C'est fini

Dois de dezembro de 2004, lembro como se fosse ontem. Já esqueci de tantas passagens da minha vida nestes últimos dez anos, mas daquela noite eu recordo direitinho. O Léo e eu, sentados em frente ao computador, tomados pelo afã de iniciar uma caminhada blogueira, criamos este blog, o Que Momento!
A história da expressão eu já estou careca de contar. O que eu sequer imaginava era a proporção que o blog tomaria na minha vida. Depois que o Léo parou de escrever, os caminhos foram se desenhando naturalmente e, sem nada planejado, as linhas que escrevia na internet passaram a ser parte de mim.
Lá se vai uma década desde então. Aqui escrevi meus textos mais geniais e também as maiores besteiras que já pude produzir. De alguns escritos me arrependo profundamente, mas nunca apaguei nenhum. Os erros também são parte da minha história. Além disso, os acertos superaram, tenho certeza. Foram quase 600 postagens, dentre as quais pelo menos 50 me enchem de orgulho por terem saído deste meu cérebro de margarina mofada.
Já faz algum tempo que decidi encerrar as atividades do Que Momento! ao atingir esta marca, e de lá para cá jamais mudei de ideia. Assim como a certeza da sua criação – ainda que eu nunca pudesse imaginar que escreveria durante dez anos neste espaço –, também a decisão de parar com a vida blogueira foi tomada com segurança e sem arrependimentos. Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe, a sabedoria popular não erra.
Todas as pessoas com quem comentei sobre este encerramento foram unânimes em tentarem me demover da decisão. Considero natural este tipo de reação, pois a empatia criada com meus fieis leitores certamente provocará uma lacuna em nossa estreita relação. Também já mencionei por diversas vezes todas as amizades que construí via blogosfera, uma riqueza imaterial e de valor incalculável, o verdadeiro milagre que só a internet é capaz de explicar.
Porém, entendam, não decidi nada de rompante. Simplesmente não me enxergo mais como blogueiro. A vida mudou, e com ela seus assuntos, a frequência, o tempo, as prioridades. Se as pessoas ainda são prioridade, o blog não é mais. Não acho legal escrever a cada seis meses, um ano. Quando visito blogs abandonados sinto vergonha alheia por a pessoa tê-lo deixado lá, às traças, sem uma despedida digna. Meu blog tem um valor de estimação, é um capítulo carinhoso da minha vida, mas agora chegou o último momento, o adeus. É um ciclo que se encerra e precisa ser encarado com naturalidade.
Não vou tirar o Que Momento! do mundo cibernético. Minhas histórias aqui permanecerão para a posteridade, ou até quando o Blogger quiser. De todo modo, a publicação do livro eternizou esta trajetória, não há como apagar. Por outro lado, não vou dizer que volto caso um dia sinta vontade. Se isso ocorrer, vou respirar fundo, suspirar com ar de saudosismo e recordar dos bons tempos que aqui passei. Chegou a hora do blog virar lembrança.
Isso não significa que encerrarei minhas atividades literárias. N’algum canto desta rede mundial de computadores hei de permanecer teclando vez ou outra. Já ando ensaiando alguns novos passos, porém é cedo para afirmar com certeza qual será o meu novo paradeiro.
Não vou terminar de forma melancólica, tampouco atirarei confetes para o céu. Obviamente, agradeço pelos anos de amizade, parceria, admiração e carinho dedicados aos meus escritos. Aqui recebi elogios memoráveis, os quais estarão para sempre guardados em meu coração. Estou apenas colocando um ponto final nesta fase linda que o blog representou, todavia partiremos para um novo parágrafo. E eu sempre adorei parágrafos.
Sei que poderia ter caprichado mais neste dia emblemático, tenho consciência de que a data mereceria um grande texto, daqueles para entrar na galeria dos memoráveis. Mas, não. A maior prova de que tudo está diferente é que já não se faz mais necessário carimbar a vida com palavras marcantes. Chegou a hora de apagar as luzes da ribalta. Obrigado, blog querido, pelas infindáveis linhas que criamos juntos. Após uma década de serviços prestados, chegou a hora do merecido descanso. Feliz de mim, que vivi aqui os melhores momentos. A saudação final, ainda que fora de contexto, ficará a cargo da expressão carro-chefe. Não poderia ser outra.

Que momento!




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