TOQUES

Telefone celular é como namoro: enquanto você não tem, vive tranquilamente, agora, depois que experimenta ter um, não vive mais sem. Digo isso usando-me como exemplo. Lembro que eu era um dos poucos da minha turma que não tinha celular, coisa que não me preocupava muito, pois não fazia parte das minhas ambições. Foi então que, no Natal daquele ano (que já não lembro mais qual é), ganhei um de presente da minha estimada mãe. Posso dizer que, do ponto de vista telefônico, minha vida mudou bastante.
Entretanto, o que era pra ser um telefone móvel, virou uma espécie de Bombril: mil e uma utilidades. Mensagens, fotos, vídeos, internet e o odiado despertador são apenas algumas das várias facetas que os celulares possuem.
Depois que vim para São Chico, acabei rendendo-me a uma utilidade bastante singela do meu telefone: o toque. Desprovido de posses para ligar para todo mundo, e sendo essa recíproca verdadeira por parte de vários amigos, ele acaba sendo um hábil meio de comunicação entre mim e o mundo.
Meio de comunicação? Como, se nem há conversa nessa prática? E é aí que entra o que eu chamo de "a magia da imaginação das pessoas". Sim, porque um toque nada mais é do que uma chamada não atendida. Não obstante, para quem aprendeu essa prática surpreendente, o toque é uma forma de saber que a pessoa que chamou o seu telefone uma só vez está lembrando de você. É uma maneira moderna de dizer "olá".
Sinais de fumaça, pombos-correio, cartas, e-mails, e agora os toques. As pessoas "se puxam" cada vez mais nas formas de comunicação. "Quando eu chegar na frente do cinema, te dou um toque", "me dá um toque quando chegar em casa", ou "quando eu estiver saindo, te dou um toque". Imaginem se Isabel e Maria possuíssem telefones celulares na época do nascimento de João Batista: "Maria, quando meu filho nascer, te dou um toque". Penso que, simplesmente, não haveria fogueira nas festas de São João. Ou então, quando Jesus nasceu, Herodes diria aos Reis Magos: "quando vocês virem o menino, me dêem um toque". Provavelmente, para não entregarem o Salvador, os Reis diriam que ficaram sem bateria, e não havia tomadas na manjedoura.
Pois é, tem gente que não dá bola pra isso, que acha os toques uma perda de tempo. Eu não. Entro em casa, e vou direto olhar no celular, pra ver se alguém deu toque. Quando lembro de alguém, dou toque. Aqui, no meio do mato, é a única maneira de lembrar e ser lembrado. E, se tem gente que não gosta, eu adoro ser lembrado.
Pra fechar, para os sovinas de plantão, o toque é, acima de tudo, economia; uma maneira de dar sinal de vida sem gastar um centavo sequer. Portanto, se você gostou do texto, não perca tempo e me dê um toque. Ah, não tem o meu número? É só olhar na minha página do Orkut.

Fiquem com Deus!

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