Meu guri!

Meu irmão comprou um atlas geográfico. Semana passada ele completou 10 anos de vida e, de presente, ganhou uma graninha dos nossos avós. Muito me orgulha ver que parte dessa quantia seja investida em livros - ele chega a discutir com a mãe para comprar mais - ainda mais no meu caso, ferrenho defensor da intelectualidade que sou.
E, como o sangue é forte, ele rapidamente encantou-se pelas diversas bandeiras, mapas e capitais, exatamente como eu fazia quando era pequeno. Adorava conhecer os países, explorar tudo dentro do atlas e me encher de conhecimentos gerais sobre o mundo.
Foi então que, ainda embevecido pelas maravilhas do livro novo, ele desandou a me perguntar algumas capitais. E, finalmente, todas aquelas horas decorando-as serviram para alguma coisa. A cada nome que eu acertava, percebia a surpresa em seu rosto. "Bah, tu sabe tudo!", dizia estupefacto, com um olhar maravilhoso, que só ele tem, de "meu irmão é o máximo". É claro que não acertei todas, né, vou lá saber qual é a capital de São Vicente e Granadinas! No entanto, posso dizer que tive noventa por cento de êxito.
Já ouvi alguns depoimentos de amigos sobre a emoção de ser pai e ter a responsabilidade de educar uma criança. Bem, eu tinha treze anos quando meu irmão nasceu, ainda nem comia um xis inteiro. Porém, como meus pais separaram-se em seguida, passei a ser sua figura masculina dentro de casa, o que me atribuiu indiretamente uma espécie de paternidade.
A partir disso, posso atestar a veracidade desse sentimento ímpar que é ser uma referência para uma criança. Tenho orgulho do respeito que o guri tem por mim, da importância que minha opinião tem pra ele e de cada fato da sua vida que ele faz questão de dividir comigo, fazendo com que eu me sinta realmente participante da educação que ele recebe em casa.
Não sei, sinceramente, se terei filhos algum dia. A vontade existe, acredito que eu seria o pai mais babão do universo e voltaria certamente a ser criança. O brabo é que, para se ter um filho, é preciso que haja a mãe, e aí é que a porquinha torce o rabo. Por mais que eu seja novo, prestes a completar apenas 23 anos, já não me iludo mais com o sonho de construir aquela família tradicional, que senta na frente da casa pra tomar chimarrão no domingo de manhã, por exemplo. Até porque o próprio conceito de família está cada vez mais distorcido - assunto a ser discutido num próximo texto.
O que eu quero dizer é que um filho precisa ser gerado com amor, não só durante o ato de fazê-lo em si - por sinal, a parte mais fácil - mas também durante seu crescimento, educação e desenvolvimento como pessoa. Sei bem das agruras de ter de crescer sem a dita estrutura familiar convencional, e isso me torna receoso quanto a projetar algo tão grandioso para a minha vida.
De qualquer forma, a gente se vira com o que tem, né? É por isso que me dedico tanto em casa e, por mais que não consiga ser 100%, procuro executar bem o meu papel de irmão/pai e ser uma boa referência de valores e atitudes para o meu gurizinho, campeão de xadrez e inteligente como só ele é. Tenho lá meus rompantes de mau humor, às vezes piso na bola, mas tenho plena certeza de que o sentimento que há entre nós constitui um elo para a vida inteira.
Agradeço a Deus todos os dias pelo nascimento do nosso caçula e tenho por ele um amor diferente de qualquer outro que eu sinto, já senti, ou ainda sentirei. Pode ser que eu não venha a realizar o feito de um dia ter um pimpolho, o futuro a Deus pertence. Contudo, sinceramente, isso não me preocupa, pois, se for só para experimentar esse amor ágape por um pequenino e sentir-se parte da vida de uma criança, posso estufar o peito e dizer, com todo o orgulho, que já o faço para meu irmãozinho do coração há dez anos.

E a capital de São Vicente e Granadinas é Kingstown.

13 comentários:

  1. Todo metido só porque sabe o nome das capitais!

    he he he

    Só explicando, o bala do final do texto é droga. É uma gíria para as drogas em comprimido.
    Botei um PS no blog explicando isso.

    bjo

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  2. Olha, depois de ler essa declaração de amor só tenho uma coisa pra dizer: Feliz dia dos Pais!
    hehehehehehehehehehehehehehehehe
    Na real tu é um pai-irmão-amigo do teu mano!
    Ele é um guri de sorte, ganhou o pacote COMBO!
    Parabéns por esse amor lindo

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  3. Também tenho um afeto muito forte a minha irmã e o mais engraçado na nossa relação é que mesmo ela sendo mais nova, ela acaba me ensinando muito mais às vezes.
    Bjitos!

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  4. Não poderia deixar de comentar esse texto, meu irmão é 21 anos mais novo que eu!E eu o amo como se tivesse saído de mim.Ontem, ele queria que dormisse com ele, pra não fugir de ficar sozinho, pra me convencer ele disse: "Arrumei um dvd da Hello Kitty, eu sei que tu gosta dela, daí vc dorme comigo e vemos juntos". Tem como resistir? Jamais!

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  5. Olha, eu tenho o sonho de fampilia convencional... mas deve ser pq vivo em uma...
    Mas digo que entendo seu amor pelo seu irmão (pois tenho o meu) e já me senti 'mãe' na vida de uma criança e sei como isso pé fantástico!

    bjs

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  6. Desculpa perguntar, mas onde fica São Vicente e Granadinas????

    Que lindas palavras guri!!!! Confesso que nunca senti esse amor materno (no meu caso, né?) por ninguém, mas espero sentí-lo algum dia...
    E, pela forma como já li tu falar desse teu irmão em alguns textos, dá pra sentir o amor que tu tens... E fico feliz demais por tu...

    Um beijão

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  7. ai, que legallllllll........

    eu tb tenho um atlas geográfico enormeeeeeeee.
    dá pra viajar pelo mundo todo lendo e vendo as ilustrações. adoroooooooo

    =*

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  8. Irmão, adorei seu texto.

    Ser pai deve ser o presente mais perfeito deste mundo.

    Abs!!


    Marcos Seiter

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  9. Ah! Que bonitinho! Bom, a parte legal é que vc já vai treinando para o caso de um dia ser pai de seus próprios filhos. Eu tenho sobrinhos e me sinto um pouco mãe deles tbm. Primeira vez que venho aqui, adorei teus textos viu? Voltarei mais vezes.Beijos!

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  10. Letícia Kraesnienkiz10 de agosto de 2008 15:10

    Lembro da primeira vez que saímos pra conversar, e o assunto dos nossos pais tomou conta de boa parte da noite.. Admiro muito isso em ti, e toda essa dedicação para o teu irmão! Não me resta dúvidas do belo pai que tu serás!
    Beijãoo...

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  11. Eu acho lin-do esse amor que tens pelo teu irmão caçula. Consigo imaginar teus olhinhos brilhando quando escreves sobre ele... Nas palavras, você consegue por todo esse sentimento digno de honrarias.

    Beijo Ton *:

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  12. Nada melhor que ser exemplo par uma crainça. Para mim é o reconhecimento de tanta educação, etc e tal. E se o irmão mais novo puxar ao mais velho, vai ser inteligência demais em uma casa só. =)
    Beijão!

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  13. Antônio, que saudade de te ler!!!
    Como sempre teus textos estão ótimos...Sobre amor de filho sei escrever muuuito, hehe, Mas não é fácil a responsabilidade mesmo. Engravidei em um descuido da adolescência e tive que amadurecer de uma hora pra outra. Mas amo ser mãe e esse amor que vc sente pelo teu irmão é a coisa mais linda que já vi!!!
    Dá um "orguio" né? hehe
    Beijão querido!

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