O seu nome eu escrevi na areia

Lua E Flor by Oswaldo Montenegro on Grooveshark

De uns tempos para cá, minha vida neste blog tem sido fazer rir. Não que isso seja uma obrigação, longe de mim atender a qualquer expectativa, mesmo porque meus leitores de fé são sempre os mesmos e aguardam sob chuva ou sol por uma nova postagem, que às vezes demora tanto...
A verdade é que eu gosto de escrever algo que tenha cunho humorístico. Modéstia à parte, creio que me saio melhor nessa área, até pelo incentivo dos amigos. O cara acaba se tornando humorista mais por conta da maré de certezas do que propriamente pela vontade de sê-lo. E, vamos combinar, é bom quando as pessoas riem de 90% das tiradas engraçadas que você tenta emplacar. Não há quem não sinta seu ego inflar com isso, e não sou diferente nesse caso.
Contudo, até mesmo os comediantes precisam de momentos sérios. No meu caso, surge a necessidade de escrever não algo triste, mas que ao menos não tenha o único propósito de arrancar alguma gargalhada do meu amigo leitor que acessará o blog na esperança de encontrar algo novo.
Houve um tempo em que o Que Momento viveu sua época apaixonada, por exemplo. Hoje sou um homem casado no civil e no religioso, praticamente um pai de família: faltam apenas os filhos. Naquele tempo, quando a Dani e eu ainda vivíamos o doce (e também amargo) jogo da conquista, meu romantismo imperava por essas linhas como uma música de Oswaldo Montenegro. E como é fácil escrever sobre o amor no auge da paixão...
Agora há pouco estive visitando alguns blogs bem românticos, entre eles o Pratododia, da minha querida amiga Ana Flávia. Eis uma guria apaixonada, cujo sotaque mineiro já é a própria transfiguração do amor em si. Visitem-na.
Pois bem, foi ali, naquelas linhas, que senti saudades daquele tempo de amor pulsante e resolvi escrever hoje para a Dani. Como seres humanos, falhamos a partir do momento em que nos acomodamos com o que a vida já deixou nos trilhos e acabamos não dando a prioridade necessária a quem realmente importa. Ainda mais no meu caso, que sou homem, desligado, preguiçoso, macanudo y peleador. Acabo muitas vezes deixando o principal de lado em prol das minhas risadas.
"Ele é um mau marido e tá tentando fazer média com ela", alguém pensará. Em verdade, vos digo: ímpios são aqueles que levantarem calúnias a respeito do que escrevi até agora. Pelo contrário, homens de pouca fé. Vocês precisam ver as barrigadas de riso que a Dani toma quando lê meus textos. Sim, minha fiel leitora! A crítica dentro de casa, minha Brahma chopp, a número um! Com ela divido cada linha do Que Momento desde a sua criação.
Aliás, não seria nem um pouco difícil escrever algo engraçado acerca de nosso matrimônio. Vivemos numa comédia romântica, essa que é a verdade. Tá, tem lá seus momentos de filme de terror, de drama mexicano, de faroeste e talicoisa. Mas, no geral, é novela das seis. Com incríveis pitadas de Vale a Pena Ver de Novo. Um verdadeiro Video Show! E essa mania que eu tenho de comparar as coisas com a programação global e que me emburrece um bocado. Preciso ler mais livros.
Tchê, será que não conseguirei ter um momento romântico? Vou tentar aproveitar a trilha do Oswaldo. Se a música terminar, cliquem novamente no play lá em cima.
Minha esposa é, hoje, a grande fortaleza da minha vida. Passados os dez primeiros anos, e com eles nossa adolescência, é óbvio que muito do romantismo meloso ficou pelo caminho. Diria que a paixão amadureceu. É diferente estar apaixonado com dezesseis anos de estar na mesma situação aos vinte e sete. Assim como o amor também muda, creio que passamos a enxergar outros níveis de importância no sentimento depois de tanto tempo.
É por esse motivo que não vivo mais uma vida de declarações diárias de amor, ou pelo menos não em outdoor. Amo a Dani de outras formas, de maneiras mais sutis e seguras ao mesmo tempo. Sinto conforto na dedicação que ela tem para comigo, na maneira como seus olhos ainda brilham por mim uma década depois do primeiro beijo. Sim, porque se eu mudei um bocado, ela ainda mantém muito da menina apaixonada e doce. Sei lá, isso em mulheres cai muito bem. É tipo scarpin, serve dos quinze aos cinquenta nelas.
De qualquer forma, senti essa necessidade de vir deixar o meu recado apaixonado nesta madrugada. Desde que entrei em férias da faculdade, temos passado pouco tempo juntos. Aproveitei para visitar meus avós, para descansar a cabeça da correria que foi 2012. Agora, por exemplo, ela está num ônibus indo visitar seus pais, enquanto estou aqui na casa da vó Dilma curtindo uns dias de descanso. Essa pequena distância que criamos deu um ingrediente novo ao nosso casamento, pois temos passado uns dias longe e, com isso, redescobri a saudade dentro do meu peito. Mais que isso, entendi a necessidade de ficar perto da minha esposa e o quanto isso significa na expressão "ser uma família".
Com a Dani, criei minha própria família. Somos o topo da nossa árvore genealógica particular. Sendo dois, somos um só. Mesmo com todos os meus erros e defeitos, ainda que nem sempre eu acerte como deveria, porém sinto que estamos trilhando um caminho em comum que é o certo. A vida nos mostra diariamente que tudo tem o seu valor correto de aprendizado, principalmente quando se tem boa vontade.
Por isso, e pela fase especial que estou vivendo, onde este blog vai virar livro, os amigos apoiando o tempo todo, a família, uma faculdade pela frente, sonhos prestes a serem realizados, é aí que mora a importância de uma companheira de todas as horas. É aquele sorriso desfalcado de dentes que eu recebo a cada projeto que finalizo ou que inicio. E não pensem que minha esposa é banguela, ela apenas tem anodontia parcial.
Depois de tudo o que o blog já recebeu em termos de sentimento, um deles ainda continua intacto: eu amo a Dani, como nunca amei outra mulher e como pretendo nunca amar a mais ninguém. Agora com mais risadas e menos joguetes de conquista. Mais responsabilidades e sem precisar ligar para minha mãe buscar ao fim da noite. Com calcinhas bege e remelas nos olhos ao amanhecer. E, ainda assim, por incrível que pareça, é impressionante o quanto ela fica cada dia mais linda quando acorda. Parece um anjo. E o é.

9 comentários:

  1. Que momento Ton! Que momento!
    Primeiro, me sinto honrada pela citação do Pratododia lá em cima. Fico feliz que o que escrevo lá, vez ou outra serve de inspiração pra outrem.

    Segundo, o Que Momento! é muito bom no que faz: esse humor inteligente e único da blogosfera.

    Terceiro, esse seu amor pela Dani e o orgulho que "ouço" você falar sobre o casamento de vocês, é lindo Ton! É lindo!

    E com aquele rostinho delicado de bonito, não duvido que ela acorde como um anjo. E sem remelas. hahahaha

    Um beijão pra vocês.
    Que Deus continue abençoando MUITO a relação de vocês.


    Vou ficar esperando o casal do sul aqui em Minas em junho! hahaha

    Beijão pro'cês.

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  2. Que momento! Belo texto, bruxo! Uma dose de romantismo não faz mal a ninguém. Sinto orgulho por ser padrinho desse casal. Abração!

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  3. Ai, Ton, que texto bonito.
    Histórias como a tua com a Dani me deixam feliz. E feliz não só porque dão certo, mas porque são bonitas e mostram que as coisas podem sim acontecer se a gente quiser. Pelo que sei, foi assim com vocês. E acho fofo o teu carinho com ela, muito fofo mesmo.

    Fico feliz por vocês!

    Beijo!

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  4. Danieli Moschen Dutra22 de janeiro de 2013 13:18

    Dessa vez eu fui pega de surpresa! ^^

    Como não podia ser diferente, estou emocionada e radiante com um texto especial como esse. Adoro os textos de humor, me esbaldo rindo, mas o romantismo aquece a alma. E mais do que isso, declarações como essa comprovam que fiz a escolha certa: amar um homem íntegro, inteligente e talentoso, do qual eu me orgulho todos os dias.

    Pode ter certeza que meu amor e meu sorriso desfalcado tu terás por muito tempo. É ele que tu vai encontrar em todos os momentos da tua vida, seja para comemorar a realização de algum sonho, como para renovar as forças quando for preciso.

    Obrigada pelas palavras!

    Beijos da Sra. Dutra.



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  5. que lindoooo... eu fico imaginando o livro I tá saindo e escreve o que te digo, o livro II vai ser quando vier o herdeiro(a) porque com a inteligência e bom humor para contar as histórias, o livro II vai ser ainda melhor que o livro I... escreve o que vos digo e um dia vais dizer: a CRIS me disse isso hihihi
    Bjusss para os dois...

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  6. Primeiramente, muito obrigada pela sua visita. Volte sempre! Gremista sempre é bem recebido no meu blog, risos. Hoje é um dia muito importante para nós gremistas, não é mesmo?
    Que bonita a sua homenagem a sua companheira. O amor é tudo, mas sem companheirismo não dá. Gostei da forma que tu escreves. Com muito bom humor. Bom humor contagia. Beijos para os dois.

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  7. Hey, como faço para colocar a pagina do face no meu blog? kkk, beijos

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  8. Ala pucha tchê!, que texto.

    Não me surpreendo com a forma como coloca as palavras, haja vista que bem sabe que lhe considero um mestre no seu manejo.

    Muito sei, também, que a querida Dani sequer tem dúvidas deste teu amor; mas também, faz bem tu em reforçar, publicamente, este sentimento. Nossas mulheres tem de ser cortejadas a cada dia pois, indiscutivelmente, são o esteio de nosso existência.

    Belo texto, primo!

    Forte abraço.

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