa febre de outrora, que borbulhava em nossos comentários trocados via blogs já não seja mais tão efusiva. Considero que hoje nossa amizade atingiu aquele patamar estável, onde amamos mesmo sem o contato diário. É, é mais ou menos isso.&lt;br /&gt;Bueno, Marcus Vinícius sempre foi aquele guri para quem eu olhava e pensava: "putz, por que não fui assim com treze anos (ou catorze, ou quinze, ou dezesseis)?". É consenso que ele está à frente de seu tempo. Sua expressão, sua maneira de pensar e intelecto são frutos de uma verdadeira bênção divina. Deus é tão generoso, que escolhe bem seus presenteados, afinal, o guri merece. Tenho profundo orgulho de fazer parte de um pouco do desenvolvimento dele, de ter emprestado um pouco da minha malemolência ao seu jeito de ser, característica que ele pegou para si, modelou com maestria e transformou num inteligente "estilo Marquinhos de viver a vida".&lt;br /&gt;Já Élida, nossa... Pensar nessa história, num primeiro momento, traz à tona as reticências. Nos conhecemos de uma forma tão inusitada que, no dia do meu casamento, quando a vi chegando, tive a certeza de que o blog realmente desempenha um papel importante na minha vida. A menina simplesmente pegou um avião no Rio Grande do Norte, cruzou o Brasil pelos ares e veio assistir ao meu casamento em Novo Hamburgo, algo totalmente impensado para alguém que jamais havia me conhecido pessoalmente. Foi aquele momento de clímax, em que nossa amizade solidificou-se para sempre. Novamente respeitando aos demais, mas foi o melhor presente que recebi, falando como pessoa, e não como noivo.&lt;br /&gt;Enfim, hoje essas duas grandes figuras são agraciadas por Deus ao completarem mais um ano de vida. Os meus desejos? Ora, os de praxe! Não há como fugir do lugar-comum das felicitações, aqueles bons sentimentos de sempre. No entanto, o que eu quero de verdade é que os dois permaneçam e participem da minha vida para sempre; é ver Marquinhos completar, não dezoito, mas setenta anos; é conhecer Natal e não gastar com hospedagem (momento sovina); é podermos sentar os três algum dia, sem hora marcada para começar ou terminar, e podermos conversar à vontade, sem relógio e sem limites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo vocês dois, meus amigos. Obrigado por existirem e, mais que isso, serem a história viva deste blogueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz aniversário!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-_RITjNlny_s/TtERcICWvgI/AAAAAAAAAcc/c6HwfPvOfmY/s1600/blogueiros.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="244" src="http://3.bp.blogspot.com/-_RITjNlny_s/TtERcICWvgI/AAAAAAAAAcc/c6HwfPvOfmY/s320/blogueiros.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;A foto que entrou para a história.&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-1284326266523560692?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/1284326266523560692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=1284326266523560692&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/1284326266523560692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/1284326266523560692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2011/11/minha-singela-homenagem.html' title='Minha singela homenagem'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-_RITjNlny_s/TtERcICWvgI/AAAAAAAAAcc/c6HwfPvOfmY/s72-c/blogueiros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-6612277196612862720</id><published>2011-11-11T22:32:00.001-02:00</published><updated>2011-11-11T22:34:07.676-02:00</updated><title type='text'>Pelegus</title><content type='html'>Sair da casa de minha mãe após 26 anos foi algo peculiar. Não classificaria como traumático, mas também não seria capaz de afirmar que foi simples. Senti a vida erguendo um machado recém afiado e dando uma verdadeira bordoada no cordão umbilical da simbiose que mantive com minha genitora durante todo esse tempo.&lt;br /&gt;Devo confessar, inclusive, que a Dani veio com mais experiência que eu no que tange a administrar um lar e todas as suas contas. Por sorte, meu estilo sovina de administrar as finanças acabou ajudando-nos a manter os cofres em ordem e, pelo menos por enquanto, a crise mundial ainda não afetou nossas contas bancárias.&lt;br /&gt;Porém, há um detalhe em especial que só veio aparecer depois da mudança: pêlos. Assim, com acento circunflexo mesmo, que a tal da nova ortografia ainda custará a digerir em meu estômago literário. Às vezes, sinto-me como aqueles velhinhos que ainda escrevem “pharmácia”. &lt;br /&gt;Quando eu tinha uns 16 anos, comecei a notar que meu corpo mudava cada vez mais rápido. Aquela coisa de puberdade que todo mundo conhece, a voz que sobe três oitavas em dois segundos e talicoisa. No meu caso, a protuberância mais veemente aparecia nas pernas e nos braços. Chumaços de novos pêlos surgiam todas as manhãs, o que me convencia finalmente que a descendência dos macacos tão falada nas aulas de História fazia algum sentido afinal.&lt;br /&gt;O trauma, contudo, veio num dia bucólico em que, após o banho, enquanto observava frente ao espelho as transformações que adolescência vinha produzindo, caí na besteira de virar de costas. A imagem que tive jamais sairá de minha memória: a parte posterior de minhas coxas, aquela região que fica logo abaixo do traseiro, valha-me Deus, estava totalmente tomada de pêlos. Senti-me um Tony Ramos gaudério, entrei em desespero. Cheguei a prestar mais atenção no calendário lunar, pra ver se sairia uivando nas noites de lua cheia, tamanha a pelagem desenvolvida naquela área de meu corpo. Se juntasse todos os pêlos que eu descobrira, daria facilmente para montar a barba do finado Enéas, a do Lula, mais os bigodes do Paixão Côrtes e do Olívio Dutra. Eu era um pelego humano.&lt;br /&gt;De lá para cá, tive de superar na marra essa inóspita característica. É a tal coisa, quando Deus quer, até égua velha nega estribo. Enquanto meus amigos multiplicavam seus músculos e viravam verdadeiros touros, eu mais parecia um iaque. Ainda assim, segui a vida feliz, sorridente, simpático e peludo. Isso sem falar que a situação piorou com a chegada da barba cerrada e os pêlos do peito, ao que meu amigo Biriba classifica ironicamente como pulôver. De todo modo, acabei acostumando com minha condição “lobisômica”, dotada de um par de polainas nos braços e pernas demograficamente tomadas por cabelos pretos.&lt;br /&gt;Acontece que, passado o trauma inicial, até então eu nunca tinha visto rastros disso dentro de casa. Lá na mãe o chão é escuro, o que tornava pouco notável a presença de um urso humano na residência e, com o tempo, sugeriu-me até que eu nem fosse tão peludo assim. Isso durou até eu passar a viver num lar de piso branco. Passada uma semana na casa nova, o chão ficou tomado de pêlos por toda parte. No banheiro, então, bah! Aquela cerâmica branquinha parece um imã onde grudam todas as centenas de cabelinhos que caem de mim a todo instante, gerando verdadeiras colônias peludas e pretas, um horror. Desconfio, inclusive, que os malditos se multiplicam, porque não é possível a quantidade de pêlos que cai, periga até o chão pegar piolho. Já consigo imaginar a Dani limpando o banheiro com Escabin.&lt;br /&gt;Alguém dirá que sou exagerado mas, acreditem, a hipérbole é justificável. Até a sala está tomada de fiapos, é um negócio medonho. A sorte é que, aqui no condomínio, o porteiro sempre interfona quando chega alguém. É nesse intervalo entre o anúncio e a chegada da visita que eu bato o recorde sul-americano de vassoura na mão e dou uma geral na sala pra tapear a cabeleira que forma novelos no piso, deixando a vassoura com um aspecto de Moraes Moreira.&lt;br /&gt;Os pelinhos, contudo, são ainda mais sádicos. A cada passada de vassoura que dou, os danados que já tinham sido varridos voltam! É uma revolução peluda, um acinte à higiene, um desrespeito total aos direitos de se manter uma casa sob a mais perfeita ordem.&lt;br /&gt;"Depile-se", alguém dirá. Bem, aos infames que tiverem a desfaçatez de desejar tamanho sofrimento à minha pessoa, lhes afirmo: uma coisa é chegar ao fundo do poço, mas outra bem diferente é descobrir que nele há um subsolo. Jamais! Nunca! Em hipótese alguma permitirei que me torturem com aquelas ceras diabólicas usadas pelas mulheres até em partes que, Deus me guarde, só de pensar sinto um frio na espinha. Tem que ser muito cabra macho pra se depilar com cera quente, e isso eu prefiro deixar para a minha esposa, que tem cabelo nas ventas e, obviamente, um bilhão de pêlos a menos no corpo do que eu.&lt;br /&gt;A solução do momento atende pelo singelo nome de aspirador de pó. Aliás, de pó ele não vai sugar é nada, porque a proporção por aqui anda de um grão de poeira para cada peruca do Zacarias formada por aglomerados de pêlos. Ainda assim, espero que o coitado não se engasgue com tamanha cabeleira e, pelo menos, dê conta de transformar a minha casa num ambiente menos "pelegoso", uma vez que pretendo comprar um tapete pronto ao invés de formar um com os cabelos de minhas pernas e braços. As visitas, certamente, agradecem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-6612277196612862720?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/6612277196612862720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=6612277196612862720&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6612277196612862720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6612277196612862720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2011/11/pelegus_6381.html' title='Pelegus'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-7269779933625964300</id><published>2011-11-07T23:47:00.000-02:00</published><updated>2011-11-07T23:47:18.623-02:00</updated><title type='text'>A revolta</title><content type='html'>Fico imaginando que tipo de macumba pode ter acometido este blog e, consequentemente, a minha pessoa, de modo que após uma pétrea sexta-feira 13 do mês de maio - outrora protagonista de dilemas funestos - meu espaço literário predileto tenha ficado órfão de textos, postagens e falácias, aquelas minhas abobrinhas de sempre.&lt;br /&gt;Qual terá sido o calibre da urucubaca? Agora mesmo, antes de iniciar estas linhas parcas, mesmo com este início desencorajado já fermentando no cérebro, eu já estava prestes a desligar o computador e rumar para o berço, onde neste momento ressona minha adorada esposa (é, eu casei, e isto ainda será abordado noutra oportunidade) e onde também eu deveria estar de barriga pra cima repousando o esqueleto para dar início a mais um dia tedioso às 6 horas da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim, com dois advérbios, que me deixei levar pela revolta. Algo entre a vontade de voltar a escrever e a necessidade de abalroar os vossos olhos de noites serenas com minhas experiências estúpidas, as quais mascaro com um pouco de humor rechonchudo e sem nutrientes, mas que agrada a alguns e, oxalá, levou-me a escrever quinhentas e tantas vezes por aqui nos últimos sete anos.&lt;br /&gt;Devo confessar-lhes que, apesar de muito feliz na vida de recém-casado, não ando lá muito satisfeito com outras esferas da minha existência. Não sei se por força do sacramento adquirido, mas nos últimos tempos tenho estado muito suscetível a reflexões de comerciais de margarina, daquelas que marejam os olhos e talicoisa.&lt;br /&gt;Dito isto, e já tão perto da meia-noite, usarei as linhas de agora apenas para ratificar publicamente uma singela, porém significativa afirmação: a partir de hoje, voltarei a escrever. Talvez ainda enferrujado em virtude do longo tempo afastado das letras - eu que ultimamente ando respirando futebol até demais - ainda assim não deixarei de tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardem, e veremos no que dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que momento!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-7269779933625964300?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/7269779933625964300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=7269779933625964300&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7269779933625964300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7269779933625964300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2011/11/revolta.html' title='A revolta'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-9010564805697630469</id><published>2011-05-13T17:17:00.004-03:00</published><updated>2011-05-13T17:32:07.935-03:00</updated><title type='text'>Trepidante</title><content type='html'>Eu sei, eu sei, ando relapso uma barbaridade com meus escritos. Negligente até. Ocorre que 2011 é um ano atípico, onde as novidades vêm ocorrendo de maneira acelerada, de modo que faltaM-me tempo e disposição suficientes para transcrevê-los por aqui.&lt;br /&gt;A história de hoje, por exemplo, ocorreu há quase 15 dias. Mas, de tão absurda, não poderia deixar de ser registrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi num jogo do Calixto, time em que jogo aos sábados e do qual, com muita honra, sou o presidente neste ano. Exercendo a distinta função, evito faltar aos jogos, salvo por motivo de força maior. Extração de dentes, por exemplo, não é algo que me faça permanecer trancafiado em casa enquanto meus parceiros desfilam seu futebol áureo-negro defendendo as cores de nosso escrete.&lt;br /&gt;E, justamente naquele sábado, eu convalescia da segunda extração de sisos em dois meses. A cirurgia fora na sexta-feira, o que significa dizer que o gostinho do sangue ainda estava abundante em meu paladar, jorrando vez ou outra da cavidade lunar onde outrora acomodavam-se dois dentes do juízo, os quais, uma vez arrancados, levaram consigo um pouco de minhas faculdades mentais. Não se pode ter muita sanidade para sair de casa com as bochechas do Fofão para assistir a uma partida de futebol.&lt;br /&gt;Ainda assim, eu lá estava, discursando no vestiário, mobilizando o time, advindo de três derrotas, rumo à redentora vitória que todos almejávamos. Queria ver meus amigos vencerem, queria vencer junto, queria gritar enlouquecidamente a cada gol. Aliás, gritar não, que isso poderia arrebentar os pontos da cirurgia... Bueno, prometo que outro dia conto em detalhes as peripécias às quais minha mãe e minha avó foram submetidas nessa saga de extrair quatro dentes. Por enquanto, vamos focar no jogo.&lt;br /&gt;A partida começou modorrenta como uma quarta-feira de cinzas. Durante os primeiros minutos as equipes costumam estudar o adversário, até mesmo nas peladas de sábado. Jogando em casa, porém, a pressão pela vitória levou o Calixto a tomar a iniciativa. Afinal de contas, mais de cinco torcedores, eu disse CINCO, blateravam efusivamente à beira da grade que circunda o campo na esperança do triunfo.&lt;br /&gt;Deu certo. Em pouco tempo, abrimos dois a zero e, oxalá, o solzinho que brilhava timidamente parecia acenar com o retorno dos tempos de vacas gordas. A partir disso, o melhor a fazer era manter a calma, tocar a bola com parcimônia e administrar o placar, aguardando as brechas para atacar e desferir golpes de misericórdia no adversário, que já cambaleava antes da metade do primeiro tempo, atordoado com a súbita desvantagem.&lt;br /&gt;Só que é aquela história que eu sempre digo, quando Deus quer, até égua véia nega estribo. Bastaram três investidas dos caras, três bolas altas na área e, babaus, três gols de cabeça do mesmo rapaz forte, repleto de melanina e muita truculência. Viraram o jogo, para meu desespero. Não cheguei a ver o primeiro gol dos caras. Quando saiu o segundo, não aguentei e fui pra casamata. No terceiro, que se danassem os sisos, eu já chutava a grade furiosamente.&lt;br /&gt;Para piorar a situação, duas expulsões afetaram nosso time. O árbitro, figura folclórica que costuma dar o que falar nos embates de fim-de-semana, mandou nosso lateral-esquerdo descansar após uma entrada dura por trás e, logo após, apresentou o cartão vermelho ao lateral-direito, que supostamente o teria chamado por um sinônimo nada mimoso da palavra "estrume". A sensibilidade de certos juízes de futebol me comove.&lt;br /&gt;No intervalo do jogo, eis que surgiu a primeira figura mitológica para mudar a história dramática daquela tarde. Meu pai. Ele havia sido apresentado no vestiário como novo integrante da comissão técnica, e o combinado era que assistisse a duas partidas antes de começar a atuar à beira do campo. A combinação, porém, durou parcos 45 minutos. Quem sai aos seus não degenera. Quando todos parecíamos atordoados com a quarta derrota seguida, vieram suas palavras firmes de motivação, frases de ordem, típicas de quem já troteou com garbo e elegância pelos gramados da região, despertando em muitos que o viram jogar a curiosidade em saber por que não fora profissional, tamanha a sua habilidade em tontear os beques dos anos 80 e 90.&lt;br /&gt;O fato é que a mijada não funcionou muito bem, pelo menos de imediato. Numa bobeira da zaga, nosso beque William permitiu que o quique da bola o enganasse e, alvissareiro, o supracitado rapaz da melalina em excesso cravou o quarto gol do adversário. O cenário começava a ficar vexatório para o nosso lado. Vendo o quadro da dor que se estampava, o árbitro, filho de uma senhora de muito respeito, mas que provavelmente exerceu o meretrício n'algum lugar do passado, resolveu zombar de nossa maré de azar e marcou um pênalti a favor dos caras. Levar o quinto gol significaria uma verdadeira hecatombe futebolística em nossa moral.&lt;br /&gt;Aqui, neste novo parágrafo, aparece a segunda e decisiva personagem do jogo. Amarelo, nosso goleiro. Dotado deste singelo apelido que causa a curiosidade acerca de seu surgimento em todas as pessoas que o conhecem, nosso guarda-metas ficou enfurecido. Ainda assim, acatou a decisão e concentrou-se para defender o tiro livre direto. Se levássemos o cinco a dois, a situação ficaria periclitante. Meu siso latejava insistentemente, como se quisesse nascer outra vez no buraco da cirurgia. O atacante correu para a bola, e todas as quinze pessoas que assistiam à partida estavam deveras apreensivas.&lt;br /&gt;Mas a bola, safada como uma vaca matreira, bateu na trave e saiu. Pulávamos efusivamente, comemorávamos a chance que os deuses do futebol nos concediam, quando algo totalmente inesperado aconteceu.&lt;br /&gt;Tomado por um transtorno obsessivo-compulsivo, misturado com a incorporação do espírito de Haggar, o Terrível, Amarelo ergueu-se do chão de um só pulo e, tal qual nosso lateral-direito, bradou contra o juiz outro sinônimo nada hospitaleiro da palavra "esterco", ao que o ofendido apresentou-lhe prontamente o cartão vermelho.&lt;br /&gt;Mesmo de longe, vi a fúria tomar conta de nosso arqueiro. Foi uma cena dantesca, algo entre o Coisa e Ânderson Silva. Ele partiu com toda sua protuberância corpórea para cima do juiz e desferiu-lhe um pontapé de perna direita que, macacos me mordam, faria Osama Bin Laden dispensar qualquer aviãozinho barato para derrubar as torres gêmeas.&lt;br /&gt;O pobre árbitro, atordoado, correu para o portão em busca de guarida, enquanto mais ou menos quinze pessoas tentavam segurar um Amarelo completamente desfigurado, tamanha a raiva que esbravejava. Jurei que o juizinho viraria salame. Aguardei alguns instantes e, vendo que a poeira baixava lentamente, decidi por minha cirurgia à prova indo em direção ao nosso goleiro. Tremendo de medo, com algo insólito correndo perna a baixo, pus a mão no ombro do rapaz, que bufava feito um rinoceronte desgovernado e, dotado de toda didática que Deus me deu para lidar com pessoas irritadiças, convidei-o gentilmente para que saíssemos do gramado, afinal, cartão vermelho dado é cartão vermelho consumado.&lt;br /&gt;Aparentando certa resistência, ele assentiu ao meu convite, talvez em nome de nossa amizade longíncua. Ainda assim, ao sair no portão, apontou o dedo indicador, que mais parecia uma murcilha de Garibaldi, na direção do esquálido árbitro, a essa altura da cor de farinha de trigo e esbravejou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A tua sorte que eu não acertei direito, SEU MERDA! - não pude colocar outro sinônimo agora, senão perderia o efeito do xingamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado o entrevero, a dura realidade é que havíamos perdido nosso goleiro. Num gesto de sacrifício, William, zagueiro mártir, talvez querendo redimir-se da papagaiada que cometera no quarto gol, pegou as luvas e vestiu o manto sagrado de nosso colega kung fu, que àquela altura acalmava os ânimos tomando uma acalentadora chuveirada no vestiário. Enquanto isso, o placar continuava 4 a 2 e a partida era retomada, uma vez que o juiz sobreviveu à tentativa de homicídio claramente doloso.&lt;br /&gt;No entanto, é justo que se diga que a expulsão do Amarelo não foi em vão. Vendo aquele cenário catastrófico, o time foi incendiado por uma abrupta vontade de vencer que passou a converter-se em gols. À base de relho, facão e cachorro, fizemos o terceiro e o quarto, buscando um empate até então inimaginável e dando mostras de que virar a partida seria um milagre quase que palpável.&lt;br /&gt;Do lado de fora do campo, já extasiado por conseguirmos lavar a honra através do gol de empate, assisti a uma cena que ficou marcada, tanto no meu coração, quanto na minha boca. O quinto gol. Numa jogada confusa, furtiva e macanuda, Fazano, nosso centroavante artilheiro, matou a redonda no peito e desferiu o chute que me fez perder a linha. Cinco a quatro pra gente!&lt;br /&gt;Foi um tal de gente invadindo o campo, uma cena épica, berros retumbantes ecoaram em todo o bairro. Vi blusas sendo atiradas aos céus, meu pai levando as mãos à cabeça, incrédulo com tamanha façanha. Esquecendo-me totalmente da minha recuperação dentária, corri como um maratonista para abraçar o autor do gol, como deve fazer todo presidente que se preze, uma vez que a diretoria vive de vitórias, de conquistas, de momentos extasiantes como um quinto gol maravilhoso que vira uma partida que estava perdida.&lt;br /&gt;Dali até o final do jogo, a catimba comeu solta. Fizemos cerca de catorze substituições em 10 minutos, o tempo parecia não passar e aquele salafrário do juiz queria jogo. Até meu pai invadiu o campo, armou um banzé dos diabos, xingou Deus e o mundo, uma barbaridade. Adivinhem? Lá fui eu, outra vez, sisos à beira do caos, puxar meu pai pelo braço pra afastar o perigo. Foi até mais difícil que conter o Amarelo, mas meu espírito pacifista prevaleceu. Quarenta e sete, quarenta e oito, sei lá quantos minutos aquele discípulo de Márcio Chagas da Silva deu, mas a partida não terminava. Começava a escurecer no céu de Novo Hamburgo. Eram jogados talvez cinquenta e três minutos do segundo tempo quando, no último ataque do adversário, um bate rebate animal aconteceu em nossa área, até que alguém conseguiu chutar para o gol. Num último gesto de desespero, com nosso goleiro interino já vencido, Cléo, volante 'copero y peleador', deu uma ponte e bateu com a mão na bola antes que entrasse no gol. Ainda assim, ela entrou.&lt;br /&gt;Os caras saíram gritando mais que duelo de siriema em dia de verão. Parecia uma carneação de porcos em massa. Amarelo, à beira do campo, só falava em surrar o juiz. Mas, para espanto geral de todos os presentes - a essa altura muita gente da comunidade já se aproximara para acompanhar o fim daquele acontecimento histórico - a mão do árbitro apontava... pênalti!&lt;br /&gt;Olha, uma coisa devo dizer: aquele cara não tinha medo da morte. Imaginem, no apagar das luzes, a bola entrou mesmo com o toque de mão, a regra é clara, diria Arnaldo! Gol legítimo! Mas, não, ele permaneceu irredutível, era pênalti e não teria choro. Vieram todos pra cima dele, gregos e troianos, todo mundo berrando ao mesmo tempo, uma várzea...&lt;br /&gt;Pra encurtar o relato, que já tá mais comprido que putiada de gago, o cara dessa vez foi lá, bateu o pênalti, fez o gol, empatou o jogo e ficou nisso. Cinco a cinco, muitos gritos, e acabou todo mundo se abraçando, vivendo todos felizes para sempre. De qualquer forma, a superação daquele placar adverso ficou marcada na história do Calixto, esse time que me tira dos eixos, que me faz sangrar literalmente e do qual sou presidente com muito orgulho.&lt;br /&gt;Bueno, mas amanhã é sábado e tem mais. Quem sabe que tipo de história  pode surgir, né? Pelo menos estarei em campo, apesar de não querer  protagonizar nenhum texto digno de publicar por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só tenho a impressão de que aquele juiz não apita jogo nosso nunca mais...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-9010564805697630469?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/9010564805697630469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=9010564805697630469&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/9010564805697630469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/9010564805697630469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2011/05/trepidante.html' title='Trepidante'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-6329231043885267861</id><published>2011-04-05T13:47:00.000-03:00</published><updated>2011-04-05T13:47:17.802-03:00</updated><title type='text'>Eis a foto!</title><content type='html'>Promessa é dívida. Mesmo com velada resistência, despi-me da vergonha e cá estou mostrando ao mundo a foto que denuncia o tempo inglório de muitas indefinições, acnes e um punhado de cabelos pintados de amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveite e ria bastante. É só o que me resta mais de dez anos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, respire fundo, faça uma pequena oração e, se tiver coragem, clique &lt;b style="color: red;"&gt;&lt;a href="http://tinypic.com/view.php?pic=2utrkf7&amp;amp;s=7"&gt;AQUI&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; para ver esta imagem lamentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-6329231043885267861?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/6329231043885267861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=6329231043885267861&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6329231043885267861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6329231043885267861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2011/04/eis-foto.html' title='Eis a foto!'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-1528103945329395541</id><published>2011-03-23T10:18:00.002-03:00</published><updated>2011-03-23T10:25:36.984-03:00</updated><title type='text'>Confesso que já fui loiro</title><content type='html'>Vergonha. É o que sinto quando vejo meu blog abandonado há mais de mês, jogado às traças, tratado como um amontoado de pertences velhos e sem importância. Tenho a impressão de que é essa preguiça de escrever que me separa dos escritores de sucesso. Nunca serei um Scliar, um Veríssimo, um David Coimbra, pois sou preguiçoso, um procrastinador de ideias, um subversivo que não dá vazão à tão necessária inspiração para se produzir textos de qualidade.&lt;br /&gt;Menos mal que, vez por outra, volto a dar as caras com tamanha desfaçatez, que até parece que nem passei tanto tempo longe. Sendo assim, vamos em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje quero contar sobre o dia em que fui levianamente persuadido a mudar a cor de meus cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o ano de 2000, primeiro ano do Ensino Médio. Quando somos adolescentes, esse é um tempo em que pensamos ser gente grande, livres das amarras do funesto Fundamental, outrora nomeado Primeiro Grau, o tal Ginásio do tempo da vovó. Eu tinha catorze anos e ainda não raspava o bigode. Hoje, quando vejo as fotos, pergunto-me por que cargas d'água eu permiti que aquela taturana de pelos habitasse meu buço por tanto tempo, fazendo inclusive com que eu ganhasse o nada singelo apelido de Bigodê da turma do ônibus com quem eu voltava pra casa depois da aula. Fosse nos tempos atuais, seria bully; naquela época, o jeito era aguentar no osso.&lt;br /&gt;Bueno, mesmo com o bigodinho nascente, tinha lá meus parceiros. No início do ano, a turma era nova, foquei meus objetivos em tirar boas notas. Estudar, estudar, estudar, esse era meu lema. Sentava na primeira fileira, em frente ao professor, era pró-ativo, respondia às questões com avidez e prontidão. As professoras me amavam. Os colegas diziam que eu era um baita de um puxa-saco.&lt;br /&gt;Tamanha responsabilidade, no entanto, tinha prazo de validade determinado. Bastou o boletim apresentar uma certa folga para passar de ano, para que eu começasse a revelar minha verdadeira face oculta de agitador das massas. O pontapé inicial deu-se com a mudança drástica na cor das melenas, ainda que tal ideia não tenha partido da minha pessoa.&lt;br /&gt;O autor da façanha foi o mesmo grandalhão do &lt;a href="http://massquemomento.blogspot.com/2011/02/um-triangulo-nada-amoroso.html"&gt;&lt;b&gt;texto anterior&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;. O mesmo que, alguns textos atrás, era meu comparsa em atividades, digamos, politicamente incorretas (confira &lt;b&gt;&lt;a href="http://massquemomento.blogspot.com/2010/11/calce-um-par-de-tenis-antes-de-correr.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;). Sim, o ladrão de namoradinhas, aquele safado. Não estudávamos mais na mesma turma, mas continuávamos amigos, pois morávamos no mesmo bairro e tínhamos outras amizades em comum.&lt;br /&gt;Depois da aula, normalmente eu ia à casa dele para jogarmos computador, video game e, por que não dizer, planejar &lt;b&gt;&lt;a href="http://massquemomento.blogspot.com/2010/11/calce-um-par-de-tenis-antes-de-correr.html"&gt;malfadadas e supracitadas peripécias ilegais&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;. Certo dia, porém, havia uma novidade: ele tinha decidido pintar o cabelo de amarelo. Eram tempos muy mal definidos, onde o pagode romântico cobiçava seu espaço através de figuras inóspitas, que dançavam &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FrjugpCfXGU&amp;amp;feature=related"&gt;coreografias manjadas no programa do Gugu&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; e exibiam seus cabelos pixains reluzindo a cor amarela. Uma verdadeira lástima.&lt;br /&gt;No entanto, o que sobrava de inocência - pra não dizer burrice - em meu coração juvenil, sobrava de malandragem na mente esperta do meu amigo. Ora, ele precisava de uma cobaia para ver como ficaria um cabelo preto pintado de amarelo, e eu era a isca perfeita. Ele comprara a tinta, o descolorante, a água oxigenada, enfim, o aparato completo para executar o procedimento. Com duas horas de muita lábia, caí feito um patinho naquela malemolência e aceitei pintar meu rico cabelinho. O trato era irmos até o salão e fazermos tudo juntos, chegando de visual novo no colégio e arrasando corações. Nada mal, para quem no ano anterior havia roubado minha namoradinha. Imaginei que fosse uma forma de se redimir dos erros do passado. "Que atitude nobre", pensei.&lt;br /&gt;Em verdade, vos digo: Nobre é o Dudu, que não pinta o cabelo pra fazer sucesso. Fomos até o salão de uma amiga da minha mãe e, num lapso de demência, fiz a frente. Sentei na cadeira e disse pra ela mandar brasa. Bastou a água oxigenada fazer efeito e começar a ferver meus miolos, para que o coiote sacripanta revelasse sua verdadeira face: ele desandou a rir da minha cara! De vez em quando, erguia a touca e, vendo meu cabelo perder a cor, soltava gargalhadas maquiavélicas. E eu pensando que ele estava achando o máximo, não vendo a hora de chegar a sua vez...&lt;br /&gt;Quando ficou pronto e a touca foi retirada, vi meu amigo ganhar cãibras no diafragma de tanto rir. Aliás, mais tarde eu saberia que tal reação seria recorrente entre as pessoas, já que até minha mãe não conteve o riso ao me ver com a cabeça da cor do sol. Até aí, tudo bem, não fosse pela puta falta de sacanagem que veio a seguir: chegada a vez dele dar um tapa nas madeixas, ele recuou. Inventou mil desculpas - ainda rindo muito - e disse que faria na semana seguinte. Nem na semana, nem no mês, nem no ano. Estou esperando até hoje aquele pilantra cumprir a promessa. Como minha estrutura óssea permanecia muitos quilos abaixo da dele, não tive como forçá-lo. Aceitei aquela cornitude capilar com parcimônia e fui pra casa, não tinha outro jeito.&lt;br /&gt;No outro dia, ao chegar no colégio, entendi como se sente um extraterrestre em sua caminhada matinal por algum planeta inóspito. TODO MUNDO, com letras maiúsculas, olhava pro meu cabelo e, ou fazia cara de espanto, ou caía na gargalhada. Os professores, que anteriormente consideravam minha eficiência enquanto aluno, esqueceram todo aquele histórico para me ridicularizar. Aquilo sim é que era bully no sentido literal da palavra, seja ele qual for (meu inglês é fraco).&lt;br /&gt;Mas, como nem tudo são espinhos nas bandas de cá, houve quem achasse simpático. Bonito não digo, porque realmente ficou tenebroso. Ainda assim, um grupo de gurias da turma da tarde conseguiu amenizar a situação passando a me chamar pelo apelido carinhoso de Amarelinho, o que, convenhamos, é mil vezes melhor que Bigodê. Aliás, nessas alturas, ninguém sequer lembrava do meu bigodinho, já que, com o cabelo totalmente pintado de amarelo, minhas sobrancelhas ganharam um destaque absurdo, parecendo aqueles bichos-cabeludos que caminham pelas folhagens das vovós.&lt;br /&gt;Falando nisso, nem minhas avós escaparam do riso. Agora, problema mesmo foram os avôs. Seu Gentil e Seu João Maria, mais conservadores que a fórmula da Pomada Minâncora, mais ortodoxos que embalagem de Maizena... vi a decepção em seus olhos senis. Um neto de cabelos pintados, logo eu, que parecia ser a salvação da lavoura na família, ostentando o gauchismo, a tradição, a estampa farrapa. Sim, até mesmo eu fora corrompido pela globalização, duramente estaqueada na pérfida febre pagodeira.&lt;br /&gt;O bom disso tudo é que, mesmo tendo tudo para ser uma situação embaraçosa, acabei tirando de letra. Nunca fui de muita cerimônia com minhas ideias, se eu fiz, tá feito. Mesmo de cabelo amarelo, continuei agindo normalmente, levei as piadas na brincadeira, graças a Deus meu cabelo cresceu rápido, e em poucos meses não havia mais resquício do amarelão. Por sinal, quando começou a crescer o preto por baixo do loiro ficou mais ridículo ainda... bom, mas não vem ao caso.&lt;br /&gt;O fato é que o tempo passou, o cabelo permaneceu preto de lá para cá, o bigode foi impiedosamente raspado e tive notas pífias nos dois anos seguintes do Ensino Médio, já que minha pose de bom mocinho acabou indo embora junto com o corte das madeixas amarelas. De tudo, o melhor é que, até onde eu lembro, pelo menos não fui mais enrolado por esse meu amigo tinhoso que adorava me deixar em situações embaraçosas. Tomara que eu não lembre de mais nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;PS: Ficou curioso para ver meu cabelo amarelo? Tenho uma foto em casa, a única que tirei naqueles dias nefastos. Vou digitalizá-la e, em poucos dias, disponibilizo o link para apreciação, prometo.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-1528103945329395541?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/1528103945329395541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=1528103945329395541&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/1528103945329395541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/1528103945329395541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2011/03/confesso-que-ja-fui-loiro.html' title='Confesso que já fui loiro'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-4073113095286567859</id><published>2011-02-18T13:38:00.002-02:00</published><updated>2011-02-18T14:09:07.342-02:00</updated><title type='text'>Um triângulo nada amoroso</title><content type='html'>A partir de segunda-feira, meu irmão dará um importante passo em sua caminhada escolar: ele mudará de colégio. Qualquer dia desses tenho que escrever sobre quando fiz minha grande mudança, foram tempos curiosos. No entanto, o fato é que nosso caçula estudará na mesma instituição onde eu estudei da quinta série do longíncuo 1º grau, hoje denominado Ensino Fundamental, ao terceiro ano do Ensino Médio - que já tinha esse nome quando o concluí, o que denota uma certa jovialidade em minha pessoa e, oxalá, me alegra.&lt;br /&gt;Será um ano de mudanças incisivas na vida de meu maninho, um novo mundo o espera. Estudar num colégio particular é fazer parte de uma nova realidade, aprender a conviver com a diferença de classe social e, o melhor de tudo, libertar-se das amarras do bairro e conhecer outros pontos bem interessantes da cidade. Não é à toa que estou de casamento marcado com uma mulher que conheci ainda adolescente nos tempos de colégio.&lt;br /&gt;Bueno, a verdade é que esse iminente início de jornada do meu irmão trouxe à tona pelo menos duas lembranças de experiências marcantes que vivi dentro daquela escola, as quais dividirei em dois textos. A primeira grande desilusão amorosa da minha vida, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi na oitava série. Naquele tempo, eu não devia pesar mais do que quarenta e cinco quilos. Era muy magrinho, um fiapo. Se me desossassem, não dava um pastel. Contudo, já arrolava algumas fãs e arrebatava meia-dúzia de corações femininos, tinha lá meus predicados.&lt;br /&gt;Certo dia, ainda no fim da sétima série, idos de 1998 (ah, bons tempos aqueles...), a professora de Português começou com uns papos estranhos a respeito de uma guria da outra turma. Corria à boca pequena que a tal aluna estava interessada em minha pessoa. Confesso que fiquei desconcertado com a situação, afinal de contas, era a primeira vez que alguém se enlevava por mim assim, de graça, sem segundas intenções. Antes dela, as outras duas meninas com quem eu tinha ficado ofereceram grande resistência, tive que correr quase um ano atrás de cada uma para que me aceitassem. Como vocês podem ver, desde pequeno carrego essa sina, menos mal que agora vou casar e esse carma acaba na minha vida.&lt;br /&gt;Pois bem, graças à língua de trapo da professora, o cambicho espalhou-se pela turma como rastilho de pólvora. Vieram as férias, veio a oitava série. E o destino, que não brinca em serviço, quis que unissem as sétimas séries numa única turma de oitava. Noves fora, lá estava eu no primeiro dia de aula ganhando olhares apaixonados de minha admiradora declarada.&lt;br /&gt;Para minha sorte, a danada era linda feito laranja de amostra. Não vou elogiar muito, porque a essa altura do texto minha noiva já deve estar com uma cara nada amistosa e, como hoje é sexta, quero preservar a harmonia familiar no meu fim-de-semana. De qualquer modo, sou obrigado a revelar que logo também fiquei interessado e, tendo o cupido feito muito bem o seu trabalho, logo engatamos o que eu posso chamar de meu primeiro relacionamento que durou mais que um beijo furtivo. Aliás, foi um quase namoro, pelo menos pra mim.&lt;br /&gt;Esperamos a primeira festinha da turma para sacramentar o entrevero. Tivemos uma boa conversa, houve sintonia, romantismo e, bem, detalhes que ficarão no passado e, para o bem da minha integridade física, não revelarei. Dali em diante, vieram as cartinhas de amor, as declarações diárias, passei aqueles dias flutuando nas nuvens. Era a primeira vez, em tenros 13 anos, que eu experimentava as nuances de algo parecido com o amor. Tudo era perfeito, exceto por um detalhe básico: ela era uns dez centímetros mais alta que eu. Quinze, talvez. Não que fosse um empecilho, só era meio desconforme, mas a gente não dava muita bola. Apenas tínhamos que ir até uma escada cujo degrau equilibrava direitinho nossas alturas e estava tudo resolvido.&lt;br /&gt;Pois é, mas alegria de pobre dura pouco, e toda aquela felicidade foi mais curta que coice de porco. Durou duas semanas, para ser mais exato. Um belo dia, cheguei todo pimpão para cumprimentá-la e fui recebido com sete pedras na mão. Ela foi dura, fria e taxativa: estava tudo terminado entre nós. Foi como se eu levasse um chute do Anderson Silva no queixo. Fiquei atordoado. Como assim? À saúde de que tanta rejeição? Qual era o motivo de tamanha frieza, se um dia antes estava tudo às mil maravilhas?&lt;br /&gt;A justificativa foi evasiva. Uma amiga dela que estudava de manhã disse-lhe que tinha me visto dando em cima das colegas dela. Calúnia! Difamação! Fofoca! Dissemedisse! Juro pelo que há de mais sagrado que não fiz isso, foi pura intriga da oposição, de uma sordidez insólita, uma maldade, não se faz isso com um guri de treze anos no auge de sua primeira paixão.&lt;br /&gt;Insisti, expliquei o equívoco da amiga, argumentei que só estava conversando com algumas conhecidas, todavia sem nenhum sinal de flerte, eu era um rapaz bem intencionado, um projeto de homem de bem! Cheguei a pedir perdão mesmo sem ter culpa, caramba, me humilhei! Mas ela ignorou minha celeuma e preferiu dar ouvidos à amiga. Deixou-me lá, com cara de graxaim com mão-pelada a ver navios. Pra vocês verem como é difícil ser fiel nessa terra sem dono, as mulheres não acreditam na gente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava, portanto, consumado o primeiro pé na bunda da minha vida amorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofri um bocado, passei dias de cão, comi o pão que o diabo amassou. Todas aquelas cartinhas, declarações, folhas de caderno cheias de "eu te amo", tanta dedicação, tudo aquilo pra quê? Pra ser abandonado, antes mesmo de começar a aula, com a amargura de um chá de macela galega e carqueja. Caí em prantos, confesso. Um homem não pode ter vergonha de suas lágrimas sinceras. E, por ela, chorei copiosamente.&lt;br /&gt;Passaram os dias e, em tempos de pré-adolescência, é mais fácil de se assimilar as desilusões amorosas quando se pode dividi-las com algumas brincadeiras de infância e outras particularidades que temos aos treze anos. Mais tarde é que viramos bobocas e ficamos sofrendo por amor.&lt;br /&gt;Surgiu, então, um segundo boato, bastante esclarecedor por sinal: havia um sacripanta na jogada. Um conquistador barato, um Don Juan de meia tigela. Fora ele que pusera água na fogueira de nossa paixão. Bem, a verdade é que o cara dava dois de mim, era vinte e cinco centímetros mais alto que eu, tinha um par de olhos azuis que derretia as mulheres como se ele fosse o Ciclope do X-Men, moreno, alto, lindo e sensual. E, do alto desse rol de qualidades infindáveis, resolveu mandar cartinhas de amor para minha pinguancha. Isso não seria problema, se o cretino não as tivesse enviado durante o nosso relacionamento! Sim, ele persuadiu a pobrezinha, seduziu uma menina de 14 anos na cara dura (sim, ela também era mais velha do que eu, o que justifica a diferença de altura) e ignorou minhas nobres intenções em relação a ela. Não fosse a abissal diferença de massa muscular que havia entre nós, eu quebraria a cara do biltre safado. Mas, diante da surra que eu vislumbrava que levaria caso me manifestasse, preferi me fechar em copas e aguentar. Eu fora derrotado, precisava admitir. E o adversário era dos bons.&lt;br /&gt;Veio, então, o tiro de misericórdia: a segunda festinha da turma. Ela estava lá, deslumbrante, as músicas lentas tocando à mancheia, até que, galante, o pilantra desgraçado a convidou para uma contradança e o inevitável aconteceu: um beijo que dilacerou meu pobre coração e fez doer meu cotovelo como dói uma apendicite em estado crítico.&lt;br /&gt;Afastei-me do local, busquei guarida desabafando com dois amigos num canto qualquer da festa. Mais tarde, inclusive, ambos confessaram que também eram apaixonados por ela e desejaram a minha morte quando me conheceram, vejam vocês como a vida é curiosa. Naquela hora, entretanto, éramos três desiludidos afogando as mágoas com boas doses de guaraná e muita compreensão.&lt;br /&gt;Só que é como diz o ditado, quando Deus Nosso Senhor quer, até égua véia nega estribo. Havia na festa uma surucucu peçonhenta, uma guria com quem eu tinha intrigas na turma. Era uma picuinha antiga que não cabe explicar agora, mas o fato é que ela ouviu de relance nossa conversa de bar e relatou prontamente ao mais novo casal da turma, acrescentando à verdade uma série de detalhes sórdidos e inexistentes. Àquela altura o assunto já nem era mais mulheres entre nós três, já tínhamos partido para os esportes, debatíamos as chances do nosso time ganhar as interséries e talicoisa, estávamos entretidos num papo animado, deixamos as questões amorosas de lado.&lt;br /&gt;Nisso, eis que surge um batalhão de gente vindo em nossa direção feito uma manada de gnus, capitaneados pelo fortão, seguido logo atrás por nossa musa de olhos claros, agora foguentos de raiva. Desandaram a bradar impropérios, ambos de dedos em riste. Acusavam-me de difamá-los para os dois amigos, chamaram-me de agitador das massas, uma barbaridade. Logo eu, amante da paz e da lhaneza entre os homens, que já superara a desilusão havia mais de meia-hora, por que eu desafiaria alguém maior que eu? Seria burrice.&lt;br /&gt;Tentei argumentar, mas não eram meus dias de sorte, as pessoas não queriam ouvir o que eu tinha a dizer. Fui brutalmente ameaçado, por um momento cheguei a pensar que levaria umas biabas na orelha e nem teria como me defender, uma vez que meus companheiros de conversa também eram mirrados e esquálidos, não havia como fugir. Felizmente, eles se contentaram em nos xingar muito (teve que ser ao vivo, não existia Twitter naquela época) e voltaram a curtir a festa.&lt;br /&gt;Observei então que, oitavada num canto, a danada da fofoqueira trazia um sorrisinho maroto nos lábios e acompanhava o banzé de soslaio. Percebi a vingança brotando em seus olhos, ela vibrava vendo-me passar por tamanho constrangimento. Senti-me como um cabrito que escapou por pouco de uma alcatéia faminta, o coração retumbando na garganta, e aquela infame ainda tinha a desfaçatez de rir da minha cara.&lt;br /&gt;No fim das contas, tudo acabou bem. O romance foi até mais curto que o nosso, nem completou uma semana. Como era início de ano, ficamos todos amigos e a harmonia imperou na turma até o fim do ano. O grandalhão, inclusive, é hoje um grande amigo meu, por quem nutro efervescente admiração, mesmo ele tendo me passado a perna na oitava série (a essa altura do texto, inclusive, ele deve estar às gargalhadas). Quanto à nossa colega arrasadora de corações, é uma pessoa tão querida, que até hoje ainda tenho uma grande consideração por aquele ano tão bom que passamos como colegas. Foi, sem dúvida, muito divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por essas e outras que eu afirmo sem titubear que estudar naquele colégio será, sem dúvida, uma aprendizado eterno para meu maninho. Tenho a certeza de que lá ele aprenderá muito da principal matéria que estudamos continuamente: a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-4073113095286567859?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/4073113095286567859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=4073113095286567859&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4073113095286567859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4073113095286567859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2011/02/um-triangulo-nada-amoroso.html' title='Um triângulo nada amoroso'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-2434402204955579540</id><published>2011-02-11T16:44:00.000-02:00</published><updated>2011-02-11T16:44:48.852-02:00</updated><title type='text'>"De certo por isso mesmo os meus destinos são dois..."</title><content type='html'>Gaúchos, todos nós - que nascemos no Rio Grande do Sul - somos. Porém, há momentos em que sinto falta de ser ainda mais gaúcho. Ou melhor, gaudério. Guasca. Bagual. Índio véio cuiudo dos pampas. Assim como diversas vezes sinto uma falta abrupta de escrever neste blog, uma espécie de querência literária que já me aguenta há mais de quinhentas postagens.&lt;br /&gt;Bueno, o fato é que, como gaúcho de cidade, urbanizado por motivo de força maior, a maldita diáspora capitalista que defenestrou tanta gente do interior em busca de uma vida melhor na selva de pedra - minha amada mamãe inclusive - não é fácil cultivar a tradição à risca em virtude do ritmo frenético que se vive nessa terra de caras-pálidas. E, por mais que algum gaudério defensor dos costumes venha me dizer que o gauchismo está entranhado nas veias daquele que é verdadeiramente pampeano, replico dizendo que, mesmo o argumento sendo válido, sinto necessidade de praticar fisicamente a tradição.&lt;br /&gt;Usualmente, procuro cultivar um linguajar que envolva adágios e expressões típicas, seja chamando alguém de 'vivente', puxando um 'buenas' n'alguma saudação, assoviando uma marca enquanto raciocino e sorvendo o máximo de sons que a natureza produz à minha volta, o que remete meu inconsciente diretamente à minha querida São Chico de Paula, onde ruminam minhas vaquinhas e cantam alegremente as carucacas, reduto absoluto do mais tangível que conheço de gauderiadas. 'Bah' não vale, que 'bah' é coisa de portoalegrense. 'Tchê' também não, que qualquer matungo usa 'tchê' no RS. Falo de algo mais profundo, lapidado.&lt;br /&gt;Ainda assim, não basta. A vida é corrida demais, o tempo urge, ontem era dezembro, hoje é quase março, uma coisa de louco. Se o cara não está bem antenado, deixa passar muita coisa por baixo do nariz e, não raro, em sua maioria costumes que fazem um bem danado, seja qual for a sua tribo. No meu caso, a tradição baguala.&lt;br /&gt;Quando isso ocorre, paro, respiro fundo e, atualmente, ponho para tocar Destinos, do Marenco. "Quem não sabe pra onde vai, não vai a lugar nenhum", diz a letra. É por isso que faço a pausa e repenso meus caminhos. Abro um pacote de erva, esquento uma chaleira d'água, cevo um mate. Visto minha bombacha mais surrada, fico uns dias sem me barbear, ostento um bigode miúdo, porém corajoso. Em dias mais rebeldes, deixo crescer a barba toda, ignoro a coceira, me permito ser rústico, guabiroba na essência pura da raça.&lt;br /&gt;Ao som de uma cordeona, dou vazão aos meus sonhos de guri, penso o tempo todo nas minhas vacas, nas que já se foram, nas que virão. Repasso a conta da minha pequena, mas valente tropa. Mentalizo meu cusco, puxo um calendário e marco a próxima visita aos meus avós, projeto alguma lida em especial. Semana passada, quando lá estive, achei uma foice perdida num canto do galpão, passei a lima, dei uma afiada de revesgueio e grudei o muque numa erva-de-passarinho que fez morada no velho pé-de-carvalho que faz sombra à mangueira e atrapalhou um bocado a tiração de leite pela manhã, pois os ramos quase que arrastavam pelo chão, já que o vô não anda com tanto tempo e disposição pra dar conta do inço.&lt;br /&gt;Talvez quem não viva essa vertente não consiga entender minha necessidade, meu vício. Contudo, quem conhece o valor que brota do campo, certamente sabe a falta que faz o cheiro da macega nas ventas. Queria ter posses o bastante para adornar toda a minha casa de toda a indumentária possível. Quem dera pudesse transformar a garagem numa estrebaria, jogar num canto os arreios, os pelegos, criar uma ovelha no pátio, quem sabe até uma égua rosilha. Ah, se pudesse acordar todos os dias pela manhã ao som da sinfonia de berros que fazem as vacas de leite, despertar ao som vivaz da cantiga do galo, e não a musiquinha mecânica e irritante do celular. Levantar cinco minutos antes do necessário, e não querer dez minutinhos a mais na cama quentinha antes de bater o ponto no escritório.&lt;br /&gt;Sinto uma falta imensa de ser mais gaudério, de viver com maior intensidade toda essa riqueza que a cultura me deu ao longo da vida. Queria as mãos mais brotadas de calos, ao invés de tanta tecla, tanto mouse. Queria mais liberdade. Por enquanto, não dá, mas um dia há de se materializar. Enquanto isso, vou servir outro mate, que a bomba roncou...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-2434402204955579540?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/2434402204955579540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=2434402204955579540&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/2434402204955579540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/2434402204955579540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2011/02/de-certo-por-isso-mesmo-os-meus.html' title='&quot;De certo por isso mesmo os meus destinos são dois...&quot;'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-5835107273696336086</id><published>2011-01-11T11:44:00.005-02:00</published><updated>2011-01-12T09:09:00.013-02:00</updated><title type='text'>A fase do amadurecimento</title><content type='html'>Há dois momentos na vida do homem jovem que são cruciais para seu desenvolvimento. Falo do homem jovem porque ainda não sou velho. Quando chegar à terceira idade, certamente direi que há mais momentos cruciais na vida de um homem. Até agora, porém, diagnostico dois onde os conflitos provocam verdadeiros banzés no universo masculino.&lt;br /&gt;O primeiro deles é a adolescência. Todo homem sofre nessa fase. Enfrentar a adolescência é uma tarefa hercúlea, não importa a que grupo você pertença. Se for fortão e dominador, será um martírio manter a postura e a liderança sobre os fracotes; se for fracote, padecerá por ser subjugado e alvo de chacotas dos fortões; se for meio termo, sofrerá com as crises de identidade e por não saber onde pôr milhares e milhares de hormônios. Para um homem, ser adolescente não é nada fácil.&lt;br /&gt;As pernas crescem, os braços crescem, os pelos crescem, o pinto cresce. Tudo cresce, e de maneira tão rápida, que o homem esquece de amadurecer. Vejam as mulheres, por exemplo. Com 11 anos, os guris enchem o saco das meninas, as chamam de choronas. Tolinhos, mal sabem que elas já estão quilômetros adiante, enfrentando as agruras da TPM, das cólicas menstruais, esses monstros que destroem o humor das mulheres. Enquanto isso, os guris mal sabem para que serve seu órgão sexual.&lt;br /&gt;As meninas aprendem cedo a arrumar sua cama, suas roupas, seu corpo. E não tem nada a ver com questões sócio-culturais, não me chamem de machista! É o instinto maternal e feminino que as conduz: as mulheres não vieram ao mundo para passar dificuldades, elas sabem se virar sozinhas. Peça alimento a uma menina de 7 anos, e ela dará o jeito de fazer um sanduíche. Nós, homens, coitados, mal sabemos derramar o leite em cima dos sucrilhos.&lt;br /&gt;Os homens demoram anos e anos para conseguir organizar o próprio sustento, muito pelo fato de que as mães, irmãs e avós zelosas preparam seus leites com achocolatado, esmagam as bananas e preparam o sanduíche seguindo as preferências de cada um: sem mostarda, sem alface, capricha na maionese. São os chamados mimos. Há homens, inclusive, que não conseguem fazer isso a vida inteira. Outros atingem a superação e viram chefs de cozinha. Vá entender. Bueno, mas o fato é que a adolescência é uma vilã e tanto para um homem. As meninas superam essa fase com maior habilidade.&lt;br /&gt;O segundo conflito do homem jovem se dá justamente por causa daquelas que amadureceram mais rápido que ele: as mulheres. Já sofri por amor e sei que dói um bocado. Um homem que sofre por amor é um ser mutilado, incapaz de antever a bonança que virá depois da tempestade. É justamente por esse motivo que a maioria dos machos segue o caminho da canalhice: sem entrega, sem amor, sem sofrimento. Ser machão e pegador é, acreditem, uma fuga. No lugar mais escondido de seu íntimo, o que o homem mais quer é encontrar o amor da sua vida. Sem sofrimento, é claro. Havendo percalços, deixa-se que os hormônios falem mais alto e fica mais fácil sair passando o rodo no que vier pela frente, mesmo que nenhuma das pinguanchas jamais venha a ser a escolhida para gerar seus rebentos.&lt;br /&gt;A maioria dos erros que um ser humano comete, seja homem ou mulher, tem origem n'algum conflito mal resolvido. Há os sem-vergonhas, ô, se há. São os espertos, que, sabedores da existência dos conflitos, fazem de conta que possuem um, para que possam justificar seus atos insólitos. Ainda assim, estes são a minoria. Quase todo aquele que comete suas burradas as faz porque é ignorante o bastante para não conseguir resolver seus anseios.&lt;br /&gt;Felizmente, existe luz no fim do túnel. Os homens também amadurecem. Sem a mesma regularidade das mulheres, isso com certeza, mas também galgam degraus que os livram da cretinice. E, normalmente, quando isso ocorre, o homem olha para o passado e se arrepende das cabeçadas que deu na vida. Segundos depois, regozija, pois cresceu. Os lampejos da auto-crucificação dão lugar à afirmação, à vontade de seguir em frente com suas conquistas e, finalmente, fazer jus ao amor da mulher que amadureceu 10 anos antes dele e teve de ter paciência para esperá-lo (sendo que nem todas fazem isso, o que justifica a procura das mulheres pelos homens mais velhos).&lt;br /&gt;Em verdade, vos digo que no que tange ao amadurecimento, nada tenho de diferente da maioria. Fui e sou um homem como qualquer outro, passei por todas as fases que descrevi acima e, hoje, homem jovem que sou, adentrei o time daqueles que atingiram sua afirmação. Conforme afirmei no início, certamente daqui a 25 anos terei outras ideias acerca da vida, e muito provavelmente concluirei que ainda sou tolo, mesmo pensando que amadureci. Aliás, tomara que isso aconteça, pois significará que segui desenvolvendo minha personalidade e capacidade de aprendizado.&lt;br /&gt;De todo modo, enquanto Seu &lt;strike&gt;idade do&lt;/strike&gt; Lobo não vem, é possível dizer que as perspectivas para 2011 são a de um ano bom. O primeiro ano da minha vida em que me sinto maduro o suficiente para encarar os desafios que me esperam. Tá certo que ainda não sou um exemplo de dono-de-casa, tamanha a preguiça que tenho em arrumar a cama e executar outras tarefas domésticas. Porém, lhes garanto que de fome eu não morro mais: já sei fazer meu próprio sanduíche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que todos tenhamos um excelente 2011.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-5835107273696336086?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/5835107273696336086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=5835107273696336086&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5835107273696336086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5835107273696336086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2011/01/fase-do-amadurecimento.html' title='A fase do amadurecimento'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-9148022280327775248</id><published>2010-12-27T11:21:00.000-02:00</published><updated>2010-12-27T11:21:32.779-02:00</updated><title type='text'>Minha feliz retrospectiva 2010</title><content type='html'>Passado o Natal e todas as suas adjacências marqueteiras e capitalistas, é hora de deixar-se embuir pelo que restou do espírito natalino e tratar de fazer algumas constatações. Estamos nos acréscimos de 2010, um ano que para muitos pode ter sido "apenas mais um ano", como tantos já foram para mim, mas que a meus olhos é diferente, pois foi marcante, único e inesquecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois mil e dez foi o melhor ano da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele começou diferente. Quando os primeiros fogos estouraram à meia-noite de 1° de janeiro, eu estava embriagado n'algum lugar do calçadão de Itapema, em Santa Catarina. Foi um reveillón de pura indiada, de fatos inesquecíveis e de uma odisséia em busca do amor, uma viagem tresloucada atrás da mulher da minha vida. Não foram dias fáceis, mas, apesar dos pesares, foram maravilhosos. Graças àquela passagem inusitada, cresci absurdamente, livrei-me de amarras que impediam meus avanços e tornei-me uma pessoa melhor. Foi o pontapé inicial para um ano glorioso. A menção honrosa fica por conta de meus fiéis escudeiros, Cláudio e Luci, as únicas pessoas que sabem a dimensão e o real significado de cada quilômetro percorrido.&lt;br /&gt;Janeiro e fevereiro foram quentes e angustiantes. Ainda entoxicado pelo período de festerês e gastos absurdos com festas e perdição, no fundo o que pulsava era a espera por uma definição, o deslanche tão necessitado, o aceite das minhas artimanhas, a colheita antecipada de sementes recém jogadas ao solo. Mas, como tudo tem seu tempo certo de acontecer nessa vida, algumas luas ainda passaram até que tudo acontecesse.&lt;br /&gt;Em março, andei de avião pela primeira vez na vida. Queria ter escrito um texto sobre isso, mas não consegui. Sou assim, meio tardio, conheço certas coisas depois que todos já estão enjoados de fazê-las. Ainda assim, foi inominável: quando chamaram meu vôo, fiquei feito uma codorna num aviário repleto de galinhas afoitas, mais perdido que surdo em bingo, sem saber o que fazer. Mas, quando pisei no corredor de embarque, meus olhos marejaram. Era a prova concreta de que voaria. Entrei no avião, apertei os cintos, escutei todas as informações em português e inglês, sorvi a maravilhosa sensação da primeira decolagem e... dormi. Sim, eu dormi no meu primeiro vôo! Bah, estava exausto, a jornada do fim-de-semana fora intensa e meu corpo preferiu descansar.&lt;br /&gt;Passei uma semana em São Paulo a trabalho, comendo do bom e do melhor no hotel, dormindo numa cama king size e assistindo ao Big Brother. Pena que dormi no paredão da Cacau... Ok, esse foi um momento de cultura inútil e odiosa. Desculpem.&lt;br /&gt;Fechando o primeiro trimestre, como eu ainda era solteiro, devo relembrar duas festas marcantes feitas com meu amigo Popins, vulgarmente conhecido como Fernando no interior do Rio Grande do Sul. Dani, não fique braba, foram apenas festas. Porém, há fatos que aconteceram no carnaval e em Nova Petrópolis - principalmente no primeiro - que são literalmente impublicáveis, o que certamente despertará muita curiosidade nas mentes mais férteis. Contudo, fiquem tranquilos, não foi nada que possa gerar algum exame de DNA nas próximas semanas.&lt;br /&gt;Abril foi um mês no estilo "graxaim com mão pelada". Não fedeu, nem cheirou. Lembro que trabalhei bastante, mas as indefinições corroíam meu pâncreas e feriam minha concentração. Por sorte, no mês seguinte, o esperado ocorreu.&lt;br /&gt;Maio foi o advento. Bem-aventurados os nascidos em maio, porque deles é o Reino dos Céus. Noutros tempos, este mês causava-me calafrios. Era uma espécie de agosto antecipado, uma síndrome de cachorro louco apoderava-se de meu ser e eu ganhava faniquitos. Devia ser macumba, não há outra explicação plausível. Felizmente, alguém deve ter desenterrado o sapo e descosturado sua boca onde constava o papelzinho com meu nome escrito, o que me libertou para a felicidade eterna. Foi no vigésimo nono dia de maio que a Dani finalmente cedeu aos meus encantos - pela tricentésima vez - e voltamos a namorar.&lt;br /&gt;Daí em diante, nasci outra vez. Não seria nenhum exagero subir numa mesa do restaurante e gritar FELIZ ANO NOVO pela segunda vez em 2010 aos presentes, mas ponderei e não considerei adequado para a ocasião. Mesmo assim, internamente este fato significou uma mudança de ares tão necessária quanto a reforma tributária no Brasil. Dali em diante, incorporei uma nova filosofia de vida, baseada em objetivos concretos. "Tracei metas", como adora dizer a Dani, sendo que muitas foram cumpridas ainda este ano.&lt;br /&gt;Voltando a jogar no time dos comprometidos, a vida ficou mais feliz. Os passarinhos verdes voltaram a cantar na minha janela, ficou mais fácil de acordar de manhã e viajei mais vezes a São Miguel do Oeste do que já havia feito em toda a minha vida. Era a bonança vindo depois de um longo período de tempestades.&lt;br /&gt;Os meses frios do inverno foram aquecidos pelo calor de um novo relacionamento. Sei que a maioria das pessoas que nos conhecem pensaram que seria um namoro retórico, afinal de contas, fomos nós mesmos que plantamos a dúvida nos corações alheios. Mas, como eu não devo nada pra ninguém e como nossa vida não é novela pros outros ficarem acompanhando, mandei as opiniões pro diabo que as carregue e fiz o que achei que era certo. Numa manobra arrojada e, por que não dizer, de um frenesi orgástico, compramos nosso lar, doce lar. A Dani já mora lá desde então, com seus planos férteis feito as terras às margens do Nilo, naquele papo de "a cozinha será assim, o piso será assado, e na sala vai o sofá tal" e talicoisa, aquelas conversas que permeiam o universo feminino em períodos pré-matrimoniais.&lt;br /&gt;Aliás, por falar no sagrado sacramento, aconteceu em julho a união dos supracitados amigos Cláudio e Luci, de quem fomos honrosamente padrinhos. Este casamento foi tão benéfico, que graças a ele beberei cerveja de graça no reveillón que se aproxima. É que apostamos, Cláudio e eu, há muito tempo atrás, quando Luci ainda era apenas uma singela moradora do bairro Primavera, que o primeiro a casar deveria pagar a bagatela de nada menos que três caixas de cerveja ao que permanecesse solteiro. Isso significa dizer que, além do Ano Novo, ainda molharei os bigodes em 2011, uma vez que a primeira parcela está sendo paga agora. Mais do que uma aposta, foi um investimento.&lt;br /&gt;Brincadeiras à parte, posso dizer sem medo de errar que cresci com a união de meus amigos. Além deles, em outubro tivemos o casamento do co-fundador deste blog, o Sagu Leonardo, fato que abalou da Bovespa à Dow Jones, pois muitos consideravam que a possibilidade do Léo casar era mera especulação. Especialistas afirmam que, no momento do "sim" dele, houve uma queda de 5% em Nova Iorque, causando choro e ranger de dentes nos investidores. Sorte da Carol, nossa afilhada, que conseguiu efetivar o que muitos consideravam como o início do Apocalipse.&lt;br /&gt;O apadrinhamento de dois casamentos inseriu-me na esfera pré-nupcial. Nossa lista já está feita, ainda que deva sofrer alguns ajustes, mas corre à boca pequena de que deve ser um dos eventos marcantes na retrospectiva de 2011.&lt;br /&gt;Vale mencionar que antes de outubro houve setembro e, com ele, meus formosos 25 anos de vida foram completados. Vou poupá-los daquela patifaria de "um quarto de século", mas a verdade é que a idade não está pesando, visto que ainda estou dando meus piques nas quadras e nos gramados. Se os troféus no Playstation são raros, pelo menos na vida real foi possível erguer um caneco e ser destaque no torneio da Wallau, evento esportivo mundialmente reconhecido nas cercanias de Novo Hamburgo. Não importa a grandeza que um fato tem para os outros, e sim o quanto ele significa para a sua vida.&lt;br /&gt;Em suma, 2010 foi perfeito. Um ano de aprendizados, de lições valiosas, de afirmações e conquistas. Consegui manter contato com meus melhores amigos durante todos os meses, mesmo os não citados nominalmente em algum acontecimento, como os Sagus Thiago, Guto e suas respectivas noiva e esposa. Meus amigos do time, do coral, do trabalho. Passei mais tempo com alguns, menos com outros, mas pude ter bons momentos com todos, o que me fez um bem danado. Cultivei, inclusive, as amizades à distância com os bons amigos que o blog me trouxe, mesmo que às vezes o tempo seja tão curto para conversarmos.&lt;br /&gt;Mantive o zelo pela família, visitei os avós e a querida São Chico o ano inteiro, cuidei das minhas vaquinhas, do meu cachorro e respirei muito ar puro. Cantei aos borbotões, mantive o peso, comecei a malhar e me emocionei diversas vezes. Chorei de saudade do meu velho avô Gentil, presente em todos os momentos da minha vida, a quem sempre dedico as conquistas em pensamento e de quem sinto saudades eternas. Amei, sorri, descansei e vivi com intensidade. Fui reconhecido profissionalmente e sei que vou colher os frutos neste 2011 que se aproxima.&lt;br /&gt;Fechando o ano com chave de ouro, fiz com que o Natal tivesse um significado ímpar na minha vida, esta data que até então passava despercebida aos meus olhos: Dani e eu oficializamos o nosso noivado, e agora não tem mais volta, a aliança só vai trocar de anelar, mas dos dedos ela não sai mais. Estou a cada dia conhecendo o significado de construir uma família, superando meus limites e conhecendo habilidades que eu nem sabia que tinha. É um prazer inominável ver a vida se reinventar a cada dia.&lt;br /&gt;Não vou fazer nenhuma espécie de balanço final, não é necessário. Depois dessa narrativa, é notório que o saldo foi muito positivo. Para fechar, vou apenas usar uma frase que li agora há pouco, e que talvez tenha sido a mola propulsora para vir aqui e dividir um pedaço da minha história com vocês: "A única obrigação da vida é ser feliz. O resto é consequência."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-9148022280327775248?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/9148022280327775248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=9148022280327775248&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/9148022280327775248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/9148022280327775248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/12/minha-feliz-retrospectiva-2010.html' title='Minha feliz retrospectiva 2010'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-5141666303600615528</id><published>2010-12-16T09:43:00.002-02:00</published><updated>2010-12-16T09:43:42.772-02:00</updated><title type='text'>Às avessas</title><content type='html'>Não encarem o que vou dizer a seguir como oportunismo ou hipocrisia. Pelo contrário, o farei com a mais profunda lhaneza: eu não gosto de Natal. Já faz algum tempo que essa data me desperta uma certa antipatia, tudo isso por diversos motivos que serão enumerados a seguir. Para se ter uma ideia, passei o último dia 25 de dezembro sozinho na fazenda, só a natureza e eu, casereando para meus avós enquanto a família engraxava os bigodes num suculento churrasco. Iniciativa minha. Queria ficar sozinho, e fiquei.&lt;br /&gt;Nada tenho contra o Natal. Apenas deixei de nutrir os sentimentos nobres que acometem a população nessa época. Aliás, é a época em si que me causa certo desconforto. Certa vez, numa das últimas comemorações natalinas em que participei, pedi a palavra antes da janta e fiz um breve discurso. Em suma, disse que esperava que o clima ameno e fraterno daquela noite se propagasse durante os 364 dias seguintes até o próximo Natal. Que levássemos em conta que esse é o verdadeiro desejo de Deus para todos nós. Os integrantes da mesa se entreolharam, e pude perceber que nem todos haviam parado para pensar acerca de minha reflexão.&lt;br /&gt;Bueno, mas o fato é que, de lá para cá, passei a descrer das comemorações natalinas. Prefiro praticar a fraternidade durante o ano inteiro. Nos últimos anos, por exemplo, não tenho mais passado as festas de fim de ano com minha família. Contudo, duvido que alguém visite mais meus avós no transcorrer do ano do que eu. Procuro praticar em doze meses o que tanta gente deixa para recordar em dezembro e, na tentativa de saldar a dívida, compra gracejos para a família e escreve palavras afáveis nos cartões temáticos.&lt;br /&gt;Talvez alguns estranhem tamanho ranço de minha parte a dez dias do Natal, ainda mais por não ser característica marcante dos meus últimos textos. Todavia, devo confessar-lhes que, em certos momentos, perco a vontade de fazer rir. Minha fé na humanidade fica abalada quando sou bombardeado de notícias desestimulantes, situações tristes e um sem-número de reveses que permeiam o noticiário.&lt;br /&gt;Hoje pela manhã, quando abri o jornal, li a recorrente notícia de uma mãe que abandonou quatro filhos pequenos em casa. Engoli em seco com um gole de café e virei a página. Então, deparei-me com o aumento de salário dos parlamentares, que, pasmem, foi aprovado na casa dos 61%. Um acinte, um achincalhe, um chiste do mais baixo calão para com os eleitores. Ainda atônito, entrei no carro e liguei o rádio. No comentário do folclórico Paulo Sant'Ana, um desabafo: uma babá de Caxias do Sul foi flagrada maltratando dois bebês pelas câmeras que os pais secretamente instalaram em casa. Antônio Carlos Macedo, âncora do programa, destacou também os maus tratos que sofrem os velhinhos, e foi debatido ainda o grande número de idosos que são internados em hospitais e asilos durante as festas de fim de ano ou veraneio nas praias, com o intuito de que não atrapalhem as férias da família.&lt;br /&gt;Esse bombardeio de notícias ruins foi uma espécie de soco no estômago. Senti náuseas, um certo nojo da vida. Tentei, em vão, procurar motivos para comemorar o Natal. Nascimento de Cristo? Ora, isso é simbólico, Ele nasce todos os dias nos corações de quem crê. Que sentido nefasto ganha a troca de presentes, o marketing exacerbado, o consumismo animalesco e a fartura de comilança, enquanto tantos sofrem maus tratos que ferem o corpo e a alma.&lt;br /&gt;Pergunto-me: que Natal terá um avô abandonado num asilo? Que presentes ganharão quatro filhos abandonados pela mãe? Que traumas causa esta babá desgraçada aos bebês que maltrata? E, principalmente, onde foi parar a vergonha na cara desses políticos sacripantas que nos tratam como imbecis?&lt;br /&gt;Sinto-me nocauteado por tanta hipocrisia. É tanta sujeira, tanta tristeza... Na última terça-feira, fui cantar com o coral nos corredores de um hospital aqui de Novo Hamburgo. Recordei dos tempos de pastoral da juventude, quando repetíamos essa ação mensalmente e levávamos um alento aos pacientes, muitos deles também abandonados pelos familiares e necessitados de carinho. Vi várias meninas do grupo chorando, emocionadas com a reação das pessoas, muitas delas também indo às lágrimas enquanto contemplavam nosso canto. Enquanto isso, eu chorava por dentro e queria mais. Recordei as primeiras visitas que fiz nos tempos da pastoral, quando diziam o quão importante era tocar as pessoas, transmitir o carinho de alguma maneira física. Rompi as barreiras da música e confortei alguns velhinhos com um singelo aperto de mão e minhas estimas melhoras. Mal sabiam aquelas pessoas que o curado era eu, a quem eles, com seus olhares serenos e compassivos, aplacavam a amargura que por vezes dá de relho em minh'alma. Foi um misto de alento e dor. Mas, de qualquer forma, foi único.&lt;br /&gt;Por essas e outras é que não simpatizo com o Natal. Se a tantos é a oportunidade de confraternizar e ver os entes queridos, a mim ainda causa a impressão de que algo está muito errado. E de que eu posso cada vez menos reagir contra toda essa sujeira que dilacera meu espírito. Este ano, mesmo que haja festa e mesa farta, no recôndito de meu ser, ainda estarei sozinho. Sabe Deus por quantos Natais isso perdurará.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-5141666303600615528?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/5141666303600615528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=5141666303600615528&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5141666303600615528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5141666303600615528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/12/as-avessas.html' title='Às avessas'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-4122965976533621885</id><published>2010-12-02T16:48:00.001-02:00</published><updated>2010-12-02T17:03:36.074-02:00</updated><title type='text'>Ele mexeu com o cara errado</title><content type='html'>A história que vou contar hoje é um tanto, digamos, abrupta. Diria que não se enquadra no padrão família que meus relatos abordam, uma vez que contém violência física, formação de gangues e, por que não dizer, um pouco de sangue.&lt;br /&gt;Não que eu goste de falar sobre isso, já que sempre fui ferrenho defensor do diálogo, um pacifista nato, que passa longe de perrengues que se resolvam indo às vias de fato. Isso da adolescência pra cá, naturalmente, já que quando criança eu bem que gostava de ver o couro comendo.&lt;br /&gt;Certa vez, por exemplo, desferi uma taquarada no nariz de um vizinho no pátio da escola. Jorrou sangue a cântaros, e a diretora me pôs de castigo em pé, de frente para a parede, ao lado de uma estante na diretoria. Fiquei horas ali, estático feito uma esfinge. Certa ela, meliantes devem ser punidos, ora bolas. Minha mãe, que lecionava - e leciona até hoje - na mesma escola em que eu estudava, presenciou aquela cena e ficou estarrecida com a condenação que recebi. Coisas de mãe, já que aquele pequeno castigo alertou-me para os perigos que correm os agressores insólitos.&lt;br /&gt;Apesar que, depois desse ocorrido, bem que andei me envolvendo n'algumas rusgas, todas no colégio. Nunca fui muito de desferir socos na cara, meus braços sempre foram esquálidos, então preferia usar de outras artimanhas. Dentadas, por exemplo. Houve um corajoso que ousou atentar contra a pureza de minha mãezinha, ao que tasquei uma mordida em sua perna. Isso foi na quinta série. No outro dia, lá estava a mãe do guri, esbravejando comigo na sala do disciplinador, enquanto mostrava o hematoma causado por meu ataque canino ao membro inferior de seu filho. Aqueles canalhas trancafiaram-me numa salinha pequena, nem defesa pude apresentar! Mas, tudo bem, eu não devia mesmo ter mordido com tanta força, ficou um roxo medonho.&lt;br /&gt;De todo modo, foram poucas as vezes em que arranjei confusões desse calibre. Era uma briguinha aqui, uns empurrões dali, algum palavreado mais forte, mas nada que se pudesse dizer que fui um Bruce Lee das redondezas. Bem pelo contrário, até hoje não sei como se faz pra dar um soco em alguém. Não por falta de oportunidade, porque o fato a seguir bem que me propiciou tal treinamento.&lt;br /&gt;Foi no fim de uma manhã qualquer, na parada de ônibus. Estes locais inóspitos, principalmente os que não abrangem o território escolar, eles são deveras perigosos. Você nunca estará a salvo numa parada de ônibus, acredite.&lt;br /&gt;Eu estava parado no mesmo lugar habitual de todos os dias, acompanhado de amigos que aguardavam com parcimônia o transporte coletivo após uma exaustiva manhã de árduo aprendizado, tanto que o único amigo que estava junto ardia em febre. O pobre chegou a deitar a cabeça no colo, já que nosso ônibus era sempre o último a chegar. Esse gesto despertou a preocupação das gurias, que o paparicavam um bocado, enquanto eu permanecia parado no mesmo lugar observando a passagem dos alunos que rumavam para seus lares a pé.&lt;br /&gt;Nisso, levei um empurrão contra o ombro que me tirou do eixo. Foi algo proposital, não tenho dúvidas. Logo contra mim, que àquelas alturas já havia abandonado o péssimo hábito de morder pernas e acertar narizes alheios com taquaradas. Fiquei indignado com aquilo, o cara seguiu andando como se nada tivesse acontecido e meu ombro doía. Por impulso, acabei praguejando alto demais. Lembro exatamente a palavra que falei, um xingamento típico das gírias que usávamos na época:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ROSTÃO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me perguntem o que significa "rostão". Meus amigos diziam, então eu dizia também. Vocês sabem, adolescentes são extremamente influenciáveis, é aquele papo de ser aceito na tribo e talicoisa. O fato é que falei alto demais, e o rostão ouviu. Voltou-se contra mim com sangue nos olhos, bufando com a empáfia típica dos mais fortes. E, de fato, ele era duas vezes maior do que eu, o que justificava tamanha coragem, aliada à presença da namoradinha, outro fator determinante para fazer um grau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi que tu disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pô, se escutou, pra que mandar repetir? Esses diálogos pré-combate são uma droga, principalmente quando o maior subjuga o menor. Gaguejei, olhei para meu amigo que, febril, nem percebeu o entrevero e, como um imbecil medroso, repeti bem baixinho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- Rostão...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que bastou para o baita agigantar-se contra mim e pimba, deu-me uma cabeçada. Doeu pra cacete, acreditem, mas, pra minha sorte, foi só. Virou-se, glorioso, e partiu para seu lar com ar de vencedor. As gurias, boquiabertas com a cena, perguntavam por que eu não havia reagido, bradavam de raiva, ringiam os dentes e proferiam impropérios. Já eu, que não sou Davi, pra meter contra um Golias da vida, permaneci murcho feito um mulito na macega, rezando trocentos Creindeuspai para que o ônibus chegasse logo.&lt;br /&gt;Porém, já diz o velho ditado, "quem tem amigos nunca está só". Minutos depois, vi descer a rua com a namorada um de meus amigos do texto anterior, daqueles que eu admirava. Este, ao contrário de mim, gostava duma peleia que ele só. Escrevia, não lia, o pau comia. E, por obra do acaso, meu agressor era justamente um de seus maiores desafetos no colégio.&lt;br /&gt;Quando as gurias lhe relataram o ocorrido, vi a cólera brotar em seus olhos azuis, que tantas pinguanchas enfeitiçaram em Novo Hamburgo e, por que não dizer, Brasil a fora, quiçá no mundo. Ele ficou com mais raiva que eu, prometeu estraçalhar o pilantra, faria justiça com as próprias mãos, mostraria com quantos paus se faz uma canoa. Em suma, tava armado o banzé.&lt;br /&gt;Como o desgraçado já andava longe àquela altura, o troco foi adiado para o dia seguinte. E deu-se que a história da agressão contra mim espalhou-se pela escola como um rastilho de pólvora, ao que, na hora do recreio, apresentava-se um exército de aproximadamente trinta voluntários para sovar o lombo do corajoso.&lt;br /&gt;Recebi mais apoio que candidato em comício. Tive contato com uns caras que jamais enxergara na escola, todos inflamados pelo meu amigo que, de tão popular, aclamava as massas com facilidade, ainda mais se fosse pra surrar alguém. Chegou inclusive a informação de que dois amigos viriam do nosso bairro especialmente para executar o plano que, por sinal, seria executado na mesma hora em que todas as diferenças escolares se resolvem: a hora da saída.&lt;br /&gt;Esperei apreensivo pelo último sinal. Estava curioso para saber o que aconteceria. Pessoalmente, nem queria mais a vingança, mas o instinto de ver o circo pegar fogo nessas horas é mais forte, e minha avidez por sangue brotou de tal maneira, que eu mais parecia um garnizé se adonando do terreiro. Era o meu momento de glória, uma gangue inteira em minha defesa. Senti-me o verdadeiro Al Capone.&lt;br /&gt;Na hora da saída, uma retumbante surpresa: havia uns quarenta cabeças reunidos. Compreendi a dimensão do fato quando enxerguei, no meio do bolo, um cara portando um taco de beisebol. Cheguei a sentir pena do picadinho que fariam do rapaz. Sim, porque do jeito que andava a coisa, eu é que nem queria me meter.&lt;br /&gt;Mas, como o controle da situação não estava em minhas mãos, puseram-me à frente do esquadrão e mandaram que eu abordasse meu algoz. Vendo que me faltava o essencial, a coragem, meu amigo tomou as rédeas da situação e chegou intimando o biltre, agora o mulito murcho da vez. Até havia uns amigos ao seu lado, contudo todos estavam bem avisados de que, se ousassem defendê-lo, sobraria sopapos pra eles também. Diante da fúria de quarenta, agiram todos como São Pedro e negaram conhecê-lo até mais que três vezes.&lt;br /&gt;À beira de um massacre, o circo armado, todos do meu grupo começaram a recuar. Creio que a ficha caiu, afinal de contas, estávamos ainda na frente da escola, e quem criasse confusão certamente seria suspenso. Este medo, porém, não atingiu meu amigo, que chegou dando um tabefe nas ventas do safado e desencadeou um espetáculo de bordoadas. Lembram dos guris do bairro? Pois é, como não deviam nada à escola, foram os que mais bateram. Quanto mais o cara tentava se defender, mais socos choviam em cima dele.&lt;br /&gt;Eu, pelo contrário, novamente assumi o papel de esfinge e não desferi um golpe sequer. Depois fui criticado, disseram que eu deveria ter dado ao menos um murro. Discordo. Meu regozijo foi justamente lavar as mãos e vê-lo acuado como um cão sarnento, desvencilhando-se, em vão, da metralhadora de tapas e pontapés que lhe acertavam.&lt;br /&gt;Depois daquilo, nunca mais o vivente cruzou o meu caminho. Olhava-me de revesgueio durante os recreios e, se eu o encarava por mais que quinze segundos, desviava o olhar rapidamente. Venci o combate sem sujar as mãos, apelando apenas para o tráfico de influências exercido pelo meu amigo. Ah, como aquela sensação era boa! Ainda assim, nos dias subsequentes passei a escorar-me no muro para aguardar o ônibus, afinal de contas, é como diz aquele outro sábio ditado: cavalo de borracho sabe onde o bolicho dá sombra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-4122965976533621885?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/4122965976533621885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=4122965976533621885&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4122965976533621885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4122965976533621885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/12/ele-mexeu-com-o-cara-errado.html' title='Ele mexeu com o cara errado'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-4199311594034576447</id><published>2010-11-24T18:03:00.005-02:00</published><updated>2010-11-24T19:09:33.897-02:00</updated><title type='text'>Calce um par de tênis antes de correr</title><content type='html'>Você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, você mesmo. Há poucos segundos, abriu este blog em seu computador, na esperança de ler algo novo, não é mesmo? Pois bem, você tem um segredo. Algo obscuro, guardado no recôndito de seu passado, e que, em circunstâncias normais, prefere não lembrar, evitando assim aquele sentimento de vergonha alheia contra si próprio. Estou errado? Não, né?&lt;br /&gt;Pois bem, se você balançou a cabeça afirmativamente e recordou um fato tenebroso em sua vida, prepare-se: vou revelar um de meus segredos no próximo parágrafo. Em linhas gerais, é o tipo de história que não se conta num blog pessoal, mas, querem saber? É chegado o momento da verdade. E ela precisa ser dita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha quinze anos, mais ou menos. Era um guri franzino, ainda treinando os primeiros movimentos do barbeador e que se assustava com a rapidez impressionante com que os pelos povoavam certas partes do meu corpo. Ainda estava naquelas de pintar o cabelo de amarelo e talicoisa, um tempo muito mal definido, por assim dizer. Andava de galho em galho, granjando um verdinho, feito galinha choca em tarde de verão, meio que experimentando as novidades da vida.&lt;br /&gt;Nesse entremente, foi que deu-se o sucedido. Havia dois amigos pelos quais nutria efervescente admiração. Eram destemidos, faziam sucesso com as gurias mais lindas do colégio, pareciam não ter medo de nada, nem precisar usar casaco em dias frios, coisa que minha mãe tanto insistia para eu fazer. Era sublime admirar a valentia daqueles dois e de outros tantos, que pareciam ter coragem para dançar um tango com o capeta em dia de Finados.&lt;br /&gt;Mal sabia eu que cabeça vazia é oficina do diabo. Numa daquelas madrugadas em que pensávamos no que fazer, veio uma conversa enviesada sobre pichação. Pouco conhecedor da prática, bastaram alguns minutos para que eu ficasse envolvido na habilidade com que eles descreviam seus rabiscos, nos planos tão bem bolados para não serem pegos em flagrante. Aquilo foi me inebriando de tal forma que, quando percebi, já estava dentro do esquema. Naquela noite, tornei-me um pichador.&lt;br /&gt;Mas, antes que você me julgue e passe a proferir maledicências contra meus atos de vandalismo, advirto: quando Deus Nosso Senhor quer, até égua véia nega estribo.&lt;br /&gt;O plano era simples, bastava procurar muros limpos, alvos, branquinhos feito aquelas peças de roupa das propaganda de um sabão em pó qualquer, dar o seu recado, ser extremamente rápido e, naturalmente, sair à francesa, sem dar bandeira. Além disso, por via das dúvidas, usar um casaco que tivesse capuz, de modo a dificultar o reconhecimento, uma vez que o plano seria executado em plena vizinhança, para tornar a madrugada ainda mais emocionante.&lt;br /&gt;Lá estava eu, com meus quarenta e poucos quilos, um fiapo de gente dentro de um casaco emprestado, a cabeça imersa no capuz enorme e um bastão daqueles de lustrar sapato preto cheio até a borda, para garantir o sucesso da operação. Usávamos também codinomes, de modo que, se precisássemos emitir algum sinal de alerta, nossas identidades permanecessem em sigilo absoluto. O meu era Garrincha. É que eu tenho as pernas tortas. Meu pai também tem. Caprichos da hereditariedade.&lt;br /&gt;Com todo o aparato em mãos, partimos pelas ruas do bairro. No primeiro muro, tremi mais que vara verde. Não sabia o que escrever. Tasquei ali: Garrincha. Apesar da pouca eloquência, pude sentir o friozinho na barriga decorrente da estreia. Eu estava pichando um muro e, finalmente, sendo malandro. Imaginei que aquilo fosse me dar status, que faria com que as gurias me olhassem e suspirassem, comentassem que eu tinha quarenta e poucos quilos de charme, garbo e elegância. Toleimas. Aquela prática era feita em sigilo absoluto, e serviria somente para darmos boas risadas mais tarde.&lt;br /&gt;Passado o primeiro momento de tensão, comecei a ficar mais à vontade nos muros seguintes. As mensagens variavam pouco, uma vez que eu não sabia fazer aquelas letras profissionais e todo o meu aprendizado resumia-se ao meu singelo apelido referente aos meus membros inferiores. Noves fora, enchi os muros de "Garrincha".&lt;br /&gt;Numa daquelas, aconteceu o inesperado. Concentrado que estava enquanto praticava meu novo ofício num murinho virgem, ouvi um berro que dizia exatamente o que eu não esperava ouvir, pelo menos não na minha primeira noite:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Corre, Garrincha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém nos havia descoberto! E eu, bem pateta, tinha esquecido de vigiar os arredores, um dos preceitos básicos do be-a-bá da pichação. Olhei para a esquina e vi que um vulto corria vorazmente em minha direção. Quando dei a largada, meus companheiros já estavam virados em pernas muitos metros à minha frente, aqueles safados! E como as desgraças, quando vêm, já vêm de braços dados, havia um detalhe sórdido: eu estava de chinelos. Não dava tempo de ficar de pés no chão!&lt;br /&gt;Foi então que acordei dentro de mim uma espécie de Róbson Caetano adormecido, encarnei um recordista jamaicano, cruzado com a fêmea do guepardo mais veloz das savanas africanas e deitei o cabelo. Corri freneticamente, como aquelas zebras do Discovery Channel fogem das leoas famintas, mas não parecia ser suficiente! O magrão estava com tanta raiva que, a cada passo meu, ele parecia dar três. Grudei meus dedos na divisória dos chinelos, supliquei ajuda pro meu anjinho da guarda, que àquela hora da madrugada devia estar no terceiro sono e dei uma olhadinha para atrás. Antes não tivesse feito: o cara estava a uns 30 centímetros de mim. Pude vê-lo esticar a mão para pegar meu capuz , antevi a desgraça e a sumanta de laço que levaria se ele me capturasse. Nesse momento, escutei uma voz do além que me disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Run, Antônio! RUN!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi por um triz, mas eu escapei. Até hoje não sei como consegui correr tão rápido usando chinelos. Arfando até os bofes, alcancei os guris, que assistiam à cena com os olhos esbugalhados, sem saber o que fariam se eu realmente fosse pego. É claro que fazíamos tudo aquilo ainda correndo muito, mas agora à procura de guarida n'algum canto escuro da bruma noturna. Desistindo da captura, o monstrengo ficou apenas gritando palavrões direcionados a nós, em especial a mim, que por uma titica de marreco não fora abalroado.&lt;br /&gt;Fui bastante repreendido, essa que é a verdade. Disseram para que eu tomasse mais cuidado, que levasse os chinelos nas mãos e que, de preferência, corresse mais rápido. Muito fácil para quem tem pernas longas e fortes, ao contrário das minhas, que tinham mais pelos do que músculos. Meus cambitos eram tão finos que, se pintassem as pontas dos meus pés de vermelho, ficariam iguais a um palito de fósforo.&lt;br /&gt;Bueno, mas passado o puxão de orelhas, seguimos em frente. Não satisfeitos com a dose de adrenalina já experimentada, partimos para o outro lado do bairro. Era uma região de muros grandes e altos, um verdadeiro paraíso. Vendo aquilo, os dois saíram em disparada, cada um em direção ao seu paredão escolhido, e desataram a rabiscar. Olhei para o lado e vi que me restava o muro claro de uma lavanderia. Nisso, uma centelha de inspiração iluminou meu cérebro e resolvi deixar uma mensagem deveras atrevida.&lt;br /&gt;Eles terminaram a sua parte e desandaram a correr, quando perceberam que eu ainda estava escrevendo. Me chamaram com ferocidade, temendo outro flagra e, na pressa, sequer leram o que eu havia escrito. Alguns metros depois, já sob a segurança de alguma rua deserta, enfim paramos para tomar um fôlego, e eles finalmente perguntaram o que eu havia demorado tanto para escrever no muro da lavanderia. A resposta arrancou-lhes gargalhadas demoradas: "ROUPA SUJA SE LAVA EM CASA".&lt;br /&gt;Foi, de fato, uma verdadeira jogada de marketing às avessas. Ganhei o respeito da galera naquele lance de genialidade, o qual eles trataram de contar para todos os que conheciam aquela atividade ilegal. Até hoje, há quem lembre daquele feito histórico, que ilustrou o muro da lavanderia durante uns dois anos, até que, talvez farto de perder clientes, o dono resolveu pintr de azul escuro e deixar minha mensagem apenas na posteridade da memória de quem contemplou aqueles dizeres inesquecíveis.&lt;br /&gt;Depois daquilo, larguei aquela vida. Definitivamente, eu não possuía tino para aquele tipo de emoção tão forte. Um ano mais tarde, eu já era coordenador da Pastoral da Juventude do colégio e, em cada momento de oração, rogava a Deus para que perdoasse meus pecados, inclusive o da irreverente mensagem no muro da lavanderia que, ai de mim, quantos clientes deve ter perdido diante da reflexão que aquela frase propunha.&lt;br /&gt;Hoje estou aqui, livre de preconcentos, assumindo esse segredo que rodou furtivamente entre as conversas mais reservadas de quem lembra daquele tempo, provando que eu, você, seu vizinho, todos temos histórias obscuras, ou feitos reprováveis cometidos em algum momento de nossas vidas. Eu nem devia estar contando isso, mas esse desejo incontido de escrever o que não devo ainda mora dentro de mim. Menos mal que agora vem tudo para o blog, e pelo menos não preciso mais correr tão rápido. Mesmo quando escrevo calçando chinelos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-4199311594034576447?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/4199311594034576447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=4199311594034576447&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4199311594034576447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4199311594034576447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/11/calce-um-par-de-tenis-antes-de-correr.html' title='Calce um par de tênis antes de correr'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-3452165171014597716</id><published>2010-11-17T10:57:00.003-02:00</published><updated>2010-11-17T14:41:03.178-02:00</updated><title type='text'>Nunca despreze as magrinhas!</title><content type='html'>Durante um bom período da minha vida, estudei em colégio de freiras. Da quinta até a oitava série do Primeiro Grau, o famigerado Ensino Fundamental dos dias atuais, minha atividade principal era ser um verdadeiro pentelho estudando num colégio de freiras. Eu incomodava pra caramba, acreditem. Fui um daqueles guris inteligentes, mas que abusava da facilidade com o conteúdo para desestabilizar as professoras, os colegas, os disciplinadores e quem mais cruzasse o meu caminho.&lt;br /&gt;Falando assim, até parece que eu fui a reencarnação do capeta. Ledo engano. Meu trunfo era não ser mal-educado. Recebia os puxões de orelha com parcimônia, assinava o caderno preto com a resignação de um meliante que promete novos rumos, mas não adiantava muita coisa, porque a irreverência estava (e está) no meu sangue, e isso me tornava um guri inquieto, falastrão e, por que não dizer, peristáltico.&lt;br /&gt;No frigir dos ovos, eu era um amor de criança, apesar dos frequentes desvios de conduta. Aprontava às devas nos entrementes obscuros dos corredores da escola, mas tirava boas notas. Enchia o saco dos colegas com brincadeiras inóspitas, ao mesmo tempo em que os levava às gargalhadas com minhas sagazes piadinhas que ferviam o juízo dos professores. Sacaneava os amiguinhos com um safanão irresponsável e também lhes dava um abraço fraterno como poucos conseguem. Esculachava e confortava. Mordia e assoprava. E por aí vai.&lt;br /&gt;Com isso, pode-se dizer que a política "ame-o ou deixe-o" caía como uma luva no que se refere à minha liderança no grupo. Alguns colegas me tomavam por um carcará sanguinolento, queriam ver a guria do Exorcista num quarto escuro, mas não queriam cruzar com a minha figura no recreio; outros, contudo, me admiravam, votavam em mim para líder de turma, apaixonavam-se pela minha pessoa. Neste último caso, refiro-me ao público feminino, naturalmente, já que naquele tempo, metade da década de 90, as práticas homossexuais ainda não eram tão difundidas, defendidas e liberais como são hoje. Esse negócio de homem gostar de homem ainda era coisa de artista, Ney Matogrosso, Renato Russo, ou alguma letra inteligente dos Mamonas Assassinas, ao passo que nós, crianças inocentes que viviam a fase de Carrossel, Chaves e Chiquititas, ainda não ligávamos para esse tipo de sexualidade igualitária.&lt;br /&gt;Bueno, o fato é que tive lá meu rol de fãs femininas. Tá certo que nunca eram as que eu queria, mas não se pode desprezar as paixões despertadas, por piores que sejam. Isso em tese, porque eu fazia exatamente o contrário. Achava o cúmulo do absurdo que as gordinhas e as magrelas gostassem de mim. E, para meu desgosto, quanto mais eu espezinhava as pobres, mais elas gamavam. As gatas da turma, essas não. Me desprezavam, magoavam meu coração, tratavam-me como lixo. Eu, com a empatia de uma cavalgadura, fazia o mesmo com as magricelas e as gorduchas que me amavam. O amor é mesmo um círculo vicioso.&lt;br /&gt;Houve uma em especial que me amou por uns quatro anos. Era tão magrinha, tão pequenina, que, se desosasse, não dava um pastel. De frente, parecia que estava de lado; de lado, parecia que não estava. Surpreendentemente, ela não era feia. Não era mesmo! Tinha um rostinho aprazível, olhos azuis, um semblante de santinha, a CDF da turma. Sim, a CDF da turma me amava. E eu, ordinário, desprezava a guria.&lt;br /&gt;Certa vez, numa reunião dançante, recebi a informação de que estava louca para que eu a tirasse para dançar uma música lenta. Bah, dançar música lenta nas reuniões dançantes era o ouro, apagavam as luzes, ouvia-se as vozes de veludo das Spice Girls, cochichos, risinhos, rolava um clima e talicoisa. Fazíamos competição de quem dançava mais vezes, quem tirava mais vezes as bonitas para dançar, essas coisas. Às feias, magras, gordas e CDFs, pouco sobrava.&lt;br /&gt;Pois bem, a CDF queria ter o prazer de uma contradança com a minha esquálida pessoa. E eu... bem, eu travei. Sei lá, já tinha dançado com ela em tantas festinhas, era tão sem graça, como beber um copo d'água quando se quer refrigerante, sabe? Fiquei naquela dúvida cruel a noite toda, me desestabilizei, perdi o rumo durante a festa. Se eu a tirasse para dançar, diriam que havia cedido aos encantos da doce menina, criariam factoides sobre um suposto romance, o que queimaria meu filme com as mais lindas da turma. Imaginem, eu de rolinho com a CDF! Seria o opróbrio!&lt;br /&gt;Deixei-a, portanto, a ver navios. Diante disso, vendo que não dançaria mesmo comigo, a coitada chorou. Putz, me aperta o coração quando lembro das lágrimas escorrendo por aquele rostinho, ela não merecia aquela humilhação pública. Todos sabiam que ela queria dançar comigo, e eu judiei do seu amor tão puro, tão infantil, tão nobre. Que projeto de canalha eu fui naquela noite!&lt;br /&gt;Noutra oportunidade, não sei se antes ou depois daquela malfadada festa, mas é bem provável que tenha sido antes, um belo dia minha mãe entregou-me uma carta. Muito estranho, eu nunca recebia cartas, tinha 12 anos e sequer sabia como se fazia para remeter uma correspondência a alguém via correio. Era uma carta da menina CDF referente ao Dia do Amigo. Continha vários poeminhas, reflexões sobre amizade, elogios a mim, declarações insinuantes... Um dos versinhos dizia assim: "se o branco é o amor e o preto é o carinho, o que sinto por você é xadrezinho". Nunca esqueci, não sei por quê. Toda colorida, pintada a lápis-de-cor, tudo feito com tanto esmero, uma graça. Isso hoje, né, porque na época eu achei ridículo e não dei a mínima bola. Sequer agradeci! Por Deus, que crápula eu era! Ora, tudo bem que não fizesse diferença para mim, mas fico imaginando o quanto um agradecimento meu a levaria às nuvens. Custava chegar na aula e, com educação, dizer: "pô, valeu aí"? Mulheres, vocês tem razão: nós somos um bando de insensíveis, mesmo quando pequenos.&lt;br /&gt;O tempo passou, lá se vão quase quinze anos depois desse tempo áureo onde a vida se resumia nessas doidices infantis. Hoje em dia, ela é minha amiga no Orkut. E, adivinhem o que aconteceu? Tornou-se uma belíssima mulher. Sinceramente, jamais acreditei que ela pudesse crescer tanto e... em tantos sentidos. Quando eu tinha doze anos, eu só conseguia imaginar que ela permaneceria pequena para sempre, dava a impressão de que não haveria nenhum desenvolvimento naquele corpinho tão frágil.&lt;br /&gt;Além disso, os pais dela são ricos, o que faz dela também uma mulher cheia da grana. Mas é muita grana mesmo, não é pouca coisa. É dinheiro pra cacete! As festas em sua casa continham os melhores comes e bebes, tratava-se de uma mansão extraordinária, um luxo só. Contudo, por que eu daria bola para tanto dinheiro quando criança, se tudo o que eu gostava de fazer custava tão pouco?&lt;br /&gt;Rica, linda, bem sucedida. Quem poderia imaginar? Vocês percebem o tamanho da besteira que isso poderia ter sido? Sorte a minha ter conhecido a Dani, que é linda, maravilhosa e a mulher da minha vida. Não fosse isso, eu estaria ralado e me arrependeria amargamente pro resto da vida por ter sido tão canalha com a CDF magricela. Quando eu tiver um filho, entre todos os conselhos que terei de dar como bom pai que pretendo ser, um deles será: jamais despreze as magrinhas, as CDFs e até mesmo as gordinhas, que agora já existe redução de estômago, vocês sabem. Só o tempo pode mostrar a dimensão das nossas atitudes. E pode não aparecer uma Dani na vida dele depois...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-3452165171014597716?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/3452165171014597716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=3452165171014597716&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3452165171014597716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3452165171014597716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/11/nunca-despreze-as-magrinhas.html' title='Nunca despreze as magrinhas!'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-8618336392117429662</id><published>2010-11-08T17:10:00.006-02:00</published><updated>2010-11-08T17:28:47.583-02:00</updated><title type='text'>Ela pegou o buquê</title><content type='html'>Um homem sabe quando vai casar. Ele pressente. As mulheres costumam falar em sexto sentido e talicoisa, mas nós também temos um faro, o timming certeiro que determina que algo mudou no ar: é o casamento que se aproxima. Alguns, mais arredios, fogem ao menor sinal de aparição deste sacramento, tal qual uma manada de zebras dispara buscando guarida quando atacam as leoas famintas; outros, conformados com a própria sorte, tal um boi carreiro - mocho, de preferência - admitem que a hora é chegada e uma família precisa ser constituída a partir de seus espermatozóides, outrora prisioneiros d'algum pedaço de látex ou arremessados vorazmente contra algum azulejo desavisado.&lt;br /&gt;Por fim, há o terceiro grupo, o dos futuros maridos amantes do posto em questão. Homens preparados para o choque, armados até os dentes para a batalha hercúlea que tantos denominam como a maior de todas as cruzes que o ser humano pode carregar. Chama-se "esposa", mas também poderia atender pelo nome de "sogra". Contudo, o diabo não é tão feio quanto se pinta, e esse supracitado grupo de homens encara com orgulho a escolha de Deus, mata no peito todas as vontades da namorada/noiva/futura patroa e assente com alegria ao chamado da aliança eterna.&lt;br /&gt;Em verdade, vos digo: transitei pelos dois primeiros grupos durante meu desenvolvimento masculino. Num primeiro momento, fugi desesperadamente da possibilidade sórdida de virar um barrigudo, em frente à televisão vendo futebol, enquanto as crianças, os cachorros e a mulher solicitavam um naco da minha atenção. Depois, aceitei que era chegada a hora de juntar as escovas de dentes e partir para os braços doces da união pautada pelo célebre clichê "até que a morte os separe".&lt;br /&gt;Os tempos, porém, mudaram. Sucedidos os fatos das peripécias do amor, passei a ver com bons olhos a benfazeja hora de unir-me à pessoa amada. Os amigos estão todos casando, os janeiros começam a pesar sobre os ombros e a solidez do sentimento conquistada em 2010 - a muito custo, diga-se de passagem - trouxeram-me a este estado que vai muito além do lugar-comum típico da petrificada cobrança, aquela história do "tem que casar, tem que casar". Enfim, quando me dei conta, já estava maquinando o esboço da lista de convidados. É, meus caros, eu vou desencalhar.&lt;br /&gt;O tiro de misericórdia deu-se no casamento de um de meus melhores amigos. A tal da hora do buquê, manjam? Aquele ramalhete de flores, macacos me mordam, tem um significado tão estridente para as mulheres solteiras, que talvez seja facilmente comparado à paixão dos homens pelo futebol. Quando a noiva joga o buquê, reporto-me à final de um campeonato qualquer, onde acontece uma falta próxima à grande área aos quarenta e oito do segundo tempo. Até o goleiro adversário, num ato de puro heroísmo, atravessa o campo e tenta a sorte no campo alheio. Zagueiros e atacantes acotovelam-se, um puxa a camisa do outro, o juiz para o jogo, põe fim no alvoroço, que retorna assim que o árbitro vira as costas.&lt;br /&gt;Pegar o buquê, meus caros, é como marcar o gol do título. É a prova cabal de que o casamento se aproxima, não tem mais volta. Todos os convidados da festa voltam-se para o noivo e comemoram, antevêem o próximo matrimônio. O homem, por sua vez, tendo pressentido que isso poderia acontecer quando sua namorada juntou-se à alcatéia de lobas solteiras sedentas por um punhado de flores que as faça casarem, aceita o que o destino lhe reservou.&lt;br /&gt;Quando a noiva arremessou seu buquê, pude ver, em câmera lenta, as mãozinhas da Dani erguendo-se para a redenção. Ele girou, girou e, enquanto ouvia a voz frondosa e grave de Louis Armstrong entoando What a Wonderful World, acompanhei meus últimos segundos de solteirice declarada. Mansamente, as rosas acomodaram-se nas mãos macias da minha namorada, minha pequena Rogério Ceni dos pampas, ávida como um goleiro de Seleção Brasileira, que, ao menor sinal de ameaça da guria ao lado em tomar-lhe a garantia da felicidade eterna, rilhou os dentes, esbugalhou os olhos e, com a calma de um coala neozelandês que saboreia um pedaço de bambu (que bambu?), rosnou bem baixinho algo parecido com: "sai daqui sua cadela idiota, senão eu te parto a cara em mil pedaços". A mocinha, diante daquele olhar tão singelo e comovente, obviamente nem tentou tocar numa pétala de rosa. É, meus caros, ela pegou o buquê. Um homem sabe quando vai casar. E é chegada a minha hora. Que momento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-8618336392117429662?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/8618336392117429662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=8618336392117429662&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8618336392117429662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8618336392117429662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/11/ela-pegou-o-buque.html' title='Ela pegou o buquê'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-8770706146698248279</id><published>2010-11-03T16:44:00.002-02:00</published><updated>2010-11-03T16:44:56.944-02:00</updated><title type='text'>Um domingo com meu pai</title><content type='html'>A vida é mesmo cheia de situações inusitadas. Estou eu num churrasco entre amigos, mastigando um naco de carne entre uma lata de cerveja e outra, quando sou chamado para uma conversa reservada a um grupinho de quatro ou cinco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Antônio, duvido que tu adivinhe quem saiu comigo e com o Biriba ontem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que eu pudesse arriscar um palpite como quem tenta, em vão, pealar um novilho zebu a campo aberto, a afirmação seguinte dificultou o raciocínio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Te dou quantas chances tu quiser, duvido que adivinhe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boquiaberto, contudo não sem esquecer de mastigar de vez em quando, olhei pra cima e fiz aquela típica cara de emoticon do MSN quando está tentando pensar. Mesmo assim, sequer houve tempo hábil para que eu proferisse qualquer palavra. A resposta veio ávida feito... um novilho zebu a campo aberto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Teu coroa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai. Meu genitor. Meu nome todo sem o Junior. Meus amigos levaram meu pai para a balada... e adoraram! De fato, devo atestar que ele é um camarada deveras animado. Depois de vinte e cinco anos, a vida me ensinou que a muralha da China de hoje pode ser a pedrinha no sapato de amanhã. Com isso, aprendi que guardar mágoa é como beber veneno e esperar que o outro morra. Isso fez com que eu avançasse um bocado nas relações familiares.&lt;br /&gt;Outro dia, noutro churrasco, já sem mastigar qualquer resquício de carne, todavia multiplicando as latas de cerveja, estávamos, meu pai e eu, filosofando acerca do que interessa aos ébrios. Sim, porque o álcool, além de matar milhares no trânsito, lotar as reuniões de Alcoólicos Anônimos e virar reportagem no Profissão Repórter, ele também aproxima as pessoas do que pensavam Platão, Aristóteles e Sócrates, que, se fossem vivos atualmente, seriam intrépidos defensores da cerveja como fator determinante para uma boa filosofada.&lt;br /&gt;Bueno, filosofávamos, pois. Nisso, num rompante que mais pareceu o galope de um novilho zebu a campo aberto, meu coro... digo, meu pai, indagou-me com tenacidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que tu não escreveu mais no blog?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como você, caro leitor, também deve saber, ébrios gaguejam. E foi isso que fiz, gaguejei, tentei articular uma resposta plausível, mas fui interrompido. Aliás, ultimamente as pessoas não me deixam pensar muito antes de uma resposta, como podemos constatar nesse texto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso te dar uma sugestão? Escreve um texto sobre o dia de hoje. O título pode ser "Um domingo com meu pai"! O que tu acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fechado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promessa é dívida. Mesmo que sob o efeito do lascivo álcool, não sou homem de negar a parada. O curioso é que o dia em questão foi uma terça-feira, feriado de 12 de outubro. Mas, depois de meia-dúzia de geladas, até quarta-feira de cinzas vira domingo.&lt;br /&gt;Pois bem, foi uma terça-feira bastante animada. Jogamos futebol, ou melhor, eu joguei: meu pai era o treinador do time. Perdíamos a partida por 2 a 1, sendo que o primeiro gol nosso originou-se de uma roubada de bola minha, que parti rápido para o ataque, tão rápido quanto... um novilho zebu a campo aberto? O fato é que perdíamos, e algo devia ser feito, de preferência pelo treinador do time.&lt;br /&gt;O pai, então, alterou o esquema da equipe, remanejando seu filho, com um metro e setenta e quatro de altura, para a enferruscada posição de zagueiro, terreno dos maus, dos ferozes, dos biltres dissecadores de fígados do ataque adversário. O resultado da partida? Ganhamos o jogo por 3 a 2. Não que meu recuo para a zaga tenha sido a galinha dos ovos de ouro, no entanto o que importa é que conseguimos o êxito da virada.&lt;br /&gt;Depois da partida, churrasco e cerveja. Realmente, o dia tinha cara de domingo. Naqueles entrementes, a conversa fluiu animadamente e, hosanas, aleluia, estou de volta ao blog. Como disse antes, a vida ensinou-me e continua ensinando muito. Dentre os aprendizados importantes, destaco que nenhuma pessoa é feita só de qualidades, ou só defeitos. Cada um é peculiar, cada fato tem razão de ser, cada lição aparece na hora certa. Às vezes, penso que meu pai demorou vinte e cinco anos para aprender a trilhar os sinuosos caminhos da paternidade. Todavia, se abordarmos a questão por outro ângulo, podemos dizer que eu demorei o mesmo tempo para aprender a ser um filho decente e compreensivo. Mas, e daí? Quem é que quer discutir o sexo dos anjos? Importa que o domingo aconteceu, mesmo sendo uma terça-feira e, de quebra, estou de volta ao blog, com a disposição de um... vocês sabem: novilho zebu a campo aberto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-8770706146698248279?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/8770706146698248279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=8770706146698248279&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8770706146698248279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8770706146698248279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/11/um-domingo-com-meu-pai.html' title='Um domingo com meu pai'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-2088380212601270325</id><published>2010-08-12T15:40:00.006-03:00</published><updated>2010-08-12T16:15:30.182-03:00</updated><title type='text'>O Susto</title><content type='html'>Ontem aconteceu algo medonho na aula de um curso que estou fazendo. Estamos nos preparando para um concurso público, e a matéria de ontem era Administração. Devo confessar-lhes que nutro efervescente aversão a estudar assuntos chatos e monótonos, mas, vá lá, a vida requer certos sacrifícios para se chegar ao fim do arco-íris, encontrar o pote de ouro e fazer montinho no duende guardião das riquezas de lá.&lt;br /&gt;Chegada a hora do intervalo, partimos para a blateração costumeira acompanhada do tradicional cafezinho amigo, aproveitando aqueles frondosos minutos de descanso. Passadas algumas semanas, fiz parceria com os colegas, cada um tem uma experiência de vida e todos têm o mesmo objetivo: mamar nas tetas do governo.&lt;br /&gt;Na minha turma, porém, tem um cara quieto. Desde o primeiro dia, nunca vi o cristão dirigir a palavra a ninguém. Ele chega, senta sempre no mesmo lugar, assiste à aula e vai embora com a discrição ímpar de um Sherlock. Por coincidência, ontem sentei ao seu lado, o que não mudou nada, já que o sujeito não trocou sequer meia sílaba comigo.&lt;br /&gt;Tudo corria às mil maravilhas até que, lá na classe da professora, ela comentou com algumas colegas que a rodeavam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês viram que foram aprovadas mais de 10 mil vagas para este concurso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal a catedrática terminou a frase, algo surpreendente aconteceu. Ao meu lado, o cidadão ergueu os dois braços e desandou a gritar. Assim, de súbito. Tá certo que a gente quer passar no concurso, mas daí a comemorar o número de vagas chega a ser um exagero. Sete segundos depois, contudo, ele seguiu gritando e começou a se debater de maneira descontrolada. Quando percebi que não era comemoração porra nenhuma, entrei em choque, paralisei: o vivente tava ganhando um faniquito bem ali, debaixo do meu nariz.&lt;br /&gt;Minha primeira reação foi, naturalmente, proteger o dito nariz, afinal de contas, a cena era algo até difícil de descrever. Todo mundo ficou em pânico, enquanto o colega, que pra magrinho não serve, se debatia cada vez mais, emitia ganidos assustadores e, valha-me Deus, dava a impressão de que, se não estava recebendo uma entidade, dali a poucos minutos partiria para junto daqueles que já se foram.&lt;br /&gt;Diante daquela doideira, todo mundo esqueceu as lições de Administração e ninguém sabia o que fazer, era cada qual mais atrapalhado que cachorro bichado nas orelhas. Nisso, um facho de luz desceu dos céus sobre a classe de uma colega, que conseguiu ter a serenidade de acudir o cara naquele entrevero e segurou sua cabeça enquanto o corpanzil despencava no chão, espalhando café por todo lado e, daí sim, chamando a atenção de todo mundo, até mesmo quem estava do lado de fora da sala. Nisso, alguém sentenciou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ataque epiléptico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ouvi isso, voltei à órbita. Sim, porque até aquele momento eu permaneci estático diante daquele lusco-fusco pavoroso. Nunca tinha visto uma pessoa comemorar 10 mil vagas na vida, e muito menos percebido que não era nada de alegria, e sim um piripaque. Alguns já tentavam ajudar, começaram a se mobilizar à volta do pobre, ao que alertei que deixassem a colega agir em paz, afinal de contas, reza a lenda que nesse tipo de convulsão o melhor mesmo é segurar a cabeça para o lado, evitando que a pessoa engula a língua, ou seja, ela havia agido corretamente.&lt;br /&gt;Ele foi ficando roxo, azul, preto. De repente, branqueou de uma hora pra outra, deu um suspiro, virou os olhos pra riba e apagou. Por Jeová que pensei que tivesse batido as botas. Foi tipo cena de filme, sabe, deu aquela respirada violenta e cataplof. Quando comecei a raciocinar acerca da morte que estava presenciando, o danado deu um bufo, mas um bufo, palavra de honra que aquilo foi um bufo pra entrar pra história. Com o bufo, veio uma cuspida velha de vencer torneio, uma sangueira boca abaixo e, pelas barbas do profeta, voltou a respirar.&lt;br /&gt;Naquela de vai-não vai, eis que alguém teve a lucidez de sugerir que procurássemos um remédio na mochila. Não havia nada. Disseram, então, para que alguém procurasse um contato no telefone dele. Sendo o vizinho da classe ao lado, o celular caiu nas minhas mãos trêmulas. Bueno, tava na hora de deixar de ser mariquinha e começar a ajudar em alguma coisa. Desatei a procurar. "Casa". Não tinha. "Mãe". Também não. Parti, então, para as chamadas recentes. Uns cinco números abaixo, estava lá, bem bonitinho: "Amor".&lt;br /&gt;Não tive dúvidas, liguei pro Amor. Ora, ninguém põe esse nome no contato de um colega do futebol, tele-entrega de cerveja ou para a tia-avó de Passo Fundo. Amor é Amor, caramba! A pessoa amada, aquela que nos faz tremer e... bem, no caso do rapaz, não era só isso que lhe provocava tal comportamento. Sendo assim, eu precisava buscar ajuda, e o fiz. Disquei o número que ali constava.&lt;br /&gt;Atendeu uma voz feminina de pelúcia, &lt;i&gt;cousa &lt;/i&gt;rica de se ouvir. Quéli. Pela entonação, imaginei que a grafia fosse essa, com Q e acento agudo no E. Sem ípsilon, que a dona daquela voz não tinha ípsilon no nome, tenho certeza que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi, Quéli, meu nome é Antônio. Tu é alguma coisa do Caio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta foi deveras incisiva:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu era...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti a dor de uma desilusão amorosa dilacerar minha carne. Juro, quase que ganhei um ataque também em compaixão ao colega em apuros. Ora, a agenda do telefone dele denunciava, estava ali: Amor. Ele ainda a ama, mas ela não é mais dele. Como dói o coração de um homem desiludido e largado pela mulher da sua vida.&lt;br /&gt;Tive vontade de berrar "então é por tua causa que o cara tá morrendo, desgraçada!", quis xingá-la, quis vingar aquela cena pavorosa pela qual o rapaz estava passando, beirando a morte e convulsionando em plena sala de aula, enquanto tentava estudar para passar no concurso público, buscar um lugar ao sol e, quem sabe, provar à Quéli o quanto ele merecia o seu amor. A vida é injusta, caros leitores, muito injusta.&lt;br /&gt;No entanto, o calor da hora e a diplomacia fizeram com que eu deixasse de lado as questões pessoais e relatasse à menina o que acontecera há alguns instantes. Com sua voz de porcelana chinesa, ela apenas balbuciou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aimm, meu Deus - o "aimm" assim, com eme, lufado com voz de carmim. Senti profunda pena do colega outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntei o que fazer, pedi ajuda. Ela, com o raciocínio rápido de uma mulher que, mesmo não amando mais, ainda sente compaixão pelos bons momentos vividos, tomou decisões pontuais e sagazes. Disse-me que ligaria para a mãe dele e, em breve, daria retorno. Sugeriu que o levássemos para a Unimed, mas a SAMU já estava a caminho, graças a colegas mais ágeis do que eu que, com minhas pernas bambas, ainda fora contemplado com o desprazer de pagar o baita mico de achar a ex-namorada do vivente numa hora nada agradável.&lt;br /&gt;O desfecho da história até que foi rápido. A SAMU chegou logo, aos poucos ele acordou e, meio grogue, concordou em acompanhar os enfermeiros, ainda que não lembrasse de nada (sorte a dele) e afirmasse categoricamente que estava tudo bem. "Sim, e aquele café se esparramou por magia na tua frente, né, querido"? Nessas horas é preciso conter a sinceridade e ser solidário às intempéries da saúde alheia.&lt;br /&gt;Bueno, o fato é que a aula acabou ali. Não se falava em outra coisa, era gente tremendo, nervos à flor da pele e o comentário geral de que a primeira impressão foi a de que, realmente, ele havia comemorado as ditas 10 mil vagas aprovadas. Talvez daí tenha decorrido o pânico generalizado quando todos perceberam que, na verdade, tava era baixando o capeta no sujeito.&lt;br /&gt;Faço votos de que hoje, ao chegar na aula, o colega esteja lá, recuperado do susto e pronto para buscar a classificação junto comigo no concurso. Se Deus quiser, a Quéli volta pra ele! Mas, por via das dúvidas, vou voltar a sentar no meu lugar de origem e proibir a professora de comentar a respeito de vagas aprovadas e assuntos correlatos. O seguro morreu de velho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-2088380212601270325?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/2088380212601270325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=2088380212601270325&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/2088380212601270325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/2088380212601270325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/08/o-susto.html' title='O Susto'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-8012478794633527826</id><published>2010-08-05T10:28:00.002-03:00</published><updated>2010-08-05T10:41:08.961-03:00</updated><title type='text'>O Calhambeque - Capítulo 3</title><content type='html'>Dentre as inúmeras lições da série "carros que você nunca deveria ter comprado", balizada pela experiência traumática com a Saveiro, pelo menos duas destacam-se pela positividade. Sim, há uma flor no meio do esterco que se pode exaltar em meio a tanto choro e ranger de dentes.&lt;br /&gt;A primeira lição é prática e puramente de caráter mecânico. Engana-se quem pensa que os homens sabem tudo a respeito de carros. Alguns de nós, advirto, têm é de dar graças a Deus por ter a carteira de motorista. E isso não é nenhuma crítica, afinal de contas, a teoria é simples: se você não passou por uma situação que exija determinado conhecimento, provavelmente não aprenderá a lidar com ela apenas por curiosidade.&lt;br /&gt;Fazer um carro pegar no tranco, por exemplo. Não existe curso profissionalizante para isso. Esse tipo de procedimento só aprende quem, naturalmente, está em apuros, com muita pressa e seu veículo engasgado, morto e fodido, não necessariamente nessa ordem.&lt;br /&gt;Ora, passei por tanta calamidade a bordo daquela caminhonete mostruosa, que, quando morreu a bateria pela primeira vez, agi da maneira que qualquer homem centrado faria diante de uma bizarrice desse tipo: emputeci. Lembro que a Dani - que protagonizará mais tarde a segunda lição - murchou sentada na cabine enquanto eu berrava impropérios aos quatro ventos. Havia estacionado tão direitinho à frente do prédio onde ela morava, estava tudo tão bem naquele dia. Foi querer ir pra casa, virar a chave e começar o martírio.&lt;br /&gt;Quem é motorista há de concordar comigo: é melhor quando a bateria morre de vez, do que quando fica naquele "&lt;i&gt;não sabe se 'vai aos pés' ou desocupa a moita&lt;/i&gt;". Poderia substituir a expressão anterior por uma bem chula, mas deixa assim. O fato é que é melhor ouvir o 'tlec' da bateria que lhe assegura que não vai mesmo funcionar, do que ficar naquela expectativa de virar a chave e escutar aquela embromação de motor com ronco de leitão, que dá a impressão de que, se insistir, até pode ser que ligue. É pior do que ouvir jogo de futebol no rádio.&lt;br /&gt;Passei bons minutos suando, chamando até a mãe do Badanha de filha-do-cão-desgranida-da-moléstia e tentando, sem sucesso, ligar aquela tranqueira. Até que, entre as inúmeras pessoas que passavam pela rua e presenciavam aquela cena dantesca e humilhante, um tiozinho teve compaixão e sugeriu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho melhor fazer pegar no tranco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, que ideia brilhante! Eu ali, dê-lhe virar a chave inutilmente, quando seria tão mais simples fazer pegar no tranco e... peraí:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu sabe fazer pegar no tranco, né? - minha cara de 'como se faz essa p*rra' deve ter denunciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, claro, é só pegar e... e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há momentos em que um homem precisa abandonar sua vaidade e agir feito um humilde &lt;i&gt;camponês-de-nobre-coração-que-vai-todos-os-dias-ao-bosque-recolher-lenha&lt;/i&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...eu não sei fazer pegar no tranco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui cabe um agradecimento. Obrigado, Deus, por manter na Terra pessoas de bom coração. O tio podia rir da minha cara, tripudiar sobre minha desgraça, como provavelmente você, leitor sádico e oportunista, está fazendo nesse momento. Mas, não, o altruísmo falou mais alto e ele deu a explicação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É simples, basta largar na descida, deixar embalar, pisar na embreagem, engatar a segunda marcha e soltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E pega?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pega mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai na fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu duvidasse, não é isso. A verdade é que eu não tinha entendido todo o procedimento e estava tentando ganhar tempo pra assimilar todo aquele processo ridículo pelo qual só passa quem adquire um carro velho.&lt;br /&gt;Pois bem, encarei o desafio. Por sorte, estava numa descida; por azar, era uma rua movimentada pra cacete. E com um semáforo logo abaixo, ou seja, exigia um plano de ação rápido, preciso e pontual. Precisávamos agir no exato momento em que o semáforo estivesse verde e a rua pouco movimentada. Trocando em miúdos, aquela hora em que os anjos dizem "amém".&lt;br /&gt;Enquanto isso, na paz celestial que habita o céu, um grupo de querubins orava placidamente. Lá embaixo, o sinal estava vermelho. Na rua, alguns carros trafegavam. A oração angelical prosseguia. O tio cuidava o trânsito. Eu, de olho na sinaleira. De repente, a anjaiada arregalou o grão dos olhos e proferiram, todos em coro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- AMÉM!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sinal abriu. Cessou o fluxo de veículos. Ágil como um guepardo, ajudei o tio a empurrar a charanga, entrei no carro, fechei a porta, deixei correr, pisei na embreagem e... bateu o pavor! Esqueci o resto! Atônito, olhei pro cara, que berrou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora solta a embreagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem titubear, tirei o pé e a Saveiro, num solavanco que me lembrou um peido de égua, ligou! À toda velocidade, emocionado por ter feito um carro pegar no tranco pela primeira vez na vida, ainda estiquei o braço para fora e agradeci à ajuda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigaaaaaaaaaaaa....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de terminar, a Dani gritou, quase em pânico, para que eu prestasse a atenção no trânsito. Que chato, nem pude agradecer a tão belo gesto de caridade. De qualquer forma, fica aqui registrada minha eterna gratidão às pessoas que ajudam quem está empenhado com suas latas-velhas nas ruas do Brasil afora, ensinando a pegar no tranco e talicoisa.&lt;br /&gt;Por falar na Dani, foi com ela que aprendi a segunda valiosa lição: se você quer saber se uma mulher lhe ama de verdade, compre um carro velho. Porque, sinceramente, entrar naquela birosca era um ato de amor ágape, fruto do sentimento mais doce e puro que uma donzela pode sentir por seu príncipe encantado.&lt;br /&gt;E a Dani, sorridente, me fazia lembrar a música interpretada pelos Demônios da Garoa, aquela da Amélia, que a certa altura diz que ela &lt;i&gt;"achava bonito não ter o que comer"&lt;/i&gt;. No caso da minha namorada, achava bonito andar numa Saveiro caindo aos pedaços. Bom, na realidade, não achava coisa nenhuma, mas o fazia em apoio à minha aquisição desastrada, aceitando aquele cárcere privado com parcimônia.&lt;br /&gt;Demorou um tempo para a gente se acertar de verdade, mas hoje estamos aí, mais faceiros que tico-tico na chuva, dando risadas daquele período de trevas e infelicidades veiculares. Mas, ainda assim, lhes asseguro: a Dani, assim como Amélia, é que é mulher de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No próximo capítulo, finalmente livre da bomba chamada Saveiro, contarei a história do meu segundo veículo: o golzinho marrom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não percam!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-8012478794633527826?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/8012478794633527826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=8012478794633527826&amp;isPopup=true' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8012478794633527826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8012478794633527826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/08/o-calhambeque-capitulo-3.html' title='O Calhambeque - Capítulo 3'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-7044450575701121554</id><published>2010-07-31T10:00:00.003-03:00</published><updated>2010-07-31T10:00:04.128-03:00</updated><title type='text'>O Calhambeque - Capítulo 2</title><content type='html'>Antes de pensar em meu segundo carro adquirido, de contar como consegui livrar-me do fantasma chamado Saveiro que assolou minha vida por intermináveis quatro meses, quando ainda efervescia em meus miolos a recordação dos fatos ocorridos no longínquo ano de 2006, eis que algo inusitado aconteceu: mamãe descobriu o blog.&lt;br /&gt;Aliás, ultimamente mamãe está aprimorando suas habilidades tecnológicas, o que significa dizer que vem ocorrendo uma evolução acentuada em seu manuseio cibernético. Até outro dia atrás, ela mal sabia o que era um ícone. Agora, chego em casa e recebo a seguinte novidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei se tu vai ficar brabo comigo, mas hoje eu li teu blog (brabo, eu? Ora, é mais uma leitora ilustre!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desatou a rir com galhardia. Mais que isso, narrou fatos acerca da charanga que eu até já havia defenestrado de minhas lembranças remotas. Por isso, antes de seguir a ordem cronológica dos acontecimentos, contarei outra peripécia que aquele cacareco nos fez passar, pois, como vocês bem podem ver, tanto mamãe, quanto alguns comentários do texto anterior atestam a veracidade, para meu dissabor e vosso deleite, dessa narrativa odiosa.&lt;br /&gt;Como todo motorista sabe, ou pelo menos deveria ao comprar um carro, este deve passar por uma vistoria no CRVA, lá nos entrementes do DETRAN, essa esfera que envolve os despachantes e talicoisa. Porém, conforme já citado no primeiro capítulo, meus recursos financeiros não eram lá tão frutíferos quanto deveriam, portanto, quando não se tem cascalho, o negócio é fazer o trabalho sujo com as próprias mãos.&lt;br /&gt;No meu caso, a ideia de gerico ao adquirir a Saveiro era tão absurda, que os gastos começaram antes mesmo de regularizar o cacareco. Eu, contudo, seguia inebriado de felicidade pela compra do primeiro carro, por mais que, aos olhos dos outros, aquilo fosse um retumbante ouro de tolo. E, como também já relatado anteriormente, naquela época eu era estagiário-escravo, o que tornava meu tempo livre mais curto que coice de porco. Sendo assim, precisei pedir para que alguém enfrentasse a vistoria (e a vergonha de passar por isso) e levasse aquele arremedo de veículo até o CRVA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe, como não poderia ser diferente, abraçou mais essa tarefa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, aqui cabe um parêntese. Ao relembrar aquele fatídico período negro de nossa história, entre gargalhadas, ela revela que, a cada toque de seu telefone, o pavor tomava conta de seu ser. Para quem acha que "seven days" é a frase mais aterrorizante que alguém pode ouvir ao atender uma chamada telefônica, acredite, os problemas da Saveiro faziam mamãe viver à beira de um ataque de nervos.&lt;br /&gt;Voltemos à vistoria. Fiquei com o carro dela na cenzala, digo, na empresa, e lá se foi minha genitora dentro daquele pandemônio motorizado rumo à prova de fogo: ter aquela desgraça aprovada pelo vistoriador. Mas, como naqueles dias nada era de barbada, eis que, no meio do caminho, numa das avenidas mais movimentadas de Novo Hamburgo, a geringonça resolveu parar de funcionar. Parou. Apagou. Foi pro beleléu.&lt;br /&gt;Mamãe, ao contrário de mim, tinha uma nesga de sorte quando a Saveiro dava uma de kinder ovo. Imaginem, trancar o cruzamento em pleno horário de pico? Ficar ao Deus dará em plena avenida, macacos me mordam! Com mais sorte que Joseph Climber, um facho de luz abriu no céu nublado e iluminou uma vaga, uma mísera vaguinha, onde cabia justamente o comprimento do carro naquele momento de tensão. E, numa manobra que nem mesmo Ayrton Senna faria melhor, mamãe manteve o sangue frio, virou a direção e, ufa, pôde recuperar o compasso dos batimentos cardíacos após deixar o fluxo de veículos seguir normalmente, enquanto pensava no que fazer diante de mais um problema que, em menos de uma semana, aquele maldito carro nos proporcionava.&lt;br /&gt;Começou, então, a trilhar uma jornada pela cidade. Foi a pé até onde eu trabalhava. Pegou o seu carro (e que alívio deve ter sentido naquele momento). Deslocou-se até o mecânico. Relatou o ocorrido. Transportou o cara até o local em que a jabustreca havia sido abandonada. Esperou. O vivente fuçou, fuçou, fuçou, mexe daqui, rebimboca da parafuseta dali, vira a chave, abre o capô, dá-lhe um chute nessa merda e, Shazam, fê-la funcionar outra vez!&lt;br /&gt;Uma cortina de fumaça criou-se ao redor da caminhonete. Quem passasse desavisado pelo local pensaria que Professor Pardal inventara algo. E, detrás da nuvem espessa de monóxido de carbono que o cano de descarga expulsava aos borbotões, o mecânico saiu em disparada conduzindo a Saveiro, meio aos trancos e barrancos, como quem monta num potro xucro pela primeira vez, e mandou-se morro acima. Mamãe, apavorada com aquilo e meio sem alternativa, seguiu atrás.&lt;br /&gt;Mais um conserto, mais gastos. E ainda faltava a maldita vistoria. Uma gota de suor correu pela têmpora de minha jovem mãe. Enfim, era chegado o momento da carnificina veicular. Fechou os olhos, benzeu-se, fosse o que Deus quisesse. Entrou no corredor da morte.&lt;br /&gt;Fico pensando no que terá feito o vistoriador aprovar aquela que foi praticamente uma sentença de infelicidade plena. Picardia? Castigo divino? Recalque por alguma experiência malfadada no passado? Puro sarcasmo? Ou, até mesmo, piedade? Não sei, meus caros. A verdade é que, acreditem ou não, os caras deixaram aquela velharia passar impune e, para meu revés, permitiram que eu seguisse rodando pela cidade e tendo tantos problemas, que até hoje ganho faniquitos quando me deparo com um exemplar daquele infortúnio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu recordar de mais algum episódio relevante, conto no próximo capítulo. Caso contrário, sigo adiante, pois, para quem pensa que minha desgraça automotiva termina por aí, está redondamente enganado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não percam o próximo capítulo de O Calhambeque!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-7044450575701121554?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/7044450575701121554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=7044450575701121554&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7044450575701121554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7044450575701121554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/07/o-calhambeque-capitulo-2.html' title='O Calhambeque - Capítulo 2'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-571480616241085956</id><published>2010-07-28T09:28:00.003-03:00</published><updated>2010-07-28T09:37:25.160-03:00</updated><title type='text'>O Calhambeque</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Mandei meu Cadillac&lt;br /&gt;Pr'o mecânico outro dia&lt;br /&gt;Pois há muito tempo&lt;br /&gt;Um conserto ele pedia&lt;br /&gt;E como vou viver&lt;br /&gt;Sem um carango prá correr&lt;br /&gt;Meu Cadillac, bi-bi&lt;br /&gt;Quero consertar meu Cadillac&lt;br /&gt;Bi Bidhu! Bidhubidhu Bidubi!...&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Com muita paciência&lt;br /&gt;O rapaz me ofereceu&lt;br /&gt;Um carro todo velho&lt;br /&gt;Que por lá apareceu&lt;br /&gt;Enquanto o Cadillac&lt;br /&gt;Consertava eu usava&lt;br /&gt;O Calhambeque, bi-bi&lt;br /&gt;Quero buzinar o Calhambeque&lt;br /&gt;Bi Bidhu! Bidhubidhu Bidubi!...&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(&lt;a href="http://letras.terra.com.br/roberto-carlos/48644/"&gt;O Calhambeque&lt;/a&gt; - Roberto Carlos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;O pior da vida não é quando a gente faz uma grande besteira. É quando, depois disso, a repete. E eu, que de teimoso tenho muito mais do que a cara e o jeito de andar, já cometi besteiras nessa minha vida que, contando, até Deus duvida. Talvez por isso Ele tenha relutado tantas vezes a me ajudar em algumas ocasiões em que esbravejei invocando o Santo Nome, nem tão em vão assim.&lt;br /&gt;Bueno, a história de hoje começa no defenestrável dia em que resolvi comprar meu primeiro carro. Sem dinheiro, sem condições profissionais de mantê-lo, mas, sabe como é um ser masculino quando pensa que virou adulto, né. Fica naquele estilo frangote que entoa a primeira cantiga e já sai posando de galo velho, de dono do terreiro. Até que vem o legítimo galo, dono das esporas longevas que os anos lhe concedeu, e dá um passa-fora no garnizé, que corre para baixo do primeiro pé de hortênsia que aparece. No meu caso, o papel de galo velho foi executado pelo próprio destino.&lt;br /&gt;Meu primeiro carro não era propriamente um meio de transporte, e sim um inóspito meio de chegar com muita rapidez a uma vasta e inimaginável gama de problemas. Eu tinha 20 anos, pouco mais de quatro mil reais na conta e achei que estava grandão na parada. Passei a procurar por uma caminhonete, porque sempre fui apaixonado por caminhonetes, aliado ao fato de que um carro nesses termos teria uma capacidade maior de levar-me à fazenda em São Chico, enfrentando a estrada de chão com voracidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ledo engano. Essa expressão vai ficar marcada na minha história automotiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, me diga: quem, em sã consciência, pode pensar que vai comprar uma caminhonete com quatro mil reais? Hoje, se chegar uma criatura contando essa idéia, creio que quase choro de tristeza pelo vivente, porque não existe burrice maior no mundo. Minha mãe tentou alertar, lembro que a Dani não foi a maior incentivadora do negócio e hoje o semblante preocupado dos meus amigos faz todo sentido. Mas, caramba, por que ninguém me alertou daquele assassinato ao bom senso? É algo que eu vou perguntar eternamente.&lt;br /&gt;A verdade é que um pilantra safado me vendeu uma Saveiro 1983, caindo aos pedaços, por quatro mil e trezentos reais. O preço inicial continha seiscentos reais a mais, ao que, tendo barganhado, pensava ter feito um excelente negócio. Imaginem, seiscentos reais a menos! Ledo engano. Se eu soubesse o quanto gastaria depois...&lt;br /&gt;Encurtando o relato pra não ficar aqui até amanhã contando dessa miséria medonha, eis que, na primeira noite em que voltava para casa após um cansativo dia de escravidão, uma vez que eu era estagiário na época e trabalhava treze horas diárias (SEM HORA-EXTRA!), desandou a sair uma fumaça do capô. Mas, antes de continuar, me permitam fazer outra consideração. O cara é estagiário, ganha quatrocentos reais por mês, tem sua poupancinha suada de quatro mil reais e resolve comprar um carro velho? Alguém me dá um tiro, por favor?&lt;br /&gt;Bem, voltando à fumaceira, é óbvio que fiquei assustado com aquela cena dantesca. Um fedor invadiu o interior do carango, ao que desliguei a ignição, saí apavorado e fiz o que qualquer homem faria numa situação de apuro imenso, do alto de sua tenra maturidade após ter adquirido seu primeiro veículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei para minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu primeiro dia motorizado, cheguei em casa rebocado por um Fusca. O conserto da parte elétrica atingida pelo curto-circuito que provocou o fumacê foi o primeiro dos gastos exorbitantes que aquele caco velho me proporcionou. Até hoje ainda não entendo de onde tirei tanto dinheiro para arcar com os custos mecânicos daquela lata-velha. Antes tivesse escrito uma carta para o Luciano Huck.&lt;br /&gt;Daí em diante, seguiu-se uma série de contratempos. A falta de combustível, por exemplo. Quando comprei aquela porcaria, o cara me disse que o marcador da gasolina não funcionava, mas que "era só ligar o fiozinho que não estava engatado no tanque, que funcionaria". Uma ova. Julguei que fizesse na base de oito quilômetros por litro, marquei num papel o quanto havia abastecido e desandei a rodar pela cidade.&lt;br /&gt;Um belo dia, deslocava-me para casa na hora do almoço, quando para o inferno eu fui pela primeira vez. O carro simplesmente parou de funcionar. Fucei, tentei ligar, esbravejei aos céus, atitude que se tornou um tanto frequente naqueles dias pavorosos e, claro, novamente tomei a decisão mais correta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei de novo para a minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio o mecânico e, sádico, sentenciou que o problema era falta de combustível. Além de tudo, ainda passei por situações vexatórias desse tipo. Menos mal, peguei a garrafa pet, fui até o posto e passei a considerar que o calhambeque fizesse não oito, mas sete quilômetros com um litro de gasolina. Se você arriscou o palpite de que eu estava errado, acertou. Não demorou até que eu ficasse empenhado outra vez e tivesse que baixar a média para seis. Entretanto, pelo menos nesse dia não precisei ligar para a mãe, nem para o mecânico, que àquelas alturas já fazia parte da família, de tanto que eu solicitava seus serviços durante a semana. Apenas peguei a garrafa outra vez e peregrinei até o posto mais próximo. Uma espécia de catarse, digamos assim.&lt;br /&gt;O ápice da miséria deu-se no dia em que eu tinha uma entrevista de emprego bem longe do centro. Enfim, os bons ventos sopravam a meu favor e eu estava prestes a abolir minha própria escravidão. No entanto, ao chegar no centro da cidade para retirar uns papéis no emprego antigo antes da entrevista, quem disse que aquela bosta (com o perdão do palavreado chulo, mas não há nada melhor para descrever a situação) ligava? Dessa vez, a bateria resolveu morrer, e ali permaneceu sepultada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O celular da minha mãe tocava novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, aquele dia não foi possível esperar pelo socorro. Fui de táxi para a entrevista. Felizmente, Deus resolveu ter compaixão de mim, e troquei de emprego. Já o carro, demorou um tempinho. Lembro que, fula da vida, minha mãe resolveu não ajudar de imediato no resgate do carango sem bateria e, naquele fim-de-semana, caiu uma chuva do cão. Moral da história: a Saveiro passou dois dias abandonada no centro da cidade, a céu aberto e ninguém, eu disse NINGUÉM, quis roubá-la. Nem os ladrões tiveram piedade do meu azar.&lt;br /&gt;Pra piorar a história, cada vez que chovia, entrava água na cabine. Muita água. Multiplique isso por muita chuva, e o que temos? Uma versão nefasta do Piscinão de Ramos. Quis chorar de tristeza, mas faltaram-me lágrimas. Dali para diante, resolvi tomar uma decisão imperiosa: passar a bomba adiante.&lt;br /&gt;Após algumas semanas de novas incomodações e implorando para as revendas de carro que aceitassem aquele quadro da dor como entrada na compra de outro veículo, apareceu um segundo pilantra que, piedoso, resolveu fazer negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pro inferno eu fui pela segunda vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não percam o próximo capítulo! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://postcoletivo.blogspot.com/2010/07/o-calhambeque.html"&gt;Postagem coletiva&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; da semana.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-571480616241085956?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/571480616241085956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=571480616241085956&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/571480616241085956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/571480616241085956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/07/o-calhambeque.html' title='O Calhambeque'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-8566601611123505445</id><published>2010-07-23T09:42:00.004-03:00</published><updated>2010-07-23T09:44:29.069-03:00</updated><title type='text'>500</title><content type='html'>Já faz algum tempo que percebi que estava perto da quingentésima postagem. Não são exatamente quinhentos textos, mas, ainda assim, são quinhentas vezes que escrevi algo e cliquei em "publicar".&lt;br /&gt;Pensei em diversas formas de exaltar este fato que, ao menos para mim, é marcante. Escrevo no Que Momento desde 2004, quando o Léo e eu resolvemos criar um espaço no falecido Weblogger. Depois de algumas andanças, baixei a poeira aqui pelas bandas do Blogger e cá sigo, bucólico.&lt;br /&gt;Tentei pensar numa forma de escolher o melhor texto, ou os cinco melhores. Quis acreditar que em pelo menos 1% de tudo o que escrevi existe alguma qualidade. Sei que, para muitos, sou quase um gênio da literatura. Minha avó e minha namorada, por exemplo. No entanto, isso não passa de bajulação, já que elas me amam e até me acham lindo. Porém, desisti. Talvez isso seja assunto para debatermos na &lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=52364326"&gt;&lt;b&gt;comunidade do blog no Orkut&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; (espaço merchandising quemomentista).&lt;br /&gt;Ainda assim, fico contente em refletir sobre o significado que este blog tem na minha vida. Se alguém tiver coragem de ler as vinte primeiras postagens aqui publicadas, perceberá que, hosanas, aleluia, eu amadureci um bocado. Ainda que já tivesse dezenove anos naquela época, não passava de um guri de ideias esporádicas, polêmicas e até mesmo infrutíferas. Digamos que explorava mal as minhas virtudes. Como fazer a força de uma Itaipu para acender uma lâmpada.&lt;br /&gt;Com o tempo, desenvolvi outros meios de externar meus pensamentos e sentimentos. Descobri os gêneros em que me saía melhor e deixei fluir minha veia cômica. Ah, bons tempos! Confesso que, ao reler algumas peripécias, até eu dou risada dos meus dias escrachados. No entanto, creio que pasteurizei aquele tipo de humor e acabou que se tornou enjoativo.&lt;br /&gt;Desde então, deixei de primar pela quantidade e passei a me libertar das amarras de ter que manter um blog em atividade plena. Virou um espaço de leveza e muita troca de experiências. Foi dessa fase em diante que assegurei meus grandes amigos blogueiros, bem como trouxe meus fiéis amigos leitores, que comentam meus textos pessoalmente na hora do almoço, ou numa mesa de bar. Não vou citar nomes, seria injusto. Entretanto, se você está leu essa frase e sentiu-se mencionado, acredite, é para você mesmo que dedico esse momento.&lt;br /&gt;Aliás, por falar na palavra "momento", carro-chefe do blog, se tivesse que fazer uma síntese das quinhentas vezes em que aqui estive, poderia dizer que meu objetivo sempre foi atingido: partilhar algum momento da minha vida com as pessoas, fosse relevante ou não. Gosto muito de ler os outros, ainda que discorde, mas sempre há aprendizado nas palavras de alguém que viveu algo que não vivi. Ver a vida por apenas um ângulo é simplista demais, é quase pobre. Meu modo de expressar meus dias por aqui tem, certamente, um pouco de cada pessoa que me ajudou a entender melhor o que é exatamente viver (e creio que ainda estamos buscando dezenas de respostas).&lt;br /&gt;Enfim, é um prazer imenso saber que através de alguns de meus relatos provoquei boas risadas, ou mesmo dividi lágrimas com meus amigos. Sinto-me pleno quando alguém cobra um texto, elogia o que escrevo, ou discorda totalmente de alguma afirmação minha. O ato de escrever tornou-me uma pessoa melhor, auxiliou minha capacidade de expressão, raciocínio e melhorou demais minha forma de relacionar-me com o mundo.&lt;br /&gt;Obrigado a todos os amigos queridos que me acompanham diariamente, nem que seja para acessar o blog e encontrar um texto velho. Aos que me visitaram apenas uma vez, ou não tiveram mais tempo para seguir lendo meus escritos. Agradeço do fundo do coração todo o incentivo, as apologias e, principalmente, o carinho com que as pessoas tem com meu modo de escrever. Em todas as vezes que pensei em desistir, foram os amigos, mais que leitores, que me fizeram publicar outra postagem. O Antônio dessas linhas é, sem dúvida, um pouco de cada um que ajudou a construir o Que Momento.&lt;br /&gt;É por isso que, se tiver mesmo que escolher qual de todos os textos é o melhor, direi: é o próximo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-8566601611123505445?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/8566601611123505445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=8566601611123505445&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8566601611123505445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8566601611123505445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/07/500.html' title='500'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-3978451182881032850</id><published>2010-07-21T16:32:00.003-03:00</published><updated>2010-07-21T16:37:04.803-03:00</updated><title type='text'>Histórias de Carnaval</title><content type='html'>Certa vez, há coisa de três ou quatro anos, passei um carnaval na casa de meu amigo Leonardo, co-fundador deste blog que hoje mantenho com tanto esmero. Junto dele, outros três amigos, Thiago, Guto e Popins, sendo que somente este último e eu estávamos desacompanhados. Não vou explicar os entrementes e porquês, já que são águas passadas e dona Dani vai ficar braba comigo se eu ousar tocar no assunto.&lt;br /&gt;Bueno, mas &lt;i&gt;deixando dos entretanto e partindo pros finalmente&lt;/i&gt;, como diria Odorico Paraguaçu, deu-se que o carnaval ocorreu mesmo por aqueles lados litorâneos. Não saímos a farrear pelas matinés, tampouco chacoalhamos o esqueleto n'algum baile. Uma, porque matinés e bailes são do tempo da vó Dilma, essa sim uma carnavalesca declarada nos idos de sessenta ou setenta e picos; e, em segundo lugar, o pessoal estava mesmo era pelo descanso do feriado e programas caseiros.&lt;br /&gt;Pois bem, o primeiro foi uma pizzaria. Há algum tempo, quando meu metabolismo ainda processava toda a comida que eu ingeria e me mantinha esbelto, digamos que eu costumava ser um tanto deselegante nesses locais de comida livre, rodízios e adjacências. Ignorante, por assim dizer. Tá, eu era um cavalo esfomeado.&lt;br /&gt;Pizza, então, era cair no prato e deglutir. E por aí desenrolou-se a comilança, enchendo o bucho de todos os sabores, repetindo algum que outro e entupindo o sessenta folhas. Lá pelas tantas, aproveitando-me da situação solitária pela qual passávamos Popins e eu, até mesmo ensaiei umas brincadeiras homossexuais em relação a nós dois na frente dos garçons, ao que ele ficou uma arara de envergonhado. Naquele dia, rendeu boas risadas. Fosse hoje, seria até um perigo, principalmente se fosse na Argentina. Nada contra, mas Deus me livre.&lt;br /&gt;Moral da história: voltei pra casa empanzinado. Até pra andar estava difícil, quem se lembra, comprova. Cheguei em casa com aquele aspecto gestante, a barriga virada numa protuberância só e passei a implorar ao pessoal para que fizéssemos algo para passar o tempo e meu pobre sistema digestivo conseguir algum sucesso na melhora daquele quadro tenebroso.&lt;br /&gt;Engatilhamos uma disputa ferrenha de Banco Imobiliário, o que para mim foi ótimo, uma vez que esse jogo dura horas e horas até todo mundo falir e haver um vencedor, o que contribuiria com a minha digestão. Mesmo assim, não adiantou. Já passava das duas da manhã, e algo indecifrável acontecia dentro do meu estômago. Nem água eu conseguia beber, mesmo sentindo uma sede absurda.&lt;br /&gt;O pecado da gula começou a me castigar. Comecei a pensar no pior. Queria vomitar, enfiar o dedo na goela, expulsar aquele mundo de pizza de dentro de mim. Deu vontade de berrar de desconforto, sair às ruas cantando "Cara caramba cara caraô" ou explodir como Dona Redonda em Saramandaia, de Dias Gomes (procurem no Google, que essa é velha).&lt;br /&gt;Já o Popins, que àquelas alturas surrava a mim e ao Léo no Banco Imobiliário, caiu na besteira de imergir na soberba e proferiu uma aposta que qualquer indivíduo em sã consciência jamais deveria fazer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se eu perder esse jogo, dou uma volta na quadra correndo. Pelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adivinhem? Sim, ele perdeu. E nunca pagou a aposta, aquele pilantra, biltre safado. Aliás, ele lê o blog! Portanto, se você, leitor quemomentista, assim como eu, pensa que aposta é aposta e promessa é dívida, proteste nos comentários e ajude o Popins a perder o pudor e sair na capa do Jornal NH de segunda-feira com seus documentos ao ar livre. Pensando bem, deixa pra lá.&lt;br /&gt;No entanto, a mim pouco importava comprar um terreno, ganhar vinte mangos no Sorte ou Revés, que se danasse o maldito jogo! Havia três quilos de pizza dentro de mim mais revoltados do que uma passeata do MST, e aquilo sim estava difícil de resolver. Comecei a delirar e ter alucinações. Enxerguei pessoas com cara de pizza, cara de Trakinas e até mesmo o Mau, do Castelo Rá-tim-bum, com sua gargalhada fatal.&lt;br /&gt;Enjoado, sedento e agoniado, chupava gelo feito um esquimó de regime e implorava à Nossa Senhora da Digestão que me livrasse de todo malamém. Aproximadamente duas horas depois, finalmente as tripas resolveram engrenar, e não vou aqui transcrever a vocês, pessoas pudicas e que nada tem a ver com o suco gástrico alheio, o resultado final daquele retrato perfeito do pecado da gula.&lt;br /&gt;O fato é que aquele carnaval não ficou marcado por plumas, paetês, serpentinas e confetes. No máximo, uma pizza de Confeti. Ou duas. Bem, mas que fique clara a lição que aprendi naquela noite:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Jamais coma além do que seu corpo suportar;&lt;br /&gt;2) Nunca pense que está rico o suficiente no Banco Imobiliário. E, se pensar isso, evite prometer idiotices;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;a href="http://postcoletivo.blogspot.com/2010/07/historias-de-carnaval.html"&gt;&lt;b&gt;Postagem coletiva&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; da semana.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-3978451182881032850?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/3978451182881032850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=3978451182881032850&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3978451182881032850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3978451182881032850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/07/historias-de-carnaval.html' title='Histórias de Carnaval'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-970346229956753485</id><published>2010-07-14T08:53:00.002-03:00</published><updated>2010-07-14T09:04:39.773-03:00</updated><title type='text'>Eu não entendo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Por que você não disse que viria?&lt;br /&gt;Logo agora que eu tinha&lt;br /&gt;Me curado das feridas&lt;br /&gt;Que você abriu quando se foi&lt;br /&gt;Por que chegou sem avisar?&lt;br /&gt;Eu queria tempo pra me preparar&lt;br /&gt;Com a roupa limpa, a casa em ordem&lt;br /&gt;E um sorriso falso pra enganar&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Eu não entendo a  sua volta&lt;br /&gt;Não entendo a sua indecisão&lt;br /&gt;Num dia sou seu grande amor&lt;br /&gt;No outro dia não.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(&lt;a href="http://letras.terra.com.br/nenhum-de-nos/66238/"&gt;Eu Não Entendo&lt;/a&gt;  - Nenhum de Nós)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe aqueles dias em que a gente acorda com uma vontade danada de fazer o papel de advogado do diabo? Onde, em lugar de um passarinho verde e cintilante, você põe um urubu azedo? Pois bem, hoje resolvi enxergar o tema da Postagem Coletiva assim.&lt;br /&gt;Não que tal azedume converta-se em mau-humor (maldita reforma ortográfica que me dá a impressão de estar escrevendo tudo errado, e devo estar um bocado mesmo), pelo contrário, a ave cavernosa usada no exemplo acima foi mera figura de linguagem. Acordei todo pimpão nesse inverno encolhedor de pênis que sopra cá pras bandas do Sul, mesmo ele transformando meu travessão - gramaticalmente falando - numa humilhante vírgula, se é que me entende.&lt;br /&gt;O fato é que, normalmente, quando o amor não acontece da maneira que queremos, fica mais fácil dizer que não o entendemos. Realmente, é complicado que uma pessoa não corresponda a nossos sentimentos mais nobres, principalmente quando todos eles pulsam dentro da gente em seu ápice. Enquanto isso, o outro mostra-se arredio, desconfiado e temeroso, ainda mais quando há um histórico de insucessos.&lt;br /&gt;Falta paciência; sobra agonia. Amar, às vezes, é um tanto egoísta. Digo isso porque, a certa altura do campeonato, quis primeiro que o amor fizesse bem a mim, para depois converter-se em sucesso aos olhos dos demais. E, quando o "mim" sobrepõe o "nós", entender qualquer coisa tornar-se-á tarefa hercúlea.&lt;br /&gt;Sei que depois que tudo vai bem é fácil falar, soa até um pouco demagogo. Entretanto, o que me compele a refletir o outro lado da moeda é justamente alentar aqueles que hoje estão circunstancialmente cegos, porque é isso que o amor deslocado faz com a gente: ele cega. Como todos sabem, o pior cego é justamente aquele que não quer ver, e é bem isso que acontece.&lt;br /&gt;Por isso, àqueles que não entendem a indecisão momentânea do ser amado, nunca se esqueçam de um detalhe importantíssimo: o tempo passa mais devagar para quem tem pressa, principalmente quando a dita cuja tem como finalidade receber o amor do outro. Enquanto para quem precisa definir o que sente o tempo configura-se num aliado (ainda que a pressão do outro não seja nada aprazível), para quem necessita de uma gota de amor a areia parece não cair na ampulheta de jeito nenhum.&lt;br /&gt;Por fim, quando o vivente tomar sua decisão e reaparecer de surpresa, por mais difícil que possa parecer, não o julgue. No show da vida, hoje você pode ser expectador, mas amanhã pode estar no palco, e isso pode fazer com que seu dedo indicador, outrora apontado numa direção oposta, se volte contra o seu nariz. O Ministério da Saúde adverte que não é nada legal ser o juiz dos próprios erros. Dói pra cacete.&lt;br /&gt;Sei que conselho não se dá. Aliás, esse nome &lt;i&gt;conselho &lt;/i&gt;é apenas uma roupa legal que deram para a palavra &lt;i&gt;palpite&lt;/i&gt;. De todo modo, de vez em quando é interessante refletir nas palavras de outro, então, digo apenas para que ame, ame bastante. Muitas vezes dói um bocado, mas vale a pena. É que nem quando a mamãe queria passar merthiolate no joelho esfolado, porque arde que é um mistério, mas depois passa e cura. Quanto a entender... ah, quem precisa entender o amor? Basta senti-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Bom mesmo é voltar a participar da &lt;a href="http://postcoletivo.blogspot.com/2010/07/eu-nao-entendo.html"&gt;&lt;b&gt;Postagem Coletiva&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-970346229956753485?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/970346229956753485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=970346229956753485&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/970346229956753485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/970346229956753485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/07/eu-nao-entendo.html' title='Eu não entendo'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-3347579546315663899</id><published>2010-07-12T17:08:00.002-03:00</published><updated>2010-07-12T17:08:13.773-03:00</updated><title type='text'>Esquisitices</title><content type='html'>Peguei uma mania sem-vergonha nos últimos tempos: a cada vez que alguém liga para o escritório, eu pego o sem fio e desando a caminhar dentro da sala. Não sei se é a solidão, a amplitude do espaço que tenho à minha disposição, se são as primeiras manifestações de um possível transtorno obsessivo-compulsivo ou, pura e simplesmente, o bom e velho bicho-carpinteiro. O fato é que, passados trinta segundos de conversa, eu encarno Vanderlei Cordeiro de Lima e inicio uma verdadeira maratona.&lt;br /&gt;Dei-me conta disso há alguns dias, mas só agora resolvi escrever, porque acabo de desligar o telefone e perceber que estava à beira da porta ao final da ligação. Esse advento dos telefones móveis está tomando proporções exacerbadas do ponto de vista comportamental, porém pode ser visto com bons olhos, uma vez que espanta o sedentarismo de passar oito horas sentado numa cadeira matando tempo em frente ao computador - uma mensagem nada alusiva à escrita desse texto, que fique bem claro.&lt;br /&gt;Engraçado essa coisa de manias, tiques nervosos e talicoisa. Devo ter uma série delas sem perceber, e isso me corrói o íntimo, porque não há nada mais pavoroso do que uma pessoa cheia de manias. Não sei se já mencionei noutro texto, mas na sexta série tive um colega - cujo nome não será citado para preservar sua identidade - que, lá pelas tantas, ganhava um faniquito em meio à aula. Era um espasmo na face, um troço cavernoso que fazia o guri repuxar toda a cara pro lado direito, um negócio enfadonho.&lt;br /&gt;Minha classe ficava atrás da dele, então quando eu via sua cabeça pendendo pro lado, já passava a mão no caderno e ia tirar uma dúvida com o professor, só pra ter o prazer de rir da cara de limão azedo que ele fazia. A banca paga e recebe, agora cá estou, feito um palerma, atendendo telefone e troteando feito um pônei de circo pra lá e pra cá dentro da sala.&lt;br /&gt;Justo eu, que pensava que uma das minhas poucas manias públicas era carregar sempre um lenço de nariz a tiracolo. Não que o lenço seja especificamente para fins nasais, todavia eu os uso exclusivamente pra isso. Não curto muito essa história de arrancar tatu a dedadas, como deflagrado na Copa pela nada discreta atitude do treinador da Alemanha. Sendo assim, seguindo o legado do saudoso vô Gentil, incorporei este hábito idoso que me segue desde os primórdios da minha puberdade.&lt;br /&gt;Dificilmente alguém me encontrará sem um lenço no bolso, e talvez por isso eu nutra uma certa aversão a praias de nudismo. Meu grande pavor de não tê-lo comigo é a velha pergunta: e se eu espirrar? Não consigo ficar tranquilo ao pensar que posso estar no meio da rua, a metros de um rolo de papel higiênico e, de repente, uma tsunami de mucosa nasal jorrar do meu nariz e eu ter de sair arcado, com a mão à frente do rosto, feito galinha quando bica um pedaço de couve e corre pra longe das outras. Só de pensar, ganho calafrios.&lt;br /&gt;A grande verdade em meio a isso tudo, como também dizia sabiamente o grande filósofo Gentil Dutra, é uma só: não há quem não tenha lá suas estranhezas e as cultive com naturalidade. O jeito é respirar fundo, assumir certas peculiaridades da vida e aproveitar pra fazer exercício físico durante as chamadas telefônicas que atender no escritório, certo de que, se eu espirrar, não corro o menor risco de passar por ranhento. Há um lenço de prontidão em algum de meus bolsos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-3347579546315663899?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/3347579546315663899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=3347579546315663899&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3347579546315663899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3347579546315663899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/07/esquisitices.html' title='Esquisitices'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-6239019569557245281</id><published>2010-07-02T17:23:00.004-03:00</published><updated>2010-07-02T17:26:39.548-03:00</updated><title type='text'>Uma das milhões de análises da derrota na Copa do Mundo</title><content type='html'>A eliminação da Seleção Brasileira numa Copa do Mundo pode ter dois enfoques distintos: o lado passional, com todas as suas ramificações radicalistas e analíticas, e o racional. Como brasileiro e amante do futebol enquanto esporte, não há como deixar de escrever a respeito, ainda que nos últimos dias meus palpites tenham sido todos em tom de chacota no Twitter.&lt;br /&gt;A batida forte do coração faz do brasileiro um eterno comentarista futebolístico. É fácil encontrar um Paulo Roberto Falcão em qualquer esquina dos nossos bairros. Num momento como esse, então, até mesmo quem não costuma palpitar acaba dando o seu parecer, na maioria das vezes negativo e atentando contra a integridade da mãe do técnico.&lt;br /&gt;É claro que também tenho as minhas considerações emocionais. Não torci para o Brasil como em outras Copas. Sei lá, foi um sentimento diferente, venho acompanhando essa Copa com certa neutralidade. Isso se deve às convocações de Felipe Melo e Michel Bastos, dois jogadores que estiveram na pífia campanha do Grêmio em 2004, ano do rebaixamento gremista, borrão vergonhoso sacramentado na gloriosa história tricolor. Não engoli desde o início a presença desses sujeitos no escrete brasileiro, o que deteriorou meu sentimento ufanista em relação ao triunfo dos comandados de Dunga.&lt;br /&gt;No entanto, a cada vez que tocou o Hino Nacional Brasileiro, obviamente me arrepiei. Estavam ali Júlio César, Lúcio, Juan e Maicon, jogadores que eu admiro e respeito. Torci por eles, vibrei em alguns de seus lances. Porém, no conjunto da obra, eu continuava descrente do título, e quem conversou comigo durante os últimos tempos sabe que este não é um comentário oportunista da minha parte. Bom, deu no que deu. Sempre entendi as convicções do treinador, ainda que discordasse de muitas, pois queria ver Ganso e Ronaldinho nesse time, além de um lateral-esquerdo competente e um volante que não tivesse um rebaixamento no currículo.&lt;br /&gt;Sobre Dunga, bem, Dunga é um ser humano. É um gaúcho. É teimoso, tem seus princípios, seus dogmas. Resolveu segui-los, defendeu-os com unhas e dentes, e agora, como homem íntegro, arcará com as consequências, não tenho dúvidas disso. Lamentei por algumas de suas escolhas, admirei várias de suas atitudes e, enfim, acredito que ele tenha sido apenas mais um personagem brasileiro no Mundial. A grana que ele recebeu nos últimos três anos e meio compensa, sem dúvida, qualquer sacrifício, vaia ou desgaste psicológico. Quem dera eu me estressasse com trezentos mil por mês pingando na minha conta.&lt;br /&gt;Bem, mas este é o lado passional da eliminação. Como qualquer brasileiro, também externei a minha opinião. Em contrapartida, há o discurso racional e politicamente correto, afinal de contas, são 190 milhões de brasileiros chorando pela derrota de vinte e três milionários, cujas vidas sofreram um pequeno balanço hoje, mas suas contas bancárias permanecem intactas.&lt;br /&gt;Ou seja, pode parecer moral de cueca, mas Pernambuco e Alagoas continuam cheios de barro pós-enchentes, o governo continua aprovando aumentos exorbitantes para uma minoria, os gatunos conjecturam suas candidaturas para nos enrolar em mais um ano de eleição e, sinceramente, por este prisma o futebol acaba sendo apenas uma válvula de escape que faz com que o brasileiro derrame lágrimas que deveriam cair se enxergássemos o que passa despercebido aos olhos da maioria. O pior cego é aquele que não quer ver, e nós, brasileiros, ainda padecemos dessa postura omissa que temos diante de inúmeras questões cruciais que rolam entre os corredores da nação brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, que futebol é uma paixão nacional incontestável, contra isso não se pode lutar. Mas, Copa que é bom, meus caros, só em 2014.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-6239019569557245281?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/6239019569557245281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=6239019569557245281&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6239019569557245281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6239019569557245281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/07/uma-das-milhoes-de-analises-da-derrota.html' title='Uma das milhões de análises da derrota na Copa do Mundo'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-6059306536423158642</id><published>2010-06-28T10:21:00.003-03:00</published><updated>2010-06-28T10:23:02.480-03:00</updated><title type='text'>O Amor é otimista</title><content type='html'>O ser humano é dois: um quando ama e outro quando não ama. O amor é o controle remoto da vida. Se você o tem, pode trocar de canal e modificar drasticamente a programação. Digo isso porque, desde que estou imerso nesta imensidão amante que não tem fim, a vida parece ter tomado outra direção. Os passarinhos são todos verdes, o céu é azul até quando chove e o trânsito é uma maravilha desfrutável que a indústria automotiva proporciona.&lt;br /&gt;Amar faz bem à pele, ao paladar e à literatura. É possível identificar se alguém está amando apenas pelo que o indivíduo escreve. Sou a prova viva disso. Aliás, essa é uma faca de dois gumes, pois nota-se com veemência se tal amor é ou não correspondido. Lhes asseguro, inclusive, que nem no hino nacional há clava mais forte que a do desamor. Na próxima encarnação, quero voltar um cachorro sarnento, mas não quero voltar como alguém que ama e não é amado. É tenebroso.&lt;br /&gt;Bueno, mas como agora as flores estão mais coloridas e os rouxinóis gorjeiam efusivamente, essa vida primaveril já quase não permite que eu tenha dores-de-cabeça. E, quando as tenho, o beijo suave do amor supera qualquer propaganda de antigripal, principalmente se observados a posologia e o modo de usar. Na maioria das vezes, não há regra, e esse é o grande barato. Amor é que nem tamagotchi, basta alimentá-lo, brincar com ele, deixá-lo descansar e limpar a sujeira, que continua vivo.&lt;br /&gt;O amor é uma espécie de revisor ortográfico. Ele retira as repetições, simplifica a liguagem e deixa somente o essencial. A falta dele é que gera os excessos, as dúvidas e a impaciência. A quem ama, dá a impressão de que todas as verdades são absolutas e, se não forem, tudo bem, pois se ama assim também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O amor é poeta, gosta de rima.&lt;br /&gt;Completa, alegra, o amor anima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, se a vida dele cheia não fosse,&lt;br /&gt;talvez não seria ela, a vida, tão doce.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, não sei qual é a receita certa para a felicidade. Talvez não haja curso de culinária que saiba ensinar algo tão complexo. Mas, se me fosse permitido arriscar um palpite, eu diria que leva, pelo menos, três xícaras de amor. Quiçá quatro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-6059306536423158642?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/6059306536423158642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=6059306536423158642&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6059306536423158642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6059306536423158642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/06/o-amor-e-otimista.html' title='O Amor é otimista'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-4753752273597268610</id><published>2010-06-24T10:41:00.000-03:00</published><updated>2010-06-24T10:41:07.767-03:00</updated><title type='text'>Password</title><content type='html'>Dentro de poucos dias, um de meus melhores amigos contrairá matrimônio. Parece doença, mas é redenção. Casar-se, nos dias atuais, é digno de medalha com honra ao mérito. Constituir uma nova família é desafio que só encara quem tem a certeza de que pode fazer a diferença.&lt;br /&gt;Em se casando um cara de quem sou grande amigo, fui agraciado com o posto de padrinho. Sendo padrinho, fui ontem comprar a fatiota adequada para a ocasião. Sou fã de terno e gravata, penso que um homem atinge seu ápice quando imerge nesse traje.&lt;br /&gt;Muitos disseram que eu deveria alugar a vestimenta, que economizaria uns trocados e talicoisa. Em verdade, vos digo: outro de meus melhores amigos casa em outubro e, macacos me mordam, também serei padrinho dessa união, o que por si só justifica a compra em detrimento do aluguel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, mas a breve introdução acima não significa que dissertarei acerca da ida até a loja para adquirir o terno, até porque correu tudo dentro da normalidade, sem sobressaltos. Cheguei lá, experimentei o paletó, a calça, uma gravata pra combinar com o vestido da Dani e pimba, passa o cartão aí, tia. À vista, na bucha. Rápido e rasteiro.&lt;br /&gt;Estava aqui, absorto em meus pensamentos matinais às vésperas de mais jogos da Copa para comentar no Twitter, conjecturando sobre todos esses casamentos, sobre a evolução dos relacionamentos e esse plano de conquista que nos leva a olhar no grão dos olhos da pessoa amada, pôr Bruno e Marrone de trilha sonora e murmurar: quer casar comigo?&lt;br /&gt;Conquistar o amor de alguém a ponto de escolher a pessoa para dividir a mesma cama para o resto da vida é como entregar a alguém a chave da nossa casa. Ora, não se concede acesso livre a ninguém a um lugar tão importante quanto o nosso lar, doce lar, recôndito do descanso mais frugal.&lt;br /&gt;Por mais que isso pareça corriqueiro, não é. Imagine que você esteja em sua casa, atiradão no sofá, só de cueca, bebendo um Tang sabor laranja e assistindo ao Pica-Pau, quando, de súbito, entra seu melhor amigo todo bonachão, abre a geladeira, gruda o beiço num iogurte, puxa uma cadeira e desata a falar do quão cansativo foi o seu dia de trabalho. Não dá, né?&lt;br /&gt;Existem, portanto, níveis de intimidade que são delimitados por nós e que são concedidos a qualquer pessoa, desde um estranho, até o melhor amigo. Nenhum deles, contudo, tem a mesma liberdade que aquela pessoa que tem o green card da sua vida e sabe a senha do seu coração.&lt;br /&gt;Após refletir sobre isso, entendi o porquê de ninguém nunca ter conseguido uma cópia da chave que só a Dani tem há quase nove anos. A permissividade que eu construí com ela não aconteceu pela segunda vez em nenhuma outra oportunidade e, com isso, sempre que alguém tentou se aproximar, deu com o nariz na porta. Afortunadamente, a senha para o livre acesso à área VIP da minha afetividade leva o nome, entre outros caracteres, da mulher da minha vida. E não existe cópia da chave, definitivamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-4753752273597268610?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/4753752273597268610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=4753752273597268610&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4753752273597268610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4753752273597268610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/06/password.html' title='Password'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-9017700964656988996</id><published>2010-06-22T10:13:00.000-03:00</published><updated>2010-06-22T10:13:53.029-03:00</updated><title type='text'>Haja coração, amigo!</title><content type='html'>Brasileiro é um povo previsível. Por mais que pareça o contrário, temos que admitir que é verdade. Em época de Copa do Mundo, não se fala em outra coisa em terras tupiniquins. Até mesmo as exceções justificam a regra, uma vez que quem não gosta de futebol fala mal dele para contrariar a enxurrada midiática apelativa, ou mesmo cita a Copa antes de introduzir um assunto alheio, para pelo menos deixar clara a sua contestação.&lt;br /&gt;Eu, sem o menor pudor, admito que sou admirador inveterado do esporte bretão. Estou ligado a 220V nessa Copa, leio todas as matérias, acompanho os jogos, participo de bolões e mastigo meu almoço com os olhos petrificados diante do segundo tempo das partidas que têm início às 11 horas da manhã.&lt;br /&gt;Aliás, graças à Fifa e à organização de seu torneio máximo, encontrei uma utilidade para o meu Twitter, que até então estava jogado às traças, dada a minha inaptidão em resumir meus pensamentos a míseros 140 caracteres. No futebol, contudo, como cada lance é rápido, o dinamismo das partidas e a infâmia dos trocadilhos baratos que surgem nesse tipo de evento me propiciaram a orgástica sensação de tuítar. Noves fora, viciei na porcaria do Twitter.&lt;br /&gt;Sinceramente, terei de ser internado numa clínica de desintoxicação twittiana quando a Copa do Mundo terminar. Essa história de "eu paro quando quiser" é balela, minha fissura está atingindo níveis orkutianos, é o caos! Aquela coisa de ligar o computador e correr para acessar o twitter, acompanhar os comentários alheios e, pasmem, dia desses me flagrei assinando meu nome com uma &lt;b&gt;@&lt;/b&gt; na frente.&lt;br /&gt;O maior culpado disso tudo, no entanto, é um sujeito oculto que atende pelo nome de futebol. Talvez o universo feminino ainda não tenha compreendido tamanho magnetismo que esse esporte exerce sobre a testosterona, assim como nós homens também não entendemos certas práticas das mulheres, como prostrar-se diante de uma vitrine, e depois diante de outra, e de outra, e de outra, sem nunca cansar.&lt;br /&gt;De todo modo, do alto de meus parcos conhecimentos acerca das origens da raça humana, eu poderia arriscar um palpite de que o que torna o futebol tão interessante aos olhos masculinos são dois aspectos básicos: a competitividade e a imprevisibilidade.&lt;br /&gt;Qualquer homem gosta de competir. Chame dois guris de oito anos, ponha-os frente a frente, reúna uma turminha de outros cinco ou seis meninos e faça-os disputar uma singela rodada de par ou ímpar. O vencedor será ovacionado pela galerinha, enquanto que o perdedor permanecerá rangendo os dentes até que lhe seja concedida uma nova oportunidade de competir e, consequentemente, alcançar a vitória. O homem gosta de competir e vencer.&lt;br /&gt;O futebol, no entanto, nos concede a graça de competirmos torcendo. Sabemos que os jogadores que estão em campo jogam também pela vaidade, uma vez que sabem que representam milhões de torcedores ávidos pela vitória. Com isso, quem torce joga junto, vibra, leva as mãos à cabeça, manda chutar, chama de pereba e xinga o técnico, como se tivesse o conhecimento de causa suficiente para tal. Isso se deve ao fato de que nos criamos batendo bola nos campinhos e, de uma forma ou de outra, temos uma pequena vivência acerca do aspecto anímico da partida, do que é possível fazer com a bola nos pés e, claro, do caminho das pedras para se chegar à vitória.&lt;br /&gt;A imprevisibilidade é a consequência de competir. Quando um dos adversários não se entrega e sobrepõe a falta de técnica pondo o coração no bico da chuteira, como diria o ilustre filósofo mais amado do Brasil, Galvão Bueno, fica mais difícil prever o resultado final da partida, uma vez que futebol também se ganha com garra e persistência.&lt;br /&gt;No futebol atual, quantas vezes vemos um time considerado mais fraco triunfar diante de uma equipe constituída de jogadores habilidosos, famosos e ricos? A frase "não existe mais bobo no futebol", ainda que seja um clichê barato nas mesas de bar e nos programas de debate, não deixa de ser quase que uma verdade absoluta.&lt;br /&gt;Esse esporte, portanto, encanta pelo simples fato de que, quando o juiz apita o início do jogo, nunca se sabe qual será o resultado dali a noventa minutos. Cada lance é decisivo e um pequeno erro pode ser crucial e determinante no placar final. Enquanto as mulheres olham para a televisão e enxergam apenas 22 brutamontes correndo atrás da bola (há inúmeras exceções, é claro, já que existem mulheres que dão banho em muito marmanjo por aí), os homens analisam o posicionamento, escutam atentamente os comentaristas - e depois discordam deles - inventam o tira-teima, o replay por outro ângulo e a análise tática no show do intervalo.&lt;br /&gt;O futebol está para o homem da mesma forma que seu relacionamento com as mulheres: depois que você passa a entendê-los verdadeiramente, ambos tornam-se apaixonantes. O problema é que alguns acabam se excedendo e valorizam demais o esporte em detrimento de suas parceiras. Mas, aí já é burrice e assunto para ser discutido em outra oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, se você gosta de Copa do Mundo e concordou com 70% do que escrevi, siga-me no Twitter clicando &lt;a href="http://twitter.com/antoniodutrajr"&gt;&lt;b&gt;AQUI&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-9017700964656988996?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/9017700964656988996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=9017700964656988996&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/9017700964656988996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/9017700964656988996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/06/haja-coracao-amigo.html' title='Haja coração, amigo!'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-8132634336808726511</id><published>2010-06-09T15:12:00.003-03:00</published><updated>2010-06-09T15:15:39.244-03:00</updated><title type='text'>Lubrificando as engrenagens</title><content type='html'>Geou no terreno fértil da minha inspiração. Há dias que espremo meu cérebro feito um limão, mas não consigo uma gota cítrica e azeda que seja. E isso é ruim, porque quando o tempo começa a passar demais e não produzo nada de novo para o blog, minhas têmporas sofrem uma sensação incrível de aperto, como a pressão de uma morsa.&lt;br /&gt;O efeito disso é um post em primeira pessoa, sem assunto pré-definido e, normalmente, que aborda os últimos acontecimentos da minha vida. Houve um tempo em que eu gostava mais de falar de mim, mas agora é diferente. Legal é reclamar, desabafar, encher as linhas de mensagens subliminares, como se estivesse berrando em silêncio, isso sim é bom.&lt;br /&gt;Agora, dar uma de Jornal Nacional e noticiar os últimos acontecimentos, bah, é de uma chatice pragmática que me dá náuseas. O que me salva dessa vez é que, felizmente, as novidades são as melhores possíveis.&lt;br /&gt;Acabou a novela mexicana, voltei a namorar. Àqueles que torceram, fizeram promessas e rezaram para o Negrinho do Pastoreio, alegrem-se, ó cheios de graça, suas preces foram atendidas. Amadureci um bocado nessa luta, não resta a menor dúvida. Se havia em mim algum resquício de machismo ou ignorância que impedia que eu desse o devido valor à mulher amada, este esvaiu-se nos últimos meses.&lt;br /&gt;Doeu, mas foi necessário. Pode parecer contraditório, mas é melhor sofrer e errar antes, do que culminar num divórcio depois. Não que eu seja um exemplo a ser seguido por quem quer que seja, mas seria muito interessante se as pessoas avaliassem seus relacionamentos antes de contrair o matrimônio, já que ultimamente o que vemos é o contrário. Primeiro casa, depois vê se dá certo.&lt;br /&gt;Falando nisso, agora chovem as expectativas: e o casório, quando acontece? Sorte que o Inter está sem técnico, assim pelo menos essa possível vinda do Felipão ofusca um pouco as especulações. Mas, é claro, são quase sete anos de história, idas e vindas, é natural que tenham curiosidade acerca da nossa união.&lt;br /&gt;Em verdade, vos digo: acalmem seus corações. É um assunto que está na pauta, mas há outras prioridades a serem resolvidas antes disso acontecer. Graças à carga tributária pornográfica que há no Brasil, atualmente é preciso mais do que amor para unir as escovas de dentes. É preciso planejamento, dinheiro no bolso, um gordo FGTS e pesquisa, muita pesquisa de preços. Ou seja, por enquanto vamos apenas curtir essa fase gostosa de 're-namoro', a qual esperamos que seja o fim de um longo capítulo que habita este blog há muito tempo.&lt;br /&gt;Bueno, mas o discurso leve denuncia que estou flutuando de amores. Já escrevi um sem-número de textos para a Dani, dediquei-lhe músicas, poesias, um naco polpudo do melhor da minha literatura, e hoje posso falar abertamente, sem entrelinhas, que a dita menina loura dos olhos verdes, atualmente uma mulher estonteante, diga-se de passagem, é, de fato, a mulher da minha vida.&lt;br /&gt;Isso é assunto pra outro texto, porque gostaria de discorrer mais acerca da sorte que tive de encontrá-la aos 17 anos, de tê-la como minha primeira namorada e, mesmo em meio a tantos desencontros, ter a graça de ainda assim experimentar o amor dessa guria incrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o Dia dos Namorados batendo à porta, é um belo tema para abordar no sábado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-8132634336808726511?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/8132634336808726511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=8132634336808726511&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8132634336808726511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8132634336808726511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/06/lubrificando-as-engrenagens.html' title='Lubrificando as engrenagens'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-117108331134276665</id><published>2010-05-28T16:36:00.002-03:00</published><updated>2010-05-28T16:41:15.111-03:00</updated><title type='text'>Polainas</title><content type='html'>&lt;i&gt;"Ora (direis) usar &lt;b&gt;polainas&lt;/b&gt;! Certo&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Perdeste o senso!" &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas seriam as palavras de Olavo Bilac, caso vivesse nos tempos atuais, onde, macacos me mordam, presencio a ressurreição das polainas. Desconheço, naturalmente, os gostos que cultivava nosso prócer da literatura brasileira acerca de vestimentas, mas precisei recorrer a um poeta renomado para dar início ao meu protesto.&lt;br /&gt;Fico intrigado com o que rege a moda. Não que eu siga tendências e afins, nada disso. Até que sou bem modesto ao me vestir. Acontece que polaina é um troço broxante, é sinônimo de bisavó. É algo que eu recordo vagamente lá pelos idos dos tenros anos oitenta, tempo do Pogobol, do Lango-Lango, do Chocolate Surpresa, dos Kichutes e das Balas Xaxá.&lt;br /&gt;Ocorre que, ao contrário dessa lista de maravilhas citadas, todas com sucesso garantido caso fossem relançadas, as polainas não tem serventia alguma. Aquecer tornozelos? Valha-me São José, quem se importa com eles? Fixação por tornozelo quem tem é zagueiro do Brasil de Farroupilha, do Guarany de Bagé, ou qualquer outro clube da Segundona Gaúcha. Nunca vi, nestes quase vinte e cinco anos de traquinagens, alguém que afirmasse categoricamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bah, que frio que me deu no tornozelo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Polaina, portanto, é um acidente de percurso. Algum resto de lã que sobrou para qualquer vovó tricoteira - aliás, lembro de vó Dilma e vó Loreni tricotando polainas - e, num ato de extrema infelicidade, saiu aquele cone de lã disforme. Não deu no braço, não deu no pescoço e, com dó de jogar fora, resolveram atracar nas canelas, acima dos sapatos. Fica parecendo aquelas proteções de cavalos de hipismo, um terror!&lt;br /&gt;Fiquei feliz quando as polainas foram extintas. A juventude foi encurtando as roupas, encurtando, encurtando, enfim, não havia mais motivos para se cobrir tornozelos quando se estava praticamente mostrando todo o resto. Defenestraram as polainas.&lt;br /&gt;Contudo, nessa terra gaudéria e polar, há uma época do ano em que experimentamos a doce sensação que vive uma ovelha o ano todo, pois não é possível viver no Rio Grande do Sul sem ter alguma reservinha de lã no guarda-roupa. Com isso, o que acontece? Continua sobrando algum resquício dela para as vovós tricoteiras.&lt;br /&gt;Cansadas de inventar mantas, cachecóis e luvinhas, eis que alguém teve a brilhante idéia de ressuscitar as benditas polainas, para meu desespero. É bisonho! Mesmo porque, quando uma dessas tendências &lt;i&gt;old&lt;/i&gt; retornam, tem a força de uma manada de gnus em filme do Rei Leão. É toda a mulherada usando polaina a torto e a direito! Com scarpin, bota, sapato e até tênis! Juro, vi ontem, vindo para o trabalho, uma guria de tênis preto e polaina roxa. Quase bati o carro.&lt;br /&gt;Polaina é um troço do mal, é um acinte à beleza feminina. Vovós, não tricotem polainas! Homens, uni-vos contra elas! Apesar que, do jeito que a coisa anda, é bem provável que certos cidadãos apareçam por aí desfilando de polainas, nesses tempos de sexualidade nada ortodoxa, onde o documento já não define mais quem é o quê.&lt;br /&gt;Prestem atenção na minha profecia: as polainas farão parte de 80% dos presentes de amigo-secreto no fim do ano! Representarão 70% dos presentes daquela sua tia que te dá cueca e meia há quinze anos no aniversário, Natal e até na Páscoa. Não se deixem levar pelo volume do embrulho. Lá dentro pode estar um sórdido, ignóbil e tenebroso par delas, as famigeradas polainas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juro, vou dormir pensando nisso. Polainas, argh!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-117108331134276665?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/117108331134276665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=117108331134276665&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/117108331134276665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/117108331134276665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/05/polainas.html' title='Polainas'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-5683291851089825404</id><published>2010-05-13T15:49:00.004-03:00</published><updated>2010-05-13T16:41:25.551-03:00</updated><title type='text'>O dia em que meu irmão aprendeu a ser gremista</title><content type='html'>O que aconteceu ontem em Porto Alegre, mais precisamente na avenida Azenha, dentro do estádio Olímpico Monumental, foi algo que apavorou gaúchos, brasileiros e, por que não dizer, o mundo. Pode parecer exagero, mas a comunidade futebolística, a mídia esportiva e todas as opiniões que ouvi comungam dessa tese.&lt;br /&gt;No entanto, em meio aos entrementes de uma partida epopéica protagonizada por Grêmio e Santos, presenciei, dentro da minha casa, a conversão de uma criança comum, desfrutando a inocência da tenra idade, num gremista apaixonado, copeiro e peleador. Segue abaixo mais um relato sobre meu irmão caçula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O embate começou nervoso. Todo gremista tinha consciência da dificuldade que seria encarar o escrete santista. Como espectador de partidas de futebol não controlo a língua, falo mesmo. Converso com os jogadores, oriento, xingo, brado impropérios e, enfim, ajo como um bom brasileiro que ama o esporte.&lt;br /&gt;À minha direita, com a serenidade de um hipopótamo, encolhido no sofá, estava meu irmão. Assistia ao jogo com a mesma sonolência de quem assiste ao Bom Dia Brasil. À frente, que surpresa, mamãe decidiu também partilhar daquele momento conosco, fato raro lá em casa.&lt;br /&gt;Em poucos minutos, o Santos pegou no cabo do relho e desatou a açoitar meu pobre Grêmio, convertendo essa metáfora num dois a zero maiúsculo. Atônito e xingando toda a genealogia dos atletas gremistas, passei a exigir atitude, raça e, claro, qualidade suficiente para que a equipe se redimisse daquela situação vexatória.&lt;br /&gt;Admito que não devo ter feito isso de maneira cordata, o que desatou no guri ao meu lado uma incontrolável gargalhada. Ele mordia a blusa, tapava a boca, pois percebia meu estado dilacerado de torcedor que vê seu time perdendo e nada pode fazer, mas não foi suficiente. Riu a borbotões plenos da minha cara.&lt;br /&gt;Fosse noutra situação, indignado por indignado, poderia descontar a raiva condenando o chiste do caçula, mas engoli a seco. Melancólico, apenas pedi a Deus, a Silas e a Victor que não permitissem uma goleada hecatômbica.&lt;br /&gt;O primeiro tempo terminou, minha mãe cansou de escutar meu vasto repertório de palavrões impublicáveis e recolheu-se em seus aposentos. Já meu irmão, indiferente à sumanta de laço que seu time tomara no primeiro tempo, prostrou-se diante de seu álbum de figurinhas da Copa do Mundo e viu mais vantagem em contemplar suas páginas do que continuar rindo da minha cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Aí, veio o segundo tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;E, com ele, trouxe o tricolor a imortalidade do vestiário. Escangalhado pelos torpes quarenta e cinco minutos passados do primeiro tempo, eis que uma fagulha de esperança foi acendida quando Borges descontou o placar, marcando o primeiro tento gremista. Aliás, na origem do lance, enquanto a jogada era desenvolvida por Edílson na lateral-esquerda, meu irmão abria a primeira página de seu álbum pela segunda vez, demonstrando total descaso com a televisão.&lt;br /&gt;O gol, porém, o fez mirar a televisão por poucos instantes. Ainda assim, sem brilho nos olhos, sem a esperança da virada que um torcedor deve nutrir. Com isso, e como dois a um ainda era sinal de derrota, voltou a fitar o álbum e abriu novamente a primeira página. E, com mil onças pardas reumáticas, quando ele tornou a folhear o álbum, o Grêmio empatou. Ganhei uma síncope comemorativa, bati na parede, saltei feito um canguru hiperativo, dei escândalo. Beirei sete ataques epilépticos em série. Ser torcedor não é fácil, requer preparo físico para esses momentos de alteração emocional.&lt;br /&gt;Meu irmão, contudo, virou uma estátua de olhos arregalados. Pude ver uma aura azul sobre seus cabelos castanho-claros, o espanto vindo daquele olhar infante. Gaguejando, como quem não sabe se argumentará com propriedade, virou-se pra mim e balbuciou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mano, tu reparou que cada vez que eu abri o álbum na primeira página o Grêmio fez gol?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assenti alegremente, ainda anestesiado por aquele empate heróico, tanto que nem cheguei a desenvolver o assunto acerca da mística levantada pelo guri. Notei, no entanto, que ele passou a abrir o álbum a cada ataque do Grêmio e, Deus seja louvado, em cerca de poucos minutos aconteceu uma virada que eu jamais havia contemplado.&lt;br /&gt;Eu não sabia se chorava, se gargalhava loucamente e, na comemoração do terceiro gol, tudo o que consegui fazer foi olhar pro meu maninho, abrir os braços e dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me dá um abraço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascia ali um gremista de verdade. A cada escanteio que nosso time conquistava, ele abria o álbum com devoção; a cada ataque do Grêmio, eu incentivava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Abre o álbum! Abre o álbum!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, que deve gostar de mandingas, ou de álbuns de figurinhas, ou dos dois, premiou nossa crença com o quarto gol do Grêmio, e confesso a vocês que não sei o que fiz na hora da comemoração. Minha alma saiu do corpo e foi até o estádio abraçar o Borges, artilheiro nato da noite, enquanto meu corpo seguia debatendo-se animalescamente, como se houvessem bilhões de pulgas na minha cueca.&lt;br /&gt;A essas alturas, meu irmão levava as mãos à cabeça incrédulo, presenciando um marco na história do balonpié. Uma criança inocente despertando para a magia da paixão nacional, ao ver seu time depenando o Ganso, seus atacantes fazendo a dancinha dos meninos da Vila e experimentando o doce sabor de torcer para o tricolor dos pampas. Ainda levamos o terceiro gol, é verdade, mas era tarde demais. Ganhamos a partida e, exausto, ainda tive tempo de olhar no grão dos olhinhos do meu maninho caçula e sentenciar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse é o nosso time, cara! &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Esse é o Grêmio!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que uma vitória heróica, mais que uma partida de futebol histórica, mais do que dar um piti à frente da televisão, ontem à noite presenciei a consolidação de um gremista. Esse eu garanto que nunca mais ri da minha cara.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-5683291851089825404?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/5683291851089825404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=5683291851089825404&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5683291851089825404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5683291851089825404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/05/o-dia-em-que-meu-irmao-aprendeu-ser.html' title='O dia em que meu irmão aprendeu a ser gremista'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-6479167053765754477</id><published>2010-05-11T10:10:00.001-03:00</published><updated>2010-05-13T16:45:07.663-03:00</updated><title type='text'>Sarcasmo</title><content type='html'>De hoje em diante, é proibido ficar triste. Nada de celeuma, chorumelas e lamentações. Rapadura é doce, mas não é mole, e por isso o princípio do contentamento e da superação deve pautar toda e qualquer palavra proferida, bem como aspirações, metas e objetivos. Nada de cansaço, saturação e desvio de conduta. Alguém aí já fez aquela experiência de encostar o bico de uma galinha no chão e traçar uma reta com giz à sua frente? Pois bem, o negócio é prostrar-se estático e, inspirado pela bazófia presidencialista, encarar qualquer crise como uma marolinha.&lt;br /&gt;De hoje em diante, o mundo é colorido, prosódico e alegórico. Não há mais decepção, frustração e azedume. Inexistem os dias nublados, chuvosos e gélidos provenientes da invernia pampeana; extinguiram-se os infernais calores lancinantes, as frigideiras asfálticas, bem como toda e qualquer intempérie climática. Não há mais choro e ranger de dentes.&lt;br /&gt;De hoje em diante, tudo dará certo. Não importa o tempo, as condições e a conta bancária, tampouco a marca do xampu, o canal da televisão e quem ganhe a Copa do Mundo. A paz mundial prevalecerá, a ONU deixará de existir por inoperância e excesso de tempo ocioso, todos serão medalha de ouro nas Olimpíadas e o mercado dos humoristas saturará em questão de meses.&lt;br /&gt;De hoje em diante, estão banidas as demasias, o pessimismo, o niilismo e, por questão de praticidade, todos os "ismos". Catolicismo, islamismo, budismo e hinduísmo, babaus! Seremos todos um só corpo, um só espírito, num mundo regido pela força maior da alegre onda positivista que emanam os astros, as árvores e o doce canto do tuiuiu-de-papo-lilás.&lt;br /&gt;De hoje em diante, é proibido reclamar da vida perfeita, do salário adequado, do aprendizado necessário e do monóxido de carbono que os ônibus produzem. Caetano Veloso será nosso presidente, os barbeiros deixarão de existir e rumarão para o ofício de animadores de programas de auditório, uma vez que todos os dias serão domingos bucólicos de clima ameno e um solzinho gostoso pra tomar chimarrão à beira da lagoa no deserto.&lt;br /&gt;De hoje em diante, e enquanto durarem os estoques, eu não sou mais eu: sou Alice, no país das maravilhas e seguindo no trem azul.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-6479167053765754477?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/6479167053765754477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=6479167053765754477&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6479167053765754477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6479167053765754477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/05/sarcasmo.html' title='Sarcasmo'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-3877398325019366870</id><published>2010-05-06T17:18:00.002-03:00</published><updated>2010-05-06T17:20:28.857-03:00</updated><title type='text'>Um bom começo de Maio</title><content type='html'>Algo de mágico acontece quanto te vejo, novamente, me chamando de "amor". Ocorre um eclipse, uma eclâmpsia, hecatombe retumbante, o apocalipse, uma Copa do Mundo de sentimentos, Olimpíada de emoções, bárbaro frenesi, entre fandango, bailanta e lusco-fusco de aurora. Um banzé, entrevero, berros de quarenta e quatro e tudo o mais que remeter à mistura de cores e sabores literatura afora.&lt;br /&gt;É como reviver tudo outra vez e, ao mesmo tempo, reinventar o que parecia perdido. É aprendizado contínuo, te enxergar com outros olhos e descobrir que sou o mesmo homem, só que novinho em folha. É babar por ti, te achar a mais linda, mesmo depois de tantos anos. Contemplar teu sorriso e encontrar nele algo que ainda não conhecia. Sentir teu lábios macios e ficar admirado por constatar que a ação do tempo os deixou ainda mais incrivelmente doces e cheios de ternura.&lt;br /&gt;É escutar qualquer música e buscar, incessantemente, algum verso que diga algo sobre a gente, sobre nosso amor - o meu, o teu - e qualquer outra passagem que tenhamos vivido, ou que ainda haveremos de viver. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Te ver e não te querer é improvável, é impossível/ Quando um certo alguém desperta um sentimento, é melhor não resistir e se entregar/ Dane-se tudo que não tiver Dani/ E, mesmo com tudo diferente, veio vindo de repente uma vontade de se ver/ Quem dera ser um peixe, para em teu límpido aquário mergulhar/ Eu queria ser uma abelha pra pousar na tua flor, haja amor/ O meu sangue ferve por você&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;Desde o início, eu sempre soube que havia encontrado a mulher da minha vida. Queria, sinceramente, ter conseguido lidar melhor com isso, que minha maturidade tivesse sido suficiente para evitar tantos desencontros, deslizes e mágoas. Mas, hoje, diante de tudo o que se apresenta, fico pensando: será que seríamos iguais ao que somos agora? Teria a mesma importância, o mesmo valor? É claro que várias cicatrizes não precisavam existir, mas o que realmente importa é que a vida é teimosa, o destino é seu cúmplice e o tempo conspira com eles a nosso favor. Esse trio de ouro voltimeia mexe seus pauzinhos e nos coloca frente a frente, confronta os sentimentos e, noves fora, entrega: é pra sempre.&lt;br /&gt;Mais do que minha razão de viver, ou minha estação de felicidade e transformação contínua, tu és minha companheira eterna e, depois de brincarmos um bom tanto na montanha-russa, é melhor dispensar a adrenalina e optar pelo carrossel daqui pra frente. Vez ou outra, um carro-choque pra animar, mas nada sério.&lt;br /&gt;Te quero pra sempre, pela vida inteira, porque depois de tudo o que passamos, a palavra "amor" vinda de ti tem significado especial, único e intransferível. A felicidade que tu merece é um compromisso que assumo comigo mesmo, e vai desde fazer pipoca numa quarta à noite (ainda que brigando por preguiça) até rodopiar contigo ao som da gaita, seja numa garagem, num salão de CTG; apertar tua mão no altar da igreja quando te ver chorando no casamento dos outros, e afagá-la com leveza quando trocarmos alianças; correr atrás de telefone, mudar de operadora e queimar os miolos com desbloqueios e promoções unicamente para ouvir tua voz; procurar emprego como se fosse meu primeiro, analisar imóveis com tuas minúcias femininas, malhar bastante pra ficar fortinho, mas não muito pra não ficar fortão.&lt;br /&gt;Como dizia o vô Gentil, "a verdade é uma só": tu não és a minha vida, isso é fato. Acontece que, sem ti, meus dias são monótonos feito a Sessão da Tarde e, contigo, é Tela Quente garantida. Minha razão de viver é te amar em todas as estações pela vida inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Contribuindo com a &lt;a style="font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 255);" href="http://postcoletivo.blogspot.com/2010/05/untitled.html"&gt;postagem coletiva&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-3877398325019366870?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/3877398325019366870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=3877398325019366870&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3877398325019366870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3877398325019366870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/05/um-bom-comeco-de-maio.html' title='Um bom começo de Maio'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-578532351423642244</id><published>2010-04-27T23:15:00.006-03:00</published><updated>2010-04-27T23:48:22.199-03:00</updated><title type='text'>Refrão de um bolero</title><content type='html'>&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;i&gt;Coração na mão como um refrão de um bolero&lt;br /&gt;Eu fui sincero como não se pode ser.&lt;br /&gt;Um erro assim, tão vulgar, nos persegue a noite inteira&lt;br /&gt;E quando acaba a bebedeira ele consegue nos achar num bar&lt;br /&gt;Com um vinho barato, um cigarro no cinzeiro&lt;br /&gt;E uma cara embriagada no espelho do banheiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Refrão de um bolero - Engenheiros do Hawaii)&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Eu, que falei: &lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Nem pensar!"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo pela manhã e cumpro o mesmo ritual de todas as manhãs, leio o jornal, lavo o rosto, bebo um copo de suco quando sinto vontade, ou então permaneço em jejum até o meio-dia, o que ocorre na maioria das vezes.&lt;br /&gt;Porém, estou preocupado. Meu semblante está diferente, magro, esquálido. Fosse a perda de peso, vá lá, mas não é. Meus sessenta e oito quilos pouco oscilam, e a magreza que as pessoas estão enxergando, essa que agora contemplo cara a cara com o espelho antes de escovar os dentes, é a magreza da alma. A própria palidez sentimental.&lt;br /&gt;Preocupa-me, pois estou cansando. E, cansado, estou desistindo. Não sei bem de quê, ou de quem, mas não sinto mais a mesma força no braço, o sentido que me fez dirigir quase seiscentos quilômetros parando apenas uma vez, aquela vibração que me dava a certeza do sucesso. Pior do que amar sofrendo, é amar cansado, sem forças até para protestar, espernear, uivar ou rastejar. Estou cansando da minha própria identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Um erro assim, tão vulgar, me persegue a noite inteira. Mas eu falei sem pensar!&lt;/span&gt; E não foi um só, foram várias vezes, eu sei. Talvez não haja esquecimento, ou perdão, eu sei disso. Aliás, o princípio da conformação adotado na última auto-análise dilacerou minhas inquietudes, meu espírito sindicalista reivindicando direitos. Estou repetitivo, que lástima.&lt;br /&gt;São muitas sombras, interrogações, impeditivos. Eu tento, juro que tento, mas o meu rosto prova que algo está mudando além do que deveria. É a onda pétrea que insiste em me alimentar durante o jejum de todas as manhãs e, consequentemente, leva embora o meu peso, não o de quilos, mas o da essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Eu fui sincero como não se pode ser.&lt;/span&gt; Fui tolo. E o ouro do tolo acabou, me deixou sem tesouro nenhum. Esqueceram, porém, de me avisar que a história do filho pródigo só funciona na Bíblia, e que muitas vezes comer com os porcos é o que resta.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Agora me arrependo de um crime sem perdão&lt;/span&gt; - sem roer as unhas, pois o aparelho não permite. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;É o fim do mundo todo dia da semana.&lt;/span&gt; Sem tristeza aparente, sem dor premente, sem lágrimas. Apenas sinto o cansaço consumindo minhas têmporas e forçando a própria vida a especular alternativas que estavam guardadas no baú do plano bê. Apesar de que, diante de tanta inoperância, não descarto continuar errante e falante e o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;coração na mão como o refrão de um bolero.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bueno, mas vamos em frente. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mesmo sendo labirintos, teus lábios continuam atraindo meus instintos&lt;/span&gt;, dos mais ternos &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;aos mais sacanas&lt;/span&gt;. A vida se reinventa, ela acontece para todos, não é mesmo? Digo que estou aqui, sentado num banco qualquer, quieto e ouvindo o que não diz a letra da música... Mas, te asseguro, que ao menor sinal de convite &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;eu entro na tua dança&lt;/span&gt;, mesmo cansado. É a minha escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;a style="font-weight: bold; color: rgb(0, 0, 153);" href="http://www.postcoletivo.blogspot.com/"&gt;Postagem coletiva&lt;/a&gt; da semana.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-578532351423642244?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/578532351423642244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=578532351423642244&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/578532351423642244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/578532351423642244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/04/refrao-de-um-bolero.html' title='Refrão de um bolero'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-7217904988439653175</id><published>2010-04-22T15:30:00.002-03:00</published><updated>2010-04-22T15:36:41.003-03:00</updated><title type='text'>Ontem fiz um golaço!</title><content type='html'>Uma verdadeira bucha. Um chute daqueles que pega na veia, com a certeza e a imponência de uma autoridade legal, a fineza de um barão austríaco e a voracidade de Átila, o huno. Este relato é para os amantes do futebol que conseguem experimentar uma sensação orgástica quando contemplam a bola balançando as redes.&lt;br /&gt;O jogo estava difícil, terminamos o primeiro tempo perdendo por 5 a 2, um verdadeiro laçaço. Confesso que estava desanimado com o placar, a condição do jogo em si não me era favorável. Estava marcando um magrão ligeiro pacas que, a cada vez que dominava a bola na minha frente, parecia me convidar para dançar um tango argentino, dois pra cá, dois pra lá e talicoisa. E eu ali, feito um Amaral, um Jeovânio ou qualquer outro volante brucutu ou, no caso, fixo brucutu, já que se tratava de futsal.&lt;br /&gt;A vida de um fixo não é fácil. Consiste em marcar o pivô, desarmar e fazer pouquíssimos gols. Jogar na defesa significa estragar a festa o tempo inteiro, ser ranzinza e mostrar os dentes apenas para atacar com ferocidade. Até me aventurei no ataque quando as pernas e o vigor da juventude ainda pulsavam em minhas tenras carnes, porém a contumácia do tempo defenestrou-me para o calabouço defensivo, onde a vida é dar chutões e cabeçadas, seja na bola, nas canelas ou no queixo. Menos mal que escapei da lateral-direita, pois nada é pior do que ser lateral-direito. Prefiro até a reserva. Ser lateral-direito é como ser mulher no mundo islâmico, um dallit na Índia e um apreciador de moda de viola numa festa punk. O verdadeiro opróbrio.&lt;br /&gt;Reflitamos, portanto: um jogo cascudo, encardido, levando cinco na cola, jogando de fixo e com o aspecto anímico abaixo da linha da miséria. Sim, porque infelizmente levo meus anseios extra-campo para a partida. E ontem, pra completar, ainda tinha uma pulga atrás da orelha. Ou seja, as perspectivas não eram nada boas. Arfando feito um leão-marinho exausto e suando mais que o Tio Epaminondas, cheguei a pensar que o segundo tempo seria hecatômbico, podia escutar as trombetas do Apocalipse soando.&lt;br /&gt;O segundo tempo começou sorumbático, meus companheiros de time tentavam tornar o jogo elétrico, mas eu só conseguia pensar na morte da bezerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que, de repente, &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;o inimaginável aconteceu&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa despretenciosa cobrança de escanteio, a bola bateu no melão de um dos adversários e outro espanou a bola que veio em direção a mim. Ela veio e veio, quicandinha. Nossa, como eu gosto de bolas quicandinhas, parece que elas pedem melosamente, "me chuta". Uma gorducha de revesgueio, deliciosamente ímpar para desferir um petardo histórico.&lt;br /&gt;Enquadrei o corpo, enchi-me de coragem, respirei fundo e &lt;strong&gt;CATAPIMBA&lt;/strong&gt;! Dei-lhe um botinaço, mas um senhor de um chute, com o peito do pé, um golpe digno de Cavaleiros do Zodíaco, que fez a danada da bola zunir e, ao piscar de olhos do goleiro, entrar no ângulo.&lt;br /&gt;Foram três segundos de êxtase futebolístico. Cinco a três pra eles. Porém, acordei para o jogo, despertei o dragão adormecido que assistia à Sessão da Tarde n'algum lugar obscuro da minha alma. Acionei meu terceiro pulmão e, claro, o time ficou empolgado com aquele gol de placa, afinal de contas, é mais fácil passar dois cometas Halley na Terra num intervalo de dez anos, do que eu acertar um chute daqueles.&lt;br /&gt;Moral da história: o jogo terminou sete a cinco pra nós. Não levamos nenhum gol no segundo tempo, fizemos uma batalha épica, recuperamos um placar adverso e levamos paz e tranquilidade ao vestiário. Futebol é um troço engraçado na cabeça dos homens, é mais ou menos como o controle do peso para as mulheres. Não gostamos de perder uma partida, assim como elas não gostam de engordar trezentos gramas. A derrota significa os três quilos a mais que elas não conseguem perder de jeito nenhum. Vencer é o bálsamo, é o plus no gosto da cerveja, é a futilidade que move a espécie e prolifera o bom-humor para quem ganha e a depressão para quem perde. Se futebol é o sexo, o gol é o orgasmo. Ontem, portanto, tive múltiplos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-7217904988439653175?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/7217904988439653175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=7217904988439653175&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7217904988439653175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7217904988439653175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/04/ontem-fiz-um-golaco.html' title='Ontem fiz um golaço!'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-8137836211246031024</id><published>2010-04-20T23:46:00.002-03:00</published><updated>2010-04-21T00:10:26.584-03:00</updated><title type='text'>O maravilhoso mundo alternativo do meu irmão caçula</title><content type='html'>Quem acompanha este blog há algum tempo certamente já contemplou inúmeras citações minhas a respeito do meu irmão caçula, o guri mais maravilhoso da minha vida, o único homem que eu realmente acho bonito além de mim.&lt;br /&gt;Ainda que a pré-adolescência o esteja tornando um tanto rebelde - fato este que ratifica o surgimento de meus primeiros fios brancos - continuo amando o infante com todas as minhas forças, afinal de contas, já tive onze anos e sei o quanto essa fase mexe com a(s) cabeça(s) da criançada.&lt;br /&gt;No entanto, algumas de suas características me chamam muito a atenção. Desde pequeno que ele parece, em dados momentos, viver num mundo alternativo, fora da realidade pétrea que a sociedade nos entrega. Por exemplo, ele se desliga facilmente das conversas dentro de casa. Daí, quando uma palavra desperta seu interesse, pergunta no mesmo instante do que se trata, mesmo tendo escutado tudo o tempo inteiro.&lt;br /&gt;Sentado no sofá, ele fica pulando e inventando músicas. Não, não é autismo, é um guri absolutamente normal e inteligente. Mas, sei lá, a cabeça dele é inventiva de tal forma, que ele viaja mesmo sem fumar orégano e capim com cravo. O mais engraçado de tudo é que, se a gente pergunta de que se trata, ele desconversa e finge que não estava fazendo nada.&lt;br /&gt;Até aí, alguém poderá dizer que eu tenho um pequeno doido dentro de casa e não quero admitir. Toleimas, o piá é normal, não se preocupem. Tá cheio de gente por aí que come tatu, limpa o forévis e cheira, torce pro Internacional e cultiva tantos outros hábitos estranhos, e mesmo assim passam em concursos públicos, filiam-se a partidos políticos e, pasmem, às vezes até governam algum país.&lt;br /&gt;O fato é que, ultimamente, detectei um fato pra lá de engraçado. Aliás, não pago impostos pra rir da cara dos outros. É sério, adoro rir de fatos impróprios. Certa vez, deu-se uma tormenta lá na fazenda do meu avô e, numa lufada trepidante de vento, a porta do galpão veio abaixo. Espiei pela janela apavorado e enxerguei meu avô prostrado em frente à porta caída, coçando a cabeça. Imaginei que ele estivesse proferindo seus famosos impropérios, algo do tipo "mas é uma merda de bosta" , e fui correndo até lá conferir. Cheguei de mansinho e, dois segundos antes de cair numa gargalhada de assustar siriema, ouvi o vô xingando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é uma merda de bosta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bueno, mas voltando ao caçula aqui da casa, descobri que ele fala sozinho. Tudo bem, sei que todo mundo fala sozinho de vez em quando, tem até comunidade do Orkut pra isso (o que é irrelevante, pois há comunidades para absolutamente tudo por lá). Todavia, as conversas do guri são hilárias. Ele fala como se tivesse um amigo imaginário. Conjectura fatos, conversa animadamente sobre jogos eletrônicos, conta fatos da vida dele, argumenta, enfatiza, delibera. Parece um programa da Tv Senado!&lt;br /&gt;Se dou um flagrante, ele envareta e pergunta o que eu quero, o que estou fazendo ali. Sente sua privacidade invadida, sei lá, vai ver o amigo imaginário vai embora nessas horas. Mas é incrível, me dobro de rir escutando as palestras, ontem mesmo ele discutia com autoridade sobre os gráficos de um jogo, quase entrei em colapso de tanto rir.&lt;br /&gt;Em verdade, vos digo: eu invejo meu irmão. Queria sair de órbita, conversar com seres imaginários e desligar dessa vida real que, de engraçada, não tem nada. A menos, é claro, que falemos das peripécias impagáveis do meu avô. Mas isso já é assunto pra outro dia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-8137836211246031024?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/8137836211246031024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=8137836211246031024&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8137836211246031024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8137836211246031024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/04/o-maravilhoso-mundo-alternativo-do-meu.html' title='O maravilhoso mundo alternativo do meu irmão caçula'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-5624392172565500079</id><published>2010-04-13T08:00:00.001-03:00</published><updated>2010-04-14T09:22:55.721-03:00</updated><title type='text'>A ti, os meus desejos!</title><content type='html'>&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;E&lt;/span&gt;u te desejo tanto neste teu aniversário,&lt;br /&gt;que sobre ti poderia inventar um dicionário.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;T&lt;/span&gt;e desejo paz, saúde, os desejos triviais,&lt;br /&gt;ressaltando que a vida proporcione sempre mais.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;E&lt;/span&gt;u desejo que teu brilho brilhe tanto quanto o sol,&lt;br /&gt;e que a Lua o multiplique logo após o arrebol.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Q&lt;/span&gt;ue tua boca seja doce, como fosse o próprio mel,&lt;br /&gt;para, ao provar teus beijos, conhecer o azul do céu.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;D&lt;/span&gt;esejo que teu sorriso seja de tamanho ardor,&lt;br /&gt;que a felicidade espalhe, como a rosa ao beija-flor.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;T&lt;/span&gt;e desejo narrativa, poesia, prosa e verso,&lt;br /&gt;todas as palavras belas que compõem o Universo.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;E&lt;/span&gt;u te desejo amigos que te façam tanto bem,&lt;br /&gt;quanto todo o bem que fazes sendo amiga de alguém.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;D&lt;/span&gt;esejo ainda mais charme, este que tanto venero,&lt;br /&gt;para eu soar o alarme de quanto ainda mais te quero.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;N&lt;/span&gt;as horas que forem difíceis, eu desejo paciência,&lt;br /&gt;superando os percalços com firmeza e competência.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Q&lt;/span&gt;ue aos prazeres da vida uma chance nunca negues,&lt;br /&gt;de modo a multiplicar teus momentos mais alegres.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;D&lt;/span&gt;esejo ainda mais beleza, pois, de tanto que és linda,&lt;br /&gt;fazes, com maestria, que eu te ame mais ainda.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;E&lt;/span&gt;u desejo vinte e quatro, vinte e cinco ou vinte e tantos,&lt;br /&gt;todos eles me fazendo escravo dos teus encantos.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;D&lt;/span&gt;esejo que nossa estrada, como desenho de giz,&lt;br /&gt;tenha algo de encantada e tudo o que for de feliz.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Q&lt;/span&gt;ue a vida me conserve escrevendo de solfejo,&lt;br /&gt;te amando e publicando o tanto que te desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Com todo o meu amor, um pequeno presente para a mulher mais especial de todas. Feliz aniversário.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-5624392172565500079?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/5624392172565500079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=5624392172565500079&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5624392172565500079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5624392172565500079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/04/ti-os-meus-desejos.html' title='A ti, os meus desejos!'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-489693836193178588</id><published>2010-04-09T11:35:00.002-03:00</published><updated>2010-04-09T11:39:39.636-03:00</updated><title type='text'>Versinhos necessários (2)</title><content type='html'>Os dias me fazem romântico,&lt;br /&gt;com fervor.&lt;br /&gt;Por ti, cruzaria o Atlântico,&lt;br /&gt;sem dor.&lt;br /&gt;Bradando ao vento o cântico&lt;br /&gt;de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saltito, invento um gracejo&lt;br /&gt;furtivo.&lt;br /&gt;Pois, se teu sorriso vejo,&lt;br /&gt;eu vivo.&lt;br /&gt;E todo o tempo te desejo&lt;br /&gt;sem motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moça do cabelo louro,&lt;br /&gt;tão bela.&lt;br /&gt;Que minh'alma, por desaforo,&lt;br /&gt;desmantela.&lt;br /&gt;Pra quem guardo um tesouro&lt;br /&gt;só dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-489693836193178588?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/489693836193178588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=489693836193178588&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/489693836193178588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/489693836193178588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/04/versinhos-necessarios-2.html' title='Versinhos necessários (2)'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-5320215310019104918</id><published>2010-04-07T23:31:00.003-03:00</published><updated>2010-04-07T23:57:43.631-03:00</updated><title type='text'>Nosso mundo</title><content type='html'>"&lt;i&gt;Se eu ainda soubesse como mudar o mundo, se eu ainda pudesse saber um pouco de tudo, eu voltaria atrás do tempo. Eu não te deixaria presa no passado e arrumaria um jeito pra você estar ao meu lado de novo. Eu voltaria no tempo. Pra voltar pra ontem, sem temer o futuro e olhar pra hoje cheio de orgulho. Eu voltaria atrás do tempo. Os nossos erros seriam apagados, nossos primeiros desejos ressuscitados. E de novo eu voltaria no tempo. Eu não te deixaria desistir tão fácil e não te negaria nenhum abraço. De novo eu voltaria no tempo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Barão Vermelho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;Essa postagem coletiva me prega peças, sabe? Tchê, essa música é simplesmente o retrato perfeito do que eu sinto, do momento pelo qual estou passando... Quando bati o olho em cada verso dessa música, já sabia cada palavra que aqui escreveria, cada pedaço de sentimento que aplicaria nesse texto.&lt;br /&gt;Afinal de contas, que homem não se arrependeria de perder a mulher da sua vida para os seus próprios erros? Quem não voltaria no tempo, se lhe fosse oferecida essa oportunidade, para agir de outra maneira e salvar o seu amor? E mais, quem gosta de olhar para trás e confrontar os próprios equívocos? Ninguém, certamente.&lt;br /&gt;Nos últimos tempos, descobri que arrependimento mata, sim. Mata aos poucos, lentamente, a cada vez que expõe a consequência dos atos impulsivos cometidos sem reflexão prévia. E eu, que tantas vezes abafei minhas falhas, já não preciso esconder que fui infeliz não numa, mas em diversas oportunidades, quando deixei de te dar o afeto merecido.&lt;br /&gt;Me arrependo solenemente das vezes em que não fui carinhoso e exitei em te cobrir de beijos. Da imaturidade que me cegou tantas vezes e impediu que eu contemplasse teu sorriso tão lindo, doce e de um brilho sem igual. Do quanto fui irresponsável em não multiplicar nossos momentos intensos de felicidade plena, quando arfávamos de tanto rir um do outro e traçávamos planos bobinhos, escolhíamos os nomes dos nossos filhos e debatíamos os padrinhos de casamento.&lt;br /&gt;E todas as vezes que penso nisso tudo - quase que o tempo todo - sinto falta dos teus beijos amáveis, cheios de entrega, de amor puro e verdadeiro, inigualavelmente o melhor que já recebi. Teu toque macio, que insistia em bagunçar meu cabelo... Queria voltar também no tempo e permitir que tu me transformasse no pior espantalho, mas jamais impedir que me esculhambasse as melenas. Que espremesse minhas costas à vontade, pouco importa! Apenas te queria por perto outra vez, pra que teu perfume inebriasse minha alma e inundasse meu coração de amor, amor e amor.&lt;br /&gt;Basta fechar os olhos para querer voltar no tempo mil vezes, incontáveis momentos que deveriam ser corrigidos, aprimorados e bem cuidados. Como se diz por aqui, fui muito "guri", sem noção do revés que minhas atitudes inóspitas causariam agora.&lt;br /&gt;Porém, se a vida me deu lucidez para enxergar tudo isso e o arrependimento ainda não me sepultou por completo, isso significa que o que não mata faz forte. Mais ainda, representa a reinvenção de uma personalidade disforme, o aperfeiçoamento da pessoa boa que sempre fui, revendo atitudes, conceitos, idéias e sentimentos. Hoje, te amo com maturidade, com consciência plena dos erros e acertos, sou, enfim, homem pronto e disposto a encarar tudo de frente, inclusive tornando pública essa história a quem quiser conhecê-la.&lt;br /&gt;Fazendo isso, volto no tempo. Sim, porque crio uma nova chance de agir da maneira correta contigo e te amar como tu merece. Te enxergo como a mulher ideal, aquela que não me soa menos que perfeita, minha cara metade, a dona do meu coração e de todos os meus melhores sentimentos. Posso estar distante do teu abraço, da tua entrega e do teu afeto, mas advirto que estou mais perto do nosso amor do que nunca. Algo do que não me arrependerei, tenho certeza disso. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;"Sem temer o futuro e olhar pra hoje cheio de orgulho"&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;a style="font-weight: bold;" href="http://postcoletivo.blogspot.com/2010/04/nosso-mundo.html"&gt;Postagem coletiva&lt;/a&gt; da semana.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-5320215310019104918?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/5320215310019104918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=5320215310019104918&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5320215310019104918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5320215310019104918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/04/se-eu-ainda-soubesse-como-mudar-o-mundo.html' title='Nosso mundo'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-3248357863833110545</id><published>2010-04-05T22:31:00.002-03:00</published><updated>2010-04-05T22:34:06.125-03:00</updated><title type='text'>Versinhos necessários</title><content type='html'>Talvez&lt;br /&gt;felicidade não tenha idade.&lt;br /&gt;Tampouco a saudade,&lt;br /&gt;essa que me invade&lt;br /&gt;sem lucidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu rosto, teu sorriso,&lt;br /&gt;teu gosto.&lt;br /&gt;Preciso tanto!&lt;br /&gt;Que até me espanto&lt;br /&gt;e solto um riso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até mesmo te esperar é perfeito,&lt;br /&gt;não tem jeito.&lt;br /&gt;Pode doer o peito, eu reclamo,&lt;br /&gt;mas, no fim das contas, te amo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-3248357863833110545?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/3248357863833110545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=3248357863833110545&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3248357863833110545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3248357863833110545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/04/versinhos-necessarios.html' title='Versinhos necessários'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-7342381677785203063</id><published>2010-03-28T23:50:00.000-03:00</published><updated>2010-03-29T00:37:31.444-03:00</updated><title type='text'>O sono reparador</title><content type='html'>Certa vez, vi uma menina contando sua história para algumas pessoas. Tímida, sem a maior das intimidades com as palavras, em determinado momento ela disse algo que, por mais simples que tenha sido, nunca mais esqueci. Disse que, quando criança, ia com seus pais visitar a família numa cidade distante e, pequenina que era, acabava dormindo durante as nove horas de viagem até a chegada tão esperada. Com isso, ao despertar, parecia que tudo havia passado tão rápido, que lhe fazia pensar ser curta a distância entre as cidades que, na realidade, era de 600 quilômetros.&lt;br /&gt;Eu queria, sinceramente, crer que as distâncias da vida são coisas simples, resolvidas com algumas horas de sono. Juro que, se pudesse, veria tudo com olhos de criança otimista, que chegam ao céu cerrando os olhos por alguns instantes. Fosse o dono do que sinto, certamente tentaria errar menos, agir com a menor precipitação possível e controlaria cada palavra dita, cada atitude tomada. Mas, se fosse assim, não seria eu.&lt;br /&gt;Porque eu, ultimamente, não dou uma dentro. É sério, tá tudo errado. Se eu entro em campo, a braçadeira de capitão no bíceps esquerdo, todo possante e pimpão (palavra esta escrita especialmente para fazer alguém sorrir), meu paraíso termina quando a primeira bola chega aos meus pés e, desastrosamente, erro o primeiro passe. Erro também desarmes, cabeceios, tempo de bola, estou um desastre. Erro no trabalho, nas afirmações, na maneira de ser e agir. Repito, ultimamente não dou uma dentro.&lt;br /&gt;Agora há pouco, enquanto mirabolava este texto, assistia também ao Big Brother, concentrando todas as minhas forças na eliminação da Lia. Há dois meses que esperava por este momento sublime de vê-la abandonando a disputa. O que, por sinal, é contraditório, porque se julgo que uma pessoa não merece um prêmio por ser chata e cometer erros grotescos, então também tenho que admitir que não mereço, pois sou um chato xingador que comete, sim, toleimas homéricas.&lt;br /&gt;De todo modo, gargalhei ao vê-la cruzar a porta de saída da casa. Contudo, foi dela a frase que mereceu citação por aqui, uma vez que acaba se encaixando na minha linha de raciocínio. "Como é bom gostar de alguém, porque podemos dividir as alegrias e as tristezas". Mais ou menos isso. E, assim como ela, que meteu os pés pelas mãos por querer ser verdadeira, acabo deslizando tantas vezes e, adivinhem, não dou uma dentro.&lt;br /&gt;O detalhe é que a vida não é um reality show da Globo, onde temos uma pessoa querida 24 horas por dia ao nosso lado perguntando se está tudo bem, dando amparo e carinho. Tampouco é a vida um caminho facilmente atravessado dormindo apenas algumas horas singelas, pelo menos não para os adultos. Diante dessas intempéries, o que acontece? Erro.&lt;br /&gt;Da ingenuidade da infância, os adultos conseguem a façanha de renomeá-la: tolice. O mundo está recheado de tolos. E estes, normalmente, constróem um abismo entre si e a felicidade, destino que só alcançam os sortudos, aqueles que dão uma dentro. Ao contrário de quem? De mim, que, pela terceira vez, não dou uma dentro. Assim seguiria afirmando se escrevesse mais dezessete ou quatrocentos parágrafos.&lt;br /&gt;Mas, não, vou escrever apenas mais um. Para dizer que é tarde, e preciso dormir. Aliás, preciso muito dormir, e quero dormir mais e mais, o tempo todo, a vontade é de dormir para sempre, acordando somente quando, adivinhem, tiver condições de dar uma dentro. Coisa que as repetições da vida não têm conseguido nos últimos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-7342381677785203063?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/7342381677785203063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=7342381677785203063&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7342381677785203063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7342381677785203063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/03/o-sono-reparador.html' title='O sono reparador'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-4132411188358478247</id><published>2010-03-24T14:49:00.001-03:00</published><updated>2010-03-24T14:52:12.781-03:00</updated><title type='text'>Agora só falta você</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;"Um belo dia resolvi mudar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;E fazer tudo o que eu queria fazer&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Me libertei daquela vida vulgar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Que eu levava estando junto a você&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;E em tudo o que eu faço&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Existe um porquê&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Eu sei que eu nasci&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Sei que eu nasci pra saber&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Pra saber o quê?"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(Agora só falta você - Rita Lee)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de ontem, seria fácil chegar aqui e publicar que desisti. Depois de ontem, seria cômodo cantarolar que "um belo dia resolvi mudar" e eleger hoje como o dito cujo. Acontece que hoje está nublado, o dia não tem nada de belo, e não é bem assim simplesmente acordar mudado e pimba: sou um novo homem. Minha bruxaria é só para festas à fantasia, e olhe lá.&lt;br /&gt;Porém, a libertação é necessária, é fato. Não posso mais definhar desse jeito. Cheguei num ponto em que esse amor já não me traz mais benefícios, mas apenas sofrimento. Amar não é uma atividade unilateral de espera, porque esperar angustia, e o amor urge, ele tem pressa. Não consigo conceber o fato de que primeiro tu tenha que estar pronta, para só então eu poder participar da construção desse sentimento. Amor não é Lego, onde as peças encaixam perfeitamente e ficam à mercê das mãos. Amor é mistura, envolvimento, é a doida equação onde um mais um é igual a um.&lt;br /&gt;Bem, mas tu não quer, não sabe ou não pode. Ou os três, que seja. Cansou de lutar, entregou os pontos, desacreditou da história. Promete que vai me procurar quando decidir, se isso acontecer. Então, já que as condicionais não fazem parte das minhas ambições, aconselha-me a seguir meu caminho. Ironicamente, me protege.&lt;br /&gt;Sabe, desde que resolvi ser uma pessoa melhor e passei a me empenhar nisso, sempre procurei pautar minhas decisões, mesmo as mais impulsivas, em algo que fosse firme e duradouro. Diante disso, tentei de todas as formas mostrar que estou diferente e que os erros de um homem não podem sublimar a solidez de um caráter. Durante muitos anos, por diversas vezes permiti que tentássemos, mesmo quando a certeza não me era completa.&lt;br /&gt;Entretanto, todos os meus argumentos perderam a força diante dessa parede que há agora. E, com ela, todos os porquês perdem o sentido, já que não têm validade alguma. Não vou te condenar, te julgar e tampouco nutrir raiva. Também não quero amizade, porque amizade rima com piedade, solidariedade e, principalmente, saudade.&lt;br /&gt;Portanto, vou parar de buscar respostas, de dá-las aos outros. É torturante ter de explicar o que não sei. Vou, enfim, seguir meu caminho, onde não falte mais nada, e sim sobre tempo para que eu possa reencontrar a alegria que deixei jogada n'algum canto da minha vida enquanto dedicava meus dias a acreditar nesse amor do qual tu cansou. Acontece com todo mundo, né, tudo é possível pros outros, por que não seria pra nós?&lt;br /&gt;E, nesse papo de "agora só falta você", vou abortar os finais românticos, porque esse tempo todo eles só serviram para que eu alimentasse uma esperança vã. Contudo, preservarei o espírito de Rita Lee e direi unicamente que "são coisas da vida, e a gente não sabe se vai ou se fica". Daqui pra frente, o que era par vira ímpar, o que era plural vira singular e o que era pra sempre vira pó. E eu, que sempre me julguei tão digno de viver algo único, volto a ser mais um em meio à multidão, onde o amor é só mais um sentimento que acontece ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://postcoletivo.blogspot.com/2010/03/agora-so-falta-voce.html"&gt;Postagem coletiva&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; da semana.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-4132411188358478247?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/4132411188358478247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=4132411188358478247&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4132411188358478247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4132411188358478247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/03/agora-so-falta-voce.html' title='Agora só falta você'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-1304146998648247021</id><published>2010-03-18T11:03:00.002-03:00</published><updated>2010-03-18T11:21:46.281-03:00</updated><title type='text'>Tô de cara com você</title><content type='html'>Como disse Regina Duarte certa vez numa campanha eleitoral, eu estou com medo. De uns tempos pra cá, o gosto musical do meu irmão vem decrescendo a olhos vistos, e não há Cristo que me faça o guri escutar uma vaneirinha, ou um chamamé abagualado que seja. Alguns defenderão a livre escolha, ao que devo realmente aceitar, pois gosto não se discute.&lt;br /&gt;Me intriga, no entanto, a maneira como as crianças estão pouco seletivas. Ou suscetíveis à tsunami comercial que a televisão impõe, repetindo as mesmas músicas o tempo todo e, com isso, viciando os pobres ouvidos infantes, entre eles o do meu maninho caçula.&lt;br /&gt;O apocalipse veio na última semana. Copiei o CD de um amigo para o computador com músicas novas. Havia entre elas algumas que me desagradam, mas esqueci de apagá-las e as malditas enraizaram por ali. Eis que meu irmão, ladino feito um Dutra e matreiro feito um Reis, porém nada gaudério, passou a vasculhar as músicas enquanto jogava Colheita Feliz (outro vício que vem tirando o guri do bom caminho) e, maldito seja eu, que não apago os lixos, encontrou o que não devia.&lt;br /&gt;Fosse pornografia, eu nem diria nada. Com onze anos bem que eu já conhecia os entrementes do corpo feminino, ao menos por foto. Mas, não, ele fez pior: achou as músicas do Luan Santana. O sacripanta do guri encontrou a porcaria da música do meteoro da paixão. E viciou. Nossa casa está impregnada de meteoro da paixão. Meu quarto virou uma explosão de sentimentos, e eu nem pude acreditar.&lt;br /&gt;Permitam que eu explique minha aversão a este rapaz que busca seu lugar ao sol no mercado fonográfico. Quando fui à praia, em Santa Catarina, para passar o reveillón, enfrentei alguns maus bocados. Foram situações adversas que, sinceramente, eu prefiro esquecer. Em meio a isso, enquanto tomava bordoadas nos queixos, a trilha sonora de noventa por cento dos rádios daquele lugar tocava o quê? Luan Santana. O vizinho do acampamento brindava-nos com uma maratona diária desse cara, creio que tenha ganho o CD de presente de Natal, porque não é possível uma criatura escutar todos os dias as mesmas músicas e, o que é pior, submeter os demais cidadãos a essa pérfida tortura.&lt;br /&gt;Moral da história: eu odeio Luan Santana. Suas músicas representam dias nefastos da minha vida, seus meteoros da paixão fulminaram minha felicidade durante meses e, por isso, eu quero que ele queime no fogo do inferno. Porém, como Murphy está aí para nos mostrar que a vida é repleta de surpresas desagradáveis, o danado estourou nas paradas de sucesso e vem jorrando suas defenestráveis músicas como as cataratas do Iguaçu, pelo menos aqui na região Sul.&lt;br /&gt;Não contente com isso, agora também meu irmão viciou em meteoros da paixão. E o que é pior: a overdose da praia fez com que, Deus me perdoe, eu acabasse decorando as letras. É demais para o coração de um pobre homem que só quer ser feliz e mais nada. Ou seja, agora eu chego em casa cansado do trabalho, após um dia intenso de labuta, querendo apenas comer um pastel de carne e regozijar do bom descanso no recôndito do meu lar, e como sou recebido? Com meu irmão entoando em som álacre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Te dei o sol, te dei o mar, pra ganhar seu coração,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você é raio de saudade, meteoro da paixão!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Explosão de sentimentos que nem pude acreditar,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ah-ah, como é bom poder te amaaaaaar!"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não mereço isso, ó Deus. Logo eu, que fui criado à base de Tião Carreiro e Pardinho, Cascatinha e Inhana, Pedro Bento e Zé da Estrada, Irmãs Galvão e Milionário e José Rico. Eu, que curto um sertanejo universitário, gosto de Menotti e Fabiano, Jorge e Mateus, mas que tenho direito de ter meus traumas existenciais. Eu, que pego CDs emprestados com meus amigos e, imbecil, não apago meteoros da paixão. É, quer saber? Bem feito pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Se você não entendeu o que tem a ver o título com o texto, alegre-se, ó cheio de graça, você é uma pessoa de sorte que ainda não foi atingida pelo rapaz dos meteoros da paixão. Fuja para as montanhas enquanto é tempo! Caso contrário, meus sinceros pêsames.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-1304146998648247021?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/1304146998648247021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=1304146998648247021&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/1304146998648247021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/1304146998648247021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/03/to-de-cara-com-voce.html' title='Tô de cara com você'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-6931516278412020143</id><published>2010-03-15T15:45:00.000-03:00</published><updated>2010-03-15T15:46:08.933-03:00</updated><title type='text'>Morno</title><content type='html'>Fico procurando argumentos plausíveis que justifiquem minha recente inaptidão em converter minhas idéias em textos. Tento tecer teorias, mirabolar teses, algo que alivie minha angústia em ver o blog jogado às traças, ao passo que há tanto para ser contado, ainda que nada desenvolvido.&lt;br /&gt;Num desses devaneios sem eira, nem beira, deparei-me com uma reflexão advinda dos áureos tempos de Pastoral da Juventude, quando eu julgava que a vida era uma porcaria, mesmo sem saber da missa a metade (e, sinceramente, continuo pensando que não sei mesmo). Trata-se de uma das muitas passagens de Jesus Cristo, onde Ele afirma que o cristão deve ser quente ou frio; se for morno, Ele o vomita. Não me peçam referências bíblicas, nunca fui bom com isso. Está entre o Gênesis e o Apocalipse, ali no meio, isso eu garanto.&lt;br /&gt;De fato, há um naco de lógica nesse pensamento. Situações mornas descontentam, porque o morno é uma incerteza. Ele não sabe se é quente, se é frio. É um indeciso o pobre. O morno é cômodo, pois, via de regra, não faz mal a ninguém. Não queima, não congela. Todavia, também não coopera. É, única e tão somente, morno.&lt;br /&gt;Surge, então, o desequilíbrio do morno: ele incomoda os decididos, desestabiliza os equilibrados. Ao passo que salvaguarda as situações de banho-maria, contamina a fluidez de quem pensa e sente suas emoções como água corrente, que não pára, não cessa, apenas jorra e abunda.&lt;br /&gt;Já fui morno, posto que sou libriano. A vida, contudo, mostrou-me que o horóscopo é o passatempo dos bobos, ou o guarda-chuva dos despreocupados. Essa não é uma crítica velada a quem acredita ou gosta de astrologia, uma vez que leio bastante sobre isso e respeito a influência dos astros em nossas vidas. A metáfora, no entanto, tem o intuito de mostrar que cada um é senhor de suas próprias decisões e que, em certos casos, urge sair da situação de conforto e partir para um naco de risco.&lt;br /&gt;É por isso, portanto, que tantas vezes fico sem saber o que dizer, ou o que fazer. Enfrento uma situação morna, sem iniciativa e, porque não dizer, indiferente. Estou diante de uma bifurcação duvidosa, já que até mesmo escolher um caminho pode ser a opção errada e, curiosamente, esperar e ficar quieto é, ainda que contra a minha vontade, o melhor a ser feito por enquanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-6931516278412020143?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/6931516278412020143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=6931516278412020143&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6931516278412020143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6931516278412020143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/03/morno.html' title='Morno'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-7379248164873407847</id><published>2010-02-17T13:36:00.003-02:00</published><updated>2010-02-17T13:46:24.721-02:00</updated><title type='text'>Bala de canhão</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Stones taught me to fly (Pedras me ensinaram a voar)&lt;br /&gt;Love taught me to lie (O amor me ensinou a mentir)&lt;br /&gt;Life taught me to die (A vida me ensinou a morrer)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;So it's not hard to fall (Assim, não é difícil cair)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;When you float like a cannonball (Quando você flutua como uma bala de canhão)"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Cannonball - Damien Rice)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fosse antigamente, eu criaria inúmeras teses para o que ocorre comigo. O tempo, porém, ensinou-me a simplificar, principalmente porque aprendi que foram minhas complicações teocráticas absolutistas que botaram a caçada no mato durante todos esses anos. Agora, depois de tantos quilômetros rodados, está incrivelmente fácil de admitir as reações da forma mais límpida possível.&lt;br /&gt;Já ouvi falar em pedras que rolam, ou Rolling Stones; pedras que cantam, na voz de Raimundo Fágner; contudo, pedras que voam foi a primeira vez. E me soou tão bem o trocadilho... Porque, sabe, eu me sentia pesado, modorrento feito uma rocha sem a mínima imponência. E, de súbito, flutuei. No fundo, sabia que isso aconteceria, sonhei todos os dias com esse momento. Bastou ele chegar, voei lépido e faceiro feito uma pena.&lt;br /&gt;Não preciso mais mentir, entende? Claro que sim, quantas vezes tu fez isso, né? O amor ensina a gente a mentir por amor. Mesmo que o outro saiba a verdade e pergunte por uma questão de educação, quem sofre sempre salvaguarda-se de um "vou bem, obrigado" para evitar o desgaste de admitir que descobriu subsolo no fundo do poço. Quantas vezes fiz isso, quantas! Mentia, omitia meu estado cadavérico, tudo para não te importunar e passar a falsa impressão de alguém que estava tentando reconstruir sua vida. Bobagem! A vida sempre foi contigo, o alicerce, a base, seria inútil tentar começar do zero. Hoje, felizmente, não preciso mais mentir ensinado pelo amor, pois posso apenas amar. Tu já me libertou, e eu agradeço.&lt;br /&gt;Sabe, depois de todos esses anos, concluí que sempre fui exatamente como uma bala de canhão. E ainda sou. No entanto, com características diferentes. Antes dos últimos tempos, quem reinava era a impulsividade, a explosão e, por consequência, os estragos causados. Jamais negarei minha responsabilidade sobre o que não foi bom. Ainda assim, tenho de fazer disso uma lição, ao invés de sucumbir à culpa, concorda?&lt;br /&gt;Por isso, continuo sendo a mesma bala, só que agora conservando a força, a certeza do objetivo, o peso do sentimento. O tiro agora é certeiro, não há espaço para erros cabais, infantilidades e outras características mesquinhas que, graças a Deus, foram embora. Ficou a impressão que tu mesma descreveu com tanta maestria, devolvendo a leveza que mencionei alguns parágrafos acima: responsabilidade e determinação. Esse sou eu agora, comprometido com a verdade de meus sentimentos, sem importar os obstáculos, percalços, crises, venha o que vier. É contigo que eu quero ficar, viver, voar e amar. Nunca disse isso com tanta convicção, com tanta força. Parece até uma... bala de canhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;a href="http://www.postcoletivo.blogspot.com/"&gt;Postagem coletiva&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; da semana.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-7379248164873407847?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/7379248164873407847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=7379248164873407847&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7379248164873407847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7379248164873407847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/02/stones-taught-me-to-fly-pedras-me.html' title='Bala de canhão'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-2044263328620209937</id><published>2010-02-12T22:30:00.000-02:00</published><updated>2010-02-12T22:30:00.580-02:00</updated><title type='text'>Não mata, não engorda e não faz mal</title><content type='html'>Houve um tempo em que desprezei o Carnaval. Para comprovar isso e também mostrar que não sou um hipócrita contraditório, lhes apresento &lt;a style="color: rgb(0, 153, 0); font-family: verdana;" href="http://massquemomento.blogspot.com/2008/02/no-balanc-balanc.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;este link aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, que deixa bem claro qual era a minha postura frente à maravilhosa festa móvel que vende o Brasil pelo mundo inteiro.&lt;br /&gt;A bem da verdade, continuo não sendo fã desse carnaval de televisão, repleto de bundas, peitos, celulites e suas mulatas à volta. Não me atrai a idéia de prostrar-me diante do televisor e contemplar a modorrenta passagem das escolas de samba, acompanhadas de explicações enfadonhas acerca do enredo, fantasias, harmonia e o diabo a quatro.&lt;br /&gt;Contudo, essa época do ano sempre me fez aproveitar o feriadão, até então única vantagem constatada, para fugir para o mais distante possível da folia, uma vez que meu samba no pé é de dar dó. Tendo quatro dias de folga, tudo o que eu mais fazia era dormir, dormir e dormir.&lt;br /&gt;Pois é, mas a caravana passa, os cães ladram e a vida muda. Mesmo que haja quem não creia verdadeiramente na mudança de um indivíduo, revi também meus conceitos em relação aos tempos carnavalescos.&lt;br /&gt;Não, não aprendi a batucar tamborim, tampouco virei puxador de samba-enredo no morro mais próximo, nada disso. Apenas permiti que um pouco de diversão adentrasse minha estática vidinha mais ou menos, e esse ano vou confundir-me com serpentinas, confetes e as deliciosas marchinhas que, graças a Deus, ainda sobrevivem aos tempos modernos.&lt;br /&gt;Atendendo a convites, resolvi que vou a um tradicional baile de carnaval aqui da cidade curtir adoidado e pular feito um canguru com incontinência urinária. De uns tempos pra cá, buscar a diversão nas festas tem sido uma tarefa deveras importante, já que as antigas fontes de alegria parecem sucumbir dia após dia. Com todas essas mudanças, é claro que seria melhor ainda ir para o carnaval bem acompanhado, curtir a festa de maneira sadia e depois voltar para casa com o sorriso nos lábios. Entretanto, minha companhia já não parece mais nem um pouco indispensável, o que achata toda e qualquer esperança imaculada.&lt;br /&gt;Ainda bem que há outros, não é mesmo? Amigos de festa, de fé, de felicidade. Surgem de maneira inusitada, como arlequins, pierrôs e colombinas, contagiando e sacudindo essa cidade. Eu, que de bobo só tenho a cara e o jeito de andar, trato de transmutar-me em qualquer fantasia, nem que seja um simplório colar havaiano e, num gesto de rendição, caio na folia junto.&lt;br /&gt;Ah, e jogando a pá de cal definitivamente em meu feriado, terei de trabalhar na segunda-feira, ou seja, os passeios terão de ser curtos como coice de porco. Mesmo porque, devido aos últimos estragos financeiros que o carro proporcionou a este pobre vivente que vos escreve, o mais adequado seria abordar os foliões e, piedosamente, cantar "me dá um dinheiro aí"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa folia a todos e aproveitem com responsabilidade! Eu já tenho minha carona garantida...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-2044263328620209937?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/2044263328620209937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=2044263328620209937&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/2044263328620209937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/2044263328620209937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/02/nao-mata-nao-engorda-e-nao-faz-mal.html' title='Não mata, não engorda e não faz mal'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-7112780968112058193</id><published>2010-02-11T21:03:00.000-02:00</published><updated>2010-02-11T21:19:32.554-02:00</updated><title type='text'>As agruras da vida adulta</title><content type='html'>Estava eu, sossegado, bebendo um Tang sabor maracujá no recôndito do meu lar, doce lar, quando, de súbito, meu irmão caçula pediu-me algo inusitado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mano, faz um Orkut pra mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que, nos subúrbios de meu inconsciente, já esperava por esse dia. Aliás, imaginava que fosse acontecer bem desse jeito, com ele vindo pedir-me o obséquio. Sem falsa modéstia, tenho a honra de ser uma espécie de ídolo para meu maninho, o que o leva a sempre recorrer à minha pessoa quando se trata de algo novo.&lt;br /&gt;Ainda que eu tenha considerado prematuro inicialmente, devo confessar que o pedido veio até tarde, uma vez que crianças de onze anos, atualmente, estão voando na internet, enquanto que meu irmão ainda dá seus passos iniciais, graças ao controle sagaz que exerço sobre essa atividade aqui em casa.&lt;br /&gt;Apesar de estarmos em plena era digital, ainda considero saudável que um guri da idade dele brinque na rua, jogue bola, volte todo sujo e suado para casa e, enfim, seja criança de fato. Não há como proibir video game, novela das oito e internet, mas é possível equilibrar. Além disso, crianças precisam de limites, e presumo que esteja certo em fazê-lo conviver com isso desde pequeno.&lt;br /&gt;Bueno, mas fiz o tal de Orkut. Ensinei-o, com parcimônia, a lidar no danado, abrindo-lhe as portas do maravilhoso mundo dos sites de relacionamentos. Não sem antes, é claro, decretar uma série de precauções e listar todos os efeitos nocivos do mau uso desse tipo de ferramenta. Antigamente, a mãe dizia para não esquecer o casaco, não falar com estranhos e não voltar tarde para casa. No século XXI, a recomendação é não adicionar estranhos, não aceitar arquivos de procedência duvidosa e jamais, eu disse jamais, revelar informações confidenciais, tais como endereço, telefone e talicoisa.&lt;br /&gt;Ao passo que inseri meu caçula na imensidão virtual orkutiana, que certamente o apresentará outros diversos caminhos, preocupa-me vê-lo manuseando um site que o aproxima, infelizmente, da vida adulta. Não sei vocês, mas eu não gosto de ser adulto.&lt;br /&gt;O Orkut, por exemplo, é um destruidor de relacionamentos. Apenas a minoria das pessoas consegue usá-lo sem deixar-se cegar pelo ciúme, mesmo que isso envolva um mísero recado, ou um depoimento qualquer. Até comunidade, em casos extremos, é motivo de discussão. Já deletei meu perfil duas vezes, e só não o faço novamente porque alguns amigos insistem em querer manter contato comigo por ali.&lt;br /&gt;Do site de relacionamentos, pulamos para os objetos diretos que os envolvem, ou seja, as pessoas. Ser adulto é padecer no paraíso das amizades. É surpreender-se com atitudes, ser esquecido, descartado, substituído. Adultos amam hoje, e amanhã não mais. Têm compromissos, arranjam novos amores, dão pé na bunda e cobram explicações. Mudam as situações da vida e, com isso, às vezes pode significar que você não está mais incluso na importância de alguma dessas situações. Ou em nenhuma delas. Adultos passam, descaradamente, errorex na história de suas vidas.&lt;br /&gt;Há as contas. Adultos dependem de dinheiro para viver. Gostam disso. Eu mesmo, não posso negar, adoro. Contudo, essa adoração toda me levou a comprar um carro, que me custou todas as economias juntadas com todo o esforço possível. Deixei de beber muita cerveja para comprar um veículo que hoje bebe gasolina deliberadamente. Que tem um imposto caríssimo, o qual por sinal nem paguei ainda. E que, para completar o quadro da dor, tem problemas mecânicos eventualmente. Problemas esses que custam caro. Cerca de oitocentos reais.&lt;br /&gt;Acontece que um adulto não sai de casa pela manhã planejando "hoje vou gastar oitocentos reais com meu carro". Ou seja, quando o mecânico liga avisando o preço, há um choque anafilático, seguido de uma bruta dor-de-cabeça e o inevitável pensamento de "agora fudeu". Sorte que eu sou sovina, ou melhor, um cara sólido financeiramente, e pude salvaguardar-me de minha rica e suada poupança - a do banco, sem malícias - para efetuar este defenestrável pagamento.&lt;br /&gt;Em suma, adultos sofrem pelos mais variados motivos. Crianças só devem satisfações às mães e às professoras; ganham trinta reais de Natal e pensam que é fortuna; esquentam a cabeça quando perdem no game, mas a refrescam com o primeiro sorvete que aparece; apaixonam-se por um coleguinha, mas trocam o sentimento por uma bicicleta nova; ouvem um "não sou mais teu amigo" do vizinho, mas no outro dia dão risadas todas juntas. A infância é sinônimo de felicidade. Pena que eu só descobri isso depois que ela passou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-7112780968112058193?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/7112780968112058193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=7112780968112058193&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7112780968112058193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7112780968112058193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/02/as-agruras-da-vida-adulta_11.html' title='As agruras da vida adulta'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-1619846789568540046</id><published>2010-02-10T23:18:00.000-02:00</published><updated>2010-02-11T00:25:27.201-02:00</updated><title type='text'>O que tiver que ser será</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"É tão dificil entender&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que eu já não vejo em você&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aquele alguém que eu conheci&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E me apaixonei&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já não consigo suportar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Você querendo me tocar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O meu desejo, a sua voz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O que aconteceu?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Marjorie Estiano)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo confessar que, ultimamente, intriga-me a seguinte questão: o que leva alguém a deixar de amar? É possível fazê-lo?&lt;br /&gt;Desde que me conheço por amante, ainda que de maneira condenável e duvidosa, nunca consegui abandonar o sentimento forte que abalroou-me de tal forma, que passei a chamá-lo de amor. Tentei, é bem verdade, porém não obtive sucesso, talvez porque minha concepção de amar alguém seja algo tão ratificado dentro de meu coração, que soa quase como que impossível o pensamento de viver longe de quem se ama.&lt;br /&gt;No entanto, sei que sou exceção. A maioria das pessoas consegue amar duas, três, várias vezes durante a vida. Há quem case várias vezes, quem demore para encontrar o grande amor de sua vida, ou mesmo quem jamais consegue encontrá-lo. Ultimamente, tenho lutado para não fazer parte do grupo daqueles que perdem a pessoa amada para sempre.&lt;br /&gt;De qualquer forma, se o quadro assim prosseguir, sei que algum dia terei que desamar. Para continuar a vida de maneira saudável, será necessário que esqueça quem foi durante tantos anos e ainda é tão importante na minha caminhada. Precisarei riscar, parar de recordar e, inclusive, restringir o contato o máximo possível, de modo que com o tempo já não enxergue mais nela a mulher que quero tocar, amar e fazer feliz.&lt;br /&gt;Enquanto não parto para essa atitude final, e sublinho que a evitarei tanto quanto puder, pergunto-me, novamente: como é possível isso? As pessoas dividem suas vidas durante anos, trocam juras de amor e, de repente, não vêem mais naquele indivíduo alguém que seja digno do seu sentimento verdadeiro. Alguém argumentará que existem surpresas desagradáveis, decepções e erros que comprometem a estrutura da relação. Tudo bem, argumento aceito, isso lá é bem verdade.&lt;br /&gt;Mas, e os amores imaculados? Aqueles que todos admiram, que parecem mesmo ser para sempre, já que não têm em sua história algo drástico, capaz de provocar terra arrasada na relação. Como se faz para esquecer um desses? Acorda-se pela manhã e, ao abrir os olhos, acontece a mudança? É assim que ocorre?&lt;br /&gt;Não sei. A bem da verdade, penso que o turbilhão das dúvidas gera tanto desgaste, que chega um ponto em que o cidadão cansa de amar. Isso não deveria ocorrer, amor de verdade tinha que ser para sempre, mas nem sempre é. Com ou sem explicação, ele termina. Por mais que especulem, esperneiem, insistam, não tem jeito, vai pro brejo.&lt;br /&gt;Por enquanto, fazer o quê? Se até as mães dizem que o tempo é o senhor da razão, quem sou eu para questionar, não é mesmo? Sigo aqui, amando, não sei por quanto tempo, nem a quem, nem sei se a mim. Ainda assim, preciso amar, é meu combustível. Preciso de uma mulher que me precise, que me queira e me aceite. Se não for quem penso que deve ser, há de ser outra, e há de merecer ainda mais, pois terá superado aquela que eu considerei o ápice de meus sentimentos. Enquanto isso, o que tiver que ser, será. Mesmo que, no fim, não seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Participando da &lt;a href="http://postcoletivo.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;postagem coletiva&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; da semana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-1619846789568540046?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/1619846789568540046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=1619846789568540046&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/1619846789568540046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/1619846789568540046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/02/o-que-tiver-que-ser-sera_11.html' title='O que tiver que ser será'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-4161837074879356355</id><published>2010-02-08T00:16:00.002-02:00</published><updated>2010-02-08T00:32:13.788-02:00</updated><title type='text'>Vinte dias</title><content type='html'>A pergunta é: o que você faria se soubesse que sua vida mudará daqui a vinte dias? Num primeiro momento, talvez alguns respondam que não possuem o dom da premonição e, por isso, seria difícil arriscar um palpite. Ainda assim, é um questionamento que instiga uma certa reflexão, a qual farei com bastante serenidade.&lt;br /&gt;Minha vida vai, sim, mudar daqui a exatos vinte dias. Não sei se para pior ou para melhor, mas mudará. Neste prazo, seguirei realizando aquela que talvez venha a ser a derradeira tarefa, a qual tenho me dedicado nos últimos dias. Sem o menor medo de errar, afirmo que tenho executado essa atividade com todo o carinho que sobrevive dentro de mim. Faço porque amo de verdade, porque quero levar felicidade ao coração de alguém e porque a empolgação tomou conta de meu ser de tal maneira, que tem sido meu combustível principal ultimamente.&lt;br /&gt;Depois disso, o amor não morrerá. Não, isso não ocorre em trinta dias. Está certo, alguém poderá dizer que com o passar dos anos a sucessão de fatos pode vir a suprimir um sentimento, ao que até concordo com certa resistência. No entanto, em vinte e quatro anos, nunca abri os olhos pela manhã pensando: hoje eu serei diferente. Esse tipo de personalidade decidida não combina comigo. Sendo assim, custo a crer que se possa fazer tal escolha, principalmente com sentimentos que se diziam eternos, verdadeiros e intocáveis. Não há como transformar ferro em papel num piscar de olhos.&lt;br /&gt;De todo modo, algo precisará ser feito após ter cumprido meu objetivo. Eu classificaria bem mais como um basta na insistência, do que propriamente no amor em si. Não há como viver chafurdando na humilhação, sobrevivendo de migalhas e declarações dúbias. É impossível enxergar consideração onde só há espaço para uma nova realidade, mandando para o baú de lembranças todo o esforço de um terço da vida.&lt;br /&gt;Tenho dito a cada texto que errei, já virou até clichê. Sim, dei as cabeçadas, e as fiz várias vezes justamente por atentar contra a coerência dos meus sentimentos. No entanto, a atual situação sugere que eu seja uma pessoa dotada de tal ruindade, me colocando num patamar de ser incapaz de receber uma chance de redenção, ou prova factível de mudança.&lt;br /&gt;Sendo assim, vou perseguir incansavelmente o êxito nessa que pode ser a minha última lembrança afável. Diga que sou radical, que bagunço os assuntos, tudo bem, não importa. Contanto que me olhe no espelho e veja sinceridade, daqui para frente primarei pela limpidez de consciência, nem que isso signifique congelar meu objetivo de vida.&lt;br /&gt;Em vinte dias, a vida mudará, acreditem. Depois disso, a felicidade brilhará n'algum coração, tenho certeza. E, se derrotado finalmente, voltarei para casa de cabeça erguida, tentando conservar no semblante a sensação de ter contemplado pela última vez um sorriso que não contenha piedade. Até lá, seja o que Deus - ou algum de seus filhos - quiser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-4161837074879356355?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/4161837074879356355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=4161837074879356355&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4161837074879356355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4161837074879356355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/02/vinte-dias.html' title='Vinte dias'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-4590252460940035923</id><published>2010-02-07T02:39:00.002-02:00</published><updated>2010-02-07T02:39:00.441-02:00</updated><title type='text'>Um ano de saudade</title><content type='html'>Eram exatamente duas e trinta e nove da manhã quando meu telefone tocou no meio da festa. E ela terminou ali mesmo. Meu avô estava morto. Minha primeira atitude, naturalmente, foi voltar para casa. Ainda no estacionamento, fiz uma ligação a cobrar e, de certa forma, ganhei alguns minutos de tranquilidade: meu alicerce estava a caminho.&lt;br /&gt;Tomei um banho, entrei no carro e a ficha só caiu em São Chico, quando adentrei a capela mortuária. Fui a primeira pessoa a ficar frente a frente com o caixão. Só então acreditei no que havia acontecido e, dali para diante, a vida nunca mais foi a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo quem me conhece muito bem consegue dimensionar o que significa para mim não ter mais o vô Gentil por perto. Quando tudo na vida perde o sentido, é nos meus quatro avós que eu penso. É deles que recebo o maior incentivo para permanecer firme, pois represento um orgulho imenso e consigo palpar o amor mais verdadeiro que já conheci até hoje. Enquanto os demais amores começam e terminam em trinta dias, trinta anos ou trinta minutos, o amor de meus avós ensinou-me que, se é pra valer, supera qualquer obstáculo.&lt;br /&gt;A ausência do vô, portanto, significa que parte de mim foi arrancada e levada para longe. Não há um só dia sem saudade, sem lembrança dos ensinamentos, das expressões e da fé que ele tinha no meu potencial. Quando me aconselhava, podia ver seus olhos brilhando de convicção, como alguém que está seguro de dar a direção certa a quem ama. Vô Gentil, vez ou outra, dava-me presentes significativos, objetos que tinham lhe acompanhado durante uma vida e que, de repente, ele repassava a mim como forma de perpetuar a estampa de fibra que ele conservou até a morte.&lt;br /&gt;Ganhei dele meu poncho, o chapéu de aba larga, um borrachão, lenço de pescoço, um par de botas, um rádio velho que nunca funcionou, um relógio de pulso que fica sempre ao lado do computador e uma guaiaca que jamais servirá em mim, e mesmo assim eu adoro. Sempre procurei ter uma relação de empatia com ele, pois, por ser o mais velho dos quatro, era, naturalmente, o que mantinha as idéias mais ortodoxas. Ainda assim, sempre tivemos uma relação límpida, pautada pelo respeito e um carinho sem igual.&lt;br /&gt;Hoje, após um ano sem vê-lo, sinto que a vida nunca mais será a mesma. Perdi muito mais que um avô neste último ano. Com ele, foi-se um pouco da minha alegria de viver, senti-me perdido por diversas vezes e acabei seguindo caminhos que resultaram noutras perdas significativas. Por mais difícil que seja de compreender, é cada vez mais complicado pensar que tenho de seguir minha jornada sem pessoas importantes, tenham partido ou não, mas que sempre foram imprescindíveis para o meu sucesso.&lt;br /&gt;Por via das dúvidas, vou desligar o celular durante a festa de hoje. Não quero mais correr o risco de receber notícias ruins, até porque já não tenho mais para quem ligar caso aconteça uma tragédia. Nem mesmo a cobrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vô, esteja onde estiver, continue olhando por mim. Estou precisando disso mais do que nunca. Um abraço desse neto inconsistente que te amará eternamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-4590252460940035923?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/4590252460940035923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=4590252460940035923&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4590252460940035923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4590252460940035923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/02/um-ano-de-saudade.html' title='Um ano de saudade'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-8163320024637331674</id><published>2010-02-04T16:26:00.000-02:00</published><updated>2010-02-04T16:27:19.072-02:00</updated><title type='text'>Mormaço</title><content type='html'>Há tempos que não falo sobre o clima por aqui. Lembro dos invernos rigorosos que renderam inúmeros relatos, pelo menos enquanto ainda conseguia movimentar as falanges, das tantas vezes em que jurei ter visto pinguins e ursos polares andando abraçadinhos no shopping. Sempre foi a forma que tive de externar o meu desespero em ter de enfrentar temperaturas exacerbadamente baixas. Aliás, continuo afirmando, sem medo, que prefiro o verão ao inverno.&lt;br /&gt;Agora, vamos e venhamos: uma coisa é fazer calor, cultivar aquele suor gostoso que te deixa todo grudento, precisando de banhos o dia inteiro e clamando por um sorvetinho qualquer. Vá lá, respeito quem não goste destes dias de calor de trinta e cinco graus, afinal de contas, cada um sabe onde o sapato aperta. Outra coisa bem diferente é essa hecatombe climática que se abateu sobre o Rio Grande do Sul! Pelas barbas de Cacilda Becker, o que deu no bom e velho São Pedro? Cadê as temperaturas sulinas com suas amenidades? Onde foi parar a brisa, um simples ventinho qualquer que cause mais frescor que Close Up?&lt;br /&gt;Não há como não reclamar, a sensação térmica beira quarenta e cinco graus, um verdadeiro Deus nos acuda está acontecendo por aqui. O ar-condicionado não dá mais conta, o vento que sopra na rua basta para assar um churrasco em vinte minutos e eu tô bom de mudar a minha cama para dentro da geladeira, porque a situação é realmente periclitante.&lt;br /&gt;Sozinho em casa durante a semana, o quadro da dor piora ainda mais, pois quando chego em casa sou recebido com uma lufada de calor, um bafo estratosférico que me faz suar até nos dentes. Qualquer tarefa doméstica que eu tente exercer me arranca litros d’água do corpo. Fui lavar a louça – acumulada há três dias – e suei mais do que quando jogo no Calixto; fui para o tanque esfregar uma camisa e quase dei um salto ornamental pra dentro do balde; ao trocar a água dos cachorros, quase me espojei na tijela feito um canário belga.&lt;br /&gt;E tomar banho, então, de que adianta? O cara entra no chuveiro suando feito um matungo velho, refresca o couro durante efêmeros dez minutos e, ao primeiro toque da toalha, uma verdadeira tsunami sudorípara brota de todos os poros possíveis e imagináveis, chegando ao ponto de ser possível pôr uma placa no pescoço com os dizeres "Bem-vindo a Cachoeira do Sul". Tô perdendo tanto líquido, que meu sistema urinário entrou em racionamento.&lt;br /&gt;Juro que queria contar mais peripécias de mamãe por aqui, mas, enquanto persistir o clima desértico por aqui e eu continuar ouvindo as trombetas do apocalipse soando a cada termômetro, será impossível escrever sobre qualquer outra coisa que não seja o derretimento da minha massa corpórea. Aliás, vou até parar por aqui, que essa digitação toda já me deixou ensopado. Calorão!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-8163320024637331674?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/8163320024637331674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=8163320024637331674&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8163320024637331674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8163320024637331674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/02/mormaco.html' title='Mormaço'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-9126720977135605557</id><published>2010-02-03T11:00:00.001-02:00</published><updated>2010-02-03T11:41:23.094-02:00</updated><title type='text'>O Ataque do Chuveiro Maldito - Parte 2</title><content type='html'>Bueno, dizia eu que acabara de desligar o telefone. Lhes disse também que mamãe está em férias, ou seja, ela viajou para a casa dos meus avós e, desnaturadamente, deixou-me casereando aqui nessa sucursal do inferno, onde faz o calor do cão chupando manga. Abandonou logo a mim, que mal sei lavar minhas cuecas, que passo a iogurte e suco Frukito, que para ter uma refeição balanceada compro pizza e Coca-Cola. Com Trakinas de sobremesa. Nesse ritmo, se ela não voltasse logo, acredito que eu duraria longos dois meses.&lt;br /&gt;Quando nos despedimos lá em São Chico, ela contou-me que havia um problema no chuveiro, já bem conhecido de todos nós, por sinal: ao invés de água, vinha saindo algo parecido com lava vulcânica. Como por aqui a sensação térmica não tem sido nada gélida, água quente mais clima quente resultam em litros de suor que perco diariamente.&lt;br /&gt;De todo modo, chamei o cara que sempre conserta as coisas que um homem deveria consertar aqui em casa, como o chuveiro por exemplo. Ora, mamãe é o homem da casa, e sem ela é impossível consertar esses troços complicadíssimos. Passo longe de resistência de chuveiro, lâmpada queimada. De lida de campo eu entendo, fosse pra curar uma bicheira nos cachorros, certamente seria uma tarefa fácil. Contudo, pra Severino eu não sirvo.&lt;br /&gt;O tiozão veio prontamente e deixou o chuveiro nos trinques, agora posso me esbaldar no banho mais faceiro que tico-tico na chuva. Esse foi, por sinal, o motivo da ligação que fiz para minha mãe, justamente para contar a boa nova, pelo menos para os próximos três meses.&lt;br /&gt;Contudo, qual não foi a minha surpresa ao saber que mamãe havia omitido um detalhe de suma importância: o chuveiro quase havia matado ela e meu irmão quando eu estive fora no fim-de-semana. Pelo que ela contou ao telefone, estava meu maninho fazendo sabe-se lá o que em mais um de seus banhos pra lá de prolongados quando, subitamente, o chuveiro começou a bufar como um carneiro raivoso. E olha que um carneiro raivoso sabe ser coisa feia de se ver.&lt;br /&gt;Diante daquela situação inusitada, meu irmão, cujo pudor precoce faz com que ele não apareça nu à frente de nossa mãe já há algum tempo, aparecesse com os balangandãs de fora no corredor, com os olhos mais arregalados que de uma ovelha tosada (estou com tendências ovinas hoje). Ao tomar partido da situação de emergência, mamãe contou-me que encarnou Usain Bolt e, como um guepardo faminto por antílopes, desembestou rumo ao contador de luz para desligar a chave.&lt;br /&gt;Pausa para uma reflexão. Em vinte e quatro anos de vida, devo ter visto minha mãe correr umas... três vezes. E, mesmo assim, num ritmo pouco afeito à velocidade, com a parcimônia típica de sua personalidade geminiana. Ou seja, por mais que eu me esforce, não consigo visualizar a cena de minha mãe correndo feito uma Márcia Narlock da vida. Mas, segundo palavras próprias dela, jamais imaginou que possuísse tamanha velocidade. Rio 2016, aí vai minha mãe!&lt;br /&gt;Passado o susto do chuveiro bufante, a chave foi ligada novamente. Fazia um calor absurdo na Capital Nacional do Calçado. Naturalmente, foi a vez dela banhar-se. Nada demorado, é claro, mas igualmente necessário.&lt;br /&gt;Esse é um momento da história difícil de imaginar. Diz ela que pelou-se e foi para baixo do chuveiro. Pausa número dois para reflexão. Alguém aí tem o costume de ver sua própria mãe nua? Caramba, mães não ficam peladas! Minha mãe, por sinal, é virgem! Não, não posso, me nego, é uma cena impossível de ser vislumbrada.&lt;br /&gt;Passado o desabafo, prossigamos. Por via das dúvidas, com tarja preta nas partes íntimas e invioláveis de mamãe. Ao ligar o chuveiro, uma lufada d'água escaldante abateu-se sobre sua barriga. O ventre casto e iluminado de minha genitora, sacrilégio! Ainda assim, gargalhei quando ouvi essa parte da história. Imaginei-a saltitando feito um canguru com cirrose hepática, arregalando os olhos igualmente feito meu irmão, tal qual uma segunda ovelha tosada, de língua de fora, assoprando a própria barriga e praguejando o malfeito chuveirístico. Quando eu era pequeno, às vezes tocava uma música mais animada no rádio e mamãe saía dando pinotes exóticos e desconexos. Sempre achei aquilo o máximo, ficava imaginando de onde ela tirava tamanha criatividade. Com o tempo, descobri que, sendo filha do João Maria, é tudo instintivo e nada planejado. Some isso à queimadura na barriga feita por um chuveiro assassino, e temos uma vídeo-cassetada. Com tarjas pretas.&lt;br /&gt;Rimos aos borbotões no telefone, principalmente porque as narrativas dela sempre são recheadas de teor cômico, novamente não planejado, mas fruto da veia humorística que permeia esse lado da família que, de tão engraçado, torna até as tragédias divertidas. Resta agora saber até quando durará o chuveiro novo. Oremos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-9126720977135605557?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/9126720977135605557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=9126720977135605557&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/9126720977135605557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/9126720977135605557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/02/o-ataque-do-chuveiro-maldito-parte-2.html' title='O Ataque do Chuveiro Maldito - Parte 2'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-2640487595063411471</id><published>2010-02-02T08:00:00.002-02:00</published><updated>2010-02-02T08:25:51.918-02:00</updated><title type='text'>O Ataque do Chuveiro Maldito - Parte 1</title><content type='html'>Essa semana, minha mãe será um personagem à parte aqui no blog. Aliás, acredito que nunca narrei nenhuma de suas peripécias por aqui, talvez por falta de tempo, ou mesmo por esquecimento. De todo modo, agora ela está de férias – é professora, tem esse privilégio – e durante esse período vem acontecendo fatos de relevância tal, que merecem destaque em meus humildes textos.&lt;br /&gt;Antes, porém, permitam que eu dê uma breve introdução acerca da personalidade de minha adorável genitora. A mãe é uma versão feminina e mais contida do vô João Maria que, na minha opinião, é o maior comediante do universo, principalmente porque nem ele mesmo se dá conta do quanto é engraçado. A diferença entre os dois é que ela mora há vários anos na muvuca da urbanização, o que faz com que contenha certas atitudes cômicas. Ainda assim, no seio do lar protagoniza verdadeiros causos do arco da velha.&lt;br /&gt;Acabo de desligar o telefone. Falava com ela sobre o chuveiro de nossa casa. A propósito, deve haver alguma maldição sobre nossos chuveiros, pois o histórico não é nada bom. Há pelo menos dez anos que um deles não dura o tempo mínimo de um ano, para ser exagerado. Chuveiro, lá em casa, normalmente passa o contrato de noventa dias e já rescinde. Não que eu queira atribuir esse fato pitoresco ao fato de que é sempre minha mãe quem troca as resistências e instala os novos, nada disso. Eu não seria sacripanta a ponto de levantar uma calúnia dessas contra minha própria mãe, de cujo ventre saiu um dos seres mais perfeitos da história da humanidade: meu irmão caçula.&lt;br /&gt;Fato é que chuveiro, lá em casa, não atravessa inverno. Uma porque costumamos banhar-nos com água de pelar porco, à exceção de mamãe, criada no campo à moda rústica, cujos banhos são politicamente corretos e dentro dos padrões aceitos pela sociedade. Entretanto, meus irmãos e eu sempre tivemos o defeito de passar horas debaixo d’água. Bom, quem já foi adolescente conhece bem alguns motivos…&lt;br /&gt;Pois bem, falávamos sobre o dito cujo cuspidor de água. Nos últimos tempos, indignada com a baixa durabilidade dos chuveiros, mamãe resolveu investir pesado naquelas duchas putaqueparilmente potentes, que deixam o cara todo ensopado em questão de cinco segundos. Com direito à regulagem de temperatura e um monte de frescuras, passamos a ter aquela nave espacial no banheiro de casa.&lt;br /&gt;Não adiantou porcaria nenhuma. A maldição dos chuveiros condenados abateu-se sobre nossa residência como as derrotas em Gre-nais sobre o Grêmio nos últimos campeonatos gaúchos. Ocorre que, de uns tempos pra cá, o trumbico da regulagem criou vida própria e, sem mais nem menos, passou a ferver com tal voracidade, que certo dia meu grande amigo Amarelinho tomou um banho lá em casa e saiu com o aspecto de um peru de Natal. Coitado, deu até pena. Pediu pra se arrumar lá em casa pra uma festa e foi todo pimpão pro banheiro. Até pensei em alertar sobre o chuveiro, mas meu lado sacana falou mais alto e esperei para vê-lo se ferrar. Dez minutos depois, me aparece o Amarelo mais vermelho que a camisa do Liverpool, mandando, por alguns instantes, seu apelido para o espaço. É, chuveiro lá em casa não perdoa nem visita.&lt;br /&gt;Bueno, falei, falei, e não contei a peripécia da minha mãe. Ah, querem saber? Fica pra amanhã. Ultimamente, tenho gracejado bastante deixando as pessoas curiosas e, além disso, mamãe será, definitivamente, a personagem da semana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-2640487595063411471?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/2640487595063411471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=2640487595063411471&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/2640487595063411471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/2640487595063411471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/02/o-ataque-do-chuveiro-maldito-parte-1.html' title='O Ataque do Chuveiro Maldito - Parte 1'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-7272601561130741984</id><published>2010-02-01T10:43:00.000-02:00</published><updated>2010-02-01T10:44:45.561-02:00</updated><title type='text'>Um dia bom</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;"Me ame quando eu menos merecer, pois é quando eu mais preciso." (Provérbio Chinês)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Depois de muito tempo, eis que começo uma semana verdadeiramente feliz. Sei que nos últimos tempos o meu rico espaço está mais para muro das lamentações do que para um blog propriamente dito. Mas, como o propósito sempre foi efetivamente transparecer o que passa em meus momentos, não se pode dizer que estou de todo errado.&lt;br /&gt;Por mais simples e irrisório que possa parecer, às vezes meia-dúzia de palavras bem colocadas são, sim, capazes de fazer alguém sorrir. Já experimentei diversas vezes a sensação de proporcionar isso para algumas pessoas, e agora felizmente me orgulho em afirmar que o mesmo aconteceu comigo. Aquela história de luz no fim do túnel, manja? Não há quem não se alegre quando isso ocorre.&lt;br /&gt;Quando me propus a ser um cara diferente e passei a sentir essa mudança concretamente, foi como se Sílvio Santos abrisse as portas da esperança na minha vida. Após um período de choro e ranger de dentes, consegui tomar um rumo, enxergar um norte e ter a certeza de que finalmente havia encontrado um caminho sério para trilhar. Isso porque, durante a minha vida, sempre procurei ser uma pessoa boa, ainda que falha. Aprendi, seguindo vários exemplos na minha família, que fazer tudo visando o lado certo das coisas sempre é recompensador no final.&lt;br /&gt;Errei, pois, várias vezes. Há situações em que, mesmo quando se enxerga o erro, algum parafuso se desprende do cérebro e acabo cometendo falhas que, mais adiante, são classificadas unicamente como as maiores merdas da minha vida.&lt;br /&gt;A diferença é que eu sempre procurei a resiliência. Até nas piores horas, quando tenho os pensamentos mais mórbidos, tento respirar fundo, contar os botões da camisa e pensar que é passageiro. É bem verdade que, no olho do furacão, se costuma pensar que tudo está perdido e, consequentemente, as considerações externadas não são lá as mais animadoras. De todo modo, passa.&lt;br /&gt;Nesse momento é que entra o incentivo. É quando as pessoas começam a perceber a mudança e comungam dela. Essa é a hora mais gratificante de todas, uma vez que se consegue provar ao outro que, de fato, houve evolução. Nos últimos dias, por sinal, esse tem sido o meu combustível, mostrar que é de verdade, é sério e, finalmente, é o que eu decidi para o resto de meus dias.&lt;br /&gt;Não se trata de nada concreto, mas é o menor sinal de positividade que me traz grande alegria nessa segunda-feira escaldante que dá início a fevereiro. Eu gosto de ser feliz, gosto de estar alegre, otimista e, principalmente, fico radiante em conseguir isso vindo de atitudes tão simples da pessoa que me inspira o tempo todo e faz acreditar que a vida vale à pena ser vivida com intensidade e entrega total. É o sinal cativo de que dias melhores virão. Graças a Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Ah, e antes que eu seja linchado, por favor, não acreditem naquela história de fumar do último texto… Basta conhecer o meu histórico para saber que se trata de pura licença poética.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-7272601561130741984?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/7272601561130741984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=7272601561130741984&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7272601561130741984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7272601561130741984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/02/um-dia-bom.html' title='Um dia bom'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-3333326283700396942</id><published>2010-01-29T10:42:00.002-02:00</published><updated>2010-01-29T10:45:22.335-02:00</updated><title type='text'>Cumulus Nimbus</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;“Eu que não fumo, queria um cigarro&lt;br /&gt;Eu que não amo você&lt;br /&gt;Envelheci dez anos ou mais&lt;br /&gt;Nesse último mês...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Eu que não amo você – Engenheiros do Hawaai)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a fumar. Resolvi, do nada, acender um cigarro. Havia alguém ao meu lado baforando nicotina fétida, fazendo biquinho ao soltar a fumaça para o alto, quando perguntei sobre qual o real sentido daquele gesto em sua vida. Respondeu-me que, enquanto traga um cigarro, consegue desligar-se do mundo real por alguns instantes e, consequentemente, esquecer dos problemas momentaneamente.&lt;br /&gt;Franzi o cenho, cocei a nuca e arrisquei. Tomei o palitinho entre os dedos, empunhei o isqueiro, semicerrei os olhos e traguei. Após tossir por mais de dez minutos ininterruptamente, decidi que não deveria desistir assim tão fácil e tentei outra vez. O primeiro cigarro já havia sido devorado pelo vizinho, então filei outro. Com mais cautela, acendi. Enchi a boca de fumaça e, lentamente, joguei algumas golfadas para o meu pulmão virgem.&lt;br /&gt;Dessa vez, tossi durante vinte minutos. "Não devo ter nascido para isso", pensei. Contudo, o Ministério da Saúde deu o azar de eu estar num dia excessivamente contumaz, o que me fez, na maior cara-de-pau, roubar o terceiro crivo e, quase que numa questão de honra, incendiar o pelintra.&lt;br /&gt;Na terceira foi. A penumbra do local inebriou-se da primeira nuvem de fumaça segura que saiu da minha boca para contribuir com a derrocada do ecossistema. A partir daquela hora, tornei-me um viciado. Uni-me à porcentagem de brasileiros que vivem seus dias sem pensar no amanhã, levando a vida pouco a sério, já que não sairão vivos dela mesmo.&lt;br /&gt;É estranho, devo confessar. Senti-me vestindo a camisa do Inter, uma vez que sempre fui antitabagista de cruz na testa, bradando aos quatro ventos os malefícios do fumo. Aliás, continuo não curtindo nem um pouco a fumaça, é fedorenta, mórbida e desnecessária. Mas, querem saber? Combina comigo.&lt;br /&gt;E mais: por incrível que pareça, a sensação de tranquilidade é real. Quando consegui saborear o primeiro cigarro de fato, flutuei. Deve ter sido uma cena nada charmosa, já que sou todo desengonçado para as coisas glamourosas. Dane-se, deu vontade.&lt;br /&gt;Por sinal, isso vai ao encontro dos pensamentos modernos, onde é cada vez mais fácil abrir a vida para novos horizontes ou, de repente, permitir que haja espaço para algo novo. N'alguns, entra fumaça. Noutros, vá saber, né? A verdade é que estou encurtando minha passagem por aqui em alguns anos, à medida em que acendi o segundo, o terceiro e o quarto. Após terminar por aqui, vou para a porta degustar o quinto, afinal de contas, a carteira está cheia.&lt;br /&gt;E assim caminha a humanidade, sempre há uma novidade que surpreende, que choca ou que decepciona. Até mesmo quando você fica sabendo de algo e se recusa a acreditar, até que a própria vida venha e lhe prove que era tudo uma grande brincadeira de mau gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“As pedras do caminho deixe para trás&lt;br /&gt;Esqueça os mortos eles não levantam mais&lt;br /&gt;O vagabundo esmola pela rua&lt;br /&gt;Vestindo a mesma roupa que foi sua&lt;br /&gt;Risque outro fósforo, outra vida, outra luz, outra cor&lt;br /&gt;E não tem mais nada negro amor”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Negro Amor – Engenheiros do Hawaai)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-3333326283700396942?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/3333326283700396942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=3333326283700396942&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3333326283700396942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3333326283700396942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/01/cumulus-nimbus.html' title='Cumulus Nimbus'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-2749187402094950460</id><published>2010-01-27T10:00:00.000-02:00</published><updated>2010-01-27T10:00:03.096-02:00</updated><title type='text'>O moço dessa foto 3x4</title><content type='html'>Na vida, há coisas que fazemos bem, e outras que não fazemos bem. Além disso, existem também aquelas para as quais realmente não prestamos. No meu caso, isso se aplica a fotos três por quatro, essas malditas fotos minúsculas que insistem em realçar todos os defeitos da minha defenestrável face. Aliás, se existe a tal maçã do rosto, as tirivas comeram a metade do meu.&lt;br /&gt;A prova do que estou falando é que, desde que uso aparelho ortodôntico - cerca de um ano e oito meses - ainda não havia tirado um desses retratos. Porém, como sempre chega o momento em que é inevitável fugir dos problemas, precisei submeter-me à inóspita prática. Por motivos trabalhistas, tive de posar para esse pouco aprazível momento.&lt;br /&gt;A salinha onde aconteceu o crime me fez recordar Jogos Mortais. Apenas uma luz forte focava a parede e logo à frente havia um banquinho solitário à espera da próxima vítima. Além disso, apenas a guria com aquele trumbico enorme para tirar a foto e um guarda-chuvinha que, sinceramente, até hoje não descobri a finalidade. Aliás, em pleno advento das câmeras digitais do século XXI, alguém sabe me responder porque ainda usam aquele lambe-lambe para fotos tão pequeninas? Garanto que o poder de intimidação daquela bigorna influencia diretamente no resultado final que, no meu caso, não seria bom de qualquer jeito.&lt;br /&gt;O legal é que, em virtude do mesmo advento, tudo fica pronto em questão de minutos. Ou seja, ainda anestesiado pelo pavor da salinha maléfica, o vivente toma uma bordoada nos beiços ao contemplar o quadro da dor na moldura do desespero quando visualiza sua fuça estampada num quadradinho minúsculo que lhe acompanhará por vários documentos vida afora. Fui orientado a aguardar ao lado de fora da salinha do crime (ainda bem!) e prostrei-me ali, sorumbático.&lt;br /&gt;Bem, o resultado não poderia ser outro: tenebroso. Confesso que, ainda assim, fiquei surpreso, pois esperava algo desajeitado e estranho, mas a feiúra superou minha baixa expectativa. Ao receber o pequeno calhamaço de oito fotos, tentei, em vão, procurar alguma diferente, que pudesse sanar minha decepção. Porém, ai de mim, eram todas iguais. A guria clicou setecentas e doze vezes, empinou meu queixo, enquadrou meus ombros, puxou daqui, esticou de lá, e o resultado foi o pior possível, virei num mosaico humano. Até notei que, discretamente, ela ofereceu espelho, gel e pente para que eu me ajeitasse, talvez numa última tentativa de melhorar o meu judiado semblante. Contudo, em pleno horário de almoço, tudo o que eu conseguia pensar era na fome que estava sentindo. Talvez por isso tenha saído com cara de almôndega.&lt;br /&gt;O primeiro fator que identifiquei nas fotos me fez lembrar uma moda de viola que, a certa altura, versa mais ou menos assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não tenho grande estatura,&lt;br /&gt;nem tanta musculatura,&lt;br /&gt;sou carente de gordura,&lt;br /&gt;sou fino que nem palito."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, emagreci alguns quilos ultimamente, o que, por sinal, não era visto por mim como algo ruim. Não foi o que as lentes disseram. Se alguém já jogou Killer Instinct, visualizem o Spinal; se não conhece o jogo, pense numa caveira. Dá no mesmo.&lt;br /&gt;O cabelo, desgrenhado, provou que, sem gel, não sou ninguém. Essa maravilha da indústria cosmética é a única maneira de disfarçar o punhado de bombril preto que conservo acima da cabeça, parecendo um arbusto de xaxim, ou algo que o valha. Pra baxeiro até que serve.&lt;br /&gt;Agora, quem merece um parágrafo especial são minhas sobrancelhas. Em vinte e quatro anos de vida, a única pessoa que vi elogiá-las foi a vó Dilma. Bem coisa de vó, né, vamos combinar. Pelo amor de Deus, são duas taturanas acima dos meus olhos! Sei lá se Deus errou o lugar do bigode, mas o fato é que há um Olívio Dutra cobrindo cada uma de minhas vistas, é terrível. Quase passei errorex naquela porcaria, tive que respirar fundo. Um dia ainda vou descobrir a serventia das sobrancelhas. O Homem tava de porre quando inventou essa pegadinha, só pode ser.&lt;br /&gt;Por último, mas nem de longe menos pior, vem a boca. Ou melhor: o beiço. Até que minha boca é legalzinha, o desenho dela já teve lá seu sucesso e talicoisa, só que é praxe eu sair beiçudo em fotos três por quatro, não há escapatória. Sei lá o que me dá, mas minha expressão séria é deveras sisuda, ainda mais num momento de tanta felicidade quanto este. Ao contemplar (?) o resultado das fotinhos, meu primeiro pensamento foi "é, eu realmente tô triste". Merda, né, vou carregar isso comigo até fazer seis documentos, fichas de inscrição ou encontrar algum doido que queira aquilo como recordação do meu ignóbil ser.&lt;br /&gt;Queiram Deus e as entidades trabalhistas que tão cedo eu não precise voltar àquele lugar. Foi traumático, doloroso e decepcionante. Além disso, oito fotos custaram nove e cinquenta. Me lembrou "oito picolés por apenas um real". Tanto pela aliteração do texto, quanto pelo fato de ambas as situações serem aguadas, não valerem o quanto custam e, principalmente, constituírem um caráter absolutamente dispensável. Desse jeito, é mais do que natural que se busque outra opção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-2749187402094950460?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/2749187402094950460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=2749187402094950460&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/2749187402094950460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/2749187402094950460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/01/o-moco-dessa-foto-3x4.html' title='O moço dessa foto 3x4'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-7811521162940115230</id><published>2010-01-26T11:50:00.002-02:00</published><updated>2010-01-26T11:56:17.134-02:00</updated><title type='text'>Ninguém compreende sua beleza</title><content type='html'>&lt;em&gt;Por que estás a procurar a paz onde ela não está?&lt;br /&gt;Por que fazer de coisas irreais o sustento de uma vida?&lt;br /&gt;"Olhai os lírios do campo, ninguém compreende sua beleza.&lt;br /&gt;Nem Salomão, nem ninguém jamais se vestiu como um só deles."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que seja até difícil, tente ao menos uma vez,&lt;br /&gt;Olhar o verde do mar, sentir o calor do sol,&lt;br /&gt;Como criança vendo a vida despertar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos áureos tempos de Pastoral da Juventude, voltimeia cantávamos essa rica canção. Cada um sempre tinha suas predileções, aquela música que tocava o coração no momento certo, que despertava a emoção já na introdução dos violões. Lembro que a letra acima me trazia uma certa paz. Não que eu analisasse o conteúdo com propriedade e refletisse sobre ele, mas a melodia em si soava como um bálsamo flutuante, e eu adorava.&lt;br /&gt;Devo confessar que há alguns anos não rememorava a música dos lírios do campo. Contudo, em dias que a cabeça não pára e as lembranças borbulham o tempo todo, até que ela veio a calhar. Pensar na letra trouxe, novamente, um pouco de paz e, claro, a vontade de escrever, ainda que da maneira mais simples, sem invencionices, sem a intenção de despertar elogios que estacionam no texto e dali não saem.&lt;br /&gt;Como pode um assunto entre duas pessoas ser resolvido sem diálogo? Que inteligência há no afastamento, na fuga? É engraçado como a gente se apega à primeira corda que aparece, principalmente quando a mão está escorregando do único galho à beira do precipício. Com isso, toda solução é válida, desde que seja para o melhor de pelo menos uma das partes.&lt;br /&gt;O que me surpreende, no entanto, é o caráter drástico de certas mudanças que ocorrem. Logo uma relação onde tudo era motivo para conversas, algumas tão longas, que adentravam madrugadas, rumou para uma situação de ausência e negação. Me intriga que falte a coragem de olhar nos olhos e definir o que realmente acontece, ao mesmo tempo em que sou obrigado a crer que isso acontece justamente por ainda haver um resquício de sentimento que tenta, em vão, ser ofuscado, escondido.&lt;br /&gt;"Ninguém compreende sua beleza". Depois das decisões tomadas, não adiantará chorar sobre o leite derramado, principalmente em casos irreversíveis. As pessoas, porém, têm a mania de sempre apostar uma moedinha a mais, necessitam de um naco de certeza a mais para agir e, enquanto ela não vem, entocam-se. Quantas vezes fui assim? Aliás, de que adiantou, se a lição não serviu também para o semelhante?&lt;br /&gt;Sinceramente, imaginei que iria mais longe. Pensei que pudesse suportar carga maior que essa, mas não consigo. Durante o próximo mês, enquanto deixo de "fazer de coisas irreais o sustento de uma vida", passo a traçar a caminhada definitiva, aquela que me fará encontrar a paz exatamente onde ela está. Sem arrependimentos, sem apegos, sem dar ouvidos a qualquer tipo de clamor.&lt;br /&gt;Se as pessoas realmente fossem empáticas, talvez alguém entendesse que certos sentimentos, por mais raros que sejam, não podem ser abandonados, esquecidos, superados. Quando um indivíduo se propõe a ser diferente e, ainda que pareça o contrário, decide não ser mais um na multidão, a empatia não tem serventia nenhuma. Qualquer conselho entra por um ouvido e sai pelo outro, justamente porque a solução de certos casos precisa, sim, ser oito ou oitenta. Se é o morno que me sobra, eu dispenso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-7811521162940115230?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/7811521162940115230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=7811521162940115230&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7811521162940115230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7811521162940115230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/01/ninguem-compreende-sua-beleza.html' title='Ninguém compreende sua beleza'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-8913751440209641492</id><published>2010-01-25T20:59:00.004-02:00</published><updated>2010-01-25T21:32:51.762-02:00</updated><title type='text'>À esquerda</title><content type='html'>Não posso me queixar de não receber elogios. As pessoas são um tanto exageradas quando fazem referência à minha pessoa, essa é a verdade, principalmente as da família. Não que eu não goste, apenas não concordo com certos adjetivos dirigidos a mim, e mais, penso que isso mascara grande parte do real fracasso que eu sou.&lt;br /&gt;Sempre fui um cara bonzinho, careta. Sem vícios, de caráter límpido, por vezes até exageradamente caxias. É bem verdade que na escola eu era o capeta em forma de gente. Tirava boas notas, mas vivia frequentando o setor disciplinar, normalmente por atitudes infantis que deixavam colegas e professores fulos da vida. Porém, no mais, era um guri pacífico, de boa índole e extremamente caseiro. Dei pouco trabalho à minha mãe no quesito comportamento.&lt;br /&gt;A chegada do meu irmão, quando eu tinha treze anos, fez com que eu queimasse algumas etapas e amadurecesse a duras penas. De uma hora pra outra, virei homem da casa, o exemplo. A bem da verdade, isso nem incomodou tanto, já que eu permaneci sendo uma pessoa de hábitos simples, agindo com retidão na maior parte do tempo e criando quase nenhuma confusão. Pode-se dizer que o caçula da casa teve boas referências masculinas durante bom tempo.&lt;br /&gt;Então, chegou o amor, uma verdadeira tsunami emocional. Foi o momento em que vi minha vida virar de pernas pro ar por causa de uma guria, a adolescência explodiu com voracidade e eu, naturalmente, não aguentei. Por sorte, depois de sofrer um bocado com tantas novidades em um ano e meio, acabou dando certo e o namoro se criou.&lt;br /&gt;Tudo andava muito bem, obrigado. Em casa, a situação era pacífica, minha mãe sempre me teve como referência dentro do lar, meu irmão me via como herói de histórias em quadrinhos e para os avós eu sempre fui o sol que brilhava sem parar para alegrar seus corações. De quebra, a namorada me amava da maneira mais límpida que o próprio amor poderia julgar propícia. Uma verdadeira dádiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais alta é a escada, maior é o tombo. Ninguém consegue viver uma vida só de qualidades, maravilhas e alegrias. Foi assim que, aos poucos, a ilusão que a maioria das pessoas criou a meu respeito começou a ruir dentro de mim, revelando uma criatura que talvez só eu conheça atualmente.&lt;br /&gt;Vieram os erros, um atrás do outro. Sem estrutura para confrontá-los e resolvê-los, empilhei situações embaraçosas, palavras nocivas e uma grande confusão sentimental. Foram anos difíceis, eu sei disso. Passei a ser visto, pelo menos para meus amigos, como uma pessoa inconstante, imprevisível, de muitas idas, várias vindas e poucas certezas.&lt;br /&gt;Percebi que havia empenhado muito do meu tempo nas relações com amigos que hoje sequer lembram que eu existo. É claro, não eram amigos, e sim fases. Os verdadeiros permanecem até hoje, mesmo sabendo todo o meu fracasso. Ainda há quem se iluda com um Antônio gente boa, que erra, mas também acerta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, se eu fosse meu pai, minha mãe ou meus avós, não sentiria orgulho de um filho assim. O que eu construí em 24 anos? Um punhado de lembranças, talvez. De resto, nada. Enquanto todos trataram de encaminhar suas vidas e deixaram o tempo cuidar do verdadeiro amor, eu matei o meu, dia após dia. Na tentativa de controlar tudo à minha volta, perdi o sentido das coisas e, consequentemente, o rumo certo que tanto pensava que seguia.&lt;br /&gt;De quebra, a vida fez o favor de levar embora um de meus melhores pilares. O que já estava complicado, piorou. Em meio às festas, ainda que a companhia dos amigos sempre tenha sido outra grande conquista, permiti que as efemérides destruíssem o que eu tinha de melhor, e chafurdei no fracasso.&lt;br /&gt;Algumas pessoas acordam a tempo, aproveitam as chances que a vida dá. Eu não fiz. Pelo contrário, joguei tudo fora. Cheguei num ponto em que já não me considerava mais suficiente, muito pelo fato de justamente não ter construído nada e, com isso, não ser uma boa alternativa de futuro para alguém que merecia tanto uma vida maravilhosa.&lt;br /&gt;Certa vez, um amigo metido a filósofo sentenciou: "sempre haverá alguém melhor do que você". Maldita boca santa. A colheita do plantio frustrado veio a galope e, em dois meses, a vida virou um inferno, ainda que todo pautado pela realidade dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que vale, então, escrever bonitinho? Ser o palhaço da turma? Saber falar em público? Ter timming, fazer piadas e despertar gargalhadas? Imitar o Paulo Sant'anna e uma série de personagens ridículos? Cantar meia-dúzia de modas de viola? Andar a cavalo, dominar a lida campeira? Comprar um carro, ter um bom emprego? De que vale tudo isso sem amor?&lt;br /&gt;Me pergunto, sem parar, qual o verdadeiro sentido de ser tão admirado, tão querido, se na verdade é tudo farsa, um abissal engano, a nítida máscara do fracasso. Questiono, o tempo todo, até onde é válido viver sorrindo, mas sofrendo. Viver de festa, mas emocionalmente funesto. Resolver mudar, pensar pra frente, seguir os incentivos, mas ser substituído aos quarenta e cinco do segundo tempo, justo na hora de comemorar o título. Recuperar a esperança de construir todos os sonhos, mas vê-los indo embora com a onda do mar de Perequê, feito um bobo castelinho de areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se deixem levar pelo sorrisinho maroto e afável. Eu não valho nada. Nem para os outros, nem pra mim, nem pra ninguém. Muito menos para quem deveria. É tudo um grande engano, a verdadeira nota zero. À esquerda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-8913751440209641492?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/8913751440209641492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=8913751440209641492&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8913751440209641492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8913751440209641492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/01/esquerda.html' title='À esquerda'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-4732120743430513656</id><published>2010-01-19T21:03:00.006-02:00</published><updated>2010-01-20T09:09:13.096-02:00</updated><title type='text'>Pareço um menHino</title><content type='html'>Ao longo da minha pseudo-história dentro da literatura quemomentista, são duas as situações que eu identifico como molas propulsoras da minha inspiração: quando estou muito apaixonado, ou muito triste. Quando as duas sensações comungam, então, eclode uma tsunami de idéias férteis feito as margens do Rio Nilo, todas mais impacientes que anão em comício. A decorrência disso acaba sendo, é claro, correr para cá esbaforido e passar vários minutos frutiferando a onomatopéia tec-tec-tec.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantos já me &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;ouviram &lt;/span&gt;dizer tudo o que sinto... Seja em festa, no trabalho, na internet ou abastecendo num posto &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;Ipiranga&lt;/span&gt;, o fato é que minhas emoções estão constantemente &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;às margens&lt;/span&gt;, sejam revoltas ou &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;plácidas&lt;/span&gt;. Todo esse &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;povo &lt;/span&gt;escuta meu relato nada &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;heróico &lt;/span&gt;que, ainda que contado com voz suave, gostaria mesmo de ser proferido com um vigoroso &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;brado retumbante&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Fazer o quê, se o&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt; sol da&lt;/span&gt; minha &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;liberdade &lt;/span&gt;és tu? Se, pensando em ti, meu amor emana &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;raios fúlgidos&lt;/span&gt; e &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;brilha no céu&lt;/span&gt; a todo &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;instante&lt;/span&gt;? Não há &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;igualdade &lt;/span&gt;entre as sensações. Às vezes, sou tão fraco; noutras, penso que &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;consigo conquistar com braço forte&lt;/span&gt; tudo o que busco e, em poucos minutos, viro criança querendo deitar &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;em teu seio&lt;/span&gt;, &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;desafiando em meu peito a própria morte&lt;/span&gt;. É como consigo te ver, &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;amada&lt;/span&gt;, linda, &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;idolatrada&lt;/span&gt;, a única que eu permito que me &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;salve&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Passo o tempo assim, nesse &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;sonho intenso&lt;/span&gt;, respirando sentimento, faça sol, chuva, tempestade ou &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;raio&lt;/span&gt;. É tão &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;vívido&lt;/span&gt;! Esse &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;amor &lt;/span&gt;é que me dá &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;esperança&lt;/span&gt;, pois, todas as vezes em que vôo para longe, tu me trazes &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;à terra&lt;/span&gt;, e o mesmo louco &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;desce&lt;/span&gt;. Vejo teu olhar &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;formoso&lt;/span&gt; como um &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;céu&lt;/span&gt;, tão &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;risonho&lt;/span&gt; - mesmo sem ter trinta e dois dentes - tão &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;límpido&lt;/span&gt;, que essa &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;imagem &lt;/span&gt;parece &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;resplandecer &lt;/span&gt;em meu coração o tempo todo.&lt;br /&gt;É assim que me sinto &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;gigante&lt;/span&gt; como o mar, &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;a própria natureza&lt;/span&gt;, o universo! Esse amor tão &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;belo&lt;/span&gt;, tão &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;forte &lt;/span&gt;durante todos esses anos e que, por mais que se diga o contrário, sei que permanece &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;impávido&lt;/span&gt;, sólido que é um &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;colosso&lt;/span&gt;! Aliás, baseado nesse histórico é que tento fazer com que o &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;futuro &lt;/span&gt;seja bom, &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;espelhando &lt;/span&gt;para todos essa &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;grandeza &lt;/span&gt;única. Não tenho mesmo a menor vergonha de dizer que és assim para mim, &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;adorada&lt;/span&gt;, porque &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;entre outras mil és tu &lt;/span&gt;que permanece sendo a única verdadeiramente &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;amada&lt;/span&gt;. É com quem quero ter &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;filhos&lt;/span&gt;, construir minha história, meu &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;solo&lt;/span&gt;, te fazer &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;mãe&lt;/span&gt;, dar os bisnetos que tanto queria o vô &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;Gentil&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, quando já estou &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;deitado&lt;/span&gt;, fico pensando em ser feliz &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;eternamente&lt;/span&gt;... E rolo de um lado pra outro na cama, como um bebê no &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;berço&lt;/span&gt;, mas não me chateio, porque te amar é &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;esplêndido&lt;/span&gt;. Lá na praia mesmo, refletia &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;ao som do mar e à luz do céu&lt;/span&gt; meu sentimento mais &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;profundo&lt;/span&gt;. E sentia dentro de mim &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;fulguras &lt;/span&gt;borbulhando, que mostravam o quanto estava decidido a percorrer, se preciso, toda a &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;América &lt;/span&gt;atrás de ti, porque me deixas &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;iluminado&lt;/span&gt; mais que o &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;sol&lt;/span&gt;, me fazes querer &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;um novo mundo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;É tudo tão diferente, mais forte que tudo, &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;do que &lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(0,0,0)"&gt;minha &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;terra&lt;/span&gt;, minha São Chico &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;garrida &lt;/span&gt;de fé. Só penso nos &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;teus&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; trejeitos &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;risonhos &lt;/span&gt;e chego a esquecer daqueles &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;lindos campos&lt;/span&gt; cheios de macega e &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;flores&lt;/span&gt;. Sem ti fico abandonado feito um &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;bosque&lt;/span&gt;, e quando retornas &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;tenho mais vida&lt;/span&gt;, e penso na &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;nossa vida&lt;/span&gt; juntos, repleta de mais e &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;mais amores&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Tudo o que faço, de e-mails, mensages, até meus textos, é só para que &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;de amor eterno seja símbolo&lt;/span&gt;. Daqui a cinquenta anos, quero que digam que somos um casal que ainda &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;ostenta &lt;/span&gt;um amor pleno, feito um céu &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;estrelado &lt;/span&gt;de verão. Que &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;digam&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; que, mesmo velhinha, &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;verde-louro &lt;/span&gt;dos teus olhos é sinônimo de &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;paz no futuro&lt;/span&gt;, fruto de nossas &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;glórias do passado&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;Mas&lt;/span&gt;, enquanto estás longe, &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;ergues &lt;/span&gt;uma &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;clava &lt;/span&gt;e crava em meu peito. Não discuto o conceito de &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;justiça&lt;/span&gt;, sei que fui fraco quando devia ser mais &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;forte&lt;/span&gt;. Ainda assim, &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;verás que&lt;/span&gt;, mesmo tendo errado, continuo sendo uma boa pessoa, bom amigo, bom &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;filho&lt;/span&gt;, e não vou &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;fugir da luta&lt;/span&gt;! Contigo ao meu lado &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;não temo&lt;/span&gt; nada, porque &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;te&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;adoro&lt;/span&gt;, não me espanta nem &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;a&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;própria morte&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Que faças o que julgares correto, porém, mesmo assim, ainda és minha &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;terra&lt;/span&gt;, meu porto seguro, terna e &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;adorada&lt;/span&gt;. Que venham &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;outras mil&lt;/span&gt;, não importa, continuarás sendo a única &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;amada&lt;/span&gt;. Ainda não perdi a esperança de ter meus &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;filhos &lt;/span&gt;contigo, dar netos à minha &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;mãe &lt;/span&gt;e os sonhados bisnetos do vô &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;Gentil&lt;/span&gt;. Nem que tenha que percorrer todo o &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(0,153,0)"&gt;Brasil&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-4732120743430513656?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/4732120743430513656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=4732120743430513656&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4732120743430513656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4732120743430513656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/01/pareco-um-menhino.html' title='Pareço um menHino'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-3376368960945438991</id><published>2010-01-18T23:19:00.002-02:00</published><updated>2010-01-18T23:51:20.554-02:00</updated><title type='text'>Caixinha de música</title><content type='html'>Antes de começar a ler esse texto, faça uma pequena pausa. Inspire fundo e procure o maior estado de relaxamento e leveza que seu cérebro conseguir. Feche os olhos por um instante e mentalize uma paisagem que lhe trasmita a mais absoluta paz de espírito. Faça isso por breves e intensos segundos, de modo que sua essência pareça levitar. Agora, embuído dessa mística aura de equilíbrio, dê seguimento à leitura do texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propus essa parada porque é com a mais absoluta paz de espírito que redijo estas palavras. Mesmo que o mundo esteja desabando, encontrei uma maneira possível de acalmar meu coração com ternura e parcimônia. É quase como se minha vida dependesse disso, de flutuar numa brisa leve, ao som de uma música como... o Tema de Lara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha avó tem uma caixinha de música bem antiga. Ela tem formato de um piano de cauda e servia, antigamente, como porta-jóias. Havia num dos pequenos compartimentos uma bailarina pequena que, quando colocada sobre o imã do piano com a tampa aberta, funcionava como um palco onde ela deslizava suavemente ao som da canção que toca a caixinha quando lhe era dada corda.&lt;br /&gt;A música que tocava chama-se Tema de Lara. Abrir a tampa da caixa e ouvi-la constitui um momento sublime da minha infância que, confesso, até já tinha esquecido. Foi quando, neste fim-de-semana, revirando o guarda-roupas da vó, encontrei, num cantinho, aquele objeto que me hipnotizava durante horas.&lt;br /&gt;Sempre alertado pelo valor estimativo da caixa, ela permitia que eu desse corda e ouvisse a melodia suave que parecia emanar de dedos leves tocando aquele piano. Quando acabava, eu tornava a fazê-la funcionar diversas vezes até enjoar.&lt;br /&gt;Naquela época, ainda criança, minha preocupação era somente curtir aquela delícia de momento com suavidade, sem nem imaginar o quanto poderia vir a fazer diferença um dia. Sábado, porém, quando vi a caixinha após tantos anos de ostracismo, meu coração pulou. Peguei-a com cuidado e constatei que as dobradiças da tampa quebraram. Cheguei a pensar que não funcionaria mais.&lt;br /&gt;Contudo, ao retirar a tampa, o som que meus ouvidos absorveram me fez voltar quase vinte anos no tempo e, num gesto praticamente involuntário, cerrei os olhos por um instante e experimentei a mais pura nostalgia dos meus tempos de criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um tempo bem delicioso de se viver. Os cabelos, ainda soltos, voavam ao menor sinal de vento, o sorriso era fácil, as feridas eram todas externas e saravam assim que a casca caía. Durante as férias, as casas das avós serviam como refúgio, diversão e tornavam-se sinônimo de perfeição.&lt;br /&gt;Com as avós, escutava o Sérgio Zambiasi na Farroupilha, me empanturrava com massa de pão crua, jogava canastra, montava fazendinhas, comia pão de cabritinho, cantava a música do Sereno antes de dormir e brincava de matar bugios de mentirinha.&lt;br /&gt;Com os avôs, tratava os galos, me divertia curando bicheiras nas ovelhas, perguntava o nome de todos os passarinhos, comia coalhada, casquinha de queijo do dia anterior, pescava no rio, flutuava numa bóia preta, brincava com as pedrinhas e chorava de ciúmes do cavalo vermelho.&lt;br /&gt;A vida era, em suma, como o Tema de Lara da caixinha de música: leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chaplin, certa vez, disse que a vida deveria ser o contrário, onde nasceríamos velhos e faríamos o processo inverso, rejuvenescendo com o passar dos anos, vivendo as alegrias da infância no fim da vida e terminando tudo num belo orgasmo.&lt;br /&gt;Talvez tudo não fosse bom se fosse desse jeito, mas a verdade é que o tempo leva a suavidade da vida para um lugar desconhecido, dando lugar aos problemas, dissabores, perdas e rugas. Além disso, há os medos, dúvidas e os erros. Todos, somados, são fatores que subtraem a graça da vida, o colorido da felicidade e a magia dos tempos de infância.&lt;br /&gt;Quando recordo o tema da caixinha de música da minha vó, esqueço de tudo que me deixa com o coração apertado. Flutuo. Absorto, deixo de pensar em qualquer coisa por alguns minutos, enquanto a nostalgia hipnotiza meus pensamentos e me reporta ao tempo em que não havia nenhuma dificuldade para ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao acordar, quanta ironia, a melodia da caixinha acabou, a bailarina não existe mais e a felicidade já toca no piano de outro. Queria, nesses momentos, que fosse possível apenas dar corda e começar tudo outra vez. Não é. Paciência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-3376368960945438991?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/3376368960945438991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=3376368960945438991&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3376368960945438991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/3376368960945438991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/01/caixinha-de-musica.html' title='Caixinha de música'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-6052475047394818343</id><published>2010-01-14T17:26:00.004-02:00</published><updated>2010-01-14T17:49:52.306-02:00</updated><title type='text'>Adocica, meu amor, adocica!</title><content type='html'>Sou meu próprio analista. Pode parecer meio excêntrico dizer isso, mas é a mais pura verdade. Ocorre que, em certos momentos nos quais eu realmente constato que estou precisando de terapia, passo por um estranho processo cósmico igual àquele que as amebas fazem, sei lá se é mitose, meiose, osmose ou fimose, se envolve as mitocôndrias, realmente não sei, mas eu me bifurco e viro em dois. Opa, esqueçam as mitocôndrias, acabei de lembrar que elas são responsáveis pela respiração celular.&lt;br /&gt;O primeiro fruto da divisão sou eu, o paciente. É o mesmo Antônio de sempre, só que sem armaduras e disposto a ouvir umas verdades. Já o analista, nada parecido com o de Bagé, que joelhaço comigo não funciona, pode ser facilmente descrito como uma figura de bigodes brancos, sobrancelhas espessas e usando óculos, pois gosto de terapeutas que usam óculos. Freud deve explicar.&lt;br /&gt;Armei o divã, pus uma música gaudéria pra tocar e dei início à charla. Nessas horas é bom, porque não tem limite de tempo e eu me escuto como ninguém. Discorri acerca deste tema que tem me branqueado as melenas, conjecturei, levantei possibilidades e o escambau. Enquanto isso, meu lado analista marcava a vaneira com o pezinho batendo de maneira intermitente, alisava o bigode vez ou outra e, com parcimônia, apenas ouvia.&lt;br /&gt;Finda a celeuma, saí do divã, peguei o bloquinho de armazém, desenhei um jogo-da-velha e me desafiei. Deu empate. Virei a folha, fiz a lista do supermercado e só então passei a dar a versão dos fatos vista de maneira analítica, pragmática e neutra.&lt;br /&gt;Confesso: levar uns tapas de si mesmo não é fácil. Uma, porque dói. Duas, porque é ridículo tapear-se, e é claro que trata-se apenas de uma metáfora, pois já chega o fato de eu chegar ao cúmulo de conversar comigo mesmo como se fosse uma terapia de fato, então não teria o mínimo cabimento sair me batendo à bangu.&lt;br /&gt;De todo modo, tive de ruminar certas verdades indeléveis e aceitar outras irretocáveis, entre elas o fato de que do jeito que estava não dava pra ficar. Frase feia, mas é assim mesmo que funciona. Sofrer é uma maneira cômoda de encarar um problema, já que a vitimização te fragiliza a ponto de facilitar o pensamento de que a dor é invencível. Contudo, a roda da vida gira exatamente para o lado oposto. Se você não quer ser chamado de sujo, não é chafurdando na lama que vai conseguir isso. Pelo contrário, tome um banho e o resultado será imediato.&lt;br /&gt;Ou seja, entender a ação do tempo, as atitudes inesperadas e dosar a mágoa com o aprendizado é tarefa necessária para amadurecer. Os diversos estágios que devem ser atravessados para se atingir a calmaria envolvem, sim, a libertação. Acabamos caindo naquela velha máxima do jardim, que só atrai as borboletas se estiver bem cuidado, florido e pronto para recebê-las.&lt;br /&gt;Volto a dizer que não é fácil, porém é tão necessário quanto complicado. Não basta mudar, mas ratificar. Enquanto isso, a vida precisa seguir, e precisa seguir alegre, cercada de boas vibrações e o máximo possível de sentimentos que atraiam o otimismo, combustível indispensável para se viver a felicidade em sua plenitude. Não se pode garantir a ausência de uma dor, mas ficar sem tomar o remédio é, no mínimo, insanidade.&lt;br /&gt;Terminada a terapia, uni as partes, troquei das gaudérias para Beto Barbosa e, pelo menos por enquanto, o negócio é remexer as cadeiras e bailar o Adocica. É jeca, mas é jóia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-6052475047394818343?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/6052475047394818343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=6052475047394818343&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6052475047394818343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6052475047394818343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/01/adocica-meu-amor-adocica.html' title='Adocica, meu amor, adocica!'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-7820443117909431924</id><published>2010-01-08T20:53:00.002-02:00</published><updated>2010-01-08T21:17:29.883-02:00</updated><title type='text'>A difícil tarefa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"I'll take a risk, take a chance, make a change and breakaway"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;(Breakaway - Kelly Clarkson)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Acordei sobressaltado com o toque do telefone e, como que o choque fosse proposital, a ligação trouxe consigo uma triste notícia: o falecimento da mãe de uma amiga. Ainda sonolento, escutei, atônito, às informações passadas pausadamente, o tom fúnebre peculiar dessas horas e, devagar, tentei, como tento até agora, fazer cair a ficha.&lt;br /&gt;Não gosto de mortes, muito menos de perdas. Há quem lide bem com isso, alguns inclusive surpreendem com a força que demonstram nessas horas. Eu, sinceramente, não consigo assimilar. Se com os outros já é triste, imagine sentir na pele, sofrer o aperto todos os dias, o tempo todo. Não é fácil. É por isso que o mínimo que posso fazer é tentar oferecer um pouco de apoio à amiga que sofreu tão pesada perda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente perde as pessoas para a morte, perde outras para a vida. Que coisa isso. Em 2009, por exemplo, eu tive que amargar os dois tipos e, sinceramente, ainda não consegui concluir o que dói mais. Verdade incontestável é que não cessa, dói o tempo todo, corrói o peito, aperta, angustia. É difícil sentir saudade de quem partiu para sempre, e mais ainda sentir a falta de quem está ali, mas não está.&lt;br /&gt;Sempre que ocorre uma lembrança vívida de quando o vô partiu, eu recordo o momento em que meus amigos adentraram o velório, onde eu estava sentado, absorto em meus pensamentos, ainda organizando as incongruências impostas pelo destino. Imaginava que não sentiria dor parecida tão cedo, que teria de ser bravo e enfrentar a mutilação e, quando enxerguei todos ali compadecidos, entendi que não estava sozinho.&lt;br /&gt;O melhor abraço, no entanto, se foi. Por minha causa, é bem verdade. Ironicamente, agora não consigo mais chorar naquele que era meu ombro mais cúmplice, alguém que sempre me tratava como porto seguro, mas que tinha o dobro dessa importância na minha vida. Passo o tempo todo procurando maneiras de diminuir a dor, tentando me libertar desse labirinto que me sufoca, mas não consigo. É como estar condenado eternamente pelos erros que cometi e, mesmo que me arrependa, mesmo que mude, que faça de tudo para ser melhor, nunca serei. Sinto-me eternamente insuficiente e incompleto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou começando a cansar de ouvir músicas e recordar, de ir a festas e não conseguir sorrir, fato que alarma até aos estranhos. Não consigo ser marionete o tempo todo, que brinca, brinca e brinca. Chega uma hora em que o corpo esgota, a mente chega ao limite e, estático, consigo apenas permanecer sorvendo a dolorosa lembrança do que já não é mais.&lt;br /&gt;Esperança? Pois é, é a última que morre. Embora quem partiu com a morte não volte mais, há quem diga que a vida traz os vivos de volta. Entretanto, durante o luto nada parece fácil, principalmente quando lhe acompanha a culpa de não ter sido bom o bastante, de ter acordado tarde demais, de não saber sequer como agir, o que dizer, como e quando sentir. Tudo parece incomodar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de amanhã será o primeiro aniversário do vô Gentil que passaremos sem a sua presença. Dói tanto, ainda não sei como lidar com a falta do timbre grave que ele tinha, as idéias ortodoxas, firmes, fundamentadas. Meu avô era um alicerce, sem ele me sinto inseguro, incapaz de enfrentar certas dificuldades que a vida teima em impor.&lt;br /&gt;Quantas datas terei de atravessar sentindo isso? Quantos dois de abril, vinte e um de maio, catorze de novembro, quantos dezoito, vinte e um de outubro serão somente lágrimas? Quando conseguirei me convencer de que todos os dias foram marcantes, mas que talvez a tua libertação os transforme somente em lembrança vã, bonitinha e "que tenha sido eterna enquanto durou"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida segue, sabe. Mas isso não significa que eu esteja contente com isso. Perder cansa. Dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vem Pra Cá&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Papas da Língua)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não ver você, não tem explicação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É caminhar pela escuridão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;  Ficar a fim e não poder falar,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;  querer o sim e não se acostumar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;  com a solidão, o medo de amar,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;  estranho vazio no seu olhar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;  Eu tento achar em algum lugar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;  o amor que você deixou pra trás.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vem pra cá...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-7820443117909431924?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/7820443117909431924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=7820443117909431924&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7820443117909431924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7820443117909431924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/01/dificil-tarefa.html' title='A difícil tarefa'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-2094131364746468080</id><published>2010-01-05T19:31:00.002-02:00</published><updated>2010-01-05T20:13:32.982-02:00</updated><title type='text'>A distância entre o duradouro e o efêmero</title><content type='html'>- Cara, tô subindo pro freezer tudo o que tenho de bebível na geladeira...&lt;br /&gt;- Aham.&lt;br /&gt;- O último foi um frasco de molho shoyo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de diálogo ilustra momentos da minha vida nos quais eu faço o que há de melhor para qualquer pessoa: ficar sem ar de tanto dar risadas. Passei o dia hoje na casa de um grande amigo, que também está curtindo suas férias igual a mim. Grande nos dois sentidos, uma vez que o cidadão tem dois metros de altura. Thiago é o nome dele.&lt;br /&gt;O cara em questão faz parte de um seleto grupo de pessoas na minha vida que eu classifico como amigos de verdade. Felizmente, tenho a sorte de ser um cidadão que se relaciona muito bem em qualquer lugar que chega. Ainda assim, não é todo guaipeca que eu deixo morar na cobertura com vista pro mar do meu coração. Durante meu quase quarto de século de existência, poucos conseguiram chegar até lá, e uma minoria ainda permanece instalada há alguns anos.&lt;br /&gt;Isso se deve ao fato de que eu sou um tanto seleto em minhas relações. Conheço muita gente, sou carismático, puxo papo com Deus e o mundo, mas não costumo abrir minha vida por aí, ainda que o fato de publicá-la num blog contrarie essa tese. No entanto, o que aqui está escrito não é nem dez por cento da pessoa que realmente sou e que somente meus companheiros inseparáveis conhecem.&lt;br /&gt;Filei a bóia na casa do Thiago na cara dura, nossos quase dez anos de amizade permitem isso. De quebra, ajudei-o, com muito esforço, a esgotar o estoque de cerveja que o rapaz mantinha religiosamente em sua morada, fato que rendeu uma tarde de muita conversa franca, música gaudéria à revelia, trinta e três partidas de dominó (17 vitórias minhas, 12 dele e quatro empates) e um fardo de gargalhadas.&lt;br /&gt;Conversar com esse meu amigo é sempre a origem de frases que permanecem em meu pensamento por alguns dias, devido à profundidade das reflexões e à franqueza com que dividimos o que ocorre em nossas vidas. Ouvir o cara dizendo coisas do tipo: "meus melhores amigos não são aqueles que estão comigo todos os dias", sendo que realmente nos vemos de tempos em tempos, já que a correria não nos permite tanta aproximação, ou escutar conselhos valiosos e, sobretudo, sensatos, são conquistas que só atinge uma pessoa que realmente sabe construir seus laços de amizade com solidez.&lt;br /&gt;Tive essa sorte, devo confessar. Já escutei que as pessoas são diferentes, que amigo é aquele que te pega pelo braço e diz "vem, que eu te levo". Ouvi também que as pessoas passam e até mesmo que uma certa dose de infantilidade é aceita no caso de a pessoa estar apenas tentando defender seu amigo de fé, irmão camarada. Ainda assim, o curioso é que, de todas essas características, não consigo encontrar sequer uma em meus amigos de verdade.&lt;br /&gt;As pessoas são todas diferentes, é claro, mas o conceito de amizade eterna não me parece ser tão ramificado assim. Meus amigos, por exemplo, não dizem "vem, que eu te levo". Todos eles, sem exceção, dizem "você pode vir conosco se quiser, mas esteja certo de que nós estaremos contigo seja qual for a tua escolha". Amigo não manipula, mas aceita suas atitudes; não impõe as roupas que você vestirá, a festa que fará, ou com quem você se relacionará, mas dá idéias, sugere caminhos, busca um denominador comum rumo à felicidade.&lt;br /&gt;Se alguém passa em sua vida, é porque não é, nem nunca foi amigo. Pode ter sido importante, companheiro, até mesmo indispensável num dado momento da caminhada. Contudo, se é de verdade, será indispensável para sempre. Pode, sim, cometer infantilidades, todos podemos errar, não é mesmo? Ainda assim, não tem o direito de interferir no passado, no que já estava construído e em assuntos nos quais não tem completo conhecimento de causa. Isso, pelo menos para mim, é o verdadeiro sufocar, determinar e, principalmente, é o medo de perder uma pessoa por pura falta de segurança. Se lhe falta segurança quanto à amizade de alguém, será que é mesmo de verdade?&lt;br /&gt;Meus amigos me completam, me acrescentam qualidades e me tornam melhor. Tornar alguém melhor significa apresentar a diversão, porém sem vulgarizar; contar piadas sujas, mas não fazer dos palavrões seu principal vocabulário. Aliás, todas essas impressões aqui externadas até agora me fizeram refletir nos últimos dias sobre o verdadeiro significado de decepção, ser importante e, principalmente, fazer a diferença na vida de alguém.&lt;br /&gt;Não me interessam as maravilhas efêmeras, o conselho de ocasião, aquele ombro amigo que aparece milagrosamente na hora da pior dificuldade. Prefiro que a pessoa esteja comigo desde o início, que não mostre um lado desconhecido da noite para o dia e acabe pondo em dúvidas todos os conceitos pregados durante vários meses. Meus melhores amigos cometeram e ainda cometem vários erros e permitiram, algumas vezes, que eu pensasse que estava sozinho, devo confessar. Todavia, todos, sem exceção, retornaram cedo ou tarde, e me fizeram enxergar que eu estava enganado.&lt;br /&gt;Eu conto muito com quem eu amo, pois sei que todas essas pessoas também me admiram, conhecem o meu caráter e meus sentimentos. São pessoas que me criticam sem doer, porque sabem a maneira certa de manobrar comigo. Posso, sim, criar novos vínculos, permitir que outras pessoas venham a ser especiais em minha vida. No entanto, não deixarei jamais de cultivar os bons e velhos laços, aqueles que, mesmo empoeirados, ainda protagonizam os melhores pealos. É como disse o Thiago numa frase que acabei completando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um sentimento que não começou ontem, né, cara.&lt;br /&gt;- E que não vai terminar amanhã...&lt;br /&gt;- De fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorte de quem opta por isso. Ainda que algumas músicas sirvam quase que exclusivamente para as histórias de amor, vale colocar essa frase também no campo das amizades, abusando do sentido metafórico: "vai sentir o amargo de outras bocas lembrando meu sabor..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Você Vai Ver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Zezé Di Camargo e Luciano)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Você pode encontrar&lt;br /&gt;Muitos amores&lt;br /&gt;Mas ninguém vai te dar&lt;br /&gt;O que eu te dei&lt;br /&gt;Podem até te dar&lt;br /&gt;Algum prazer&lt;br /&gt;Mas posso até jurar&lt;br /&gt;Você vai ver&lt;br /&gt;Que ninguém vai te amar&lt;br /&gt;Como eu te amei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pode provar&lt;br /&gt;Milhões de beijos&lt;br /&gt;Mas sei que você vai&lt;br /&gt;Lembrar de mim&lt;br /&gt;Pois sempre&lt;br /&gt;Que um outro te tocar&lt;br /&gt;Na hora você pode se entregar&lt;br /&gt;Mas não vai me esquecer&lt;br /&gt;Nem mesmo assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou ficar&lt;br /&gt;Guardado no seu coração&lt;br /&gt;Na noite fria solidão&lt;br /&gt;Saudade vai chamar meu nome&lt;br /&gt;Eu vou ficar&lt;br /&gt;Num verso triste de paixão&lt;br /&gt;Em cada sonho de verão&lt;br /&gt;No toque do seu telefone&lt;br /&gt;Você vai ver...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-2094131364746468080?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/2094131364746468080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=2094131364746468080&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/2094131364746468080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/2094131364746468080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2010/01/distancia-entre-o-duradouro-e-o-efemero.html' title='A distância entre o duradouro e o efêmero'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-4326831327264359901</id><published>2009-12-24T09:00:00.003-02:00</published><updated>2009-12-24T09:00:00.583-02:00</updated><title type='text'>Gauchinha Bem-querer</title><content type='html'>Véspera de Natal... Todas as pessoas, a essa hora, devem estar cuidando dos preparativos para a ceia, a celebração em família desta data que move multidões, seja no âmbito comercial, seja porque o coração fala mais alto e sugere um clima de harmonia.&lt;br /&gt;Não nego que passo por um bom momento, pelo menos profissionalmente. A própria vida, de um modo geral em termos psicológicos, está tranquila. Mas, como minha pirâmide tem três pontas, me falta o teu amor, não adianta. É um pedaço a menos, uma parte que falta e que não me permite estar conformado.&lt;br /&gt;Dessa forma, enquanto a maioria procura gerir as celebrações natalinas, eu sigo pedindo ao Papai Noel um presente que não cabe num embrulho, que não se envia por Sedex. Queria, de verdade, um olhar, algumas horas de conversa. Talvez um abraço, se não for muita pretensão. E duas colheres de carinho, ultrapassando as barreiras da audácia.&lt;br /&gt;Para minha desilusão, há alguns anos descobri que Papai Noel não existe. Foi traumático, porém necessário. Com isso, um dia como o de hoje me sugere muitas lembranças, recordações boas de tempos passados que, enquanto não voltam, servem de consolo para que eu não pense que a vida foi em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As gaudérias tocam sem cessar por aqui. Tenho preferido as mais calmas, pois, acompanhadas de um mate, me levam para longe... Por outro lado, quando toca uma vaneira, ou, principalmente, um chote, é impossível não te sentir rodopiando ao meu lado.&lt;br /&gt;A propósito, lembra do primeiro baile em que fomos juntos? Sinceramente, apesar de muito me esforçar, não consigo lembrar quando foi. Apenas me vem à mente nós dois no salão dançando a noite inteira, suando em bicas e aprimorando a sincronia que nunca atingi com mais ninguém.&lt;br /&gt;Aliás, que parceira de bailes! Não lembro de uma mísera recusa, jamais! Sempre disposta, por mais cansada que estivesse, não recusava meus convites para dançar mais uma vaneira. Na rancheira, então, que pavor! Fazer o quê, se me baixa o santo nessas horas e desato a corcovear feito um redomão com a cincha nas virilhas. Quando ela chegava ao final, teus pezinhos pediam clemência aos céus, e eu te dava o tempo suficiente de descanso, pelo menos até que tocasse o próximo chote.&lt;br /&gt;Ainda não conseguimos, por sinal, entrosar esse ritmo trocando os pares com os guabirovas. A única com quem consegui foi, pasme, minha irmã. Mas isso só aconteceu porque eu finalmente prestei a atenção na marcação do Lauro e do Luís, e agora consigo acertar o tempo certo de figurar e, em seguida, executar a troca. Não tem erro, tu vai pegar direitinho, tenho certeza.&lt;br /&gt;Quantos elogios recebi de nós dois dançando. Paramos algum baile com nossas figuras afiadas, principalmente depois que fizemos aquele curso de aperfeiçoamento. Bastava uma palavra, um rápido olhar ou um movimento de mãos, para que tu soubesse exatamente qual seria a próxima figura. Pena que já esqueci as mais legais... Também, quando foi nosso último baile? Na Várzea, em janeiro? É, faz tempo.&lt;br /&gt;O mais demorado para assimilarmos foi o tal de chamamé. Um pouco por preguiça, já que, no início, quando o ritmo iniciava, nos retirávamos da sala. Por incrível que pareça, tive que aprender na marra, pra dançar lá em Minas pelo coral. Agora, nem chamamé eu recuso mais. Mesmo assim, os trancos e barrancos contigo foram o máximo de sincronia que eu já atingi. Agora que estou mais seguro, tenho certeza que daríamos show também nessa hora.&lt;br /&gt;Valsa, que tédio! Milonga, nem pensar. Não gosto, coisa mais lenta que tropeada de lesma. Uma polonésia pra variar, de vez em quando, um bugiozinho marcado, contrapasso pra relaxar e, claro, dezenas de vaneiras. Às vezes, treinando o dois-e-um, só pra dificultar, variar um tiquinho. De qualquer forma, dançar a noite inteira sempre foi o nosso lema.&lt;br /&gt;Quem diria que, em quinze anos por aqui, te tornaria tão bela prenda. Se a pessoa não souber, afirma categoricamente que trata-se de uma legítima gaúcha. E é, se paramos pra pensar. Sei que tu leva a tradição no coração, mesmo ele tendo um espacinho catarinense. Me orgulha imensamente sempre receber os teus elogios quando estou pilchado, que tu diga que fico lindo de bota e bombacha. Quantos minutos tu perdia ajeitando minha camisa, né? Eu e minhas manias de perfeição...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pensar que, todo esse texto nasceu, curiosamente, de um chamamé, o ritmo menos frequente. Estava aqui, de bobeira, pensando que amanhã é Natal, e do quanto eu gostaria de estar contigo nesse momento. Tantas vezes que eu defendi o cada um pro seu lado, e tanta vontade que eu tenho hoje de passar todos os Natais que virão na minha vida junto contigo, seja onde for. Um ano aí, outro aqui, sei lá, a gente resolve. Todo mundo muda, por que eu não posso mudar? Ainda mais se for pra melhor, se for para contribuir.&lt;br /&gt;Mas, como eu dizia, quando escutei a letra dessa música, como tem ocorrido o tempo todo ultimamente, logo lembrei de nós. Mais pelo título, "decisão", do que pela letra, ainda que ela também seja eloquente. Tu sempre me cobrou tanto isso, que eu tomasse jeito, que me decidisse e tivesse rumos e objetivos definidos, que agora optar por isso tem sido minha maior convicção. É o que eu quero ser, não tenho que ser obrigado a nada. Sem que ninguém tenha me pedido, tu é minha prioridade e, mesmo que isso não me leve a nada, é a minha decisão. Por isso, a letra abaixo vem a calhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, quem sabe, quando não mais tivermos pernas para bailarmos vaneiras, chamamés e figurarmos tantos chotes, possamos, pelo menos, dançar uma valsinha serena, mais ou menos &lt;a style="color: rgb(255, 0, 0);" href="http://www.youtube.com/watch?v=Rg1I-5fzhNQ"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;desse jeito aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Natal. =)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Decisão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Tchê Garotos)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu agora estou decidido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;   Que esta paixão não vou mais calar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;   Resolvi, de hoje em diante,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;   Eu faço tudo pra te mostrar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;   Esse meu sentimento forte que eu quis disfarçar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;   Vem mais perto, olha nos meus olhos, pode confessar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;   Que aí dentro seu coração também quer ser meu,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;   E quer compensar o tempo que perdeu&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic;"&gt; A minha vida é te amar, sei que vou conseguir&lt;br /&gt;Te guardar nos meus braços para não mais sair&lt;br /&gt;Te apertar contra o peito e poder sentir mais forte&lt;br /&gt;O pulsar do teu, do meu coração&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-4326831327264359901?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/4326831327264359901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=4326831327264359901&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4326831327264359901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/4326831327264359901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2009/12/gauchinha-bem-querer.html' title='Gauchinha Bem-querer'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-716131619307811201</id><published>2009-12-22T10:00:00.002-02:00</published><updated>2009-12-22T10:00:02.396-02:00</updated><title type='text'>Velho cusco tão amigo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Semana passada, quando estive na fazenda, não consegui aproveitar quase nada do fim-de-semana. Além da chuva que não cessou, também eu estava embuído numa tristeza desoladora, a qual não permitiu nem que eu pudesse aproveitar o meu paraíso para fazer o que mais gosto, estar em harmonia com a natureza e a lida campeira.&lt;br /&gt;Eu não esperava, porém, que meu cachorro fosse perceber que seu dono não estava legal. Sempre que o vejo, nem que seja só por alguns segundos, eu o saúdo, converso com ele, pergunto como está e todas essas frescuras de quem ama seus bichos. Acontece que o Aladim foi o primeiro cão que eu pude dizer que é meu de fato, pois, além dele ser meu, eu também sou dele. A prova dessa cumplicidade começou na semana passada e terminou neste último domingo.&lt;br /&gt;Naquele dia, quando fui até a janela como sempre faço, ele veio todo faceiro receber meu carinho. E eu, tão destruído que estava, apenas consegui dirigir-lhe um olhar dolorido. Lembro que na hora ele percebeu e passou vários segundos estático, como que seu olhar tivesse se alterado no mesmo instante. Ainda assim, não dei muita bola e fui dormir. Tristeza dá sono, pelo menos no meu caso.&lt;br /&gt;A semana passou, fui embora pra casa e, felizmente, me recuperei. Quando a gente deixa de amar por desespero e passa a amar por convicção, a tristeza vira saudade, a angústia vira ansiedade de estar perto e, apesar do aperto no peito não sumir, a certeza do sentimento conforta. E sei que sou assim mesmo no início, perco o rumo, desmorono, amardo a dor da pior maneira possível. Com isso, é inevitável pôr os pés pelas mãos, e acabo invadindo, pressionando, quase que estrago tudo. O amor é como uma delicada flor; se a regarmos o tempo todo, o excesso de água a leva à morte, pois também é necessária uma boa dose de sol, vento e espaço para que ela consiga manter-se de pé. Apesar do susto dos primeiros dias, minha confiança me fez prudente, e agora já consigo agir com a cabeça no lugar.&lt;br /&gt;Neste último sábado, porém, tive uma surpresa. Ao chegar novamente na fazenda, ouvi minha avó comentar que o Aladim não havia comido a semana inteira, mas apenas lambiscado o prato com pouca vontade. Inicialmente, sugeri que lhe dessem remédio contra vermes, pois imaginei que se tratasse de alguma indisposição estomacal. Fui, então, até a janela para saudar-lhe, e me arrepiei com o que vi. Ao chamá-lo, Aladim, que sempre foi um cachorro hiperativo e desatinado, apenas virou-se vagarosamente para mim e dirigiu-me o mesmo olhar de tristeza mórbida que eu lhe enviara na semana anterior.&lt;br /&gt;Nunca havia visto nada parecido na minha vida. Pra mim, bicho sempre foi bicho, e gente sempre foi gente - ainda que Os Serranos cantem que "o boi é bicho, mas tem alma sob o couro". Tentei não associar os fatos e insisti, chamei-o até mim outra vez, ao que ele atendeu com outro olhar funesto. Demorou a pôr as patas na janela como de costume, e seus olhos não brilhavam. Passei, então, a agradá-lo, conversei baixinho, mirei seus olhos fixamente e o afaguei com intensidade. Apavorado e louco de medo de ver meu cachorro morto, segui acariciando-lhe a cabeça sem cessar, expliquei que estou melhorando, que tudo vai acabar bem e que não há motivos para tanta desilusão. Por último, massageei acima de seus olhos com meus polegares, ao que ele, pacientemente, os fechou por alguns instantes, como se eu tivesse encontrado exatamente o local que mais doía.&lt;br /&gt;Meus caros, o que aconteceu a seguir eu só acredito porque vi com meus próprios olhos, porque foi, de fato, espantoso. Soltei-o e, no que minha avó chegou com o prato dele, o bicho avançou na comida com uma voracidade insofismável. Devorou tudo em segundos, bateu o recorde Sul-americano de mastigação canina e, como que por encanto, recuperou o jeito estabanado de sempre, mijando por todos os cantos, babando feito um condenado e quase me dando um tombo.&lt;br /&gt;Minha avó, não cabendo em si de contentamento, afirmou que ele passara a semana praticamente sem latir, brincar e comer e, de fato, Aladim emagreceu a olhos vistos. O curioso é que, nessa semana, também eu perdi três quilos, chegando à inimaginável marca dos sessenta e sete, peso que eu não atingia desde os dezoito ou vinte anos.&lt;br /&gt;A simbiose que temos ultrapassou a barreira do ponderável. Ainda consigo lembrar o dia em que o vi pela primeira vez. Era um filhotão com cara de abobado, destruía tudo o que via pela frente e adorava passear comigo, principalmente quando eu lhe dava meu chapéu de palha para morder e destroçar. Hoje, quatro anos depois, tornou-se um cão robusto, valente e, de quebra, deu-me uma lição de parceria, companheirismo e amizade incrível. Não é à toa que, quando saio a camperear, ele me acompanha do início ao fim com euforia, mostrando o quanto lhe agrada estar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que também fui bobo, atrapalhado, estabanado. Estraguei bem mais do que um simples chapéu... Porém, tu bem sabe o quanto esse cão significa pra mim, o amor que tenho por ele e, te asseguro, os últimos dias têm me servido para aprender lições que me mantêm cada vez mais convicto do que sinto. Assim como o Aladim, sei que também o meu olhar já diz muitas coisas e passa certeza, pelo menos é o que vários amigos que conversam comigo afirmam.&lt;br /&gt;No Globo Repórter de sexta, assisti à história de um rapaz que perdeu todos os movimentos do corpo batendo a cabeça ao mergulhar num rio e, após anos de luta e dedicação, voltou a andar, lutou pela vida e agora está prestes a concluir a faculdade de Psicologia. À certa altura da entrevista, o cara disse uma frase tão marcante, que eu cheguei a anotar: "Se eu não lutar por aquilo que me move, de que adianta viver?"&lt;br /&gt;Minha vida agora é recuperar o meu amor, é mostrar que o tempo perdido transformou-se em segurança e estabilidade. É isso que me move, é a confiança de te fazer feliz que consegue aplacar a ansiedade quando ela bate forte. Posso ter magoado bastante, mas, se pararmos para pensar, eu pelo menos cumpri o que sempre afirmei, que até fevereiro saberia de fato o que queria para a minha vida, e que esse tempo serviria para solidificar minha decisão e meu sentimento.&lt;br /&gt;Esse é o meu propósito que, como tu pode ver, é cada dia mais público. Atualmente, aqui tem sido minha única via de expressão. Uma certeza tu pode ter: o papel de cachorro agora pertence única e exclusivamente ao Aladim. A escolha, agora, é nossa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tão Seu&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Skank)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sinto sua falta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não posso esperar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tanto tempo assim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O nosso amor é novo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É o velho amor ainda e sempre...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não diga que não vem me ver&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De noite eu quero descansar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ir ao cinema com você&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um filme à tôa no Pathé...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que culpa a gente tem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De ser feliz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que culpa a gente tem,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu bem?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O mundo bem diante do nariz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Feliz aqui e não além...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me sinto só, me sinto só&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me sinto tão seu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me sinto tão, me sinto só&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E sou teu!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Faço tanta coisa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pensando no momento de te ver&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A minha casa sem você é triste&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A espera arde sem me aquecer...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não diga que você não volta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu não vou conseguir dormir&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;À noite eu quero descansar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sair à tôa por aí...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me sinto só, me sinto só&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me sinto tão seu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me sinto tão, me sinto só&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E sou teu!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sinto sua falta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não posso esperar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tanto tempo assim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O nosso amor é novo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É o velho amor ainda e sempre...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que culpa a gente tem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De ser feliz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu digo eles ou nós dois&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O mundo bem diante do nariz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Feliz agora e não depois...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me sinto só, me sinto só&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me sinto tão seu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me sinto tão, me sinto só&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E sou teu!&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-716131619307811201?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/716131619307811201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=716131619307811201&amp;isPopup=true' title='90 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/716131619307811201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/716131619307811201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2009/12/velho-cusco-tao-amigo.html' title='Velho cusco tão amigo'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>90</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-5639240600932141510</id><published>2009-12-20T18:00:00.001-02:00</published><updated>2009-12-20T23:42:59.665-02:00</updated><title type='text'>Funciona por música</title><content type='html'>Nos últimos dias, ao invés de ficar o tempo todo pensando apenas em mágoas e desalentos, preferi trocar a maior parte disso por lembranças que me aproximassem de ti. O ideal seria que eu pudesse conversar amigavelmente sobre isso, de maneira que conseguíssemos chegar num denominador comum, mas, como nem no amor as coisas são fáceis, chego a conversar até sozinho. E venho para o blog (sabe aquele centroavante que está em má fase e pede apoio da torcida? Pois é…).&lt;br /&gt;É curioso o quanto a nossa história tem uma vasta trilha sonora. Algumas músicas são especiais, pois foram escolhidas e adotadas pelos dois como hits eternos do namoro ou das separações, ao passo que em outros casos um nem sabe que o outro tem belas recordações quando as ouve.&lt;br /&gt;Tudo começou lá em 2001, quando fomos num show do Nenhum de Nós, lembra? Eu simplesmente odiei aquilo tudo. Não via graça nenhuma na banda, nas músicas e, principalmente, no fato de que todo mundo tinha as letras na ponta da língua, enquanto que eu parecia ser um extraterrestre, com dificuldades até pra acompanhar um refrão.&lt;br /&gt;Recordo perfeitamente de quando tocou &lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;a href="http://letras.terra.com.br/nenhum-de-nos/76924/"&gt;Notícia Boa&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Era uma época em que tu tinha dificuldade para falar do que sentia, eu percebia as tuas dúvidas, a falta de segurança para dizer que me amava. Mas, no refrão daquela canção, tu me abraçou e disse que, de fato, tinha para mim uma boa notícia. Com cara de brejo, perguntei qual era, e a resposta, é claro, não se esquece assim tão fácil:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te amo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu me persuadiu. Hoje eu sou Nenhum de Nós de cruz na testa, vidrei no CD acústico deles, tanto que te dei de presente certa vez, e decorei a maioria das letras. Por tua causa, deixei de ser um ET musical.&lt;br /&gt;Outra que faz parte do início é &lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;a href="http://letras.terra.com.br/aerosmith/70906/"&gt;I Don’t Want to Miss a Thing&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, do Aerosmith. Eleita por ti, por sinal, já que aquele era um tempo em que eu odiava toda e qualquer música em inglês. A bem da verdade, não gosto muito até hoje, tenho sérias dificuldades com o idioma, mas tornei-me maleável. Não podia ser rabugento para o resto da vida. De qualquer forma, a tradução da letra realmente é bastante romântica e, a partir daquele tempo, sempre que a escuto é inevitável não recordar o teu sorriso.&lt;br /&gt;Com o passar do tempo, senti necessidade de expressar o meu sentimento através de uma canção. Como bom brega que sempre fui, ouvinte inveterado de sertanejões e gauchescos, acabei caindo na teia do rei, Roberto Carlos. E não é que acertei? &lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;a href="http://letras.terra.com.br/roberto-carlos/48554/"&gt;Amor sem limite&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, apesar de toda melosinha, veio para encaixar o nosso romance e expressar tudo aquilo que sentíamos, mas várias vezes não encontrávamos formas de dizer. "Quem ama não esquece quem ama, o amor é assim…"&lt;br /&gt;Não posso deixar de citar minha rusga com Cidadão Quem. Bah, sou chato, né? Deus do céu, tenho que admitir: não curto o som dos caras. Tu, ao contrário, sempre adorou, o que me causava, pasme, ciúmes. Refletindo agora, chego a rir das bobices que a gente comete quando gosta de alguém, mas é fato que me deixava doido te ver toda alegre cantando &lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;a href="http://letras.terra.com.br/cidadao-quem/45265/"&gt;Os Segundos&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, música que inclusive tu escolheu pra tua formatura do Ensino Médio. Agora, doce ironia, os caras também fazem parte dessa história…&lt;br /&gt;Depois que tu foi embora, veio a fase do sertanejo universitário, que toca de maneira absurda por aí. Duplas que só estamos conhecendo agora aqui no RS e que tu já escutava há dois anos atrás, me deixando todo perdido. Quantos trocadilhos fiz com Fernando e Sorocaba? Fernando e Goiabinha, Fernando e Sacarrolha, nossa, inúmeros. Os caras cantam bem, mas o nome da dupla é inóspito, pelo menos para mim.&lt;br /&gt;Outra confissão: de tanto escutar, fissurei nesse gênero. Até porque, por mais que tu não saiba, sempre que eu escuto uma melodia assim, inclusive antes de tudo o que está acontecendo agora, a primeira pessoa que vem à mente é tu. A distância muitas vezes não permite que expressemos isso e, por sinal, nesse sentido tu sempre teve mais habilidade que eu.&lt;br /&gt;Pra finalizar, existe uma música que marcou de verdade a minha vida. Eu sei que não demonstrei isso quando tu a mostrou para mim, mas não consigo te tirar do meu pensamento quando a ouço, isso desde que a conheci. Não faz muito tempo, foi também numa fase obscura, mas, intimamente, achei incrível a maneira como tu a enviou para mim, acompanhada da frase "passei a semana inteira ouvindo essa música e lembrando de ti". Até hoje, quando ela toca no meu computador, eu fico pensando em como teu olhar devia ficar brilhando cada vez que escutava a letra, o embalo é tão doce, a melodia tão serena, que realmente é impossível não pensar em nós dois andando por um campo vasto, verde, seja em SMO ou em São Chico. Ela demonstra um carinho especial que tu sempre teve pelo meu gosto pela natureza, um respeito incrível e a admiração que tu desenvolveu pela minha maneira brejeira e simples de ser.&lt;br /&gt;Vou postar a letra, pôr pra tocar e fechar os olhos. Ultimamente, sempre que faço isso e respiro fundo, sinto tua mão encostando no meu rosto e, logo após, me mandando fazer a barba "espetenta", coisa que não faço há dias. E sinto, como diz a letra, a tua voz macia aplacando minhas dores e espalhando cores vivas pelo ar. De todas, com atrevimento, arrisco a dizer que essa é a música que me deixa mais perto de ti… Espero que tu esteja bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jeito de Mato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Paula Fernandes)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De onde é que vem esses olhos tão tristes?&lt;br /&gt;Vêm da campina onde o sol se deita&lt;br /&gt;Do regalo de terra que teu dorso ajeita&lt;br /&gt;E dorme serena, no sereno e sonha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde é que salta essa voz tão risonha?&lt;br /&gt;Da chuva que teima, mas o céu rejeita&lt;br /&gt;Do mato, do medo, da perda tristonha&lt;br /&gt;Mas, que o sol resgata, arde e deleita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma estrada de pedra que passa na fazenda&lt;br /&gt;É teu destino, é tua senda onde nascem tuas canções&lt;br /&gt;As tempestades do tempo que marcam tua história,&lt;br /&gt;Fogo que queima na memória e acende os corações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, dos teus pés na terra nascem flores&lt;br /&gt;A tua voz macia aplaca as dores&lt;br /&gt;E espalha cores vivas pelo ar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, dos teus olhos saem cachoeiras&lt;br /&gt;Sete lagoas, mel e brincadeiras&lt;br /&gt;Espumas, ondas, águas do teu mar...&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-5639240600932141510?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/5639240600932141510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=5639240600932141510&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5639240600932141510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5639240600932141510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2009/12/funciona-por-musica.html' title='Funciona por música'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-6414959918518200126</id><published>2009-12-17T20:39:00.002-02:00</published><updated>2009-12-17T20:46:14.852-02:00</updated><title type='text'>Pra desopilar</title><content type='html'>Desatei a escrever&lt;br /&gt;por não saber&lt;br /&gt;o que dizer.&lt;br /&gt;O que fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não paro de falar&lt;br /&gt;e me atrapalho,&lt;br /&gt;"quebro o galho".&lt;br /&gt;Falho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se amar fosse fácil feito rima,&lt;br /&gt;onde a de baixo completa a de cima,&lt;br /&gt;eu não invadiria teu espaço, tua vida,&lt;br /&gt;fazendo estardalhaço, criando ferida.&lt;br /&gt;Doída. Doida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, não, amor é esquisito,&lt;br /&gt;disforme,&lt;br /&gt;cada batida é um solavanco,&lt;br /&gt;não tem conforme.&lt;br /&gt;Mesmo assim, acho tão bonito,&lt;br /&gt;apesar de manco,&lt;br /&gt;porque pra mim é infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te amei na lágrima da capela,&lt;br /&gt;nas horas ao telefone,&lt;br /&gt;e ainda amo tanto, feito novela,&lt;br /&gt;até quando quer silicone,&lt;br /&gt;tão bela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fosse fácil apagar,&lt;br /&gt;esquecer, optar,&lt;br /&gt;como borracha escolar...&lt;br /&gt;Não cola.&lt;br /&gt;Enraizou lá na escola,&lt;br /&gt;não dá pra tirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é perfeito,&lt;br /&gt;é só meu, é sincero.&lt;br /&gt;Dizes que não,&lt;br /&gt;eu finjo que aceito, mas não quero&lt;br /&gt;e duvido do teu coração,&lt;br /&gt;mesmo que digas que é razão,&lt;br /&gt;sei que pulsa no peito,&lt;br /&gt;lá no fundo,&lt;br /&gt;pinguinho de solidão,&lt;br /&gt;no teu mundo,&lt;br /&gt;se não tem,&lt;br /&gt;vai ter saudade,&lt;br /&gt;ela vem,&lt;br /&gt;essa, sim, invade,&lt;br /&gt;por mais que canse,&lt;br /&gt;não dá chance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo assim, amando,&lt;br /&gt;esperando, fingindo,&lt;br /&gt;controlando, sentindo.&lt;br /&gt;Sinto dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que ela, sinto,&lt;br /&gt;por puro instinto,&lt;br /&gt;seja adulto, ou criança,&lt;br /&gt;maduro ou lambança,&lt;br /&gt;que, enquanto assim grande for,&lt;br /&gt;vou cuidar com esperança,&lt;br /&gt;mesmo que às vezes não rime,&lt;br /&gt;do meu e do teu amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é nosso.&lt;br /&gt;Porque sei que posso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-6414959918518200126?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/6414959918518200126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=6414959918518200126&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6414959918518200126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6414959918518200126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2009/12/pra-desopilar.html' title='Pra desopilar'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-151065729199472622</id><published>2009-12-13T23:05:00.003-02:00</published><updated>2009-12-13T23:31:42.352-02:00</updated><title type='text'>O Centauro Sangrado</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Florêncio Guerra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Luiz Carlos Borges)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Florêncio afiou a faca para sangrar seu cavalo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Florêncio Guerra das guerras, do tempo em que seu cavalo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pisava estrelas nas serras pra chegar antes dos galos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Florêncio afiou a faca pensando no seu cavalo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Florêncio afiou a faca para sangrar seu cavalo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Parceiros pelas lonjuras, na calma das campereadas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um barco em tardes serenas, um tigre numa porteira,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pechando boi pelas primaveras, sem mango, sem nazarenas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Florêncio afiou a faca para sangrar seu cavalo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O patrão disse a Florêncio que desse um fim no matungo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;"Quem já não serve pra nada não merece andar no mundo!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A frase afundou no peito&lt;/span&gt;, e o velho não disse nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E foi afiar uma faca como quem pega uma estrada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Acharam Florêncio morto por cima do seu cavalo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alguém que andava no campo viu &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;o centauro sangrado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Caídos no mesmo barro, voltando pra mesma terra,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que deve tanto ao cavalo, e tanto a Florêncio Guerra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Após um mês e meio de ausência sentida, voltei à fazenda. Pensava que, refugiando-me em meu paraíso&lt;/span&gt;, conseguiria descansar e pôr as idéias em ordem. Essa história de taquicardia a todo instante faz um mal danado pro coração, principalmente quando não se sabe o que fazer para que passe.&lt;br /&gt;Curiosamente, passei o fim-de-semana inteiro mentalizando e cantarolando a história triste do Florêncio Guerra. Foi um sábado chuvoso, aboletado quase que o dia inteiro na cama, entre cochilos e conjecturas, procurando soluções, fazendo um esforço danado para ser otimista, tentando pensar em coisas boas.&lt;br /&gt;"Quem já não serve pra nada não merece andar no mundo!" Como as declarações já estão manjadas e, pelo visto, perderam toda a credibilidade, é inevitável que se pense em como tentar provar a verdade sem que ela pareça duvidosa. Pobre do lençol, que sofreu com os nós que transferi do cérebro para ele.&lt;br /&gt;Sigo buscando, incessantemente, uma única chance de provar que ainda me resta um pingo de hombridade e palavra. Para isso, preciso olhar no olho, sem interferências tecnológicas, que essa maldita internet, o que tem de boa, tem de vilã. É um exercício do caramba desfazer o emaranhado de caraminholas o tempo todo, ainda mais quando as frases afundam no peito.&lt;br /&gt;Sei que sou reincidente, reafirmo que não esconderei meus erros. Mas, por Deus, como vou conseguir acertar, se não recebo uma migalha de ajuda? Estou disposto a fazer tudo diferente. Fazer, não falar. Já falei demais durante todos esses anos. É hora de fechar a boca e deixar que as atitudes concretizem tudo o que estou sentindo.&lt;br /&gt;Como foi duro não ouvir as carucacas cantando depois de tanto tempo; sequer fiz um carinho no meu cachorro, nem o levei para passear; a macega perdeu o brilho de seu verde e minhas vacas não engordaram com meus olhares viçosos, uma vez que hoje eles foram opacos. Nem a campereada na companhia da Rusilha me trouxe um resquício de alegria. Meu paraíso estava cinza, sorumbático. Foi duro ser monossilábico, enquanto minha avó sentava à beira da cama, sedenta por matar a saudade.&lt;br /&gt;Não estou assim por capricho. Não é posse. Se fosse tudo do mesmo jeito, eu manteria minha palavra de desistência e permitiria que as vidas seguissem bifurcadas. Não é, posso sentir que é diferente, meu peito pulsa de maneiras que nunca o fez, a respiração ofegante é um sinal assustadoramente concreto em relação às outras vezes. Eu sei que é complicado, que esgota, mas é mais forte do que eu.&lt;br /&gt;Nesses anos todos, ela passou a ser parte de mim. Por mais que eu tente, o amor que sinto é muito forte. Se eu errei, se fui imaturo e irresponsável, meu sentimento é de verdade, é sólido, indestrutível. Por mais que não pareça, perco a orientação e o sentido sem meu mais importante alicerce, aquela que esteve ao meu lado nos momentos mais importantes do meu desenvolvimento como homem. Se a recíproca for verdadeira, ainda que abalada, tenho certeza que haverá compreensão nisso que descrevi acima, porque só quem sente sabe como é.&lt;br /&gt;Vou seguir acreditando nesse amor, vou defendê-lo com unhas e dentes. Desde o início eu me propus a ser diferente de todo mundo, e vou conseguir. Deslizei, titubeei, é verdade, mas não foi suficiente para me derrubar. Falhei tantas vezes quando era necessário insistir, pois então chegou a minha vez de evitar a queda, o ponto final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, enquanto não enxergar o brilho daqueles olhos outra vez, serei apenas um centauro sangrado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-151065729199472622?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/151065729199472622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=151065729199472622&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/151065729199472622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/151065729199472622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2009/12/o-centauro-sangrado.html' title='O Centauro Sangrado'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-1892083710711374683</id><published>2009-12-12T00:12:00.002-02:00</published><updated>2009-12-12T00:38:39.404-02:00</updated><title type='text'>O Manancial e o Televisor</title><content type='html'>Acabo de chegar de uma festa. É cedo, se comparado à hora que sempre volto das comemorações que fazemos no time. Meia-noite, cedíssimo. Mas, lhes confesso, eu não tinha o que fazer por lá.&lt;br /&gt;Contei algumas piadas, fiz brincadeiras, abri meu leque de imitações fajutas, cantei algumas modas, li a homenagem que me pediram para escrever pro presidente do time. Perdi a conta de quantos elogios e cumprimentos recebi. A cerveja estava gelada e apetitosa. A carne, então, nem se fala, desmanchava na boca.&lt;br /&gt;Mas, tenho que confessar, olhei para todos os lados e não vi sentido nenhum naquilo tudo. Não queria me sentir assim, não mesmo. Queria virar a noite cantando músicas sertanejas, voltar para casa ao clarear do dia, queria, sim, agir exatamente de acordo com o que toda a galera esperava de mim. Não pude, tive que sair. A dor que pulsa aqui é tão grande, que está me tirando as vontades, todas elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro do primeiro televisor que tivemos. Não tinha cor, era preto e branco. As imagens eram atraentes, gostava muito de assistir aos desenhos, crianças não se importam tanto com os detalhes. No entanto, devo admitir que, depois de alguns anos, a televisão a cores mudou minhas concepções. A vida, colorida, tem outro valor. Enxergar as imagens em suas tonalidades originais é como se fosse parte de outro mundo, a diferença é abissal.&lt;br /&gt;Depois que passei a conviver com a era do televisor a cores, prostrar-me frente a uma televisão preto e branco tornou-se uma árdua tarefa. Com o advento dos eletrodomésticos cada vez mais sofisticados, então, julgo que será cada vez mais complicado fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Faz um vídeo e manda para a televisão! - disse-me um cidadão.&lt;br /&gt;- Tá aí o nosso futuro vereador! - bradou outro.&lt;br /&gt;- Parabéns! - escutei de uma dezena de pessoas.&lt;br /&gt;Mal sabem eles que, modestamente, seus adoráveis elogios não fizeram cócegas no meu ego. A tristeza, quando inventa de bater, dá com força. Não há lado para onde eu olhe, que não me faça lembrar de ter perdido o meu amor. Meu conceito de sofrimento sofreu uma drástica mutação em poucos dias.&lt;br /&gt;É uma dor latente, que aperta o coração o tempo todo, deixando minha respiração pesada, difícil, ofegante. Claro que gostaria de me livrar disso, quem aqui é masoquista? Ah, mas se eu conseguisse, quão dadivoso seria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A certa hora, cometi uma gafe imperdoável. Há um companheiro de modas de viola do qual eu gosto muito. Cantamos canções memoráveis em várias jantas e bebedeiras. Arrisco a dizer, inclusive, que ninguém nunca fez dupla comigo como o Paulinho.&lt;br /&gt;Saudosista que sou, passei a pedir notícias do Paulinho para o seu irmão, o Zanga. Sinto a falta dele nessas festas, sinto-me órfão musicalmente falando. Em tom jocoso, cobrei dele a presença do meu parceiro. Nisso, percebi que dois caras faziam gestos de silêncio com o indicador em seus lábios, como se algo sério estivesse ocorrendo.&lt;br /&gt;E, de fato, está. De canto de olho, vi o Zanga orientando os dois:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Contem para ele. Ele não deve saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulinho está com um câncer sério, passou por uma cirurgia delicada e, segundo o que soube, as chances são poucas. Doeu ver os olhos do Zanga marejados, sei bem a dor que sentimos quando perdemos alguém, vivo ou morto.&lt;br /&gt;Pergunto-me: por que morrem as pessoas boas? O que leva Deus a chamar aqueles que têm serventia, que fazem o bem, que são tão queridos por todos? Mais ainda: por que me conserva aqui, plantando infelicidade, frustrações e insucessos? Não é justo, não é mesmo. O Paulinho merece viver décadas, ainda tem muitas modas de viola para versar por aí. Leve a mim, que perdi o brilho, que sou carta fora do baralho, que não faço mais parte dos planos. Não há porque ficar por essas bandas, se meus sonhos ruíram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como a máxima do televisor. A vida está em preto e branco. A cor, a alegria, a vontade de seguir em frente, tudo isso vinha de ti. Sei que insisto demais, que espernear não é o melhor a fazer neste momento, não pense que as pessoas não me aconselham.&lt;br /&gt;Aliás, minha postura causa estranheza, pois ninguém está acostumado a ver um Antônio cabisbaixo, desacreditado. Seja no trabalho, ou no futebol, sempre levo comigo a marca da descontração. Não, porém, sem meus sonhos mais felizes. Sem eles, não tenho cor.&lt;br /&gt;As mulheres são sortudas, pois conseguem brilhar sem a sombra de seu par ideal. Os homens, contudo, são fracos, principalmente eu. Se me transformei num ícone da diversão, é porque tive teu respaldo, teu carinho, teus elogios. Sem isso, não tenho a mínima importância, não tenho função, nem razão de permanecer por aqui.&lt;br /&gt;Classifiquem-me como exagerado, vão em frente, não me importo. Sem meu amor, sem o sentimento que passei quase uma década sentindo, não há porque continuar. A vida torna-se um retumbante NÃO, em maiúsculas, sem dó, nem piedade.&lt;br /&gt;Segue teu caminho, curte teu fim de ano com os amigos, grupo do qual fui cuidadosamente excluído. Terei, certamente, o Natal mais amargo da história, e um reveillón com gosto de fel. Se admitir meus erros não adianta, vou usá-los então como moeda de auto-flagelação, porque não aguento viver desse jeito.&lt;br /&gt;Ficar nessa vida descolorida, opaca, insossa, esse é o meu caminho, a menos que a sorte decida me enxergar novamente, os anjos conspirem a meu favor e Deus ilumine teu coração. Caso contrário, não há porquê, e disso resultará o meu fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se existe o nosso fim, acredite, é o meu também. Para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fique agora com o programa do Jô.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-1892083710711374683?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/1892083710711374683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=1892083710711374683&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/1892083710711374683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/1892083710711374683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2009/12/o-manancial-e-o-televisor.html' title='O Manancial e o Televisor'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-8275512704454137139</id><published>2009-12-09T23:49:00.002-02:00</published><updated>2009-12-10T00:06:43.039-02:00</updated><title type='text'>Doem os cotovelos</title><content type='html'>A fase não é nada boa. Pensei, inclusive, em parar de escrever. Aliás, pensei e penso em tantas coisas... Penso o tempo todo, mais do que respiro, muito mais do que trabalho, o que, por sinal, tem me rendido uma série de dores-de-cabeça por conta das desatenções que cometo.&lt;br /&gt;É duro passar por uma reciclagem. Escarafunchar as feridas, meter o dedão valendo, fazer sangrar pra valer e confrontar todos os deslizes cometidos. Porém, é tão dolorido quanto necessário. Preciso disso e, querem saber? Não vou esconder. Bloqueei os acessos ao blog, sim, porque se eu escrevesse nos primeiros dias, soariam as trombetas do Apocalipse.&lt;br /&gt;Não é fácil. Passei e passo boa parte da minha vida com um naco de expectativas dos outros nas minhas costas. Sempre tentei balancear, ter jogo de cintura e ser o mais autêntico possível. Mas, humano que sou, me perdi na jogada em algum momento que não consigo identificar. Consequentemente, deixei escapar por entre os dedos vários tesouros valiosos da minha vida, como uma areia fininha, sem ter a mínima habilidade, maturidade e responsabilidade para lidar com o que viria - e veio - a seguir.&lt;br /&gt;O ápice, como acredito que todos possam ver nitidamente, é que perdi meu grande amor. Falhei mesmo, é duro admitir, mas fiz. Todo mundo alertava, "Antônio, cuidado", e eu nem bola. Tomei a ré. E, nesse momento, percebo que o que você leva oito anos para construir pode facilmente ruir em oito dias. Oito minutos. Malditos oito segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, quem lhes escreve é um gaúcho peleador. E não tá morto quem peleia! Como dizia um grande amigo, eu até posso morrer, mas não sem luta! É hora de juntar os cacos, mudar a postura e, através das atitudes, resgatar tudo de novo. Sei que as chances são escassas, ínfimas, mas não posso deixar de tentar.&lt;br /&gt;Estou aqui, portanto, dando a cara a tapa, me expondo às críticas, aos risinhos, aos "bem feito, se ferrou", justamente porque quero fazer diferente. E já estou fazendo. Vou recuperar meu crédito, estou voltando a ser uma pessoa que, por pura burrice, deixei adormecer. Um cara que, inclusive, expunha seus sentimentos sem medo, coisa que estou fazendo agora.&lt;br /&gt;Talvez tenha sido necessário para eu aprender, para acordar de uma vez por todas. Talvez, também, seja tarde demais. Ainda assim, eu tenho que tentar. É a minha dignidade que está em jogo e, mais do que isso, é o meu amor verdadeiro que está prestes a ir pelo ralo. Eu vou atrás, vou mesmo.&lt;br /&gt;Pra finalizar, com os cotovelos sangrando, e sabe ser bem doída uma dor de cotovelo, entrei naquela de escutar uma música, dar um tapa na testa e dizer: que merda, é isso mesmo que eu tô sentindo. Assim, sem frescura. É hora de voltar a honrar as calças que eu visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Você de volta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;( Maria Cecília e Rodolfo)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="font-style: italic;"&gt;Eu vivo buscando em alguém&lt;br /&gt; Alguma coisa que eu sei&lt;br /&gt; Que só existe em você&lt;br /&gt; Eu quero a metade de mim que é você&lt;br /&gt; O riso que irradia o mundo&lt;br /&gt; E que me faz viver&lt;br /&gt; Eu não aguento mais essa saudade&lt;br /&gt; E essa solidão que me invade me faz ver&lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic;"&gt;Tudo que eu quero é você de volta&lt;br /&gt; Tô te esperando, vem bater na minha porta&lt;br /&gt; Eu amo você, eu só sei te querer&lt;br /&gt; Minha vida tem sentido se tiver você&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-8275512704454137139?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/8275512704454137139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=8275512704454137139&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8275512704454137139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/8275512704454137139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2009/12/doem-os-cotovelos.html' title='Doem os cotovelos'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-7531709823400815360</id><published>2009-11-19T20:29:00.006-02:00</published><updated>2009-11-20T09:19:39.460-02:00</updated><title type='text'>Góstula</title><content type='html'>Inventei uma palavra nova para a Língua Portuguesa. Para me certificar de que ela realmente não existe, fui até o Google e joguei na pesquisa, ao que pude constatar que, de fato, não há nada parecido com o mais novo vocábulo criado pela minha humilde e fértil imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama-se "&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;góstula&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasceu de maneira inusitada, enquanto ensaiava uma canção de Lupicínio Rodrigues com o coral. Com a concentração num modus operandi situado abaixo da linha da miséria, comecei a perceber que, em determinado momento da música, três sílabas formavam uma aglomeração que, com certo esforço e uma baita vista grossa de cunho gramático, poderia transformar-se em palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"Felicidade foi-se embora e a saudade no meu peito ainda mora,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;e é por isso que eu &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;GOSTO LÁ&lt;/span&gt; de fora (...)"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que, da maneira como estávamos ensaiando, a primeira sílaba ganhou uma ênfase inusitada, dando margem para o surgimento de uma proparoxítona. Bastou repetir o verso uma dezena de vezes para o "gosto lá" virar "góstula", ao que virei para o &lt;a style="FONT-WEIGHT: bold" href="http://sequelasdopensamento.blogspot.com/"&gt;Marquinhos &lt;/a&gt;e sentenciei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, isso é uma nova palavra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Góstula!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É verdade. Gostei! - percebeu rápido o meu amigo blogueiro-escritor-dançarino-tradutor-intérprete que, como sempre, exerce uma sintonia fina com meus pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ratificou-se, naquele momento, a criação deste que vem para ser um vocábulo do novo milênio. Nunca pensei, mesmo em meus maiores devaneios, que teria capacidade - e atrevimento - suficiente para inventar uma palavra em nossa tão farta língua materna. Logo ela, a Língua Portuguesa, última flor do Lácio, tão protuberante em termos de detalhes, vírgulas, acentuação, crase e regras que não cabem em anos de vida escolar e acadêmica. São milhares de vocábulos catalogados, sendo que a esmagadora maioria deles nós nem conhecemos, ou pelo menos não sabemos o significado, e eu, formiguinha inoperante nesse Brasilzão véio de Deus, subo no palanque, estufo o peito, gargarejo saliva na moela e profiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Góstulaaaaaaaaa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me senti o próprio William Wallace. Ou, brasileiramente falando, um Dom Pedro I (até que o tamanho dos nomes se assemelha). No entanto, não posso sair dizendo góstula pra lá, góstula pra cá, sem antes definir o significado da palavra. Ora, se quero que um cidadão abra um dicionário e procure na letra G a minha tão simplória palavrinha, antes preciso dar-lhe uma razão de existir,&lt;br /&gt;não dá pra simplesmente definir como "aglomeração de sílabas oportunamente identificada na canção Felicidade, de Lupicínio Rodrigues, por um lunático gaudério que não tinha mais o que fazer".&lt;br /&gt;Portanto, começa aqui, nesse parágrafo, exatamente nessa linha, a busca incessante para a melhor colocação de góstula dentro da Língua Portuguesa.&lt;br /&gt;Primeiramente, pensei num povo desses que faz parte dos livros de História. Alguma tribo guerreira, seja de aborígenes ou de vikings, mas que tenha lutado por um pedaço de terra alguns anos antes de Cristo e, de preferência, que tenha derrotado os Assírios, aqueles fascínoras que transformaram minhas aulas de Estudos Sociais em verdadeiras chacinas sanguinolentas, tamanho o número de povos nos quais cravaram suas impiedosas armas e degolaram criancinhas inocentes. "O domínio dos Assírios durou até a invasão de seu território pelos Góstulas que, dotados de conhecimentos estratégicos de guerras e armamentos, derrotaram-nos facilmente, tornando-se o povo que unificou o que hoje é Europa, Ásia e África por, aproximadamente, quatrocentos anos". Adoraria responder isso numa prova da professora Schirley.&lt;br /&gt;Ainda no campo telúrico da História, góstula poderia ser um adorno, um enfeite pomposo dos castelos antigos, ou mesmo um cargo parecido com o senhor feudal. Peça rara de museu, a góstula valeria hoje milhões de dólares, e só possuiria uma góstula dentro de casa um amante ferrenho da arte e disposto a pagar a bagatela pedida pelos antiquários. Ou, quem sabe, ser um góstula significasse comandar o comércio do trabalho escravo dentro dos feudos, sendo uma pessoa de extrema confiança do senhor feudal e, consequentemente, de suma importância na sociedade escravocrata.&lt;br /&gt;Um termo da medicina, talvez. "O senhor tem uma góstula de grau três no pulmão, o que lhe dá aproximadamente 30% de chance de sobreviver". Descobrir a cura da góstula deveria valer o Nobel de Medicina! Sendo mais humilde, também há como ser uma medida para se tomar remédio. O doutor receitaria amoxicilina e diria para tomar duas góstulas após as refeições. "Novo Gelol: agora em góstulas"!&lt;br /&gt;Comida, que tal? Góstulas de cordeiro ao molho funghi. Que delícia. Só de pensar na Ana Maria Braga ensinando uma receita barbadinha para as donas-de-casa que gostariam de requintar sua ceia de Natal com um prato barato, porém sofisticado, à base de nozes e góstulas. Até tempero já me serviria! Sal, pimenta, orégano e góstula a gosto. Cheguei a salivar.&lt;br /&gt;E as idéias borbulham (como góstulas, que podem perfeitamente borbulhar)! Que tal ir até uma loja comprar uma góstula para combinar com sua calça nova? Esses casaquinhos cada vez mais curtos e estranhos que as mulheres usam são tão fashion, que usar uma góstula sobre os ombros cairia como uma luva!&lt;br /&gt;Perfume com aroma de góstula, uma bela flor azulada que só existe nos confins da Amazônia ou em São Francisco de Paula. Dar tanta risada, a ponto de ganhar góstulas no estômago. Comprar o novo Góstula, da Renault, com câmbio automático e rodas de liga leve. Beba Góstula, agora no sabor morango. Com gol de Góstula, Brasil fatura o hepta. Após a invasão da facção góstula, o clima é tenso em Bangladesh.&lt;br /&gt;E, pra finalizar, como bom brasileiro, se nada der certo, góstula vai virar palavrão. Filho duma góstula, góstula que pariu, vá à góstula, você não passa de um góstula miséravel, Vossa Excelência está faltando com o decoro e agindo feito um góstula. Góstula é a mãe! Góstulas Safadas, o novo filme da Brasileirinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que se pode perfeitamente classificar como criatividade inútil. A bem da verdade, inventar uma palavra significa precisar definir algo que não existe, um processo inacabado, confuso, que necessita de maneira latente de um rumo. Deve-se, provavelmente, a este momento de profunda efusão para tocar a vida, mas totalmente carente de um norte, um sinalizador de o que fazer e para onde ir. Sou, afinal de contas, o próprio góstula.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-7531709823400815360?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/7531709823400815360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=7531709823400815360&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7531709823400815360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7531709823400815360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2009/11/gostula.html' title='Góstula'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-6942704062625435800</id><published>2009-11-02T20:09:00.003-02:00</published><updated>2009-11-02T20:29:52.101-02:00</updated><title type='text'>Finado</title><content type='html'>Depois que a gente perde uma pessoa querida pela primeira vez na vida, todos os fatos que seguem após o dissabor tornam-se estréias. O primeiro mês, o primeiro aniversário sem ouvir os parabéns, a primeira novidade que não pode ser contada. Hoje, portanto, foi a primeira vez que visitei o cemitério no feriado de Finados com um real propósito.&lt;br /&gt;Não levei flores para o meu avô. Respeito quem o faz, mas não sou adepto dessa prática. Preferi prostrar-me diante da capela e permanecer ali por alguns instantes, dizendo a ele em pensamento o quanto ficou difícil viver após a sua partida. Aliás, conhecendo o Seu Gentil como eu conhecia, tenho certeza de que ele não ficou nada satisfeito com a reflexão que fiz, uma vez que ele tinha uma visão mais otimista e pragmática da vida. Era um homem de muitas convicções e poucas incertezas.&lt;br /&gt;A verdade, que por sinal eu não escondo de ninguém, é que muito do que tinha sentido hoje já não faz mais diferença. Se você viver cinquenta ou noventa anos, não morrerá de qualquer forma? Minha vida tornou-se uma contagem regressiva regada a trabalho, gasolina, futebol e alguns pensamentos esparsos que me desviam, raramente, de um fim intangível. Só não passo o tempo todo escrevendo e falando sobre isso porque as pessoas se afastariam de alguém tão funesto. Portanto, guardo pra mim noventa por cento das minhas maledicências e, como ninguém é de ferro, externo 10% delas só pra não perder o costume.&lt;br /&gt;Bem, como toda negatividade atrai somente mais negatividade, hoje eu tive de trabalhar e, consequentemente, tive meu feriado castrado, o que significa dizer que perdi um dia de fazenda. Noves fora, lá se vão alguns anos de vida saudável trucidados pela magia inebriante do estresse, provavelmente minha mais atuante causa mortis. Para já me adaptar ao clima do inferno que me espera com piscina de bolinhas e sais de banho, hoje o termômetro marcava trinta e oito graus no centro da cidade. Nesse clima dantesco é perfeitamente possível compreender como se sente um ovo em estado de cozimento.&lt;br /&gt;Às vezes, paro e fico refletindo sobre como sou ingrato. Queria, sinceramente, inventariar tudo o que tenho de bom, me atirar a céu aberto e permitir que os urubus degustassem minha preciosa massa corpórea e saíssem defecando-na campo afora, de forma que eu permanecesse presente em vários locais ao mesmo tempo. É salutar que se ressalte que essa fina ironia significa, sim, que eu gostaria muito de morrer, e não vejo mal algum nisso.&lt;br /&gt;Porém, como é Deus quem decide esse tipo de coisa e eu ainda não constituo o perfil ideal de um suicida, permaneço nessa vida de Rei Midas às avessas, onde tudo o que eu toco vira merda e, de quebra, o Todo Poderoso já iniciou os trabalhos de recrutamento de quórum aqui pelas bandas de baixo. Malditos sejam Adão e Eva, para todo o sempre.&lt;br /&gt;Pois bem, sendo assim, peço licença aos amigos para parabenizar-me, mesmo em vida, pelo dia que hoje pertence aos que passaram desta para uma melhor (assim espero, caso contrário vira assunto pra hospício), já que, ainda que respirando e - até provem o contrário - gozando de plenas faculdades mentais, é perfeitamente possível afirmar que eu também já estou morto. Há controvérsias, mas estou. Que Ele acelere os trâmites restantes, por obséquio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-6942704062625435800?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/6942704062625435800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=6942704062625435800&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6942704062625435800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/6942704062625435800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2009/11/finado.html' title='Finado'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-5493568003871798745</id><published>2009-10-27T21:57:00.005-02:00</published><updated>2009-10-27T22:46:48.346-02:00</updated><title type='text'>Extrañar</title><content type='html'>Escrever um texto desse tipo costuma despertar um misto de sentimentos desconexos em minha mente. É por isso que, normalmente, desisto deles antes mesmo de tentar rascunhá-los, pois causam uma confusão enfadonha de idéias e percepções. Além disso, fica difícil refletir de maneira mais séria e aliar uma pitada de humor, ingrediente clássico deste blog e característica que eu gosto de conservar a maior parte do tempo.&lt;br /&gt;Hoje, porém, é um daqueles dias em que dá um estalido no cerebelo, decorrência do acúmulo de tantos assuntos arquivados no inconsciente e que clamam pelo desabafo. Sendo assim, serei maleável e tratarei de jogar nos próximos parágrafos, sem a mínima intenção de coerência e conexão entre eles, tudo o que tem borbulhado aqui por essas bandas. Será uma espécie de libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há duas semanas, recebemos a visita de um coral do Uruguai, mais precisamente vindo da cidade de San Carlos, localizada no departamento de Maldonado. Trocando em miúdos, longe pra cacete daqui. Foi a segunda vez que tive a oportunidade de conviver dois dias com eles, mas admito que a segunda experiência foi triplamente marcante em relação à primeira.&lt;br /&gt;Me preparei para falar espanhol durante várias horas e constatei que, de fato, se alguém me jogar n'algum canto da América Latina, de fome eu não morro. Valeram à pena todos aqueles trabalhos de Língua Espanhola que eu fazia sozinho enquanto meus colegas jogavam conversa fora em português, e bem mal falado, por sinal.&lt;br /&gt;Não vou aqui dissertar sobre como foi a estadia dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;chicos &lt;/span&gt;por aqui. Tampouco contarei minhas peripécias &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hablando español&lt;/span&gt;. O que passa é que, após vê-los voltando para casa, passei a refletir sobre um tipo diferente de saudade, que é a que sentimos quando sabemos que é possível que nunca mais voltemos a ver algumas pessoas. Todos foram tão intensos, tão receptivos, que entender o fato de estar a mais de uma fronteira de distância não me pareceu assim tão fácil de assimilar.&lt;br /&gt;É diferente sentir a falta de alguém que você sabe que, cedo ou tarde, voltará, ou que estará ao seu lado daqui a algum tempo. Por mais que muita gente não faça distinção, confesso que passei alguns dias com o peito apertado por saber que a vida é, às vezes, tão ingrata, para não dizer quase sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse ponto, saltei para o fato de que a minha vida - não sei a de vocês - é muito parecida com o outono. As folhas do calendário vão caindo, caindo, vem o vento e leva todas elas, secas, para longe. Eu sei que tudo se resume àquela velha máxima da insatisfação que eu carrego incessantemente, entretanto a figura da árvore perdendo mês após mês marcou-me de maneira tão emblemática, que cheguei a cogitar a possibilidade de escrever só sobre isso, sobre o quanto é curioso viver assim, perdendo meses, alguns quebradiços, com aquela impressão de que nada de valoroso foi realmente vivido.&lt;br /&gt;É esse saudosismo que me persegue, morde-me as canelas feito um guaipeca indignado com o tamanho insignificante que Deus lhe deu, rosnando o tempo todo como um velho rabugento. Percebam que minhas referências são assumidamente ranzinzas e sorumbáticas, porque nem só à base de sorrisos metálicos consigo sustentar meus dias. Arrisco a dizer, inclusive, que enquanto não acordar respirando o ar puro das coxilhas sem me preocupar com o relógio, ou, com todo o respeito que lhes é devido, com a puta que pariu, serei um beduíno insatisfeito vagando errante no deserto da desilusão. O que isso tem de poético, tem de desprezível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como nem tudo é outono entre solstícios e equinócios, vejamos o exemplo da queima de campo. Aos amigos ecologistas que porventura passarem os olhos de soslaio por estas linhas, sei muito bem que queimada é crime, polui, é proibido e talicoisa. Mesmo assim, ainda que me julguem, crucifiquem e me joguem aos leões, usarei a metáfora para explanar meus pensamentos.&lt;br /&gt;Quando a gente risca um pau de fósforo na macega seca, de fato, a fumaça é sufocante, fica tudo virado num breu total, retinto. A paisagem não fica nada aprazível, o gado lambisca a cinza, preteia a venta, tudo parece perdido. Há quem diga, inclusive, que a terra perde seus nutrientes, argumentos é o que não falta para os ecologistas.&lt;br /&gt;No entanto, alguns dias após a insofismável prática, eis que ocorre o milagre da natureza. Onde antes havia só macega seca e sem sabor, surge o capim verdejante que transforma a paisagem do verão em algo difícil de descrever. O gado engorda, reluz o pêlo, uma beleza. Por sinal, ainda não encontrei explicação para a declarada perda de nutrientes numa macega sapecada há mais de cinquenta anos, mas que sempre enche os olhos de pasto viçoso no verão.&lt;br /&gt;Renovar o campo, por mais que muitos defendam a manutenção do que é seco, ou algum manejo maluco através de medidas de quem nunca criou gado e acha que lavrar a terra e plantar madeira para celulose é solução, pode parecer mesmo absurdo, mas funciona. Por mais que hajam argumentos, trago um fato.&lt;br /&gt;Assim ocorre também na vida. Há quem esperneie ao ver a fumaça engolindo a paisagem, é realmente difícil encarar uma queimada a pulmões plenos. Para os desavisados, o calor do fogo causa até febre, é preciso ter uma certa habilidade. Porém, é inegável que renovar o que já não auxiliava mais o bom andamento das coisas acaba surtindo efeito lá na frente.&lt;br /&gt;De uns tempos para cá, tenho mantido essa postura que não ouso classificar como madura, talvez esteja bem longe disso, mas posso definir como tranquila. É preciso entender que a vida consuma certos fatos que, por A mais B, tornam-se inquestionáveis. Funciona mais ou menos com aquela sábia frase do Carlos Drummond de Andrade, que diz que a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional.&lt;br /&gt;Decididamente, concluí que, se for pra sofrer eventualmente, que eu o faça em silêncio. É preciso assimilar as perdas, curar as feridas, juntar os cacos, analisar o que fica de bom e bola pra frente, que minha vida é mais curta para mim, que vivo, do que para quem a assiste. Chegou o momento de não haver mais receio ao riscar um pau de fósforo. O verão agradece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-5493568003871798745?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/5493568003871798745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=5493568003871798745&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5493568003871798745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/5493568003871798745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2009/10/extranar.html' title='Extrañar'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-7104237338645994384</id><published>2009-10-15T20:46:00.007-03:00</published><updated>2009-10-15T21:47:59.283-03:00</updated><title type='text'>A placa</title><content type='html'>Às vezes, sou um tanto egoísta. Há certos momentos da minha vida que eu prefiro curtir em silêncio, onde escolho contemplar meus gostos acompanhado apenas da solidão e da minha fértil imaginação. Porém, só às vezes. É esse detalhe tênue que me mantém a um passo de me tornar um eremita.&lt;br /&gt;Um desses momentos é ir para a fazenda. Depois que comprei meu carro, desenvolvi verdadeira predileção por pegar a estrada minutos antes do sol nascer e acompanhar a evolução do seu movimento de rotação enquanto me dirijo a São Chico. Minha mãe não gosta, diz que vou detonar o carro na esburacada estrada de chão, mas eu não me importo. Os fins justificam os meios.&lt;br /&gt;Domingo passado, enquanto curtia o sacolejo que o cascalho provocava em meu veículo, seguia tranquilo admirando a paisagem do pampa serrano. Uma vaca pastando bucolicamente ali, uma toiça de macega balançando ao vento acolá e, ao mesmo tempo, envolto pelo canto das carucacas, símbolo-mor, pelo menos para mim, de que aquele chão é perfeito.&lt;br /&gt;De repente, deparei-me com um artefato inusitado manchando a paisagem. Uma placa. Tratava-se de um pedaço de papelão pregado numa ripa fincada ao chão, com uma palavra escrita, creio eu, a giz de cera preto ou carvão. Nela, apenas uma palavra escrita. Um verdadeiro absurdo, diga-se de passagem. Franzi o cenho e me perguntei quem teria a petulância de colocar aquilo ali. Pensei em parar o carro e moer a placa a pontapés, quanto vandalismo. Contudo, dois segundos de reflexão me fizeram rever a minha vontade. Entre embasbacado e indiferente, segui meu caminho com uma pulga atrás da orelha e a certeza de que ainda voltaria ali naquele dia para destruir aquela porcaria.&lt;br /&gt;Foi o que aconteceu à tarde. Saímos, meu avô e eu, a cavalo para buscar umas novilhas para vacinar. Sabedor de que nada passa batido aos olhos de lince do velho João Maria, resolvi ficar quieto e esperar ele enxergar o corpo estranho na estrada. Dito e feito. A cinquenta metros do local, vi que suas anteninhas de vinil haviam detectado a presença do inimigo. No melhor estilo "sigam-me os bons", fui atrás para ver a reação dele.&lt;br /&gt;Ele chegou perto, leu a palavra, ficou em silêncio, rodeou a estaca e parou. Pude perceber que ele leu de novo, e de novo e de novo. Ainda assim, permaneceu quieto. Me olhou, mirou-a novamente, também franziu o cenho e, após alguns segundos de reticências, indagou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem será que fincou essa placa aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num gesto surpreendente, grudei o cabo do relho e VAPO! Sentei a munheca no papelão, que voou longe e caiu com a palavra virada para cima. As éguas se assustaram e meu vô não entendeu nada. Chegou perto do escrito, leu outra vez e arriscou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Gái"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspeitei desde o princípio, ele não conhecia a palavra. Era a deixa que eu queria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, vô. É "gay".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas não é um A?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, mas é inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aquilo ali, é um... é um...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ípsilon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já esperava pela pergunta seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um xingamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que fique bem claro que eu não tenho absolutamente nada contra homossexuais, não se alvorotem. Só que é mais do que óbvio que quem pôs aquela placa no meio da estrada tinha o intuito de xingar alguém, ou fazer um chiste, ao que interpretei com essa conotação.&lt;br /&gt;De qualquer forma, o silêncio do João Maria foi eloquente. Seguimos rumo à busca das novilhas e ele mudou o rumo da conversa para a especulação do porquê da placa estar ali, ignorando minha afirmação. Isso durou uns trezentos metros. No fundo, sabia que ele estava em polvorosa de curiosidade para saber o significado da palavra. Realmente, eu estava certo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu disse que é um xingamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, um palavrão, uma sacanagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que mau que eu sou. Ao invés de explicar logo e acabar com a angústia, não, segui enigmático, dando pistas incompletas. Acontece que eu queria poupar-nos de um momento constrangedor. Vocês sabem, meu vô é de outra época, onde pão era pão e queijo era queijo, quis evitar uma polêmica desnecessária. Apenas quis, mas não consegui por muito tempo. A cada passo da égua, percebi que retumbava em seu cérebro uma aflição sem fim por saber o significado daquele singelo vocábulo estrangeiro. Bom neto que sou, resolvi esclarecer o mistério:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É o mesmo que chamar alguém de veado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi uma frase natural de se dizer. Nunca falei nada parecido sobre preferências sexuais com meu vô. Pra que bater de frente com os dogmas dele, né? Sempre evitei esses papos cabeças, sexo, drogas e rock'n'roll. Lembro inclusive de certa vez que caí na besteira de afirmar que era o Sol quem girava ao redor da Terra, e não o contrário. Vejam bem, um papo comum! Quase fui excomungado. Ele teimou com veemência dizendo que eu estava dizendo uma heresia. Galileu Galilei seria expulso da fazenda em dez minutos, tenho certeza. Não que meu vô seja ignorante, ele apenas não estudou o suficiente para ter acesso a esse tipo de conhecimento que, por sinal, não serve para nada, né? Ou para vocês faz diferença ser o Sol quem gira em torno da Terra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi uma interjeição comum. Teve o triplo de surpresa do que um "ah é" comum. Aliás, foi por isso que enrolei ele por tanto tempo. Imaginem, vem um cidadão e traz um acinte daqueles para um naco de terra do globo terrestre ainda virgem e preservado desse tipo de modernidade. É pra dar nó em qualquer bigode gaudério.&lt;br /&gt;Assenti que, sim, era aquilo mesmo, expliquei que gay é o mesmo que homossexual e que, comumente , é uma palavra usada entre os homens para pôr em xeque a masculinidade alheia, seja de brincadeira ou não. Não que tivesse esperanças de que ele entendesse e concordasse, o que inclusive ficou claro com a frase dita em seguida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse mundo velho tá virado de perna pra cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tentei, em vão, argumentar, dizer que atualmente isso é comum nos grandes centros, que a união entre pessoas do mesmo sexo vem sendo bastante difundida, aceita pela sociedade e talicoisa. Não adiantou quase nada. A frase que encerrou o assunto, por sinal, deixou bem claro que a tradicional filosofia campeira ainda não está preparada para aceitar certos avanços que o século XXI trouxe consigo. Do alto de seus setenta e tantos janeiros, as melenas já um tanto brancas, herança de anos de lida bruta, o vô estufou o peito e lançou no ar uma frase que o minuano carregou para longe, indicando que ainda há muito pano pra manga:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Larga um lote só de touros numa invernada e vê se nasce algum terneiro...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3747142194371781589-7104237338645994384?l=massquemomento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://massquemomento.blogspot.com/feeds/7104237338645994384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3747142194371781589&amp;postID=7104237338645994384&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7104237338645994384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3747142194371781589/posts/default/7104237338645994384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://massquemomento.blogspot.com/2009/10/placa.html' title='A placa'/><author><name>Antônio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10894553730866669319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3pbLVAKWmq0/SSr9eJBN09I/AAAAAAAAAV0/VhWDumRrzG4/S220/SDC10400.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3747142194371781589.post-5678995488395672899</id><published>2009-10-13T20:51:00.004-03:00</published><updated>2009-10-13T22:15:42.215-03:00</updated><title type='text'>O ápice</title><content type='html'>Há poucos sábados, conforme relatado por aqui, fui eleito o melhor em campo pela primeira vez no ano num jogo do nosso time de sábados à tarde, o glorioso e mundialmente conhecido em Novo Hamburgo, Calixto. Foi um momento inesquecível, ter o esforço de uma atuação destacado pelos amigos é uma apologia e tanto, pelo menos para quem ambiciona pouco no mundo do esporte.&lt;br /&gt;Contudo, mal sabia eu que o melhor ainda estava por vir. Eis que, no último sábado, atingi a meta declarada na última frase do post que relatou a odisséia da votação que me elegeu como destaque do jogo: marquei meu primeiro gol com a camisa do Calixto. E, para contar como aconteceu esse efusivo fato, precisarei dividi-lo em capítulos, para que vocês acompanhem a dimensão do impacto que ele exerceu sobre mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Primeiro capítulo - A Humilhação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o mais ranhento gurizote ao mais caquético ancião, ninguém gosta de levar olé no futebol. Para os leigos, olé é aquela jogada que desconcerta o adversário. Passar a bola pelo meio das pernas - a famosa caneta, ou o drible da vaca, quando a bola corre por um lado e o jogador pelo outro, alcançando-a adiante, livre, lépido e solto do pobre coitado que o levou e observa, impotente, o seguimento da jogada.&lt;br /&gt;Entre os mais sofisticados há o rabicó, um drible onde o adversário dá um nó nas próprias pernas e, ainda assim, passa pelo marcador, tal qual o &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HCxM1qj5T60"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Ronaldinho Gaúcho fez com o Dunga em certo Gre-nal&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, ou a lambreta que, de tão difícil que é de explicar, vou apenas deixar um link do Youtube &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=hyosAxXF-rM"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Pois bem, eu levei um &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HdEI6fD2wGY"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;chapéu&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Ou chaleira, lençol, como queiram. É simples, porém pérfido. Trata-se de dar um "balãozinho" no pobre adversário, fazendo com que a bola passe por cima de sua estática carcaça. Já dei alguns chapéus, é bem verdade. Ah, como é bom dar um chapéu! A bola penteia o cabelo do cidadão que, feito um gato desabando do telhado, ganha quase um torcicolo ao ver a redonda cobrindo-lhe as melenas e caindo mansa às suas costas. É lindo de se ver!&lt;br /&gt;Sim, só que eu disse de se ver! Ver! Levar um chapéu é um acinte! É sórdido! O caos! Contudo, hei de convir que contribuí para que o desastre acontecesse. O vivente dominou a bola quicandinha, daquelas que diz "ô, vontade de dar um chapéu", e o Pedro Bó aqui largou na pernada, desembestado e babando feito um boi com febre aftosa, como um beduíno que encontra água no deserto após semanas sem ver uma mineral sem gás.&lt;br /&gt;Passei lotado. Quando as pernas travaram, não consegui esboçar uma reação, e a bola penteou meu cabelo enquanto eu, feito um gato desabando do telhado, quase ganhei um torcicolo ao ver a redonda cobrindo-me as melenas e caindo mansa às minhas costas. Horrível de se ver...&lt;br /&gt;Ainda tentei, num gesto extremamente antiesportivo, tocar a mão na bola, cometer uma falta, sei lá, impedir tamanho esmagamento da minha figura futebolística. Tudo em vão. O cara passou por mim a jato, de motinho e me deixou ali, feito um Forrest Gump, contando histórias paradinho, paradinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;
