Café no bule - Parte 1

Fiquei enfeitiçado quando a vi entrar na sala de aula. Foi paixão instantânea. Como se cada migalha de testosterona existente em mim provocasse uma “ola” nas arquibancadas da minha libido. Era estonteante, sensual e, para um cara de 17 anos, muito, mas muito gostosa.
O agravante era eu ser virgem. O único da turma do fundão que ainda não conhecia os prazeres da carne. Meus amigos tiravam sarro da minha cara, mas também eram solidários. Foi através do Bozó, inclusive, que consegui aproximar-me dela.
Lidiane, dezoito anos, nova na escola. Uma loira de parar o recreio (com dezessete anos, eu ainda não dirigia, então não a tinha visto parar o trânsito). Abandonei as revistas, os vídeos na internet, toda e qualquer fantasia. Só pensava nela, o tempo todo. Meus colegas perceberam e conspiraram a meu favor.
Aconteceu que gabaritei uma prova de português, e ela tirou nota vermelha. Bozó a ouviu perguntar para uma colega se poderia ajudá-la a estudar, ao que a guria respondeu que não tinha nenhuma tarde livre. Perspicaz, ele me indicou, falando maravilhas sobre minha facilidade com a matéria, o que, por sinal, não era mentira, eu era bom mesmo.
Articularam tudo. Seria na minha casa, quarta-feira à tarde. Fora muito eficiente o Bozó. Possuía a esperteza de um cão farejador. Aliás, foi através dessa característica que ele descobriu informações preciosas sobre Lidiane, que acenderam ainda mais minhas esperanças de experimentar pela primeira vez o que todos eles já estavam carecas de saber.
Ouviu-a conversando com nossas colegas sobre as várias vezes em que fora para a casa de ex-colegas, com a desculpa de estudar, para aproveitar outros tipos de estudos práticos. Estava bom demais para ser verdade. Prometi ao Bozó que lhe pagaria dois meses de lanche se isso acontecesse. Ergueria uma estátua em sua honra.
Quando deu o sinal para o intervalo, comprei meu pastel e fiquei tranqüilo lanchando. De repente, percebi que ela se aproximava. Rezei dois Pai-Nossos e cinco Ave-Marias até que ela parou na minha frente:

- Quarta-feira, então, né?
- Sim, sim, certo. – tremia tanto, que deixei cair um pedaço de ovo do meu pastel no chão. Por sorte, ela não percebeu e o chutei para longe.
- Que bom... – ela sorria como um querubim abraçado à sua harpa – será divertido.

Divertido? Ela disse divertido, eu entendi direito? Era um sonho, só podia ser. Todas as minhas preces estavam sendo atendidas naquele momento. Exultava por dentro, regozijando em louvores ao Senhor, por atender às inúmeras vezes em que havia orado pedindo um momento igual àquele.
É, mas o que Deus tem de justo, tem de sacana. E, logo após aquela deslumbrante palavra “divertido”, veio minha sentença de morte. Ela aproximou-se do meu ouvido, maliciosamente. Deixei cair o resto do pastel. Parei de mastigar. Apenas ouvi seu sussurro:

- Tu sabe fazer café no bule, né? Fico mais animada ainda pra estudar quando tem café no bule – e sorriu ainda mais largamente.

Como assim, café no bule? Que diabos era aquilo? Uma posição nova, uma prática desconhecida? De tudo o que já tinha ouvido falar sobre sexo, não lembrava de nada parecido com café no bule. Meu mundo caiu. Precisava dar uma resposta rápida e firme, mas não fazia idéia do que se tratava aquele código, aquela linguagem que só os sexualmente experientes conheciam. Menti:

- Café no bule? É claro! Sempre faço quando vou estudar – tentei agir com naturalidade, mas suava até dentro das orelhas.
- Ótimo. Quarta-feira, então.
- Isso. Quarta.

Ela sorriu, e saiu. Agora eu estava enrascado. Tinha quatro dias para descobrir em que consistia o maldito café no bule. O primeiro a quem recorri foi o Bozó, meu guru para assuntos sexuais. Mas, para meu espanto, nem ele sabia.

- Café no bule? Meu Deus, que loucura, cara! O que é isso?
- Putz, nem tu sabe. Tô morto.

Passei o fim-de-semana inteiro pesquisando na internet sobre aquilo; não encontrei nada. Nem uma mísera frase, um fórum sequer sobre aquela prática certamente fora de qualquer padrão sexual. Estava diante de uma garota experiente, conhecedora de todos os encantos entre quatro paredes, enquanto que eu sequer tinha visto uma mulher nua ao vivo.
Virou uma questão de honra. Descobriria como fazer café no bule a qualquer custo. Quando o Merenda, outro integrante do grupo, sugeriu uma solução drástica, nem titubeei:

- Cara, conheço um lugar onde tu pode buscar essa resposta.

Jocélio, vulgarmente conhecido por Merenda, era um dos mais viajados nesse aspecto dentro do grupo. Contava várias de suas peripécias, todas ricas em detalhes, nomes e posições. Mas, para a surpresa de todos, também não fazia idéia do que seria o tal café no bule.
Peguei os endereços com ele e fui à cata da elucidação do caso. Minha estréia na zona. Não era bem daquele jeito que eu tinha imaginado, mas valeria à pena. Parei em frente a uma casinha azul, sem qualquer menção de meretrício. “Profissionais discretas”, pensei. Toquei a campainha, e uma jovem atendeu:

- Em que posso ajudar? – quando sorriu, percebi que um de seus dentes era preto. Meu almoço deu um duplo twist carpado no meu estômago, mas me segurei.
- Eu vim... Vim... Fazer uma pesquisa.
- Tu sabe o que funciona aqui, né, guri? – o sorriso deu lugar a um cenho franzido.
- Vocês fazem café no bule?
- Como?
- Vai me dizer que vocês não fazem café no bule? – aproveitei para dar uma de experiente, como se fosse um absurdo não conhecer aquilo do que eu estava falando.

Ela ficou visivelmente envergonhada e bateu a porta na minha cara. Ainda visitei outros três endereços, e em todos obtive a mesma resposta. Ninguém sabia o que era café no bule. Algumas me ofereciam frango assado, coelhinho sai da toca, mas nada do famigerado café. Ainda havia um endereço, e minha esperança resistia. Cheguei cansado, a casinha ficava no alto de um morro. Uma morena enorme atendeu à porta, mas não me intimidei. Àquela altura do campeonato, já trazia comigo certa experiência em malocas. Fui direto ao assunto. E a resposta me espantou:

- Humm – ela coçou o queixo de uma forma suspeita. Mulheres não coçam o queixo daquele jeito. Me lembrou o professor de Química alisando a barba. Nada me tira da cabeça de que era um traveco, o que tornaria o Merenda alvo de chacotas até o fim do ano letivo – sei o que é, sim, mas não faço isso.

Das duas, uma: ou era algo muito escabroso, ou era mesmo um traveco, e o cara não tinha a parte do corpo necessária para fazer. Fracassado em minha jornada, voltei para casa. Faltavam dois dias, e ainda não descobrira como fazer café no bule.
Numa situação desesperadora, apelei para aquele que pensei que jamais me deixaria na mão nesse tipo de situação. Respirei fundo, reuni coragem, força e cara-de-pau, e perguntei ao meu pai:

- De onde tu tirou isso? – nunca tinha visto meu pai com o olho tão arregalado.
- É pra um trabalho de religião, sobre educação sexual.

Foi um erro mentir naquele nível de grosseria. Meu pai ficou enfurecido e foi à escola reclamar com a diretora sobre o que estavam ensinando nas aulas de Ensino Religioso. Demitiram a professora imediatamente, a turma ficou perplexa, e eu me sentindo eternamente culpado. Foi de cortar o coração vê-la sair chorando da sala da diretoria, sem saber direito o motivo da demissão. O pai ficou uma semana mudo, sem me dirigir a palavra. E eu seguia sem saber o que era café no bule.
Quando deu o sinal para o fim da aula, Lidiane ainda olhou para mim e deu uma piscadinha marota. Havia chegado o dia tão esperado, e eu tremia mais do que vara verde, sem saber como explicar a minha inexperiência. Gastara metade da minha mesada com preservativos, tudo em vão.
Os guris me desejaram sorte. Se eu permanecesse tranqüilo, tudo aconteceria naturalmente. O fato de ser mestra em café no bule faria com que eu, habilidosamente, conduzisse a situação para que ela desse sinais de como funcionava o negócio. Não havia mais como voltar atrás, e eu precisava de coragem para enfrentar aquela que seria a minha iniciação naquele maravilhoso mundo que, até então, eu só havia visto por intermédio de revistas e DVDs.
Às duas e quinze, ela chegou. Estava linda, com uma saia que deixava à mostra parte de suas coxas esculturais. O perfume possuía um efeito tão hipnótico, que levei quinze segundos para conseguir dizer “oi”. Prevendo que ela viria deslumbrante, tomei dois banhos, usei a colônia do meu pai e enchi os bolsos de preservativos. Já vinha treinando há meses, mas não queria correr o risco de rasgar os primeiros e não ter reservas suficientes.
Fomos para a mesa da cozinha. Normalmente, estudava no meu quarto, mas não quis parecer precipitado. Abrimos os livros e conversamos algumas bobagens sobre a turma, aliás, ela conversou, porque eu só sabia admirá-la. Preferi deixar que tudo acontecesse naturalmente. Porém, mais uma vez, fui surpreendido por seus ímpetos:


Querem saber como termina essa história? Não percam, segunda-feira, a segunda e derradeira parte de "Café no bule".

19 comentários:

  1. Sacanagem vc me deixar na ansiedade kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    beijo

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Eu vim comentar de novo pq nao aguentei de dó da sua professora de religião kkkkkkkkkkkk vc é fróid irmão... eu já demiti uma professora de geografia. Qualquer dia te conto isso.
    Outro beijo

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  4. Putz! Segunda-feira? Daí é sacanagem demais com os vivente...

    Abração!

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  5. naaaaaaaaaao acreditooooooo

    owwwww
    começou, termina neeeeeeh? kkkkk

    =*

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  6. ahhhhhhhhhhh... fala sééériooooooo Antonioo!
    como vc pôde fazer isso? nos deixar nessa curiosidade até segundaaa?!
    isso não é justo! :P

    hauhauhauhauhua

    beijinhos.. e bom final de semana!

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  7. aieuheiuhaeiuhaeiuaeh'
    que história, hein!? uma ótima desculpa pra voltar aqui segunda ;)
    eu também já demiti um professor oO mas não por ter mentido pro meu pai! aeiuhei'

    beijo Antônioo

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  8. Ah naaooo!!! Até seguuunda naaooo!!! Sacanagem, hein sr. Antonio!! =P hauahu
    E eu neeem soouu curiooosa..naoo..nenhum pouquinho...nadica d nada...=( hauhau

    Beeeijos! Bom fds!!

    PS: Obrigada pela força! ;)

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  9. quer comentário?
    até segunda feira.


    pq hj, tu ano merece... hunf

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  10. kkkkkkkkkkkkkkk
    vc podia ter postado na quinta pq continuava na sexta!
    ¬¬
    como vou dormir?!
    uahuahauahuaha

    to adoraaaaaaaaaando!
    \o/\o/\o/

    *totalmente novela do SBT essa parte em vermelho!
    uahuahuauahuhaahaa

    beeeijooo
    e otimo fds!

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  11. Para tudo!!!!!!!!!!!!!!
    Vc vai estudar?
    vai estudar oq, onde?
    E n me conta nada
    ¬¬

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  12. MEU DEUS! como vc tem coragem de fazer isso cmg?!???
    agr eu vou MORRER de curiosidade!
    po, eu gostei tanto q li pro meu namorado e ele tbm tah insuportável aq crianco mil teorias..
    segunda, conte cmg aqui! auheuahu
    beijaao!

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  13. HAAAAN? tu és muito escritor de novela, onde deixa as melhores partes pro dia seguinte! que maldade...

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  14. Jr, isso parece tratamento contra ejaculação precoce: no melhor da história, temos que parar!
    (Nesse momento, fazendo minha melhor cara de Freud, eu decreto:) O que ela quer mesmo é tomar um bom café no bule, cara! Pra não dormir enquanto vocês estudam... Se vc fosse carioca, ao invés de tomador de chimarrão, saberia disso.
    Mas ta muito bem escrito, parabéns.

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  15. Mas que momento hein ?!

    E essa menina então ?!

    De onde foi q ela tirou isso ?!

    Bjao Antônio

    E estou na torcida pra saber o final dessa estória deveras " emocionante "...

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  16. carambaaa...cm tu escreve, guri??

    E eu aqui em crise...soh de ver uma pagina pautada me arrepio...vc jah teve isso? Eu nao sei pq isso acontece!

    Sucesso
    bj

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  17. eu não sei fazer café no buleeeeeeeeee!

    Me ensina depois!?

    MUAHAHAHAHAHA

    (brincadeirinha. ou não. =p)

    ;**

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  18. Já ri um monte e fiquei curiosa demais!
    Volto segunda então, já que vc resolveu deixar todos curiosos...

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  19. Vc perguntou e eu não lembro se respondi... curso Farmácia na faculdade. :)

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